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Limites de la recherche

Chapitre 4 – Cadre méthodologique

3.6 Limites de la recherche

- introdução; - índice;

- apresentação do ME ao aluno

- apresentação de ficha de avaliação diagnóstica; - apresentação das ideias básicas que recordam os últimos conteúdos do nível de escolaridade anterior;

- abertura de Tema; - abertura de Unidade; - texto de autor;

- dados de natureza temporal; - dados de natureza espacial;

- apresentação de biografias de personagens históricas referentes ao PE daquele nível de escolaridade; - bibliografia.

Nível

Interpretativo

3. A Guerra Fria no Manual Escolar

- Nº páginas do conteúdo Guerra Fria e % no total do n.º de páginas do ME

- Aspectos essenciais/principais ideias veiculadas no texto do autor sobre a Guerra Fria

- Conceitos - Citações

- Qualidade dos documentos sobre a Guerra Fria enquanto recurso

- Tipos de documentos para o estudo da Guerra Fria - Classificação dos documentos escritos

- Recursos sugeridos ao professor e ao aluno no processo ensino-aprendizagem

- Tipos de propostas de experiências de aprendizagem para o estudo da Guerra Fria

- Adequação das propostas de experiências de aprendizagem para o nível etário dos alunos - Promove um trabalho de diferenciação pedagógica - Promove a autonomia do aluno com orientações específicas para o seu trabalho

- Apresenta um resumo das ideias básicas da Unidade - Apresenta um esquema-síntese da Unidade

- Apresenta páginas para suscitar no aluno o “quer saber mais”

- Apresenta ficha de avaliação formativa em cada Unidade/Tema

- Apresenta bibliografia sobre a Guerra Fria - Outros aspectos relevantes

Tipos

de

Análise

Nível

Reflexivo

4. Aspectos que chamaram mais à atenção na análise do Manual Escolar

Relativamente à primeira categoria de análise do ME, “Identificação do Manual Escolar”, nela pretende-se apresentar os dados gerais de identificação do ME que nos permitem demonstrar que a fonte enquadra-se nos critérios de selecção dos ME, nomeadamente em relação ao ano de publicação, ao ano de escolaridade e ao nível de escolaridade a que pertence.

Na segunda categoria de análise do ME, “Caracterização do Manual Escolar”, é nossa intenção aferir a qualidade técnica e a organização interna do ME com a intenção de fundamentar a adequação ou não do manual à faixa etária do aluno ao

nível da forma e de concluir sobre as etapas metodológicas do ensino-aprendizagem sugeridas pelo ME. Para isso, desdobramos a nossa análise em dois parâmetros de

avaliação:

a) qualidade técnica/gráfica do ME – possibilita-nos conclusões sobre a forma como o ME é elaborado do ponto de vista do design em diferentes décadas e zonas da Europa, centrando-se a nossa análise no grafismo da apresentação do texto de autor e dos documentos, com os seguintes objectivos:

- relativamente ao texto de autor temos em consideração o tamanho e a hierarquia dos caracteres, de forma a avaliar a sua adequação à faixa etária

dos alunos, o seu o grau de legibilidade e a sua clareza de hierarquia. Por

exemplo, a apresentação dos títulos com tamanhos e/ou o tipos de letra diferentes de acordo com as subdivisões do Tema a tratar ou das várias rubricas da página, constitui um indicador da clareza de hierarquia dos assuntos a serem abordados nas páginas;

- quanto aos recursos didácticos é sobretudo a análise da variedade da selecção iconográfica, o equilíbrio da sua distribuição nas páginas versus conteúdos da página e a qualidade gráfica desta selecção que é tida em consideração. Com estes itens de análise também pretendemos recolher dados para aferir o modelo pedagógico-didáctico que se encontra subjacente ao ME, pois por exemplo, a existência ou não de documentos no ME constitui um indicador sobre o ensino-aprendizagem da História, sobretudo ao nível dos

recursos, dados que nos permitem descortinar também o modelo pedagógico- didáctico adoptado; analisar a adequação do ME à faixa etária a que se destina pelo tipo e pela variedade das fontes que apresenta; compreender a relação entre

texto de autor e documentos na sua distribuição nas duplas páginas,

conseguindo apercebermo-nos de eventuais desequilíbrios na estrutura do conteúdo apresentado, por exemplo, ao verificarmos se os recursos didácticos se encontram graficamente bem colocadas em consonância com o momento de abordagem do conteúdo do texto do autor, ou se pelo contrário, esses recursos didácticos estão desfasados no espaço gráfico relativamente ao texto do autor.

b) organização interna do ME – a análise do desenho das Unidades Didácticas do ME permite-nos fundamentar a sua coerência interna do ponto de vista das etapas metodológicas do ensino-aprendizagem sugeridas pelo ME e, em última instância, a avaliação da qualidade metodológico-didáctica do ME, tendo para isso de desenvolver a verificação dos seguintes aspectos:

- introdução, índice, páginas de apresentação do ME ao aluno, ficha de avaliação diagnóstica, páginas de apresentação das ideias básicas que recordam os últimos conteúdos programáticos do nível de escolaridade anterior, abertura de Tema, abertura de Unidade Didáctica, apresentação de biografias de personagens referentes ao PE daquele nível de escolaridade e bibliografia geral do ME47;

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A existência ou não no ME destes elementos ajuda-nos a concluir se o ME se preocupa com a exposição da organização dos conteúdos num índice e com uma introdução para o aluno ou não; se há ou não uma metodologia de trabalho que ajude a promover a autonomia do aluno, por exemplo com a apresentação da organização do ME para o aluno; se são fornecidos instrumentos de avaliação diagnóstica e formativa; se procura apresentar em síntese os últimos conteúdos trabalhados no nível de escolaridade anterior, para que o aluno tenha elementos para recordá-los e estabelecer a respectiva ligação com os novos conteúdos que irá começar a estudar neste novo nível de escolaridade; se a organização dos conteúdos e o seu trabalho é sequencializado numa estrutura de abertura de Tema e/ou de Unidade Didáctica, de forma a ordenar e a classificar os assuntos em blocos didácticos que contém alguma problematização ou motivação para iniciar o estudo de um novo assunto; se o ME fornece outros elementos de consulta que sejam adjuvantes do desenvolvimento ou aprofundamento dos conteúdos, por exemplo biografias de personalidades históricas, atlas histórico, bibliografia, ou outros dados. Muitos destes dados, tais como o índice, a apresentação do modo de utilização do ME, a explicitação do percurso pedagógico e os resumos, são designados por Gérard e Roegiers (1998) de “facilitadores técnicos e de facilitadores pedagógicos”, os primeiros que constituem uma ajuda à utilização do ME e os segundos uma ajuda à aprendizagem. A recolha de todos estes dados permitir-nos-á atingirmos um dos objectivos da nossa investigação que aqui voltamos a recordar - analisar a qualidade técnica e gráfica do ME como elementos fundamentais da sua adequação à faixa etária a que se destina e reveladores da orientação metodológico-didáctica impressa no ME.

- classificação do texto de autor em extenso ou em sintético;

- fornecimento de dados de natureza temporal e de dados de natureza espacial quanto à sua frequência, desdobradas em “regular, irregular e não possui” e à sua qualidade de “boa, razoável e fraca”.

Quanto à categoria de análise do ME, “A Guerra Fria no ME”, esta é de um nível interpretativo subdividida em dois grandes âmbitos de análise:

a) âmbito do tratamento e interpretação do conteúdo da Guerra Fria

no ME, através da análise das ideias que procuram ser veiculadas e seu grau de aprofundamento no ensino-aprendizagem deste assunto e, desta forma, chegarmos até uma revisão crítica das visões sobre a Guerra Fria nos ME para este período em estudo. Assim, importa ter em consideração os seguintes aspectos:

- a proporção do número de páginas do ME dedicadas ao estudo da Guerra Fria no total de páginas do ME;

- as principais ideias veiculadas no texto de autor;

- os conceitos que são destacados;

- citações que eventualmente merecem algum relevo na nossa análise e que até nos ajudam a fundamentarem as nossas conclusões. Aqui encontramo-nos numa investigação linguística, pois procuramos reflectir sobre como as mensagens são caracterizadas e transmitidas, examinando também os factos, processos e personalidades presentes no texto (Pingel, 1999). Por exemplo, a utilização de adjectivação atribuída a determinadas personalidades históricas, ou de conotações pejorativas ou positivas. Ao utilizar citações contidas nos ME pretendemos mesmo minimizar a seguinte situação enunciada por Bardin (1979, 99):

“No entanto, em muitos casos, o trabalho do analista é insidiosamente orientado por hipóteses implícitas. Daqui, a necessidade das posições latentes serem reveladas e postas à prova pelos factos, posições estas susceptíveis de introduzir desvios nos procedimentos e nos resultados.”

Ainda Pingel (1999, 40) vem reforçar a importância das citações seleccionadas no ME:

“The author can incorporate these different perspectives and leave it to the reader to evaluete them.”

- a qualidade de recursos que são utilizados no ensino-aprendizagem da Guerra Fria classificados nos parâmetros de ilustrativa, informativa e reflexiva/interpretativa;

- o tipo de recursos seleccionados para o estudo da Guerra Fria (documentos iconográficos; documentos escritos; mapas; barra cronológica ou cronologia, gráficos/tabelas/quadros; esquema, documentos musicais; excertos de filmes históricos e/ou documentários e outros) e o tipo de experiências de aprendizagem;

- tipos de experiências de aprendizagem e suas respectivas adequações à faixa etária dos alunos (análise oral e/ou escrita dos documentos apresentados no ME; debate; visita de estudo; trabalho de pesquisa; construção de mapa e/ou barra cronológica; redacção de texto argumentativo; redacção de síntese; jogo lúdico; dramatização; visualização de excerto de filme histórico/documentário; audição de músicas/canções; outros);

- recursos sugeridos ao professor e ao aluno no processo ensino- aprendizagem (utilização do caderno diário; quadro negro; materiais audiovisuais; recursos multimédia; Internet; Manual; Caderno de Actividades; outros);

- a classificação e identificação dos documentos escritos apresentados para a Guerra Fria (documentos historiográficos, documentos históricos; documentos didactizados tais como poemas, anedotas, canções…);

- a apresentação de bibliografia sobre este tema, em que apesar de a contemplarmos, se revelou pobre em informação já que praticamente é inexistente a referência à bibliografia utilizada.

b) âmbito metodológico-didáctico com a intenção de conseguirmos resposta a outro objectivo da nossa investigação, identificar os modelos pedagógico-didácticos utilizados no ensino da Guerra Fria, através dos quais se consegue desenvolver a Educação Histórica e as competências históricas. Para isso, delineamos na nossa análise a identificação dos seguintes elementos nos ME:

- novamente o item sobre a qualidade dos recursos que são utilizados no ensino-aprendizagem da Guerra Fria, em que pela sua classificação de “ilustrativos, informativos e reflexivos/interpretativos”, ajudar-nos-á a compreender a orientação que também se pretende no tratamento pedagógico- didáctico do assunto, ou seja, preocupações mais centradas num conhecimento meramente ilustrado e, por vezes, até acrítico ou, pelo contrário, no desenvolvimento de um conjunto de conhecimentos e competências reflexivas e críticas;

- a existência de experiências de aprendizagem diversificadas ao ponto de promover a diferenciação pedagógica, ou seja, adequadas a diferentes níveis de aprendizagem e, por isso, apresentando diferentes níveis de dificuldade;

- orientações apresentadas para o trabalho do aluno, promotoras da sua autonomia;

- secções que promovam o aprofundamento (páginas para suscitar o aluno a “quer saber mais”), a síntese (página com esquema-síntese da Unidade

Didáctica) e a consolidação do conteúdo, associada aos instrumentos de avaliação (páginas com ficha de avaliação formativa em cada Unidade Didáctica/Tema);

- outros aspectos relevantes que merecem destaque no ME como elementos ligados à estrutura didáctica do ME, tais como rubricas diversas, organização do texto de autor e dos documentos, entre outros.

Finalmente, a última categoria de análise intitulada “Aspectos que chamaram mais à atenção na análise do ME” tem um carácter reflexivo, onde desenvolvemos a nossa interpretação pessoal sobre cada um dos ME. A nossa interpretação dirige-se para uma súmula dos princípios e dos critérios que presidiram à concepção daquele ME e a forma de tratamento do conteúdo da Guerra Fria, para concluirmos sobre a visão que emite acerca da Guerra Fria. Assim, aqui procuramos também descortinar o modelo pedagógico-didáctico subjacente ao ME, embora tendo consciência que apenas quando usufruímos da oportunidade de observar a utilização do ME em contexto de sala de aula, poderíamos chegar até conclusões mais firmes sobre a mobilização de um determinado modelo pedagógico-didáctico. Porém, tal não faz parte da metodologia delineada para esta investigação, pois a nossa investigação não tem um carácter empírico de análise do processo de operacionalização do ME enquanto recurso pedagógico-didáctico, uma vez que não dedicamos um espaço de investigação à observação de aulas. Todavia, também é importante ressalvar que mesmo numa situação de investigação empírica em contexto de sala de aula, a fiabilidade de conclusões na interligação entre ME e modelo pedagógico-didáctico do professor não é total, pois o professor pode não aplicar na sua operacionalização, o modelo pedagógico-didáctico que está estampado nas páginas do ME. Queremos dizer com isto que nunca podemos obter certezas acerca da aplicação de um determinado modelo pedagógico-didáctico defendido naquele ME, pois nem sempre há uma coincidência entre o modelo do ME e o do professor, ou até mesmo o previsto em termos legais. Quanto às nossas conclusões sobre a visão da Guerra Fria que o ME deixa transparecer procuramos fundamentá-las com citações da fonte.

Um ponto importante ainda a esclarecer é o seguinte: este estudo pretende comparar vários ME de diferentes países com a intenção de descortinar também alguma evolução temporal do nosso objecto de estudo dentro do mesmo ciclo de estudos, quer do ponto de vista da sua qualidade enquanto recurso do processo ensino-aprendizagem, quer do ponto de vista do tratamento do conteúdo da Guerra Fria. Relativamente a este último aspecto, visamos traçar a evolução deste tema nos ME de História de 17 países europeus, sendo que as suas diversidades geográficas e cronológicas (antes e após Guerra Fria), nos permitirão obter a imagem da Guerra Fria nos ME.

Consideramos que as categorias de análise do ME por nós definidas para este estudo seguem os critérios de Hummel (cit. em Santo, 2006), já salientadas no capítulo 2, e que relembramos serem as seguintes:

e) F – Formato;

f) C – Conteúdo;

g) L – Legibilidade;

h) AM – Abordagem Metodológica.

As quatro categorias de análise do ME não têm todo o mesmo peso de importância para a nossa investigação, entrando em acordo com Pingel (1999, 39):

“Analysts should discuss how to weight the categories and findings, and they have to decide if they want to give all of them equal importance in the final assessment.”

Assim, a categoria “A Guerra Fria no ME” é a que tem mais peso na nossa investigação, embora de forma muito interligada com a categoria “Aspectos que chamaram mais à atenção no ME”, seguindo-se as categorias “Caracterização do ME” e “Identificação do ME”.

Após a definição das categorias de análise do ME, seguiu-se a construção de uma base de dados para lançamento das informações recolhidas a partir da análise das fontes, que obedecessem às categorias que acabamos de apresentar. Apresentamos, de seguida, um printscreen da base de dados que organizamos para o estudo dos ME.

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Posteriormente, desenvolvemos, então, todo o tratamento da informação das nossas fontes, começando com a sua leitura integral, seguido da selecção da informação para o seu registo nas bases de dados. Foi neste momento de análise de conteúdo e respectivo preenchimento das bases de dados, que verificámos que tínhamos necessidade de proceder a alguns ajustes na nossa base de dados decorrente da especificidade das informações. Por exemplo, houve necessidade de desdobrar alguns campos de classificação de alguns itens, tais como introduzir entre o “Boa” e “Fraca” a classificação de “Razoável”, ou para além do “Regular” e “Irregular”, o “Não possui” e ainda, não só “Adequadas” e “Inadequadas”, mas também “Não possui”.

Em relação aos aspectos metodológicos da investigação na área de ME, de alguma forma, permanece a tentativa de distinção entre análises qualitativas e quantitativas, empíricas ou interpretativas. A questão é colocada da seguinte forma por Weinbrenner (1992):

“This is summed up by the question as to how results of schoolbook research can be established according to acknowledged scientific methods.”

Verifica-se, ainda, que os métodos qualitativos versus quantitativos continuam a ser mais utilizados neste tipo de investigação, pela formulação das dimensões e categorias de análise de natureza qualitativa, estando também presente neste estudo. Porém, tal não afecta a credibilidade científica dos métodos utilizados na investigação na área dos ME, pois os critérios clássicos de autenticidade e credibilidade estão sempre presentes nas assunções e nas preposições da análise de conteúdo (Weinbrenner, 1992).