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3. De nouvelles orientations, portant sur la stratégie et les méthodologies

3.3. Mieux coordonner l’action des services pour certaines polices

As Teorias das Facetas (TF) e os procedimentos de Análise da Estrutura de Similaridade - SSA (descritos na metodologia) também podem ser utilizadas para validação de Escalas (Roazzi & Dias, 2001; Souza, 2004). Segundo os autores o método consiste em uma matriz de correlações com n-variáveis que são representadas graficamente como pontos em um espaço Euclidiano. A diferença principal dessa análise é que faz classificações às distâncias dentro da ordem especificada a partir dos próprios dados, sem impor ortogonalidade como na análise fatorial (Guttman 1965; Young 1987; Roazzi, 1995).

Portanto, a análise SSA se deu a partir dos 39 itens resultantes das ACP. A Figura 10 representa um Escalograma bidimensional Euclidiano rodado no SPSS pela análise ALSCAL a partir dos cinco níveis de concordância, indo do discordo totalmente ao concordo totalmente, a partir da Escala de Likert para avaliar dimensões de usos objetivos e subjetivos das florestas.

FIGURA 10: ESTRUTURA DE FACETAS DOS 39 ITENS DA ESCALA LIKERT PARA AS REPRESENTAÇÕES DE FLORESTAS

De que maneira os professores avaliaram valores socioculturais, serviços ambientais, uso sustentável, subjetividades que envolvem dimensões de representação atribuídas às florestas?

Uma análise das diferentes projeções produzidas indica haver diferenças entre as estruturas de facetas, evidenciando que a faceta “Reconhecimento afetivo das florestas” foi a que mais correlacionou os itens entre si, revelando um forte compartilhamento na concordância totalmente. As dimensões relacionadas aos itens são: Valores Socioculturais (VS) inclui as categorias: apropriação (Q.35), pertencimento (Q.22), sentimento (Qs.34, 44, 32), cuidados ambientais (Qs. 37, 17, 11), educação (Q. 24) e crenças (Qs.21, 3), para as quais foram agrupadas um maior número de itens correlacionados entre si, onze no total, dos 21 que foram distribuídos no Fator.

A dimensão Serviços Ambientais (SA) que inclui as categorias: conservação (Qs.20, 28), recurso do clima (Qs. 14, 13) e recurso hidrológico (Q.25). A dimensão Uso Sustentável (US) inclui as categorias: existência de recursos (Q.26) manejo de

Reconhecimento afetivo das florestas Reconhecimento da importância das florestas Não reconhecimento da importância das florestas

recursos da floresta (Q.18). A dimensão Biodiversidade incluiu a categoria potencial biotecnológico (Q.16) e como característica diversa inclui comportamento (48).

Verifica-se que os itens dessa faceta se encontram bastantes relacionados entre si, onde podemos supor teoricamente que os elementos da representação estabeleceram um padrão de relações conceituais estruturadas, criando um núcleo figurativo que assegura a estabilidade da estrutura imageante, materializando-se em avaliações positivas perpassadas pela afetividade em torno de uma dinâmica própria, independentemente da variação de interpretação que o construto possa conter nos itens avaliados na Escala (Moscovici, 2011, p.115).

Como exemplo, alguns aspectos constituintes desse núcleo:

O item 32 avalia VS/Sentimento: Fico satisfeito quando vejo alguém que se esforça em preservar a floresta;

O item 17 VS/cuidados ambientais: Cortar as florestas sem planejar é ruim para a natureza; o item 21 VS/Crenças: As florestas fazem parte da vida das pessoas.

O item 13 avalia SA/Recurso do Clima: Reduzindo as florestas o planeta Terra vai ficar mais quente. O item 26 avalia o US/Existência de recursos: As florestas que ficam na beira dos rios devem ser protegidas para que não falte água nem peixes para a população.

Os itens 44 e 11 (VS/sentimento e cuidados ambientais) que se encontram um pouco mais afastados, mas próximos entre si, verifica-se uma relação antagônica num primeiro instante: Gostaria de ser membro e participar ativamente de um grupo ambientalista que protege as florestas; É possível explorar árvores sem colocar em risco a existência das florestas.

Mas se considerarmos que hoje a prática de manejo florestal sustentável já é uma realidade em parte da floresta amazônica que evidencia os benefícios tanto para as florestas quanto para as populações que vivem dentro das mesmas, poder-se-ia pensar que seria salutar que houvesse pessoas e grupos participando ativamente da fiscalização, do monitoramento, e da avaliação de projetos que visam utilizar os recursos de maneira

adequada, primeiro conhecendo e respeitando a floresta com um valor em si mesma, e depois como podemos fazer para mantê-la viva e oferecendo os seus serviços.

É possível verificar também que os itens 7 e 1 referentes ao uso sustentável na categoria existência de recursos que pertenciam ao Fator 3 se organizou na Faceta 1, exemplificando a aproximação entre as análises que evidenciaram valoração também positiva de reconhecimento da importância das florestas: Aqui na região as florestas estão diminuindo; Os bichos que vivem na floresta estão diminuindo nos últimos anos.

Verifica-se que a Faceta 2, cujos itens que se referem ao Fator “Não reconhecimento da importância das floresta” se encontram relativamente relacionados, mantendo-se distâncias importantes entre alguns itens. Tais itens indicam nos VS: sentimentos (Qs. 43, 49); crenças (Q.40); cuidados ambientais (Q.46, 42). E na dimensão características diversas, satisfação: (Qs.58, 60); utilidade (Q.51, 59); confiança (Qs. 53, 62,) e; conservação (Q.55). Tais construtos revelam um valor negativo dado às florestas, por um distanciamento afetivo e pouco disposto a reconhecer sua importância.

Para esse grupo que pensa assim, as florestas devem estar à disposição do ser humano que pode fazer o que quiser para manter seu conforto; a ciência e a tecnologia resolverão os problemas; não vê nenhum motivo para se envolver na preservação, ou seja, não estabelece e não quer estabelecer vínculos afetivos e de cuidados. Alguns exemplos das concordâncias máximas às afirmações da Escala:

“Acho que passar muito tempo em contato com a natureza e árvores é muito cansativo”.

“Não fico triste ao ver florestas destruídas”

“Eu acho que passar o tempo em contato com a natureza é muito cansativo” “Eu prefiro um jardim bem cuidado e organizado do que uma floresta de mata virgem”

“As plantas e os animais existem principalmente para serem usados pelos seres humanos”

“Não me envolveria em uma organização ambientalista para preservar as florestas”

Esse e os demais itens dessa Faceta, corroborados pelas cargas fatoriais altas parecem nos informar, não somente o não reconhecimento da importância das florestas,

mas indicam uma representação que fortalece a representação social de professores de mais de 20 anos atrás, ou seja, aquela centrada em uma visão homocêntrica e utilitarista de meio ambiente e da natureza de uma maneira geral, já apontado pelo estudo clássico de Reigota (1995).

E a Faceta 3: “Reconhecimento da Importância da Floresta”. Os construtos evidenciam dimensões relacionadas ao uso sustentável, serviços ambientais, alteração da floresta, ameaça e comportamento, remetem também a atitudes positivas para com a as florestas, mas com outros sentidos. Esse grupo de professores estaria predisposto a fazer algumas concessões em prol de uma vida com menos ameaças e alterações físicas das florestas, reconhece e valoriza a existência de recursos importantes e que pode estar ameaçado pelo ser próprio ser humano. Isso levaria a ter atitudes proativas de denúncia, porém, não parece haver envolvimentos mais afetivos e emocionais com as florestas.

Q.56: “Os seres humanos não deveriam modificar as florestas, mesmo quando é desconfortável e inconveniente para nós”. SA/Conservação.

Q.57: “Os seres humanos não deveriam modificar as florestas, mesmo quando ela atrapalha os planos de investimento econômico”. Alterações da Floresta. Q.54: “A preservação das florestas é importante mesmo que diminua o padrão de vida das pessoas”. Ameaça.

Q.36: “Quando vejo uma derrubada de árvores na floresta, procuro ligar para os órgãos responsáveis para solucionar o problema”. Comportamento.

A análise da Tabela 13 avalia inter-correlações entre sexo, tempo de serviço e fazer curso na temática de florestas com as variáveis, floresta positiva a, floresta positiva b, floresta positiva ab e floresta negativa.

TABELA 13: AVALIAÇÃO DE INTERCORRELAÇÕES (SPEARMAN) ENTRE SEXO, TEMPO DE SERVIÇO, FEZ CURSO NA TEMÁTICA DE FLORESTA E AS

DIMENSÕES/FATORES DA ESCALA: FLORESTA POSITIVA A (FATOR 1), FLORESTA POSITIVA B (FATOR 3), FLORESTA POSITIVA AB (FATORES 1 E 3) E FLORESTA NEGATIVA (FATOR 2) Sexo Tempo de Serviço Fez curso na temática de floresta F.Pos.A F.Pos. B F.Pos. ab Tempo de serviço -.007 Fez curso na temática de floresta -.140 .241** Floresta Pos. A .072 .026 .177* Floresta Pos. B .037 .021 .075 .405** F.Pos.AB .071 .028 .169* .945** .681** Floresta Negativa -.135 .070 -.134 -.203** -.005 -.164

* Correlação é significativa no nível 0.01 (bilateral) ** Correlação é significativa 0.05 level (2-tailed)

Como pode ser observado na Tabela 13, fazer curso sobre florestas aumenta a atitude positiva. Nesse exemplo fazer curso sobre florestas tem uma associação positiva com o Fator 1 (“Reconhecimento afetivo das florestas) e os Fatores 2 e 3 (rho= 0,177) e 0.160, respectivamente). Embora seja uma correlação baixa, a associação tem uma probabilidade exata de p= 0,042; existe somente uma pequena chance (4,2%) de que essa correlação tenha ocorrido por erro da amostra. O número de observações foi de 133 professores como já pontuado.

Esse resultado evidencia a importância do tema, a importância da experiência de formação com o mesmo. Parecem que esses processos contribuíram nas reflexões e no modo de valorar positiva, afetiva e ambientalmente as florestas para esses professores.

Se as florestas são importantes para o contexto da educação, como parece ser, e já faz parte do cotidiano das escolas, torna-se fundamental que instituições formadoras eleja tal temática em programas de formação continuada, com vistas de ser um caminho possível de sensibilização e ampliação dos níveis de comprometimento socioambientais, no caso, em relação às florestas.

As representações partilhadas nessa avaliação nos leva as seguintes reflexões: se fôssemos pensar envolver os professores desse estudo para uma formação, com qual

grupo teríamos maior chance de obter sucesso? Certamente que seriam os que se encontram ao nível de concordância com as questões do Fator 1 e 3.

Por outro lado, se pensássemos que esses já demonstram um nível de sensibilização, de informação e de predisposição para agir ambientalmente com vistas ao cuidado, não seria melhor investir no grupo que quer distância de envolvimento com as florestas?

Não seria os professores que apresentam essa representação o nosso grande desafio, no sentido de nos fazer pensar em processos de formação continuada mais significativos e adequados para lidar com a complexidade da temática e com as singularidades de percursos socioculturais diversos desses profissionais?