Analyse des endosomes dans les cellules périphériques dans la MA sporadique
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Os meios de hospedagens encontrados em todos os municípios do Baixo Paranaíba Goiano são hotéis, motéis, pousadas, pensões e áreas de camping, estabelecimentos simples e com gestão de base familiar, com exceção de alguns empreendimentos hoteleiros localizados nas cidades de São Simão e Lagoa Santa. Segundo Coriolano (2009, p.121), os meios de hospedagem têm papel importante na oferta da região como turística, pois na atualidade esses “negócios apresentam características diversificadas atendendo as necessidades de turistas, desde os menos exigentes até os mais refinados, com preços tão distintos quanto as suas possibilidades de consumo”.
Nos lugares da microrregião quirinopolina, a maior parte dos meios de hospedagens e setores de alimentação tem seus gerenciamentos e serviços prestados, pautados nos laços de consaguinidade. Nas pequenas empresas do setor de turismo, são encontrados poucos trabalhadores exógenos, decorrendo disso, a noção de herança que demarca esses lugares de pequenas iniciativas privadas de atendimento a visitantes. Observa-se que:
[...] pequenos meios de hospedagem estão instalados em imóveis de propriedades dos gestores, tendo sido adaptados. Muitos eram casas de residência da família e em outros, mesmo após a adaptação para a atividade empresarial, a família permanece residindo no empreendimento (CORIOLANO, ET AL, 2009, P.126).
Na atualidade (2010), ainda existem hotéis, pensões e pousadas que funcionam em antigas residências (Foto 71). Com o aumento da demanda, os proprietários (moradores locais) foram transformando essas estruturas em espaços de locação, com quartos simples, banheiros privativos externos e não disponibilizando de telefone e televisão. De acordo com Andrade et al (1999, p.21), “os proprietários da maioria das casas de pensão e hospedarias passaram a utilizar a denominação de hotel, com a intenção de elevar o conceito de casa”.
Com maiores exigências em relação à qualidade dos serviços prestados, essas pequenas empresas passaram a oferecer também apartamentos com banheiros, ar condicionado ou ventilador, frigobar e café da manhã. É relevante citar que faz parte do cotidiano interiorano dos municípios estudados, a prática agrícola urbana que visa a abastecer o comércio local e para subsistência familiar, com o cultivo no próprio quintal ou em terrenos chamados de vagos ou baldios (sem edificações). De acordo com Souza et al (2009, p.10-11), nas pequenas cidades:
[...] grande parte dessas famílias experimentou a vida na zona rural, onde tinha seu modo de vida, com suas criações no terreiro de casa, assim como o gosto pela cultura agrícola, portanto, para essas famílias, o fator econômico pesa na hora de decidir plantar na cidade, mas é sem dúvida, o fator cultural, o que mais os incentiva a isso. Destaca-se o fato de que muitas famílias, no campo ou na cidade, ainda prezam pelo modo de produção de subsistência e pelo modo de vida simples como era nas paisagens cerradeiras rurais (SOUZA, ET AL, 2009, p.10-11).
Cultivo de hortaliças ainda é uma das principais características dos pequenos estabelecimentos hoteleiros (Foto 72) instalados principalmente na cidade de Lagoa Santa. No relato de alguns gestores, foi afirmado que ainda cultivam, no entorno do hotel, por gostarem e com o intuito de continuar atendendo a antigos clientes que já estão acostumados a consumir os alimentos produzidos no lugar, mantendo assim aspectos de ruralidade nos serviços prestados.
Foto 71: Antiga residência. Transformada em Pousada, na ilha cercada por Cachoeiras no distrito de Itaguaçu (município de São Simão). Pousada com apenas seis quartos e atendimento familiar. Vieira Santos, J. C. 2009. Foto 72: Hortaliça em terreno de hotel na cidade de Lagoa Santa. Esse estabelecimento de hospedagem encontra-se em ampliação. É importante lembrar que os proprietários dos hotéis de base familiar, em sua maioria, também residem no local do empreendimento. Vieira Santos, J. C. 2009.
Dentro desse contexto de mudanças e de conservação de antigos hábitos, surgiu uma pequena diversificação dos serviços e diferentes opções de unidades habitacionais e com tarifas mais acessíveis. Nos casos apresentados, as pessoas que ali se instalam são de classes menos abastadas. É comum, nesses pequenos núcleos urbanos, a construção de apartamentos para locação nas áreas próximas aos postos de combustíveis, ao longo das rodovias e nos espaços urbanos, oferecendo pouso aos viajantes e comerciantes ligados aos setores de negócios e serviços.
Os hotéis, ao longo das principais estradas da região (Foto 73), atendem também pessoas que estão em deslocamento por esses municípios, principalmente em busca dos destinos litorâneos na região Sudeste do Brasil e os interioranos como o Pantanal, rio Araguaia e Parque Nacional das Emas. Influenciados pela presença dos turistas nos lugares, o setor de prestação de serviços, especificamente o hoteleiro, foi responsável por reorganizar os espaços das cidades regionais.
Entre os vários exemplos encontrados devido à nova configuração socioespacial está a Pousada da Ilha1, construída em 1999 e localizada em uma ilha no reservatório da hidrelétrica de São Simão. Um outro destaque localizado nas proximidades da praia artificial da cidade de São Simão e inaugurado em 16 de janeiro de 2009, é o Hotel Mágica Visão2 (Foto 74).
Foto 73: Construção de Hotel. Obra em área de posto de combustível no entroncamento da BR 364 (São Paulo- Cuiabá) com a GO 206, no município de Cachoeira Alta. Esse estabelecimento está nas proximidades do núcleo urbano de Caçu (9 km). Foto 74: Hotel Mágica Visão. Na sua estrutura física são encontrados quadra de areia, acesso pavimentado ao lago, quadra de tênis, campo de futebol, guarda barcos, quiosques com churrasqueiras, piscinas, saunas, cinema, sala de convenção, lavanderia, chalés, apartamentos, salão de beleza, consultório médico, moderna recepção e estacionamento Vieira Santos, J. C. 2010.
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O estabelecimento conta com piscinas, tablado de pesca, restaurante (café da manhã, almoço, jantar), 15 apartamentos com 56 leitos, televisão e ar condicionado. Os hóspedes chegam à pousada de barco, que sai da praia artificial e a viagem dura cerca de dez minutos. Informações extraídas do site: www.saosimao.go.gov.br e www.pousadadailha.com.br – consulta realizada no dia 23 de junho de 2009.
2 Informações extraídas do site: www.hotelmagicavisao.com.br. – consulta realizada no dia 23 de junho de 2009.
Conhecido como Hotel Termas Lagoa Santa3 (Fotos 75 e 76), esse meio de hospedagem pode ser considerado o principal empreendimento turístico da cidade de Lagoa Santa e da microrregião de Quirinópolis, local privado onde a presença dos turistas é vista com maior frequência, principalmente na lagoa de águas quentes na área do hotel.
Fotos 75 e 76: Hotel Termas Lagoa Santa. Um dos principais estabelecimentos hoteleiros da microrregião de Quirinópolis. Nesse hotel existem habitações do tipo luxo que são equipadas com ar condicionado, televisão, frigobar, som ambiente, telefone e circuito de vídeo interno com programação de cinema, são 32 apartamentos. Vieira Santos, J. C. 2010.
Outro empreendimento que surgiu no espaço urbano de Lagoa Santa foi o Balneário e Pousada Kin Gin (Foto 77), que teve sua construção iniciada em 1996. Assim, pôde-se constatar, durante o trabalho empírico, que as mudanças espaciais processadas pela privatização do principal atrativo natural regional, efetivaram um novo processo de ocupações comerciais e hoteleiras, especialmente ao longo da “praça central” da cidade de Lagoa Santa. Essas ações foi resultado da vontade e sensibilização de sujeitos sociais que procuraram alternativas de renda nas atividades de atendimento e receptividade, enquadradas na nova expansão dos setores de lazer e turismo.
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Compreende uma área de 370.000 metros quadrados, com a lagoa de águas quentes, piscinas, bares/lanchonetes, mata de cerrado onde se praticam caminhadas em trilhas, toboáguas, sauna, campo de futebol
society, quadra de areia, área de pesca no rio Aporé, boutique, restaurante servindo pratos regionais e nacionais,
parque infantil, passeio de barco no rio Aporé, american bar e salão de convenções para até 120 pessoas. (www.thermaslagoasanta.com.br). Site do hotel Termas Lagoa Santa no município de Lagoa Santa, nesse endereço é possível encontrar as diversas informações citadas na tese.
Nesse contexto de reorganização espacial dos municípios da microrregião de Quirinópolis, especificamente Lagoa Santa, destacam-se ainda a criação da Pousada Recanto do Paredão (Turismo Rural), localizada a pouco mais de quatro quilômetros da cidade nas margens do rio Aporé, oferecendo serviços como passeio a cavalo, trilha às margens do rio e pesca esportiva e o Conrado Palace Hotel com piscina e apartamentos com ar condicionado, frigobar e televisão.
No espaço rural do município de Gouvelândia, está localizada a Pousada Rio dos Bois (Foto 78), construída em 2006, nas margens da rodovia “GO-206”, com apartamentos, lanchonete, área de lazer nas margens do rio dos bois e serviços de barcos, voltados especificamente para atender aos turistas de pesca esportiva. Nos meios de hospedagem, como a Pousada Rio dos Bois e o Hotel Mágica Visão têm sido registrados os desembarques de jet-ski e barcos, pois essa prática já é uma realidade nesses lugares.
Foto 77: Balneário Kin Gin. Um dos principais receptivos da cidade de Lagoa Santa. Nesse empreendimento, existem três piscinas de águas quentes, toboágua, churrasqueira, área esportiva, playground, boutique, lanchonete e cinco apartamentos. Vieira Santos, J. C. 2009. Foto 78: Pousada Rio dos Bois. Na pousada são tradicionais as refeições no fogão a Lenha. Viera Santos, J. C. 2010.
O que se observa, é que as práticas de lazer foram alteradas, principalmente, pela
propriedade daquilo que era usado pelas pessoas do lugar. A propriedade privada criou, na microrregião quirinopolina, uma outra realidade, a do lucro, pois o que passa a interessar é vender aquilo que se oferece nos locais e não os lugares. É interessante observar, que perante
essa nova realidade, os proprietários dos espaços de hospedagem e visitação terão que remunerar os capitais investidos, desse modo, não há mais os usuários e sim os compradores. Deve-se salientar que, no caso do interior de Goiás, esses grupos de empresários atribuíram ao lugar um novo significado por meio da implementação de empreendimentos turísticos diferentes da organização regional predominante em torno da agricultura e pecuária, embora parte desses negócios vinculados ao atendimento de visitantes, sejam de propriedade de empresários rurais e também de políticos locais, como prefeitos e vereadores. Esses espaços foram ordenados também a partir das primeiras práticas sociais, culturais e econômicas surgidas ao longo do processo de ocupação do cerrado goiano.
É importante, também, mostrar essas organizações dos lugares considerando-se as áreas de camping, principalmente, as existentes nas cidades de São Simão, Gouvelândia e Lagoa Santa. Em Gouvelândia, o espaço de acampamento é denominado de “Cascalheira4” situada nas margens da represa da Hidrelétrica de São Simão, na zona rural do município, um espaço privado rústico cuja principal infraestrutura de receptividade é um bar e alguns banheiros. No município de São Simão, está localizada a principal área de camping5 (Foto 79), nas mediações da praia artificial, uma área pública municipal. Um sujeito público responsável pela área de acampamento destaca o atual perfil dos frequentadores e as mudanças que vêm ocorrendo:
“Hoje o público da área de camping até mudou, é um público que consome na cidade, antigamente vinha 30 ônibus, hoje graças a Deus vem dois e a intenção nossa é não vem nem um, mas a área de camping dá o mesmo número de pessoas, só que pessoas diferentes, né? São Simão hoje vem muito o pessoal do som automotivo. O pessoal dizem que São Simão tá aceitando, igual o cara da Polícia Rodoviária falou na entrevista, vocês querem mexer com som vocês vai lá pra São Simão e Mineiros, fez até uma propaganda boa pra nós. A gente consegue tornar esse turista de som bem vindo por que organizou um lugar pra eles. A gente foi obrigado remanejar, tirar eles de lá, entendeu? Criou-se na praia hoje umas 8, 10 tenda grandona e ali é só deles, fica só eles. Fica ali embaixo e ali é só deles, eles pode por som da altura que quiser(Entrevista Padronizada com funcionário público de São Simão. Trabalho de Campo, setembro de 2009)”.
Com esse relato, percebem-se as mudanças no tipo de visitante que utiliza o camping. No passado, chegavam grupos de turistas em ônibus, gastando pouco no comércio local, esses transportes eram organizados pelos próprios turistas e não por agências profissionais de viagens. Atualmente (2010), os hóspedes dessa área chegam na sua maioria, de automóveis e
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Esse nome é dado ao lugar pelo enorme déposito de cascalho encontrado. De acordo com Guerra, cascalho é sinônimo de seixos. Os seixos (1980, p.389) são fragmentos de rochas transportados pelas águas, cujo resultado é uma arredondamento das arestas. Esses materiais transportados pelas águas dos rios são acumulados nas suas margens, formando depósitos fluviais como no caso da cascalheira em Gouvelândia (GO).
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O Camping se São Simão é uma área com capacidade para aproximadamente quatrocentas barracas, portaria para o controle de entrada e saída dos hóspedes, telefone público (orelhão), dois vestiários, churrasqueira, sanitários, chuveiros e alambrado de arame.
têm consumido produtos e serviços na cidade, ocasionando alterações consideradas importantes pelo entrevistado tanto no perfil desses usuários como nas relações com o comércio local.
Mas esse relato do sujeito apontando para a chegada dos visitantes com automóveis próprios, aponta para a falta de serviços executados por operadoras e agências de turismo, para que esses turistas tenham alternativas de transportes para chegar às cidades turísticas do Baixo Paranaíba Goiano. Não existem conexões entre os empresários regionais e as empresas que vendem pacotes de turismo nas principais cidades brasileiras.
Em cidades como Lagoa Santa e São Simão, os visitantes ainda encontram casas para alugar (Foto 80), pois nos períodos de férias ou de eventos como o carnaval, os moradores deixam suas propriedades para locar os imóveis. Isso indica que a atual infraestrutura de hotéis e pousadas não é suficiente para acolher os visitantes que chegam a esses núcleos urbanos, necessitando de maiores investimentos nos setores hoteleiros e afins.
Foto 79: Área de Camping. Barracas fixadas durante a Festa de Carnaval no ano de 2010. Festejo onde ocorre a maior procura. Esse espaço também é procurado nos finais de semana e feriados, no Festival Gastronômico e durante a Festa de Peão. Vieira Santos, J. C. 2010. Foto 80: Imóveis para locação a turistas na cidade de Lagoa Santa. Os proprietários dessas residências locadas ficam durante esse período de locação hospedados em casas de parentes ou em cômodos anexos aos imóveis. Vieira Santos, J. C. 2009.
No distrito de Itaguaçu, município de São Simão foi construída na década de 1990, a infraestrutura de receptividade nas cachoeiras do rio Claro, conhecidas como Cataratas de Itaguaçu. Primeiro ocorreu a construção do bar, posteriormente, foram edificados na paisagem
de atração um restaurante (Foto 81) e um estabelecimento de hospedagem com seis quartos, que são ocupados pelas pessoas que desejam pernoitar. Durante os trabalhos de campo, os proprietários relataram que os principais hóspedes são trabalhadores da hidrelétrica em construção no rio Verde e cidadãos que vão ao distrito para realizar atividades temporárias na Usina de Açúcar e Álcool, pois os turistas têm preferência pelos hotéis e pousadas de São Simão.
Na década de 1990, observa-se que as primeiras infraestruturas nas cachoeiras de Itaguaçu concretizaram-se no mesmo período de criação da secretaria de turismo do município sãosimonense. Nesse ordenamento regional, outros importantes estabelecimentos hoteleiros foram criados para atender aos visitantes presentes nos atrativos do Baixo Paranaíba Goiano, favorecidos pela proximidade, principalmente nos distritos de Chaveslândia (Santa Vitória/MG) e São João do Aporé (Foto 82) (Paranaíba/MS). Em Chaveslândia, apenas separada de São Simão pelo rio Paranaíba, encontra-se a Pousada Gerivá (Foto 83), que fica a jusante da barragem da Hidrelétrica de São Simão, essa estrutura foi construída em 1999.
Foto 81: Estrutura de receptividade nas cachoeiras do distrito de Itaguaçu (São Simão). Foto 82: São João do Aporé. Área urbana distrito de Paranaíba, cidade localizada no Estado do Mato Grosso do Sul. São João do Aporé está separada da cidade de Lagoa Santa e da microrregião de Quirinópolis apenas pelas águas e pela geomorfologia do rio Aporé. Essa localidade conta com um grande número de pequenos hotéis, pousadas e pensões que recebem os visitantes que chegam ao núcleo urbano goiano, minimizando a falta de leitos durante os períodos de alta temporada e principalmente em finais de semana e feriados. Essa pequena urbanidade, às margens do rio Aporé, não possui ruas asfaltadas, comercialmente possui uma maior fragilidade que a vizinha Lagoa Santa, mas vem se tornando local de moradia dos funcionários públicos de Lagoa Santa, justificado pelo fácil acesso e menor preço de imóveis que a cidade goiana vizinha. Sua principal singularidade são as residências que foram transformadas em meios de hospedagem, mostrando assim uma maior articulação territorial e administrativa com a cidade goiana. Vieira Santos, J. C. 2009.
A prática pesqueira (Foto 84) é comum no cotidiano dos moradores do distrito de Chaveslândia (Santa Vitória/MG), pois nos barrancos do rio Paranaíba existem famílias que têm a pesca como meio de subsistência. Com o turismo, alguns desses pescadores trabalham como piloteiros nos hotéis e pousadas do Baixo Paranaíba Goiano. Uma parte desses trabalhadores está associada à “Colônia dos Pescadores Lago Azul São Simão Goiás (Z-03) e Colônia dos Pescadores de Chaveslândia (Z-08)”.
Empreendimentos hoteleiros demonstram empenho da iniciativa privada regional e partes dos modernos meios de hospedagens encontrados foram originados principalmente com o capital oriundo do campo, para desenvolver atividades de lazer e turismo fortalecidas pelos usos dos atrativos e potencialidades. No que concerne à administração pública municipal, em cidades como Gouvelândia, não existem ações de apoio a hotéis e pousadas que possam alavancar o turismo local e regional, colocando em dúvida o desejo de participação desse e de outros municípios da região no projeto de regionalização do Ministério do Turismo.
Foto 83: Pousada Gerivá. Área de lazer e hospedagem em Chaveslândia. Esse hotel oferece serviços de bar, restaurante, piscinas, apartamentos com tv e ar, e barcos para pesca com “piloteiro”, nome regionalmente dado aos responsáveis por conduzir os barcos. Foto 84: Barcos para locação a turistas nos barrancos do rio Paranaíba. Essa prática de aluguel de barcos é comum nos municípios de São Simão, Gouvelândia e no distrito de Chaveslândia (Santa Vitória/Minas Gerais). Vieira Santos, J. C. 2009.
Não se pode afirmar que as novas estruturas hoteleiras que surgiram são resultantes de um movimento organizado dos órgãos municipais de turismo, Goiás Turismo e Ministério do Turismo, mas sim ordenadas pelas práticas econômicas de cada grupo social local para acompanhar os alargados investimentos em torno dos setores agrícolas e pecuários. De acordo
com Beni (2003, p.103), um dos principais obstáculos que o desenvolvimento da atividade de turismo apresenta é justamente a dificuldade de defini-lo do ponto de vista da administração pública, barreiras essas que estão explícitas no Baixo Paranaíba Goiano.
A construção desses novos empreendimentos hoteleiros acarretou uma nova configuração de hospedagem, principalmente, nas cidades de Lagoa Santa e São Simão. No entanto, esse avanço não provocou total ruptura de dependência regional com os pequenos meios de hospedagens, pois ainda são poucos os estabelecimentos de melhor categoria, fato que cria uma singularidade nas pequenas cidades da microrregião.
É importante lembrar que, para atender a nova atividade econômica e os novos visitantes que chegam aos pequenos núcleos urbanos, foram surgindo grupos de empreendedores muitos deles oriundos das atividades agrárias e pecuárias. Conforme os relatos obtidos durante os trabalhos de campo, esses empreendedores com uma visão econômica e social diferente da realidade regional, voltada não somente para o agronégócio e sim para outros nichos e possibilidades encontradas na atual organização espacial, foram construindo novos espaços de alimentação e hoteleiros, com atendimento mais profissional e não somente focado no trabalho familiar.
De um lado, a agricultura e pecuária continuam em expansão, mas, de outro, estão surgindo, nas pequenas cidades, hotéis com administrações não familiares e com mão de obra mais especializada, o que melhorou a qualidade dos serviços, atendimento e estruturas físicas. Pode-se afirmar que os meios de hospedagem passam por uma metamorfose, principalmente devido à inserção, expansão e valorização da atividade turística, fortalecendo, nesse conjunto, as relações sociais com outros grupos e a organização política local.
Nas pequenas cidades do interior de Goiás, os grupos familiares responsáveis pelos pequenos meios de hospedagens ainda existem e é a maioria, mas parcialmente, têm procurado realizar investimentos focados na especialização para conseguir acompanhar a complexidade e modernização do setor hoteleiro regional, significando uma busca por profissionalização.
Explicitamente, os hotéis de base familiar muito contribuíram com a gênese do turismo na