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Finding Your Way Around a String

Para a melhor sistematização dos conhecimentos relacionados à sociolinguística educacional, durante a discussão do livro Educação

em língua materna: a sociolinguística em sala de aula (BORTONI-

RICARDO, 2004), os alunos do 1º semestre/2005 construíram um vocabulário crítico do livro. Essa foi uma decisão conjunta, pois a maioria deles, além de não dominar a terminologia específica da sociolinguística ainda não tinha sequer estabelecido algum contato com os conhecimentos referentes especialmente à sociolinguística educacional. Dessa forma, eles consideraram fundamental não só o domínio desses conceitos mas também a compreensão exata desse referencial teórico-metodológico para uma reflexão consciente da prática pedagógica no processo de educação em língua materna. Inicialmente, o vocabulário crítico foi organizado em duplas e depois discutido coletivamente com a turma.

Queremos ressaltar ainda que, além de alunos do curso de Pedagogia, também frequentaram a disciplina Ensino e Aprendizagem da Língua Materna alunos do curso de Licenciatura em Letras. Ficou evidenciada, não apenas nesse semestre mas ainda em outros, a necessidade, na grade curricular do curso de Letras, de uma disciplina que abordasse as questões em torno da alfabetização e do letramento e os processos de intervenção didática em língua materna. Os professores que atuam nos anos ou ciclos finais do Ensino Fundamental e também no Ensino Médio precisam dominar essas questões urgentemente.

A seguir, o vocabulário crítico organizado pelos alunos do 1º semestre/2005 da disciplina Ensino e Aprendizagem da língua materna, sob nossa orientação:

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VOCABULÁRIO CRÍTICO

BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Educação em Língua Materna: a Sociolinguística na sala de aula. São Paulo:

Parábola, 2004.

Adequação linguística: é a forma de um falante utilizar sua fala,

de acordo com o momento e o ambiente no qual está inserido e seguindo as normas e os padrões definidos em sua cultura, podendo manifestar-se coloquialmente (por exemplo, quando se encontra diante de pessoas conhecidas ou em momentos descontraídos), ou formalmente (quando está diante de uma pessoa desconhecida ou em locais formais).

Assimilação: esse fenômeno linguístico acontece quando, numa

sequência de sons parecidos, um deles assimila o outro, que desa- parece. Ex.: falando>falanu.

Atributos de um falante: são aqueles que fazem parte da própria

individualidade do falante, como, por exemplo, sua idade, sexo, status socioeconômico, nível de escolarização etc.

Codificação linguística: processo de padronização da língua estabe-

lecido pela imprensa, obras literárias e, principalmente, a escola. São fatores que, ao longo do processo sócio-histórico, vêm influenciando os falares urbanos, como a ortografia (definição do padrão correto de escrita), a ortoépia (do padrão correto da pronúncia), da composição de dicionários e gramáticas.

Competência comunicativa: conceito criado por Dell Hymes (1966)

que inclui as regras que orientam a formação das sentenças e as normas sociais e culturais que definem a adequação da fala. Permite ao falante saber o que falar e como falar com quaisquer interlocu- tores em quaisquer circunstâncias.

Comunidade de fala: local onde convivem falantes de diversas

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Contínuo de monitoração estilística: linha imaginária onde se

situam desde as interações totalmente espontâneas (menor moni- toração) até aquelas que são previamente planejadas e que exigem muita atenção do falante (maior monitoração).

Contínuo de oralidade-letramento: linha imaginária onde se

dispõem os eventos de comunicação, conforme sejam eles eventos mediados pela língua escrita. São os eventos de letramento ou de oralidade em que não há influência direta da língua escrita.

Contínuo de urbanização: é o contínuo em que podemos situar

qualquer falante do português brasileiro, levando em conta a região onde ele nasceu e vive. Em uma das pontas da linha, imagina-se que estão situados os falares rurais mais isolados. No polo oposto, estão as variedades urbanas que receberam maior influência dos processos de padronização da língua. No espaço entre eles, está loca- lizado o grupo rurbano, formado de migrantes de origem rural que preservam seus traços culturais, notadamente o repertório linguístico e as comunidades interioranas situadas em núcleos semirrurais.

Cultura de letramento: cultura permeada pela leitura e escrita. Cultura de oralidade: cultura predominantemente oral observada,

principalmente, no domínio do lar em relações permeadas pelo afeto e informalidade.

Desnasalização: fenômeno que ocorre em sílabas finais átonas

com travamento nasal; é a supressão da consoante (ou semivogal) de travamento nasal nas sílabas de padrão CVC (consoante/ vogal/ consoante). Ex.: virgem>virge, homem>homi, fizeram>fizeru.

Domínio social: é o espaço físico onde as pessoas interagem assu-

mindo suas obrigações e direitos que são definidos pelas normas socioculturais existentes na sociedade.

Erros de português: são simplesmente diferenças entre varie-

dades da língua. Normalmente tais diferenças se apresentam entre a variedade usada no domínio do lar, onde prevalece uma cultura de oralidade e a usada na escola, permeada pela leitura e escrita, isto é, por uma cultura de letramento. Ao estudar as

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tendências evolutivas da língua, temos facilmente as explicações para os “erros” dos alunos e nota-se claramente quão inadequada e preconceituosa é a expressão.

Eventos de letramento: são eventos mediados pela língua escrita.

Os interagentes se apoiam em um texto escrito, que pode estar presente no ambiente da interação ou pode ter sido estudado ou lido previamente.

Eventos de oralidade: eventos de comunicação em que não há

influência direta da língua escrita. A fala pode ser menos ou mais monitorada, dependendo de três fatores básicos: ambiente, inter- locutor e tópico da conversa, conforme o alinhamento assumido diante deles, se de familiaridade ou não.

Fatores linguístico-estruturais: fatores da própria língua, tais como

o ambiente fonológico em que o segmento que está em variação ocorre, a classe da palavra, a estrutura sintática. Em suma, os fatores linguísticos estruturais podem ser fonológicos, morfológicos, sintá- ticos, semânticos, pragmáticos e até discursivos.

Fatores socioestruturais: representam atributos estruturais de um

falante: idade, sexo, status socioeconômico, nível de escolarização. São atributos que fazem parte da própria individualidade do falante.

Fatores sociofuncionais: resultam da dinâmica das interações

sociais, influências obtidas tanto na rede social, com quem o indivíduo efetivamente interage, como no grupo de referência, com quem não interage fisicamente, mas tem como modelo para sua conduta.

Grupos rurbanos: são formados pelos migrantes de origem rural

que preservam muito de seus antecedentes culturais, principal- mente no seu repertório linguístico, e as comunidades interioranas residentes em distritos ou núcleos semirrurais, que estão subme- tidos à influência urbana, seja pela mídia, seja pela absorção de tecnologia agropecuária.

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Insegurança linguística: ocorre diante de exagerada formalidade

e rigor no uso da fala, no momento de transição entre o domínio do lar (com predominância da cultura de oralidade) e o da escola (onde ocorre a cultura de letramento). Acontece pela pressão comunicativa criada na interação.

Monitoração linguística: caracteriza-se pela observação atenta da

linguagem. Uso de uma linguagem mais cuidada. Ocorre tanto em eventos de oralidade quanto nos de letramento.

Monotongação: é o processo de supressão da semivogal nos

ditongos, como em roupa > ropa, rouba > róba.

Neutralização: é a troca dos fonemas /r/ e /l/ que configuram traços

descontínuos, só encontrados no polo rural, ou a neutralização desses fonemas nessa posição, o que pode caracterizar um problema articulatório, que tem de ser tratado por fonoaudiólogos.

Papel social: é um conjunto de obrigações e de direitos definidos

por normas socioculturais. Eles se constroem no próprio processo de interação humana.

Pedagogia culturalmente sensível: está atenta às diferenças entre a

cultura que os educandos representam e a cultura da escola; trata-se de pedagogia que mostra ao professor como encontrar formas efetivas de conscientizar educandos sobre diferenças sociolinguísticas.

Preconceito linguístico: extrema valorização dos falares de maior

prestígio, que alimentam rejeição e preconceito em relação aos demais falares.

Pressão comunicativa: pressão exercida sobre o falante geralmente

quando esse não se encontra à vontade num determinado domínio social por não dispor dos recursos comunicativos necessários.

Recursos comunicativos: são recursos gramaticais, de vocabulário,

estratégias retóricas e discursivas de que um falante precisa dispor para viabilizar seu ato de fala. São adquiridos conforme o falante amplia suas experiências na comunidade onde vive, assumindo vários papéis sociais. Mas é, principalmente, a escola a responsável por

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ampliar a gama de tais recursos, que possibilitarão ao falante atender às convenções sociais que definem o uso linguístico adequado a cada gênero textual, a cada tarefa comunicativa, a cada tipo de interação.

Repertório linguístico: são palavras e expressões características

da cultura do falante.

Rotacismo: fenômeno que consiste na passagem do /l/ para /r/ como

em: planta>pranta. É bastante estigmatizado na cultura urbana, pois tem maior ocorrência nos polos rural e rurbano (migrantes do meio rural ou com grande influência deste), caracterizando-se como traço descontínuo.

Saliência fônica: baseia-se na constatação de pesquisadores para

a tendência em empregar o plural nas formas verbais fonologica- mente mais salientes, isto é, quando a forma da terceira pessoa do plural for muito distinta da terceira do singular, há mais chance de o falante fazer a flexão. Quanto maior for a diferença (saliência) entre as duas formas maior possibilidade de o falante realizar a flexão e quanto mais forem semelhantes menor a probabilidade de se realizar a flexão.

Traços descontínuos: caracteriza palavras e expressões típicas dos

falares situados no polo rural que vão desaparecendo à medida que nos aproximamos do polo urbano. Têm, portanto, uma distribuição descontínua, porque seu uso é descontinuado nas áreas urbanas, não está presente em todo o “contínuo de urbanização”, apresentando, por isso, alto grau de estigmatização nas comunidades urbanas.

Traços graduais: estão presentes na fala de todos os brasileiros

e, portanto, distribuem-se ao longo de todo o contínuo; têm uma distribuição gradual, dessa forma, não são estigmatizados.

Travamento silábico: no padrão CVC, é a segunda consoante que

fecha a sílaba. São as consoantes que travam sílabas que estão sujeitas a maior variação no português brasileiro, pois tendem a ser suprimidas principalmente em estilos não monitorados.

Variação linguística: está diretamente relacionada à diversidade

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Variação regional: são certas diferenças regionais também

chamadas dialetais, manifestadas mais na pronúncia de alguns sons, no ritmo, na melodia e em algumas palavras.

Variante: formas linguísticas diferentes que veiculam o mesmo sentido. Variedade regional/falar/dialeto: são os diferentes falares presentes

nas diversas culturas. Instrumento identitário, isto é, um recurso que confere identidade a um grupo social.

Foi possível confirmar, após a construção do vocabulário crítico, que os alunos, colaboradores da pesquisa, atestaram a importância do domínio dos conceitos sociolinguísticos apresentados e assimilaram esses conceitos, empregando os conhecimentos durante a pesquisa em sala de aula.

A PESQUISA EM SALA DE AULA NO PROCESSO