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SIEMENS Verio 3T

V.2 Architecture d’intégration logicielle des algorithmes de navigation sur l’IRM

V.2.2 Le module de traitement de données

Neste ponto, em que se solicitou aos professores que lembrassem e partilhassem alguma situação ou episódio de alguma forma marcantes, vividos durante a sua permanência na Escola, os docentes apresentaram respostas díspares: alguns desenvolveram a sua resposta ao narrar certos aspectos do quotidiano da Escola, baseando- se, pois, na sua memória dos acontecimentos; outros, responderam de forma breve e generalizando os factos sem os esmiuçar. São sobretudo dos referidos primeiro, os excertos que se seguem:

Do pouco fazer muito, a solidariedade e a união de esforços dos professores que levaram a cabo actividades grandiosas, de que são exemplo: o Presépio vivo, os convívios dos Santos Populares, e muitas outras festas que marcaram inclusivamente a própria cidade de Maputo daquela época.

Recordo uma turma de 1º ano que tive, logo no início da Escola. Quase no final do ano lectivo soubemos que íamos ter uma inspecção e resolvemos preparar (um bocado à pressa) uma pequena representação para o senhor inspector. Foi pobre em recursos, mas muito engraçada. Os pais colaboraram ajudando as crianças a memorizar os textos. Houve algumas pequenas gafes, mas foi muito lindo e comovente.

A realização de um Presépio vivo nas barreiras de Maputo, evento que envolveu a comunidade educativa e mobilizou toda a cidade tendo sido necessária o apoio da polícia, dos Serviços Veterinários (dada a presença de animais vivos), a Rádio e a Televisão de Moçambique.

A nível de actividades extra-curriculares, pela positiva, recordo os convívios e o ambiente salutar entre todos os colegas, a representação do Presépio vivo, as actividades desportivas entre professores e alunos. Negativamente, um episódio envolvendo um encarregado de educação que tentou interferir na forma do professor se relacionar com os alunos e pôs em causa a atitude do

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professor face ao comportamento menos correcto daqueles.

Um professor de História e Geografia de Portugal, moçambicano, de raça negra, relembra:

Lembro-me de um episódio que se passou na sala de aula, ainda eu não tinha três meses de trabalho. Falando da ‘Expansão’, pedi a uma aluna para ler um texto que falava da escravatura. Ao chegar à expressão ‘escravos negros’ a aluna, fitando-me, ficou muda na palavra ‘negros’. Os outros alunos também não se pronunciaram e observou-se silêncio. Muito rapidamente, li a palavra e pedi à aluna para dar continuidade à leitura do documento e, em seguida, coloquei questões sobre o texto e a expansão em geral, quer à aluna, quer à turma.

Volvidos dias, numa aula de consolidação e de preparação para o teste, abordei a questão da escravatura e mostrei aos alunos que na abordagem deste tema não nos devemos sentir culpados nem vítimas, pois isto não contribui em nada para a edificação de um mundo tolerante. O que é importante é que na abordagem deste tema cada um tenha a consciência do crime vergonhoso que foi e que cada um lute para que crimes deste género não voltem a ter lugar.

No intervalo, aquela aluna a que fiz referência, veio ter comigo, confessando que ficara embaraçada durante a leitura, pois não sabia como o professor iria reagir. Mostrei-lhe que entendera a posição dela. (…) Considero que participei na educação da aluna e da turma, numa perspectiva de interpretar a História e fazer desta disciplina instrumento de educação para a cidadania.

Uma professora do 1º Ciclo, portuguesa, natural de Moçambique e de raça indiana, por sua vez, refere:

Vou partilhar dois episódios, um que me marcou negativamente e outro de forma positiva: O primeiro, foi o facto de me ter sido dito por um membro da Direcção da Cooperativa que, não obstante estar a leccionar conteúdos relativos à História e Cultura portuguesas, eu não possuir essa cultura (portuguesa), o que me pareceu um preconceito rácico.

De forma positiva, marcou-me uma festa de Natal realizada nas barreiras, local defronte da escola, que apresentou de forma brilhante um presépio humano.

Dois testemunhos de outra professora, das mais antigas da escola:

Houve um ano em que, no início do 2º período, foi grande o afluxo de alunos vindos das escolas moçambicanas e de Portugal. As professoras do 1º Ciclo andavam com os cabelos em pé, porque não tinham lugares nas suas salas que comportassem mais crianças, e lá vinha mais uma… e mais uma…; então, duas professoras vestiram-se de ‘menininhas’ e pediram à funcionária D. Palmira que fosse à sala de uma professora (a mais refilona) dizendo que tinha mais duas alunas novas para integrar a turma. A professora barafustou, refilou, até que viu as ‘tais alunas’: de lacinhos na cabeça, trancinhas, saiinhas curtas e dedo na boca. Foi a risada total!

Um episódio engraçado foi quando a FACIM deixou bem no meio do recinto alugado pela escola um helicóptero. Os alunos deliraram! Havia na altura

111 uma turma do 1º ano que era terrível. Certo dia, após o intervalo, faltavam três alunos na turma. Toda a escola se mobilizou para os procurar, mas nada de os encontrar! Até que alguém se lembrou de espreitar para dentro do helicóptero. Lá estavam as três cabecitas dos meninos de seis anos que, ao verem-se descobertos, fugiram para um armazém, onde, deitados numas prateleiras, ainda conseguiram escapar por mais um tempo da fornalha que eram as salas de aula.

Ainda acerca do presépio vivo, apontado por vários dos entrevistados, professores e alunos, como sendo inesquecível, uma das professoras que esteve envolvida na sua preparação, afirma:

Foi um trabalho incrível, idealizado e organizado pela engenheira Lourdes Ferrão, da Direcção da Cooperativa. Inicialmente pensámos que fosse completamente utópico, parecia impossível organizar-se um espectáculo daquela envergadura. Mas ela conseguiu movimentar tudo, trazer cavalos e outros animais, vacas, ovelhas, …

Foi um espectáculo único e fascinante, apesar de na altura haver muitas limitações relativamente à segurança. Dos meus alunos, por exemplo, foram poucos os que puderam participar pois, para além de serem pequeninos, do 1º ano, os pais tinham receio que sendo a representação à noite e fora da escola, pudesse acontecer algum problema. Mas os que participaram foram espectaculares. Não tiveram, porém, um papel muito activo: era estarem sentados no chão, muito quietinhos, e, quando os projectores se acendiam, eles levantavam-se e desabrochavam ‘as flores’ no ‘jardim do Éden’. Este

‘Presépio vivo’ foi qualquer coisa de verdadeiramente deslumbrante e

inesquecível.

Foto 17 – As “flores do Éden”: alunos do 1º ano A, na sua sala de aulas, momentos antes do espectáculo, nas barreiras em frente da Escola.

Outro acontecimento muito lembrado por vários dos ex-professores da EPM, foi quando, após a doação do terreno para a construção efectiva da nova escola, se deslocaram ao local para efectuar o plantio de árvores, como refere uma das professoras entrevistadas:

Foi com uma excitação muito grande que fomos ao terreno da futura escola plantar eucaliptos no ‘dia da árvore’. Primeiro mandámos cavar um bocadinho a terra nos limites do terreno e, no dia, um domingo, lá fomos nós com os alunos, acompanhados também por alguns pais e encarregados de

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educação. Cada turma plantou a sua arvorezinha e colocou uma tabuleta com a indicação do ano e turma. Mais tarde, porém, as crianças sentiram-se frustradas pois, quando os pais as levavam a passear ao local, as árvores já lá não estavam, pois a empresa construtora elevou os muros no próprio lugar da plantação. Pelo menos que tivessem poupado algumas árvores para depois as replantar no jardim da Escola!...

Fotografia 18 – Plantação de pinheiros e eucaliptos por elementos da comunidade educativa da EPM -Cooperativa de Ensino, no espaço limítrofe do terreno onde viria a ser erigida a nova Escola: a EPM-CELP.

4.6.6 A vida em Maputo e o impacto da EPM em Maputo e em