A caracterização geoambiental do município de Santo Amaro-BA teve o objetivo de apresentar as principais características físicas que serão utilizadas para avaliar a vulnerabilidade ambiental ˗ geologia, solos, declividade, geomorfologia e clima. As características naturais do ambiente são fatores que condicionam a vulnerabilidade e auxiliam na compreensão da exposição ao risco.
O estudo geomorfológico da área auxilia a análise ambiental e pode ser um ponto de partida para análise, pois indica outras características físicas que estão relacionadas entre si, como o substrato geológico, a cobertura vegetal, os tipos de solos e o clima. Em relação à geomorfologia, ocorrem no município de Santo Amaro cinco unidades geomorfológicas ˗ As planícies marinhas e fluviomarinhas que compreendem as áreas dos Depósitos Sedimentares. A Baixada litorânea e Tabuleiros do Recôncavo correspondem às áreas das Bacias e Coberturas sedimentares. Os Tabuleiros Interioranos e Planalto dos Geraizinhos compreendem as áreas dos Planaltos Inumados.
As Planícies Marinhas e Fluviomarinhas estão localizadas na faixa costeira da Baía de Todos-os-Santos, com altitudes máximas de 20m (Figura 24 e 25). São áreas de acumulação do período quaternário Holoceno, predominam as planícies estuarinas que são áreas resultantes da combinação de processos de acumulação fluvial e marinha cobertas por manguezal. Os terraços marinhos e fluviomarinhos, e maguezais atestam as ações dos processos morfogênicos recentes e variações do nível do mar que produziram pequenas rupturas de declive (Ministério das Minas e Energia, 1981).
Figura 24 – Mapa Geomorfológico. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: Adaptado Ministério das Minas e Energia, 1981 Elaboração: SANTOS (2015)
O ecossistema de manguezal é caracterizado como “ecossistema costeiro, de transição entre os ambientes terrestres e marinhos, característicos de regiões tropicais e subtropicais, sujeito ao regime das marés” (NOVELLI, 1995, p. 07). O material predominante é o de composição argilo-siltosos, rico em matéria orgânica (MARTIN et al., 1980), que compreende os Gleissolos Tiomórficos, solos com horizontes A húmico “apresenta altos teores de enxofre;
e isso provoca um grande abaixamento do pH quando o solo seca” (RESENDE et al, 2002, p. 206).
As áreas de manguezal no município de Santo Amaro ocorrem na faixa costeira desde a cidade de Santo Amaro até o distrito de Acupe, ocupando uma área de 1.843 hectares (SANTOS, 2012). As principais espécies de mangue que ocorrem em Santo Amaro são o mangue vermelho (Rhizophora mangle) e o mangue branco (Laguncularia racumphora) (BAHIA, 2012b). Segundo Novelli (1995, p.17), o mangue vermelho do gênero Rhizophora,
é uma árvore de casca lisa e clara, que ao ser raspada mostra cor vermelha. O sistema radicular do mangue vermelho é formado por rizóforos que partem do tronco e dos ramos formando arcos com aspectos muito característicos e, ao atingirem o solo ramificam-se profusamente permitindo melhor sustentação da planta num sedimento pouco consolidado.
O mangue branco do gênero Laguncularia racumphora “é comumente uma árvore pequena [...] possui sistema radicular semelhante ao da siriúba, porém, menos desenvolvido, tanto em número quanto em altura dos pneumatóforos” (NOVELLI, 1995 p.17).
Outra característica natural dessa unidade é a ocorrência de apicuns. Os apicuns são encontrados em áreas costeiras e sua formação está associada às áreas de manguezais, são arenosos e podem apresentar coberturas vegetais herbáceas. Hadlich et al. (2009, p. 60) definem apicuns como “áreas planas de elevada salinidade ou acidez, associadas a manguezais, desprovida de vegetação ou com vegetação rasa, normalmente localizadas entre manguezais e as encostas próximas, na região de supra-maré, com granulometria variada”. No município de Santo Amaro, os apicuns ocupam uma pequena área de 107 hectares e ocorrem nas ilhas Pequena e Grande (SANTOS, 2012).
Nas áreas das Bacias e Coberturas sedimentares, encontram-se as unidades geomorfológicas dos Tabuleiros do Recôncavo e Baixada Litorânea (Figura 25). A Baixada Litorânea é caracterizada por formas de relevo que variam de 20m a 150m por topos aplainados com bordas desniveladas com degraus e planos embutidos às encostas de forma predominantes convexas, que foram dissecadas nas rochas sedimentares arenosas e argilosas (SRH, 2003).
Figura 25 – Imagem do relevo. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: Imagem SRTM, Nasa, 2000; Adaptado Ministério das Minas e Energia, 1981. Elaboração: SANTOS (2015)
Na Baixada Litorânea, há ocorrência dos Vertissolos, que são caracterizados por Santos et al. (2013, p. 105) como “solos constituídos por material mineral apresentando horizonte vértico e pequena variação textural ao longo do perfil, nunca suficiente para caracterizar um horizonte B textural” [...]. Esses solos possuem argilas expansivas que
possuem a propriedade de expandir quando úmidas e contrair quando ocorrem condições de seca. Tradicionalmente, esse tipo de solo é conhecido como Massapê e, no município de Santo Amaro, é utilizado desde o período da colonização para o cultivo de cana-de-açúcar.
Além da cana-de-açúcar, outras atividades agrícolas encontradas na Baixada Litorânea são o bambu, a pecuária, culturas de subsistência, principalmente com cultivo de mandioca, milho, feijão, banana.
O material geológico que ocorre na Baixada Litorânea é do Grupo Santo Amaro, Formação Candeias “constituída essencialmente de argilitos e siltitos de coloração verde a cinza-esverdeado, com ocasionais camadas de calcários” (Ministério das Minas e Energia, 1981, p.117). Em uma pequena porção leste dessa unidade, ocorre a formação Marfim do Grupo Ilhas, que possui litologia composta por arenitos, siltitos e folhelhos (CPRM, 2008), como exposto na Figura 29.
As áreas de menor declividade (0-3%), ou seja, mais planas, encontram-se nos Tabuleiros Interioranos, situados ao norte do município de Santo Amaro e nas planícies fluviomarinhas (Figura 26).
Figura 26 – Declividade. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: Imagem SRTM, Nasa, 2000 Elaboração: SANTOS (2015)
As áreas de declividade de 3-8% são predominantes na faixa NE-SO, localizadas na Baixada Litorânea. As áreas de 8-20% de declividade apresentam topografia pouco movimentada, constituída por colinas, ocorrem com predominância na Baixada litorânea e nos Tabuleiros do Recôncavo. As áreas de declividade entre 20-45% são encontradas nas bordas dos Tabuleiros Interioranos dissecados pelos rios Sergi e Subaé. Poucas áreas foram classificadas com declividade acima de 45%. A altitude máxima encontrada no município não
ultrapassa 300m e são predominantes no município relevo do tipo plano, suave ondulado e ondulado (Figura 27).
Figura 27 – Mapa de hipsometria. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: Imgem SRTM, Nasa, 2000 Elaboração: SANTOS (2015)
Na parte oriental do município de Santo Amaro, concentram-se os maiores índices pluviométricos do município, de 1400 a 1600 mm ao ano (Figura 28). O clima é úmido e a temperatura média é de 23,9° (SEI 1998).
O estado da Bahia possui cinco tipos climáticos: (1) úmido, na faixa do litoral e no extremo oeste; (2) subúmido, nas áreas próximas do litoral e no oeste baiano; (3) o clima subúmido a seco, que ocorre em áreas de transição para o clima semi-árido; (4) o clima semi- árido, ocorre na parte central do Estado; e (5) o clima árido, que ocorre no extremo norte do estado. Segundo a SEI (1998, p,11)
A faixa Atlântica destaca-se como a área que detém o maior grau de umidade do Estado. As chuvas estão acima de 1.200 mm anuais, atingindo valores superiores a 2.600 mm [...] No litoral de Salvador a Ilhéus (B4rA’/B3rA’), a ocorrência se verifica com maior intensidade, ultrapassando 2.400 mm anuais, e acima de 100 mm em todos os meses do ano, não havendo nenhum período seco determinado. Este fato concorre para a inexistência de deficiência hídrica.
O município de Santo Amaro abrange parte da bacia hidrográfica do rio Subaé. A nascente principal do rio fica no município de Feira de Santana e a foz na Baía de Todos-os- Santos. Os principais afluentes do Subaé são os rios Traripe, Serjimirim e o Sergi. No baixo curso da bacia, no rio Sergi, existe a Unidade de Conservação de Proteção integral Canions do Subaé, criada em 2006, sob Decreto Lei Estadual D.E. nº 10.018 de 05/06/06. Enquadra-se na categoria de Monumento Natural,
considerando as características do sítio, com significativos recursos naturais de imensos valores cênicos e paisagísticos, propiciando, inclusive, a prática de ecoturismo e esportes radicais; considerando que os corpos hídricos e diversas nascentes formadoras dos Rios Peraúna e Sergi, contribuintes do Rio Subaé, carecem de ações por parte do Poder Público, com vistas à sua preservação, impondo-se a recuperação ambiental de seu entorno, em especial as Áreas de Preservação Permanente; e considerando a prioridade da inclusão social e ambiental das comunidades ribeirinhas e de suas atividades sociais, econômicas e culturais (BAHIA, 2012c).
O canion, segundo Pedreira (2012 p. 243) “é escavado em arenitos que afloram ao longo da borda ocidental da Bacia do Recôncavo, de idade mesozoica”
Figura 28 – Mapa pluviométrico. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: SRH, 2003
Elaboração: SANTOS (2015)
Ao norte do município de Santo Amaro, ocorrem os Tabuleiros Interioranos, o material geológico dessa área são as Coberturas detrito-lateríticas, com litologia composta por areias, argilas, cascalhos e cangas. Segundo Barbosa; Dominguez (1996, p. 167), “são depósitos continentais detríticos eluvionares [...] muito ricos em partículas ferruginosas e de cor avermelhada [...] formam-se em geral, sobre áreas aplainadas, tanto em tabuleiros como
em extensos pediplanos”. As coberturas detríticas são, predominantemente, arenosas e, em alguns lugares, lateríticas, são constituídas de materiais pouco ou nada consolidados, apesar do cimento ferruginoso. Nas áreas próximas do litoral, as formações detrito-lateríticas são, geralmente, confundidas com o Grupo Barreiras (BARBOSA; DOMINGUEZ, 1996), como mostrado na Figura 29.
Figura 29 – Mapa Geológico. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: Mapa Geológico e de áreas potenciais para areia, arenoso, e brita da Região Metropolitana de Salvador. Escala 1:150.000 (CPRM, 2008)
Adaptado: Carta Geológica do Brasil ao Milionésimo. Folha SD-24 (CPRM, 2004) Elaboração: SANTOS (2015)
Os solos que ocorrem ao norte do municípioa são os Latossolos Amarelo-distróficos e os Argissolos Vermelho Amarelo-distróficos (Figura 30). Os Latossolos são formados de material mineral em avançado nível de intemperização, muito evoluídos. Variam de fortemente a bem drenados. O caráter Amarelo do Latossolo corresponde a matiz 7,5YR ou mais amarelo na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B. A característica de distrófico significa baixa saturação de bases (V<50%) na maior parte dos primeiros 100 cm do horizonte B (SANTOS et al., 2013).
Figura 30 – Mapa de solos. Município de Santo Amaro-BA
Fonte: SRH (2003).
Ao sul do município de Santo Amaro, encontram-se os Tabuleiros do Recôncavo que são áreas de modelado com dissecação diferencial, constituídas de arenitos finos a conglomeráticos do Grupo Sergi. “O relevo apresenta-se retalhado em interflúvios pequenos, de modo geral convexados, os topos tabulares são quase sempre limitados por ressaltos ou pequenas escarpas, predominando encostas côncavo-convexas” (Ministério das Minas e Energia, 1981p. 208).
Os solos encontrados no sul do município de Santo Amaro são os Argissolos Vermelho Amarelo-distrófico, os Neossolos Quartzarênicos e Espodossolos Hidromórficos nas planícies marinhas e uma pequena área de Latossolo Amarelo-distrófico no Planalto dos Geraizinhos.
Os Neossolos Quartzarênicos são solos pouco evoluídos, constituídos por material mineral com menos de 50 cm de espessura e sequência de horizontes A-C; apresenta textura arenosa, essencialmente quartzosa e praticamente ausência de minerais primários alteráveis, menos resistentes ao intemperísmo (SANTOS et al., 2013).
Os Espodossolos Hidromórficos são solos que, durante algum tempo, permanecem saturados com água. Em geral, são muito pobres em fertilidade de moderados a fortemente ácidos, em função da baixa saturação por bases. São constituídos por material mineral com horizonte B espódico abaixo dos horizontes E, A, ou horizonte hístico. Apresentam, usualmente, a sequência de horizonte A, E, B espódico e C (SANTOS, et al., 2013), além de possuírem restrição de uso para atividades agropecuárias devido às suas características físicas e químicas.
A classe de solos dos Argissolos compreende solos “constituídos por material mineral que têm como características diferenciais a presença de horizonte B textural constituido por argila de atividade baixa conjugada com saturação de bases baixa” (SANTOS et al., 2013, p.86). Há uma clara diferenciação entre os horizontes A e Bt. Apresentam profundidade variável, de forte a imperfeitamente drenados e forte a moderadamente ácidos. (SANTOS et al., 2013). São de cores avermelhadas ou amareladas e raramente brunadas ou acizentadas (SANTOS et al., 2013).
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Esta etapa consiste em apresentar a metodologia para a ponderação fuzzy, os critérios utilizados para ponderar e analisar cada indicador para avaliar a vulnerabilidade ambiental e a aplicação da modelagem através da Lógica Fuzzy.