5. Retour sur les acquis et conclusion
5.3. Limites de la recherche
Um dos impactos do desenvolvimento do Google Tradutor é que ele seja utilizado nas aulas de inglês instrumental na universidade como ferramenta auxiliar de ensino. Reconhece-se que a ferramenta é um trabalho em desenvolvimento, mas há uma demanda por parte dos alunos, bem como da sociedade de um modo geral, pelo uso do tradutor automático. Nesse sentido, o que se propõe é que se ensine como usá-lo da melhor maneira, ou seja, como parte integrante de uma leitura estratégica. Há mais de vinte anos Smith
afirmava: “não é sobre se os computadores devem permanecer na sala de aula, mas como devem ser utilizados” (SMITH, 1989, p. 246).
Temos ciência de que o tradutor do Google apresenta problemas da mais variada ordem (sintaxe, semântica, pragmática) que comprometem a compreensão leitora, a ponto de impedir a aprendizagem de um conceito novo. Todavia, propomos uma metodologia que justamente leve o leitor a estar alerta para conflitos e pontos que não fazem sentido. Sugere-se o uso do Google Tradutor com um apelo didático, em que o professor lance mão da ferramenta em benefício da aprendizagem. A ideia não é excluir a ferramenta da aula, e, sim, agregá-la, apontando onde a tradução apresentou falhas e acertos. Nesse sentido é que se sugere que o uso do Google Tradutor é uma estratégia que beneficia a compreensão leitora, pois o leitor pode buscar a tradução no nível lexical, da frase ou do texto para o que se desconhece.
Ao analisar o ensino de vocabulário em sala de aula, Scaramucci (1997) vê a necessidade de um ensino mais sistemático, ela não está se referindo à volta ao ensino de língua tradicional que se caracteriza pela descontextualização e comumente por listas de palavras. Sua proposta condiz com o estudo de Nagy e Herman (1987, p. 33):
O ensino do vocabulário que realmente faz uma diferença na compreensão geralmente tem algumas das seguintes características: exposições múltiplas às palavras ensinadas, exposição às palavras em contextos significativos, informação rica e variada sobre cada palavra, o estabelecimento de ligações entre as palavras ensinadas e a própria experiência e o conhecimento prévio do aprendiz […].
Se o ensino de vocabulário mais eficaz é esse proposto acima, então o tradutor pode contribuir, na medida em que oferece a tradução no nível lexical e as múltiplas possibilidades de tradução em que o leitor é quem escolherá a mais adequada ao texto que lê. Essa escolha é diferente da “adivinhação” da palavra pelo contexto, já que as opções de escolha pelo tradutor são estatisticamente mais acertadas. Além disso, se o leitor traduz no nível da frase o contexto pode garantir maior compreensão. Por exemplo, na palavra clasp, que segue:
Quadro 6 - Traduções da palavra clasp
Fonte: Google Tradutor.
A palavra clasp não é uma palavra frequente em língua inglesa. Mesmo o aluno de nível avançado poderia apresentar problemas de compreensão. Assim, o Google ofereceria acesso à tradução bem como à definição, sem precisar passar pela busca da palavra no dicionário, e isso daria mais automaticidade na leitura. Além disso, a tradução da palavra na frase ofereceria contexto. Ainda, o professor pode demonstrar uma variedade de frases em que a palavra foi traduzida, demonstrando diferentes contextos em que ela aparece, o que pode despertar no aluno a consciência para a polissemia das palavras.
Quadro 7 - A palavra clasp em diferentes contextos e sua tradução
Uso da palavra na Língua Inglesa Tradução
And as he perches atop a branch on the sycamore tree, he takes a moment to refasten the clasp of his Rolex watch as he waits for Jesus to pass by.
fbchenderson.org
E como ele empoleira-se sobre um galho na árvore sicômoro, ele dá um momento para reapertar o fecho do seu relógio Rolex enquanto espera Jesus passar.
As usual, Atento sponsored the traditional regatta in Miami Bay, which is the
Conference's golden clasp. atento.com.ve
Spring clasp with a branch of loose flowers of various colors on a safety pin
porcelanasmercedes.com
Como de costume, a Atento patrocinou a regata tradicional em Miami Bay, que é o fecho de ouro da Conferência. ...
Broche Primavera com un ramalhete de flores de cores montado sobre um alfinete- de-segurança.
Fonte: A autora.
Nos exemplos do Quadro 7, caberia ao professor discutir com o aluno porque na tradução a palavra é ora traduzida como fecho, ora como broche. Além disso, como é o caso do segundo exemplo, uma proposta de melhor tradução poderia ser sugerida como fechamento de ouro ou mesmo a metáfora fechamento com chave de ouro ao invés de fecho de ouro. Isso levaria a despertar a consciência no aluno/leitor de que a compreensão não está diretamente ligada à tradução, mas à compreensão que se tem do que foi traduzido. Essa compreensão é dependente do quanto o leitor conhece de sua língua materna para a construção dos significados possíveis. Ao mesmo tempo, o leitor tem o equivalente em inglês, o que deve auxiliar para a armazenagem do vocabulário.
No estudo de Scaramucci (1997) com alunos de graduação com conhecimento linguístico iniciante, e, portanto, ainda vago, a autora observou que esses participantes tentavam construir um contexto tanto para decidir qual é o significado mais apropriado de uma palavra quanto para inferir as palavras
desconhecidas. No entanto, o que a autora concluiu é que, quando há muitas palavras desconhecidas, o contexto criado torna-se ineficiente. Para ela, seria necessário criar uma base sólida das palavras de alta frequência.
Embora não esteja propondo um controle das palavras a serem ensinadas ou a simplificação de textos, o que não é consistente com uma visão de leitura enquanto interação, considero importante, principalmente num primeiro estágio, salientar a construção de uma base lingüística ou mais especificamente lexical, nos moldes acima descritos, que se iniciaria com palavras mais freqüentes, básicas ou centrais (core words) (SCARAMUCCI,1997 p. 7).
Scaramucci (1997) está falando de ensino-aprendizagem de vocabulário que, para Nattinger(1988), é uma habilidade de produção diferente de uma habilidade de compreensão. A compreensão depende de estratégias que permitem entender e guardar as palavras na memória durante a leitura. Para ele, a compreensão precede a produção. Sob esse aspecto, o objetivo de uma aula de vocabulário deve ser tanto desenvolver estratégias de compreensão quanto de produção. Além disso, Nattinger (1988) argumenta que o aluno deve conhecer todos os significados de uma palavra e que o dicionário não deve ser uma proibição. Nesse sentido, o Google Tradutor pode ser usado para a compreensão, mas em aula o professor poderá usá-lo como produção com fins de aprendizagem.
Em relação ao uso do dicionário, Summer (1988) diz que seu uso tem sido criticado. Isso porque os livros textos de L2 primam pelo ensino da estrutura ao invés do vocabulário. Também, há uma insistência de que as palavras não deveriam ser ensinadas isoladamente. A autora argumenta que essa é uma visão da análise do discurso que entende as palavras como parte do todo e sempre dentro de um contexto. Nesse caso, as palavras novas deveriam ser codificadas por pistas contextuais. Entretanto, Summer (1988) diz que frequentemente não há pistas que ajudam a adivinhar ou inferir o significado, por exemplo, na palavra dratted na frase: “She had always made Pinpin laugh; she would miss her- and her dratted, ever lasting reminiscing” (SUMMER,1988, p. 112). Não há como “adivinhar” dratted reminiscing, pois o contexto não é suficiente para lançar mão dessa estratégia, portanto um dicionário seria um auxílio. Por outro lado, os dicionários também não trazem exemplos de collocations, contexto típico de uso ou possibilidades gramaticais da palavra. A conclusão a que se chega é que o uso do dicionário é
mais relevante, quando se acredita que há um significado fixo da palavra e que esse significado não é sempre negociado. Ao contrário, o tradutor poderia sugerir uma gama maior de opções de palavras, como nos exemplos das frases citadas acima em clasp. Essa questão da estabilidade ou instabilidade das palavras já foi discutida em Perfetti (2001), anteriormente na Hipótese da Qualidade Lexical, e, para o autor, as palavras mais estáveis são aquelas que oferecem maior grau de compreensão.
Considerando que a aquisição do vocabulário ocorre na maioria das vezes pela leitura, então uma estratégia que promova essa aquisição deve ser incentivada. Podem constituir as estratégias desde as pistas contextuais, o uso dicionário ou a pergunta ao professor. Contudo, esta pesquisa acredita que, atualmente, o tradutor eletrônico é a ferramenta que melhor se ajusta às necessidades da modernidade na aula de inglês instrumental. Há vantagens tais como acessar o léxico que o aluno iniciante desconhece, explicitar contextos que o aluno intermediário poderia ter dificuldade de identificar, bem como a multiplicidade de significados nas quais a palavra pode ser traduzida, ajudando o aluno avançado a ampliar seus conhecimentos como um todo. Sob esse aspecto, o tradutor é superior ao dicionário. Além das vantagens descritas, o leitor não passaria pela leitura scanning do dicionário ao procurar a palavra, o que acaba por ser mais um investimento cognitivo que compete durante o processamento da leitura, e traz implicações para a memória de trabalho.
Outra questão que o professor de inglês para leitura, principalmente da leitura acadêmica, deve abordar são as características dos gêneros textuais, já que o tipo de linguagem influencia na tradução, conforme descrito anteriormente. Acreditamos que o gênero acadêmico-científico serve ao tipo de tradução pela máquina, já que sua estrutura é sempre a mesma (Resumo, Introdução, Materiais e Métodos, Resultados, Discussão ou Conclusão e Referências), e caracteriza-se pela informatividade e simplicidade na escolha das palavras, o que Feltrim (2007) chama de linguagem direta. Para ela, não há necessidade de que o autor apresente a discussão dentro de um ritual rigorosamente filosófico, mas é imprescindível que comunique seu ponto de vista ou o seu achado de maneira racional, e, assim, tenha condições de demonstrar a tese que está defendendo. Sob esse aspecto, a linguagem direta e racional tende a ser menos metafórica, polissêmica e mais estável, o que deve ser mais fácil para a tradução eletrônica, consequentemente
propiciando melhor compreensão. Vale reiterar, como já foi tratado na seção anterior, nos anexos desta tese há cinco abstracts traduzidos pelo Google que apresentam grandes aproximações com a norma do português culto que se espera de um abstract.
O objetivo de introduzir-se o Google Tradutor no ensino de inglês para a leitura não se restringe à tradução em si, mas, sim, às provocações que ele promove como ferramenta de ensino/aprendizagem. Isso significa dizer que, ao deparar-se com um problema de linguagem na língua materna, o leitor desperta sua consciência linguística, assim, desperta também o controle e a supervisão de sua compreensão, mobilizando sua metacognição. Ao mesmo tempo, quando o professor apresenta diferentes contextos em que a palavra pode ser usada, ele oferece ao aluno a oportunidade de compreender a polissemia, identificar novos usos lexicais em cenários (ou frames) distintos, aumentando o conhecimento de mundo. O que se vê até agora com o dicionário, ou mesmo em livros didáticos, é que eles se restringem às definições restritas, e privam o aluno de ter ciência de como a língua efetivamente ocorre no mundo. Nesse sentido, pode desbravar-se uma dimensão linguística que o leitor monolíngue ainda não atingiu.
3 MÉTODO
Este terceiro capítulo trata do método usado nesta tese. Foram conduzidos instrumentos de leitura com a finalidade de analisar as estratégias de leitura e sua relação com a compreensão leitora sem e com o uso do Google Tradutor. A pesquisa foi realizada com participantes do English Language Institute (ELI) da University of Pittsburgh, nos Estados Unidos.
Para analisar as estratégias utilizadas pelos leitores de textos científicos sem e com o uso do tradutor eletrônico do Google buscamos coletar dados que servissem de fonte para a análise em diferentes idiomas. Isso porque gostaríamos de saber se os leitores em diferentes línguas usam as mesmas estratégias ou não, e se elas se modificam quando o tradutor é utilizado. Além disso, gostaríamos de saber se o Google Tradutor é um bom suporte de leitura em diferentes línguas, nesse caso, ele pode ser uma rica fonte de conteúdo e desenvolvimento de estratégias de leitura para o ensino de leitura acadêmica em inglês.
Os procedimentos da pesquisa qualitativa desenvolvidos aqui vão ao encontro das perguntas que, no início da tese, já foram descritas. Nesse sentido, vale retomá- las, pois elas norteiam a metodologia escolhida para conduzir esta fase da pesquisa. Elas estão enumeradas a sequir.
1. Quais as estratégias de leitura usadas sem e com o uso do Google Tradutor?
2. Qual a relação entre tais estratégias e a compreensão leitora?
3. Se há compreensão com o tradutor ainda em construção, como isso ocorre?
Essas perguntas traçam o rumo da pesquisa, e foram decisórias para a escoha do método aplicado.
Para fins didáticos, o capítulo está dividido em três seções. A primeira delas traça o perfil dos participantes. A segunda seção discute os instrumentos que foram aplicados com o método Think Aloud Online. Já na terceira seção apresentam-se os dados obtidos após a coleta.