5 PROPOSITIONS PRAGMATIQUES DESTINÉES SPÉCIFIQUEMENT À L’ENTREPRISE 67
6.3 Lecture pragmatique de la norme 83
6.3.2 Les motivations de l'entreprise
Para a utilização das técnicas e materiais ecoeficientes e ter máximo aproveitamento de energia limpa, devemos primeiramente entender o meio em que será construída a edificação. As ecotecnicas variam de acordo com o local de inserção, nem sempre uma técnica eficiente no norte do Brasil será boa no nordeste, como por exemplo, a utilização de reservatório de reuso que capta água da chuva exige pluviosidade constante em que ocorre norte do país e não ocorre no nordeste. Portanto, devemos utilizar técnicas e materiais que justifiquem o investimento, otimizando os recursos.
A escolha da localização da edificação deve ser cuidadosa no que diz respeito à posição do sol, os ventos predominantes e questões de pluviosidade. Esses são fatores que influenciarão a temperatura do ar que chega da rua e os tipos de técnicas e materiais aplicáveis no ambiente.
Para definir quais ecotécnicas anteriormente citadas são aplicáveis a qual ambiente, utilizamos a norma NBR15220, publicada pela ABNT em 2005, sobre desempenho térmico de edificações, mais necessariamente, na parte 3, no que diz respeito à zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social. Esta norma apresenta um estudo de 330 cidades com a divisão do território brasileiro em oito zonas relativamente
homogêneas quanto ao clima, conforme apresenta a figura 25. Para determinação de cada clima, utilizou-se a posição geográfica, médias mensais das temperaturas e médias mensais das umidades relativas do ar. De acordo com cada zona, a ABNT – NBR 15220 recomendou algumas técnicas construtivas que otimizam o desempenho térmico das edificações, apresentadas a seguir.
Figura 25 – zoneamento bioclimático brasileiro Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
x Zona bioclimática 1 (Z1) – A área hachurada da figura 26 corresponde a 12 cidades estudadas pela ABNT, tendo como modelo a cidade de Caxias do Sul (RS). Refere-se a climas mais frios no sul do País com
invernos mais acentuados. De acordo com a norma, esta zona necessita de aberturas efetivas para ventilação de 15% a 25% da área do piso para ambientes de longa permanência (cozinha, dormitórios, sala de estar) e também aquecimento por radiação solar durante o período de frio. Por isso, estrategicamente, para amenizar a eventual sensação de desconforto térmico no inverno, é apropriado utilizar o aquecimento solar da edificação e vedações internas pesadas.
x Zona bioclimática 2 (Z2) – A área hachurada da figura 27 corresponde a 33 cidades, destacando a cidade de Ponta Grossa (PR).
Possui as mesmas características que a Z1, mas estrategicamente, para o verão é aplicável faz uso da ventilação cruzada para a boa utilização dos ventos predominantes neste ambiente. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, nesta área é possível utilizar o sistema eólico de pequena escala para edificações, devido as constâncias de ventos acima de 6m/s.
x Zona bioclimática 3 (Z3) – A área hachurada da figura 28 corresponde a 62 cidades, em destaque a cidade de Florianópolis (SC). Possui as mesmas características que a Z2. A única diferença está na utilização de materiais para alvenaria e cobertura, que não está sendo abordado no presente trabalho. De acordo com o Atlas de Potencial Eólico Brasileiro, nesta região, metade do ano a utilização de sistema eólico nesta região é
Figura 26 – Zona bioclimática 1 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
Figura 27 – Zona bioclimática 2 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
funcional. Deve ser atrelada a outro tipo de sistema de fornecimento de energia elétrica, para garantir que não falte energia elétrica
na residência. Deve-se fazer um estudo sobre o retorno financeiro da utilização dessa composição de sistemas, para que o investimento seja rentável.
x Zona bioclimática 4 (Z4) – A área hachurada da figura 29 corresponde a 17 cidades, em destaque a cidade de Brasília (DF). A abertura efetiva para ventilação continua igual às outras zonas, que deve ser de 15% a 25% da área de piso. A Z4 necessita sombrear as aberturas para manter a temperatura interna à edificação confortável. Ela é considerada quente e seca, a sensação térmica no período de verão pode ser amenizada através do resfriamento evaporativo, que são lagos ou vegetações no entorno da edificação que resfriam o ar, quando a água evapora, antes de entrar na habitação. Ainda no verão devemos utilizar a técnica de massa térmica para resfriamento, por exemplo, os brises que protegem a edificação bloqueando a entrada de radiação pelos vidros das janelas, fazendo com que a temperatura no interior se
mantenha prazeroso. E ainda, a ventilação seletiva, que como a cruzada, possui abertura em paredes opostas, neste caso rente ao teto permitindo assim baixar a temperatura interna da casa sempre que esta for superior à externa. Já no inverno, as técnicas são iguais às zonas anteriores. De acordo com o Atlas de Potencial Eólico Brasileiro, a utilização de sistema eólico nesta região é sazonal e, portanto, deve ser atrelada a outro tipo de sistema de fornecimento de energia.
Figura 28 – Zona bioclimática 3 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
Figura 29 – Zona bioclimática 4 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
x Zona bioclimática 5 (Z5) – A área hachurada da figura 30 corresponde a 30 cidades, em destaque a cidade de Santos (SP). Possui as mesmas características de abertura para ventilação e sombreamento das aberturas da
Z4. Para o verão é aproveitável a utilização da ventilação cruzada, considerando os ventos predominantes e os obstáculos do entorno, e no inverno, estrategicamente, as vedações internas pesadas são imprescindíveis para manter o calor interno, adquirido durante o dia, nas noites frias. De acordo com o Atlas de Potencial Eólico Brasileiro, a utilização de sistema eólico nesta região é sazonal assim como na Z4.
x Zona bioclimática 6 (Z6) – A área hachurada da figura 31 corresponde a 36 cidades, em destaque a cidade de Goiânia (GO). Possui as mesmas características de abertura para ventilação e sombreamento das aberturas das duas ultimas zonas. Esta zona, assim como a Z4, no verão deve-se fazer uso do
resfriamento evaporativo (lagos e vegetação no entorno da edificação), também da técnica de massa térmica para resfriamento (brises), e ainda, a ventilação seletiva. No inverno, recomenda-se vedações internas pesadas. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, nesta área é possível utilizar o sistema eólico de pequena escala para edificações, mas para isso é preciso se fazer um estudo conciso das características locais para aplicabilidade da ecotécnica.
x Zona bioclimática 7 (Z7) – A área hachurada da figura 32 corresponde a 39 cidades, em destaque a cidade de Picos (PI). Diferentemente de todas as outras zonas anteriormente descritas, a Z7 necessita de aberturas efetivas para ventilação de 10% a 15% da área do
Figura 30 – Zona bioclimática 5 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
Figura 31 – Zona bioclimática 6 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
piso para ambientes de longa permanência, sendo também o sombreamento dessas aberturas necessário para o conforto térmico
interno. No verão, é recomendável o uso de resfriadores evaporativos (lagos e vegetação no entorno da edificação), massa térmica para resfriamento (brises), e ventilação seletiva nos períodos quentes em que a temperatura interna seja superior à externa. De acordo com o Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, nesta área é possível utilizar o sistema eólico essencialmente somente no trimestre junho, julho e agosto, portanto é preciso se fazer um
estudo conciso das características locais para aplicabilidade da ecotécnica atrelada a outro tipo de geração de energia.
x Zona bioclimática 8 (Z8) – A área hachurada da figura 33 corresponde a 99 cidades, incluso a cidade do Rio de Janeiro, em destaque a cidade de Belém (PA). As aberturas efetivas para ventilação são essencialmente
acima de 40% da área de piso em ambientes de longa permanência, e conjuntamente, sombreadas as aberturas. No verão, recomenda-se a utilização da ventilação cruzada permanente considerando os ventos predominantes e os obstáculos do entorno. De acordo com o Atlas Pluviométrico do Brasil, esta região é a ideal para se utilizar o sistema de reservação de água pluvial, devido às constâncias de chuva na região norte do país.
Figura 32 – Zona bioclimática 7 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.
Figura 33 – Zona bioclimática 8 Fonte: ABNT – NBR 15220, 2003.