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Du modèle du véhicule au modèle quart de véhicule

Architectures traditionnelles de suspension et problématiques

1.2. DYNAMIQUE DU VÉHICULE

1.2.3 Du modèle du véhicule au modèle quart de véhicule

Foi esculpindo nas cavernas que o homem começou a manifestar seu desejo de perpetuar a sua história, informar sobre os acontecimentos do seu cotidiano, comunicar. Graças aos rabiscos em rochas, foi possível o conhecimento sobre aquele momento histórico e sua evolução. A partir de um olhar crítico, atento às suas necessidades, do olhar multi-sensível, o homem, nessa primeira etapa de desenvolvimento cultural, fazia da Arte um reflexo da sua vida social e produzia um certo tipo de informação, que era, essencialmente, a experiência de sua realidade.

Nas regiões mais frias, uma caverna, protegida por uma fogueira na entrada, era um abrigo perfeito para os grupos e tribos. A vida durava mais e havia mais tempo para a observação e o acúmulo de conhecimento. Com o desenvolvimento da fala, o convívio e a troca de experiências ganhavam uma nova dimensão. Ouve-se e conta-se histórias: há um aprendizado a partir da palavra, da observação, da troca de impressões. A terra endurecida em volta do fogo surge a cerâmica; rabiscos no chão, traçando estratégias de caça, se transformam em desenhos. Fazendo a ligação entre mão – que amassa, desenha, esculpe e caça – e o olho – que observa e absorve (COELHO, 1998, p. 33).

Em princípio, esta foi a melhor forma de manifestação do conhecimento que o homem encontrou para expressar a sua visão de mundo, por meio de imagens, de desenhos. São várias as formas de manifestar e propagar o conhecimento e a imagem continua sendo a mais usual, no entanto, aperfeiçoada. Ela ganha espaço nas paredes das salas de estar, outdoors das grandes avenidas, nos painéis luminosos, nos livros, jornais, revistas, televisões, jogos eletrônicos, computadores e muitos outros lugares.

É no século XX que a imagem ganha destaque e muitos o consideram como o século da imagem, quando a informação imagética tramita levando idéias, acontecimentos, fatos reais e imaginários, registrando o mundo de forma dinâmica. A mídia passa a usar amplamente a imagem como potencial persuasivo, aprimora produção de comerciais e propagandas, abusa de recursos como cores, luzes, sombras, sobreposições, movimento, sons, etc.: tudo para atingir de forma mais eficiente um maior número de espectadores. Nada foi mais visível do que a revolução que a Internet nos trouxe: veloz, simultânea, antitemporal e antilinear em comunicar por imagens.

[...] cada vez mais a existência cultural do homem contemporâneo situa-se no plano da comunicação visual por imagens. Psicólogos, antropólogos, epistomologistas e educadores são unânimes em afirmar que a maioria absoluta das informações que o homem moderno recebe, direta ou indiretamente, lhe vem pelas imagens (ALMEIDA JUNIOR, 1997, p. 14).

É nessa revolução eletrônica que se observa a imagem como ampliação do universo da informação e do conhecimento. A imagem, antes paisagem a ser contemplada, agora pode ser manipulada e oferecida tal como um texto para ser lido, decifrado, interpretado pelo espectador. Torna-se informação.

Entretanto, como definir a informação? Conforme Le Coadic (1996, p. 5):

A informação comporta um elemento de sentido. É um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita em um suporte espacial-temporal: impresso, sinal elétrico, onda sonora, etc. Essa inscrição é feita graças a um sistema de signos (linguagem), signo este que é elemento da linguagem que associa um significante a um significado: signo alfabético, palavra, sinal de pontuação.

Portanto, pode-se considerar informação tudo o que nos faz sentir: um odor, um sabor, um som, uma imagem – desde que se tenha consciência deste sentido. A informação por si mesma não é dotada de valor; sua relevância depende de sua inclusão num sistema de produção de conhecimento e, ainda, é muito relacionada ao seu uso social, como um instrumento – e nenhum instrumento vale por si só, mas pela utilidade que dele se faz.

[...] a qualificação da informação pela etimologia da palavra a associa objetivamente ao coletivo. Verifica-se, por essa via, que a sua importância encontra-se relacionada ao fato de a mesma promover modos de organização social que vão além de noções espaciais e territoriais: a agregação dos indivíduos, assim como a segregação entre eles, faz-se pela informação, sua circulação, distribuição e consumo (KOBASHI, SMIT, TÁLAMO, 2001).

Kobashi, Smit, Tálamo (2001) ponderam que a informação está associada não só aos seus produtos, mas também ao modo de funcionamento de sua produção (processo e produto).

Sobre a cognição na apreensão da informação, Varela (2006, p. 17) esclarece que compreender a informação não é apenas um ato cognitivo, mas, sobretudo, um ato social em que estão envolvidos ao menos dois sujeitos: o emissor e o receptor. Varela complementa que se faz necessário considerar a informação uma estrutura ou uma totalidade relativa, verificando a sua funcionalidade:

[...] refletir sobre o conhecimento e acompanhar os processos cognitivos são passos que levam à formação de um receptor que percebe e forma relações com um texto maior, que descobre e infere informações e significados mediante estratégias cada vez mais flexíveis e originais. Isto não quer dizer que compreender informações seja apenas um ato cognitivo; compreender informações é também um ato social em que interagem ao menos dois sujeitos: o emissor e o receptor (VARELA, 2006, p. 17).

Analisando a informação no contexto das práticas sociais, Araújo (2000) observa que os sujeitos constroem as práticas informacionais; ações de recepção, geração e transferência de informação. A informação é imprescindível na conscientização crítica da realidade “pois é através do intercâmbio informacional que os sujeitos sociais se comunicam e tomam conhecimento de seus direitos e deveres e, a partir daí, tomam decisões sobre suas vidas, seja em nível individual ou coletivo” (ARAÚJO, 2000, p. 1).

Para Le Coadic (1996, p. 10), as ciências são produtoras e utilizadoras de conhecimento científicos e técnicos, sendo que a Ciência da Informação tem por objeto o estudo das propriedades gerais da informação (natureza, gênese, efeitos), mais precisamente os processos – construção, comunicação e uso – que se sucedem e se alimentam reciprocamente.

Modelo social

Figura 1: O ciclo da informação Fonte: Le Coadic (1996, p. 11).

A respeito da construção da informação, é consenso que a produção de informação tem tido um crescimento exorbitante. Em especial, na literatura científica, Le Coadic (1996, p. 28) estimou que tudo acontecesse como se a densidade da Ciência em nossa cultura quadruplicasse a cada geração e dobrasse a cada 15 anos. O autor esclarece que as características do crescimento do conhecimento e da informação giram em torno da ampliação dos setores onde se exerce esse conhecimento, no movimento de síntese e de um profundo desejo de unidade e no aparecimento de novos produtos, processos, atividades e empresas. Portanto, a prática da construção da informação consiste na compreensão do código utilizado e recepção.

CONSTRUÇÃO

COMUNICAÇÃO

O papel da comunicação da informação consiste em assegurar a troca, a difusão e a promoção de informações junto à sociedade. A comunicação está relacionada ao movimento que carrega a matéria informação e a disponibiliza.

A respeito do uso da informação, Le Coadic (1996, p.39) conclui que “usar informação é trabalhar com a matéria informação para obter um efeito que satisfaça a uma necessidade de informação”. Trata-se de empregar o produto informação para obter a satisfação de uma necessidade, oriunda da vida social, exigência de saber, de comunicação, etc., e que esse objeto subsista, modifique, desapareça ou seja consumido.

A imagem como informação também passa, necessariamente, por esses três processos: construção, uso e comunicação. O homem, desde os primeiros registros na história, utilizou estes processos para representar o cotidiano. O que se aperfeiçoou foi a ferramenta nos processos, a forma como é utilizada e a forma de propagar a imagem-informação. No princípio, para construir, tinha-se um toco de carvão; atualmente, usam-se os mais variados objetos, desde o lápis, a caneta, o pincel, etc., até as mais modernas tecnologias, em especial o computador. O uso e a comunicação da imagem são cada vez mais diversificados e modernizados, estão na propaganda, na Arte, na Educação, enfim, na Ciência. A comunicação também passa pelas novas tecnologias; a imagem digital e a Internet detêm a maior contribuição nesta tarefa.

Assim, mais do que nunca, devido à evolução do homem na construção, uso e comunicação, a cognição das informações faz-se, quase que necessariamente, pelo visual. A imagem instiga a nossa capacidade de imaginar, criar e decodificar a informação do mundo à nossa volta, daí sua importância como construtora do saber. Ao representar o mundo em seus mais diversos suportes, as imagens exercem o papel de mediadoras entre o homem e o mundo.