• Aucun résultat trouvé

17EME OBJET – 1.857.073.541 – BATIMENTS DU CULTE – APPROBATION DU DEVIS ESTIMATIF ET CHOIX DU MODE DE PASSATION DU MARCHE EN VUE DE TRAVAUX

As ocupações são chamadas por diversos grupos para pontos comuns ou pontos diversificados e se espalham de forma viral pelas redes. Ao se encontrarem nos pontos indicados, a comunicação continua pelo celular já que não há carros de som. A informação para os que não estão no encontro continua de forma descentralizada: as pessoas filmam, fotografam, comentam e enviam para as redes sociais. E para as redes de televisão que, percebendo a riqueza deste material, passaram a estimular que seus telespectadores lhes enviassem os registros. Ou seja, as manifestações estão também mandando um recado sobre o poder das novas tecnologias para o acesso, a criação, modificação e distribuição do conhecimento. Neste aspecto, é preciso atentar para o principal ator das manifestações: os jovens (SINGER, 2013, n.p.).

Apesar das Manifestações de 2013 serem pioneiras no Brasil no que se refere a organização através de redes sociais, protestos ao redor do mundo que utilizaram as mídias digitais como logica de estruturação não são novidades. Na Primavera Árabe, por exemplo, jovens assistiam e compartilhavam vídeos e informações pela internet e foram às ruas em sinal de protesto contra repressão, pobreza e ausência de direitos humanos.

O Occupy Wall Street foi outro movimento conectado às redes sociais. Aconteceu nos EUA e rebelou-se contra corrupção e desigualdade. Além desses,

vários outros movimentos juvenis amparados por mídias digitais ocorreram no Egito, Turquia, Tunísia, Ucrânia e outros países no mundo.

Nas Manifestações de 2013 a lógica das redes sociais não esteve somente no processo convocatório, mas também na mobilização e organização dos atos. O comando das ações não se deu por meio de uma organização ou liderança, e sim de forma horizontalizada entre os usuários das redes sociais e se espalhou rapidamente nos grupos, comunidades e relações individuais.

E, justamente essa identificação entre quem convidava e quem recebia o convite, que deu a grande dimensão às manifestações, pois muitos jovens aderiram a proposta mesmo sem uma opinião sólida sobre o assunto. E a diversidade de cartazes revelava que cada um ou cada grupo tinha sua pauta e construíam uma manifestação própria que se unia a manifestação como um todo.

Segundo Rudá Ricci (2014, p. 23), o processo de organização em rede despontava uma utopia provisória de demonstração de força, imediata, ágil e sem barreiras, na medida em que a comunicação em rede é lacunar, ou seja, não se fecha, é aberta, dinâmica e se refaz na sua própria metodologia. Chauí reforça essa ideia referindo a sensação de “ato mágico”, de maneira que, com alguns cliques, aquilo que a pessoa deseja acontece. É a satisfação imediata do desejo sem mediação.

Durante as manifestações, a troca e propagação das informações eram rápidas e se espalhavam de forma incontrolável, criando inúmeros multiplicadores digitais que davam corpo as pautas e protestos sem líderes.

Mal iniciava a manhã e já havia mensagens postadas de um protesto na rede marcado para a parte da tarde. (...) Por volta das 4 da tarde, várias pessoas já se encontravam no local com cartazes, segurando máscaras nas mãos e com a bandeira brasileira às costas. Uma hora depois, a multidão se aglomerava gritando, cantando e entoando o Hino Nacional. Em poucos minutos, ruas, avenidas e estradas estavam tomadas (FERNANDES, 2013, p. 29).

40

O relato de Fernandes mostra a agilidade do processo de organização dos atos.

Os celulares das pessoas que protestavam registravam os fatos, dividindo espaço com repórteres no meio da multidão, postando e enviando as imagens em tempo real pela internet, superando, e muito, a velocidade da informação da mídia tradicional (FERNANDES, 2013, p. 30).

Esse fenômeno sustentava o que o autor chamou de “dobra da informação”. Durante os protestos nas redes sociais as informações dobravam-se umas sobre as outras, contagiando as bases, disseminando-se pela sociedade e influenciando as opiniões de diferentes usuários da rede que recebiam e respondiam as mensagens e, por sua vez, influenciavam outros tantos.

Os internautas das redes sociais, principalmente os ativistas digitais, possuíam uma linguagem sucinta e atraente. Os posts no Facebook normalmente continham ideias, propostas, opiniões e convites para atos. Segundo pesquisa realizada pela Ideas Scup estima-se que mais de 2 milhões de menções foram feitas no Facebook, Twitter, YouTube e Google, e que mais de 132 milhões de pessoas foram impactadas. De acordo com levantamento da agência digital Today, 548.944 mensagens sobre os protestos no Brasil foram veiculadas na segunda-feira, 17 de Junho.

Ao longo dos protestos, o Twitter foi, a rede social mais utilizada para citar as manifestações. Abrangendo cerca de 90% dos posts sobre o tema (483.839 mensagens). Entre as hashtags12 mais utilizadas pelos usuários estão #vemprarua, #ogiganteacordou, #protesto, #mudabrasil e #semviolência. O Facebook aparece como segundo meio mais utilizado, com quase 10% do total de posts sobre o assunto foram feitos na rede social.

12 A hashtag é uma palavra-chave precedida pelo símbolo #, que as pessoas incluem em suas mensagens.

Essencialmente, ela faz com que o conteúdo do seu post seja acessível a todas as pessoas com interesses semelhantes, mesmo que eles não sejam seus seguidores ou fãs. As hashtags aparecem como links clicáveis quando usadas em mensagens, bastando clicar sobre elas para ver todos os resultados relevantes. http://pt.wix.com/blog/2013/11/o-que-sao-hashtags/

A convocação feita por meio das redes sociais derruba o monopólio dos meios de comunicação de massa, entretanto, possuem algumas características que o aproximam dos procedimentos da mídia tradicional. Marilena Chauí presenta reflexões sobre as manifestações:

a. é indiferenciada: poderia ser para um show da Madonna, para uma maratona esportiva, etc. e calhou ser por causa da tarifa do transporte público;

b. tem a forma de um evento, ou seja, é pontual, sem passado, sem futuro e sem saldo organizativo porque, embora tenha partido de um movimento social (o MPL), à medida que cresceu passou a recusa gradativa da estrutura de um movimento social para se tornar um espetáculo de massa. c. assume gradativamente uma dimensão mágica, cuja origem se encontra na natureza do próprio instrumento tecnológico empregado, pois este opera magicamente, uma vez que os usuários são, exatamente, usuários e, portanto, não possuem o controle técnico e econômico do instrumento que usam (CHAUÍ, 2013, n.p.).

Chauí questiona a possibilidade das manifestações permanecerem como eventos e não se tornarem uma forma de auto-organização política da sociedade, devida falta de ligação ideológica, solidez e unidade das pautas e consolidação de um grupo/comunidade, visto que, após os eventos não há encontro ou discussão seja pessoal ou virtual daquele grupo.

No ponto de analise “c” ela coloca os usuários das redes sociais, participantes das manifestações, na mesma situação que os receptores dos meios de comunicação de massa, sem controle técnico e econômico do instrumento que utilizam. O poder de gerar efeito viral é inegável, entretanto, altos números de curtidas não necessariamente significam engajamento de fato.

O uso dos meios de comunicação próprios, como celular, tablete e smartphones, municiou a população com as informações em tempo real do que acontecia nas ruas pelo ângulo de quem participava ou assistia. E se constituíram ainda como espaço de debate, difusão e troca de informações.

O uso das mídias digitais constituiu um diferencial importante no novo movimento social que mexeu com o país e com as visões sobre ele. As redes

42

sociais, como canais de encontro e interação, viabilizaram a articulação entre as pessoas e as ações conjugadas (acertos de dia, local, hora). Tanto é, que os protestos que iniciaram no Facebook, Twitter, continuavam nas ruas e repercutiram mundialmente.