1.3 Le0diagnostic0de0la0maladie0d’Alzheimer0
1.3.1 Evolution0des0critères0de0diagnostic0
1.3.3.1 Marqueurs,topographiques,
No ano de 1941, o garimpeiro João Santana da Silva descobriu diamantes às margens do ribeirão Mateira (Foto 25), onde ele construiu duas casas de pau-a-pique e, em pouco tempo, começaram a chegar garimpeiros de outros Estados do Brasil. Em 1942 e 1943, já estava residindo no local um pequeno número de pessoas e a aglomeração passou a ser chamada de povoado de Mateira. Com o processo de ocupação do lugar, ele foi elevado à condição de distrito pela lei municipal de número 11 de 1950.
O distrito de Mateira foi transformado em município no dia 23 de junho de 1953, com nome de Paranaiguara pela Lei Estadual número 6561 de 12 de maio de 1967 (SAGIM JÚNIOR E SAGIM, 2000, p.58). Na década de 1970, com o enchimento do reservatório da hidrelétrica de São Simão foi construída uma nova e planejada cidade (Foto 26), inaugurada
no dia 30 de outubro de 1976, na mesma trajetória histórica dos municípios de São Simão, Gouvelândia e do distrito de Chaveslândia (Santa Vitória/MG). Essa década significou uma ruptura na história do município de Paranaiguara, sendo dividida em antes e depois do projeto hidrelétrico.
Foto 25: Ponte sobre o Córrego Mateira no município de Paranaiguara. A cidade surgiu às margens dessa drenagem, mas atualmente a nova cidade encontra-se distante do mesmo. Foto 26: Atual espaço urbano da cidade de Paranaiguara. Parte central da cidade, onde estão localizados os principais comércios: hotéis, restaurantes, bares, lojas, agências bancárias, entre outros. Vieira Santos, J. C. 2010.
Assim, os antigos habitantes da velha Paranaiguara foram transferidos para uma área distante 15 km do antigo núcleo urbano e do rio Paranaíba. A cidade recém construída ganhou uma nova estrutura urbana com escolas de ensino fundamental, médio e técnica, hospital municipal, biblioteca municipal, creche, ruas asfaltadas, rede de esgoto e água, clube Poli Esportivo e Teatro Municipal. Entre os serviços prestados por outras organizações, destacam- se o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o Sindicato Rural Patronal e a Cooperativa dos Produtos Rurais do Paranaíba, que demonstram a forte influência dos setores rurais na economia local.
O segundo município a ser criado na década de 1950, foi Itarumã (Fotos 27 e 28), porém sua história se inicia aproximadamente nos anos de 1850, quando surgiu a primeira habitação com paredes de pau-a-pique cobertas de capim, em terras da Fazenda Veludo doadas por dona Rita Soares a São Sebastião. Outra fazendeira que contribuiu para a formação do arraial, nesse período, foi dona Francisca Pimenta, que inspirada na religiosidade de dona Rita, preocupou- se em construir uma igreja em louvor ao santo.
Dessa história inicial, surgiu a primeira toponímia do lugar, que de acordo com os documentos da Prefeitura Municipal de Itarumã (2007, p.01) “juntando-se os nomes de destaque, São Sebastião e Dona Francisca Pimenta, surgiu a formação do primeiro nome para o lugarejo: São Sebastião da Pimenta”. Em 1901, essa aglomeração foi elevada a distrito do município de Jataí com o nome de Pimenta. Segundo a Prefeitura Municipal de Itarumã, o primeiro subprefeito do:
[...] distrito foi Domingos de Oliveira França, no período de 1938-1945, o segundo, Felinto de Freitas, de 1946-1948, o terceiro, Filongo Luiz Machado, 1948-1950, o quarto foi José Monteiro Magalhães, no período de 1950-1935, e o último Maximiano Peres Assis, durante o ano de 1953. Depois da emancipação política, teve como primeiro prefeito, Manoel Ferreira de Freitas (PREFEITURA MUNICIPAL DE ITARUMÃ, 2007, p.02).
Fotos 27 e 28: Cidade de Itarumã. Pequeno núcleo urbano localizado as margens da rodovia estadual de acesso a cidade turística de Lagoa Santa. Nesta cidade, é possível encontrar restaurantes que ainda mantêm a tradição de preparar as refeições em fogão a lenha. Vieira Santos, J. C. 2010.
Desse modo, a toponímia distrital foi alterada para Itarumã, pela Lei Estadual de número 8305, de 31 de dezembro de 1943, sendo elevado a município e emancipado em 21 de julho de 1953. Atualmente o único núcleo urbano fora da sede municipal é o distrito conhecido como Olaria do Angico. A sede do município encontra-se localizada a 400 metros de altitude, sendo que as maiores elevações desse lugar são as serras da Mombuca, da Pimenta e das Três Barras, que contornam o núcleo urbano. O terceiro município criado foi Caçu (Fotos 29 e 30), mas sua trajetória iniciou-se entre as décadas de 1850 e 1880, quando os solos do atual município começaram a ser povoados por cidadãos oriundos de Minas Gerais.
Os familiares de Pedro Paulo Siqueira e Manoel José de Castro (Neca Borges) fixaram-se às margens do Córrego Água Fria (afluente do rio Claro) e deram ao lugar o nome de Fazenda Caçu, devido à enorme quantidade de plantas de Alcaçuz21 que havia nesse local. Por volta de 1915, nas terras da Fazenda Caçu iniciou-se um povoado que era chamado de Água Fria, mas os primeiros indícios desse núcleo de urbanização recente documentados em ata datam de 1917.
Foto 29: Cidade de Caçu. Avenida Idelfonso Carneiro, onde estão localizados os principais comércios do núcleo urbano (agências bancárias, hotéis, restaurantes, etc). Ainda mantém o tradicional calçamento com rocha basalto, pois nas proximidades da cidade existe uma área de extração. Foto 30: Placa de Sinalização Turística. No Trevo de acesso à cidade de Lagoa Santa em Itajá, indicando o município de Caçu como lugar turístico regional. Vieira Santos, J. C. 2010.
No geral, o processo de formação e ocupação do espaço urbano do atual município iniciou-se principalmente com a construção da “Capela do Sagrado Coração de Jesus do Rio”. Enquanto se construía a Capela foram se fixando os primeiros habitantes e estabelecimentos comerciais. O povoado foi elevado à vila em 1918 e a distrito de Jataí, em 1933; os dois momentos já com a toponímia Caçu. A emancipação ocorreu em 16 de setembro de 1953, pela Lei Estadual 722.
Nesse município, há uma área de extração de areia no Rio Claro, iniciada nos anos de 1960 e aproximadamente a 10 quilômetros (10 km) desse espaço urbano. Foi inaugurada no ano de 2010, a Hidrelétrica de Caçu e diferente do que ocorreu em outros municípios da
21 Na realidade, a vegetação denominada Alcaçuz pelos primeiros moradores não existia na região, era apenas uma espécie da “Família das Myrtáceas”.
microrregião, a cidade não foi afetada pelo reservatório do projeto hidrelétrico. Essa usina está localizada no rio Claro, com o eixo de barramento nas coordenadas 18°31’46’’ de latitude sul e 51°09’00’’ de longitude oeste. O lago artificial terá o seu nível d’água máximo na cota de 477 metros, com uma área aproximada de 16,81 km² e um volume de cerca de 231, 77 hm³. Para Secretaria Municipal de Turismo o atual lago artificial é um grande atrativo do município, porém não existe nenhuma infraestrutura em seu entorno. Outra municipalidade criada, na década de 1950, foi Cachoeira Alta (Fotos 31 e 32).
Foto 31: Cidade de Cachoeira Alta. Essa municipalidade não possui secretaria de turismo, pois este setor econômico não se faz prioritário para as políticas locais, que concentram suas atenções para o agronegócio. Foto 32: Igreja de Nossa Senhora da Abadia. Padroeira da cidade de Cachoeira Alta. Vieira Santos, J. C. 2010.
Na verdade, a formação dessa municipalidade teve início em 1876, quando o vendedor ambulante de plantas medicinais Manoel Batista Barroso fixou residência na margem direita de um ribeirão, hoje conhecido como ribeirão Cachoeira Alta. No ano de 1877, várias familiar vieram e fixaram-se nos arredores e, por volta de 1920, o local era uma povoado e foi elevado à categoria de distrito de Rio Verde pelo Decreto de número 23 de 24 de fevereiro de 1931, sendo a vila instalada em 1932.
Em 1954, pela Lei 775 de 24 de setembro, foi elevado à categoria de município, com o nome de Cachoeira Alta. As inúmeras quedas d’água existentes no lugar foram fundamentais para a nomeação do municípios e assim quem nasce nessa cidade é definido como “Cachoeiralense”.
Ainda na década de 1950, surgiu o município de Itajá (Fotos 33 e 34), que teve sua origem com o povoado de São João, que de acordo com os documentos da Prefeitura Municipal (2005, p.05) iniciou-se na Fazenda Coqueiros de propriedade do senhor Sebastião Alexandre de Freitas. Esse proprietário rural decidiu em 1947, fazer um loteamento urbano nas margens do córrego São João e distribuir ou vender lotes às pesssoas que ali desejassem se estabelecer. Depois:
[...] da venda ou doação dos lotes, Sebastião Alexandre de Freitas, construindo sua própria residência e uma farmácia, começou a incentivar a edificação de outras moradias. O povoado começou, então a tomar formas definitivas, aparecendo aqui e ali, algumas casas comerciais e uma praça (a Bela Vista), que hoje tem o nome do fundador [...] (PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJÁ, 2005, p.06).
Fotos 33 e 34: Igreja e Praça São João Batista. O Santo é padroeiro da cidade de Itajá. Cruzeiro na praça nomeada pelo santo que foi construída em setembro de 2003. A cidade está distante apenas 25 km da urbanidade de Lagoa Santa. Vieira Santos, J. C. 2010.
Em apenas seis anos, essa aglomeração urbana foi elevada a distrito de Jataí, pela Lei Municipal de número 172, datada de 07 de agosto de 1953. Pela Lei Estadual número 2.091, de 14 de novembro de 1958, o então povoado de São João passou à categoria de município, com o atual nome, tornando-se independente da cidade de Jataí. A toponímia “Itajá é uma inversão irregular de Jataí, numa espécie de homenagem rememorada à cidade mãe (PREFEITURA MUNICIPAL DE ITAJÁ, 2005, p.07)”.
O último município criado, na década de 1950, foi São Simão. Nesse contexto histórico, Sagim Júnior e Sagim (2000, p.59) afirmam que:
[...] com a chegada de Leopoldo Moreira e Júlio Miranda (procedente de Aragarças) fez a união com os moradores ali existentes, os irmãos Avelar Prego e Donaldo Alves Prego, de Rio Verde; Tibúrcio Pereira e José Gomes, de Porto Feliz (SP) e outros com a descoberta do garimpo de Mateira logo surgiu o povoado de São Simão distante apenas 3 km de Mateira e junto a margem direita do rio Paranaíba (SAGIM JÚNIOR E SAGIM, 2000, p.59).
Essa ocupação teve sua origem em 1928, com a construção de uma ponte sobre o Canal de São Simão (Rio Paranaíba) ligando Goiás a Minas Gerais, o que levou à fixação de garimpeiros e pescadores no lugar, fazendo surgir o povoado. Depois dessa ponte, onde a passagem era feita apenas por pessoas a pé, veio a primeira grande obra, uma ponte para automóveis iniciada em 1930. A inauguração dessa ponte, no rio Paranaíba, em 28 de outubro de 1935, dia de São Simão, fez com que o canal no rio ganhasse esse nome e, posteriormente, o núcleo urbano que surgiu nessa paisagem. Esse estreito canal formou um ambiente propício a diversas formas de lazer para os moradores locais.
O núcleo urbano que se formou passou a ser distrito de Mateira (atualmente Paranaiguara) e foi emancipado em 14 de novembro de 1958. Até a década de 1970, setenta por cento dos moradores sãosimoenses estavam concentrados na zona rural. Nesse período, essa era a realidade vivida também pelas populações dos outros municípios da microrregião de Quirinópolis.
A população economicamente ativa ocupava-se basicamente das atividades do setor primário, como agricultura, pecuária, produção de tijolos, pesca e garimpo. Na pecuária, o emprego de mão-de-obra era mínimo e, na agricultura, a absorção desses trabalhadores era sazonal, utilizando, às vezes, o trabalho feminino e infantil (FLORIANO, 2000, p.130-131). Em 1971, iniciou-se a construção da Usina Hidrelétrica de São Simão pela Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e, em 1975, essa primeira paisagem urbana do município foi desapropriada e inundada, fazendo-se necessário a construção de uma nova cidade, que foi instalada em 3 de outubro do mesmo ano (Foto 35). Perdeu-se, então, o canal do rio Paranaíba, afogado pelas águas do reservatório artificial, hoje considerado pela Secretaria Municipal de Turismo um dos principais atrativos turísticos do município.
Atualmente, o município de São Simão possui um povoado denominado de Olaria e um distrito conhecido como Itaguaçu a 16 km da sede, onde se localizam as quedas d’água no rio Claro, conhecidas regionalmente como “Cataratas de Itaguaçu”. Nessa municipalidade, está também o porto da hidrovia Tiête-Paraná-Paranaíba, localizado no distrito agroindustrial (Foto 36) e a mais importante empresa fixada nesse espaço industrial, a Caramuru Óleo Vegetais Ltda. Pode-se considerar que as empresas ali instaladas são as vias de integração e articulação do sistema de produção regional e dos grandes produtores rurais do Estado de
Goiás com as outras regiões do centro sul brasileiro e MERCOSUL, tornando-se uma importante paisagem portuária, modelando e estruturando a economia local.
Foto 35: Paróquia de São Simão. Santo padroeiro da cidade. Com a construção da nova cidade de São Simão, resultado do alagamento da antiga São Simão pelo reservatório hidrelétrico, encontra-se nesta urbanidade amplas avenidas e construções modernas, com completa ausência do patrimônio arquitetônico histórico. Foto 36: Distrito agroindustrial. Localizado nas margens do rio Paranaíba em São Simão (GO). Nas suas proximidades não existem bairros residenciais, apenas propriedades rurais e residências de pescadores. O acesso ao local é realizado pela BR 364, onde o fluxo de caminhões pesados é bastante intenso. Vieira Santos, J. C. 2010.
Próximo ao distrito industrial, não existem bairros residenciais como nas médias e grandes cidades brasileiras. No caso dessa área portuária de São Simão, o que existem na vizinhança são propriedades rurais, como a Fazenda Caraíba, onde é feito o uso de tecnologia na produção de plantas ornamentais, com aproximadamente 20 hectares de área cultivada e sua produção abastece principalmente os mercados de Minas Gerais e São Paulo.
Atualmente a microrregião de Quirinópolis conta com nove municipalidades, seis delas surgiram na década de 1950. Nas décadas de 1960 e 1970, nenhum outro lugar ou distrito foi emancipado e somente, nas décadas de 1980 e 1990, surgiram, no mapa regional, os limites geográficos de Gouvelândia e Lagoa Santa, essa última motivada pelos usos da atividade turística.