De acordo com Pimentel (2007), a biblioteca escolar deve ser um espaço ativo para melhorar os índices de leitura. O autor sugere um conjunto de atividades que deveria ser desenvolvido nesse contexto, a saber: hora do conto, representação teatral, concursos literários, recitais poéticos, entre outras. Por sua vez, Nascimento et al. (2012), ao tratar da competência informacional na biblioteca escolar, salientam a importância dessa biblioteca para a formação de um aluno capaz de identificar, localizar, interpretar, analisar, sintetizar e avaliar informações. Espera-se, assim, que a “nova” biblioteca vá muito além da ação pedagógica em si. A orientação é a de que o ambiente seja dinâmico, formativo, cooperativo e estimulador da formação cultural e educacional, além, é claro, de cumprir seu papel tradicional de preservar e organizar seu acervo (PIMENTEL, 2007; UNESCO, 1976; VALIO, 1990).
Em relação ao espaço físico, o ideal é que bibliotecas fossem construídas em ambientes próprios para essa finalidade. Na escola básica, é comum a improvisação de salas para atender a esse fim específico, o que diminui a possibilidade de explorar todas as suas potencialidades. Eis algumas diretrizes básicas requeridas que norteiam os padrões mínimos de uma biblioteca escolar (BRASIL, 1998a; 1998b; 2003; PEREIRA, 2006, PIMENTEL, 2007):
2 O questionário está
disponível em: <http://www. testandoalinguaportuguesa. blogspot.com.br/>. O site aloca mais de uma atividade/ questionário. A atividade 4 corresponde ao questionário sobre a biblioteca escolar.
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Espaço físico: paredes de cor clara, arejada,
pouca incidência de raios solares, lâmpadas fluorescentes, acesso para pessoas com necessidades especiais ou idosas.
Mobiliário: móveis em madeira ou aço, acomodações
para todas as pessoas que a frequentam, espaço nas estantes para novas aquisições, mesas para estudos individuais ou em grupos respeitando uma distância suficiente para que os primeiros não sofram incômodo, espaço infantil demarcado com mobiliário que atenda às condições físicas da criança e que seja alegre e colorido.
Sinalização da biblioteca: sinalização externa
para acesso à biblioteca, sinalização interna contendo todas as informações dos serviços
oferecidos, normas de uso, documentos necessários etc. Sinalização dos espaços de estudo, murais, entre outros, sinalização temática das estantes.
Horário de funcionamento: deve
ser o mais amplo possível.
Acervo: deve ser formado por coleções com diferentes
tipos de materiais (livros, periódicos, CDs, DVDs etc.).
Serviço de informação à comunidade: espaço
da cidadania com informações à comunidade sobre emprego, saúde, legislação, educação, cultura, transporte e segurança pública.
Eventos culturais: utilização da biblioteca
para produção de peças teatrais, saraus, roda de leitura, palestras, entre outros.
O elenco de diretrizes é o foco da discussão neste artigo em que se almeja contrastar o ideal com a realidade da biblioteca escolar da educação básica pública. A partir desses parâmetros, é possível elencar um conjunto de características que se aproxima ou se destoa do perfil real e prático desse ambiente nas instituições de ensino, em geral improvisado e com importância marginal no processo de formação cultural e educacional dos alunos.
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BIBLIOTECA ESCOLAR: FACE REAL E PRÁTICA
O experimento desta pesquisa envolveu a aplicação de um ques- tionário, composto de 10 questões, a alunos da Educação Básica, com o propósito de verificar a avaliação que fazem da biblioteca de sua instituição. As perguntas foram feitas considerando os parâ- metros oficiais que orientam ou sugerem o layout mais adequado de uma biblioteca para garantir sua efetiva representatividade no processo de formação global dos aprendizes. O teste foi aplicado em uma Escola Pública Municipal da Rede de Ensino da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Participaram da amostra alunos do 9º ano. Tal escolha foi feita pelo fato de a Escola ter apenas dois anos de funcionamento, ou seja, possui modelo arquitetônico atual e o grupo de alunos selecionado estuda na instituição desde o início de suas atividades.
A biblioteca da instituição, do ponto de vista arquitetônico, cumpre algumas diretrizes oficiais. Embora localizada no segundo andar do prédio, verificam-se rampas de acesso para portadores de necessidades especiais e placas de sinalização em todos os pisos, inclusive em sua entrada principal. Veja-se:
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Figura 2 – Biblioteca: Rampas de acesso para
portadores de necessidades especiais.
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Infelizmente, a biblioteca está temporariamente interditada. Quanto à infraestrutura, não há prateleiras suficientes para orga- nização do acervo e o espaço interno não é amplo o suficiente para acomodar turmas entre 20 e 30 alunos, que é a média da escola. Há poucas mesas próximas umas das outras para estudos em grupo. Não há divisórias ou espaços reservados para pesquisa ou estudo individual. O ambiente é claro, iluminado com luz fluorescente e possui uma saída de emergência. O balcão de empréstimo ocupa uma região bastante considerável em relação à área total. Não há placas de sinalização no interior do local.
Os parâmetros ora descritos sobre o interior da biblioteca revelam o lugar marginal que ela ainda ocupa no processo educacional. Apesar de construída recentemente, não se mostra capaz de atender, dentro dos padrões aceitáveis, o fluxo de usuários nem mesmo de se prestar à formação cultural dos alunos/comunidade externa de maneira dinâmica e informacional. As imagens abaixo mostram a situação atual do espaço:
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Figura 4 – Biblioteca: Da entrada para o fundo.
Mesmo em fase de pré-funcionamento, os alunos disseram que fazem algumas atividades na biblioteca. Ou seja, os docentes incentivam o uso do ambiente para estudos ainda que alguns quesitos não tenham sido (ou não poderão ser) cumpridos. A seção que segue mostra os resultados da avaliação que os estudantes fizeram sobre esse espaço, considerando as diretrizes destacadas na seção precedente.