I.6 Conclusion
II.1.1 Les syst` emes Multiple-Input Multiple-Output (MIMO)
Conhecida como uma r egião pobr e e car ent e, o “nor dest e mineir o”, o Vale f oi e é obj et o de inúmer as iniciat ivas, est at ais ou não, que t êm por obj et ivo, em ger al, pr omover seu “desenvolviment o”. Na consult a à lit er at ur a pr oduzida, f icou pat ent e que a int er pr et ação de f enômenos r elacionados às camadas dit as subalt er nas da população, t ais como pobr eza, dinâmica aliment ar (f ar t ur a/ desper dício), alcoolismo, analf abet ismo, e de f or ma especial, f r acasso das iniciat ivas públicas e pr ivadas, assist enciais e int er vent or as, car ece de uma abor dagem ant r opológica, que pr ocur e, por exemplo, dist inguir e descr ever o habit us local, f or necendo as bases par a uma out r a or ganização da of er t a de benef ícios públicos, do at endiment o a demandas espont âneas, e at é da int er venção de Ongs e cor r elat os18.
Weber Soar es, em Diagnóst ico Socioeconômico do Vale do J equit inhonha, f az uma r evisão t eór ica, especialment e no campo da economia, em t or no do t ema do desenvolviment o, par a o qual dedica uma longa análise cr ít ica. A pr incipal mar ca dessa r evisão é um f ir me posicionament o analít ico que não f az concessões a nenhum dos lados da moeda, mas t ent a clar if icar os aspect os em que cada lado t em sua r azão: Keynes, que dest aca a int er venção est at al; Schumpet er , que def ende a at uação do empr eendedor individual; a ver t ent e liber al, com a apost a na livr e at uação do mer cado. O desenvolviment o local, que é um pr ocesso or ganizado, dif undido e execut ado por pessoas, em suas diver sas r elações, depende de uma conf igur ação da
18 Algumas ent idades, sem dúvida, desenvolvem um t r abalho de int er venção mais or ganizado e planej ado, com diagnóst icos pr of undos que pr ecedem a implant ação de um pr ogr ama, seu planej ament o e a r evisão de sua execução a longo pr azo com mecanismos de avaliação da int er venção per iódicos. Ent r et ant o, nem mesmo o cor r et o seguiment o desse scr ipt gar ant e o “sucesso” de uma int er venção, e t al “f r acasso” pode est ar associado ao desconheciment o da cult ur a local. Out r o f at or det er minant e par a o “f r acasso” dessas iniciat ivas é a desar t iculação ent r e elas e as ent idades que at uam na r egião. A despeit o de ser um pr oblema r econhecido por muit os, pouco f oi f eit o par a r ever t er esse est ado de coisas.
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sociedade – a “sociedade da conf iança” – baseada na exist ência de r edes sociais, f undadas em r elações de cooper ação. A análise de r edes sociais “não t ent a uma sínt ese impossível ent r e est r ut ur a e suj eit o; busca, ist o sim, est abelecer uma pont e ent r e essas duas escolas de análise do campo social” (2009, p. 47). Quant o ao desenvolviment o local, diz Soar es que “ao que t udo indica, as unidades ef et ivas do desenvolviment o não são nem indivíduos nem f amílias, mas, sim, conj unt os de pessoas ligadas por r elações de amizade, de conheciment o, de par ent esco, de t r abalho, e, sobr et udo, de cooper ação. Não r edut ível às car act er íst icas (at r ibut os) e int enções individuais, o desenvolviment o dever ia ser pensado como o r esult ado de um conj unt o de r elações sociais que lhe são pr opícias, em f ace de out r as que lhe são adver sas” (2009, p. 47).
A “r ede pessoal” é def inida como um caso específ ico da r ede social, compost a de r elações de par ent esco e amizade (2009, p. 48). Conclui que o desenvolviment o local depende de det er minações cult ur ais (cult ur a ent endida como sist ema simbólico) que são engendr adas, t r ansf or madas e post as em cir culação nas/ at r avés das r edes sociais, compondo as possibilidades de ef et ivação do desenvolviment o. Essa per spect iva expõe nit idament e a necessidade de um conheciment o da cult ur a local – ar r iscando o t om t r ivial que essa expr essão adquir iu, mas t ent ando r essignif icá-la – par a a consecução dos obj et ivos - sempr e bem-int encionados - dos diver sos int er vent or es no Vale do J equit inhonha, e, em especial, das polít icas públicas. A const at ação, ademais, não é r ecent e e nem isolada; apar ece em muit as pesquisas que se debat er am com essa inquiet ação (Soar es, 2009, p. 72). Mas, por onde começar ? Eis a gr ande quest ão! “Q ue f ique clar o: é necessár io f azer opção por cer t os r umos, é impr escindível f ugir da const it uição de uma polít ica mer ament e f or mal, genér ica, de uma polít ica que desconsider e as singular idades hist ór icas, ambient ais e a lógica dos sist emas pr odut ivos locais” (Soar es, 2009, p. 71).
Os apont ament os de Soar es se aplicam ao pr oj et o Ar t esanat o Cooper at ivo, j á que a t ent at iva de abar car um univer so de 22 municípios e suas quase 40 associações
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de ar t esãos, a par t ir de um mesmo planej ament o de ações, se most r ou insuf icient e e super f icial, no início mesmo do pr ocesso. Out r as r azões poder iam ser elencadas aqui, par a explicar o f at o. Pouco t empo, poucos r ecur sos f inanceir os e humanos, longa dist ância... mas, a mudança de f oco par a uma localidade específ ica (Car aí), aliada ao apr of undament o do conheciment o da r ealidade local (pesquisa ant r opológica) t r ouxer am out r as per spect ivas de bons r esult ados no que concer ne, senão ao f oment o do desenvolviment o local, à elabor ação de planos de ação mais adequados àquela r ealidade.
O pont o de vist a do int er vent or [o “nosso”] f oi explicit ado acima: o pr ópr io vocabulár io ut ilizado o at est a. É Soar es, ainda – dialogando com Eduar do Magalhães Ribeir o, e ar r emat ando sua análise - que indica “diver gências, dúvidas e sugest ões met odológicas”. A seguir , r epr oduzimos dois desses quest ionament os: (1) “O imper at ivo de capt ar as singular idades da hist ór ia, do ambient e (especif icidades geogr áf icas), dos sist emas pr odut ivos e da lógica específ ica de r epr odução das f amílias, ist o é, de apr eender a cult ur a local – os cost umes e as t écnicas que conf igur am um r egime pr odut ivo par t icular – suscit a, no t ocant e ao obj et ivo de ident if icar o que Ribeir o et al. (2004) chamam de “t r adicionalidade” r egional par a incor por á-la às pr opost as de ações públicas e pr ivadas, duas quest ões: essa t r adicionalidade apr esent a-se em bloco único ou é mult if acet ada? Se é mult if acet ada, que dimensões dessa t r adicionalidade r egional devem ser incor por adas às pr opost as de ação pública ou pr ivada? Nem t odas as dimensões dessa t r adicionalidade est ão de acor do com o que ser ia aument o de pr odut ividade, por exemplo” (Soar es, 2009, p. 74). O segundo pont o que nos int er essa: (2) “O r econheciment o de que a f or ma mais ef icaz par a ciment ar o desenvolviment o e a ident idade locais est á em valor izar as t écnicas, as cult ur as e os saberes locais; no r ecor t e t empor al de f or mulação das polít icas suger e, em cont r apont o, não apenas o moviment o na dir eção de capt ar o que f avor ece o desenvolviment o, mas sim o que, nessa cult ur a ou t r adicionalidade, impede esse mesmo desenvolviment o: implica consider ar , não obst ant e a r udeza dos t er mos, a
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pr eguiça, a ausência de uma ét ica do t r abalho, o f icar à sombr a, enf im, t udo o que r emet e ao que Peyr ef it t e designa como conf iança” (Soar es, 2009, p. 74).
Os dois pont os de dúvida ident if icados por Soar es cor r espondem, em par t e, às minhas pr ópr ias dúvidas quant o ao t r abalho de int er venção na r ealidade do Vale do J equit inhonha e, no nosso caso específ ico, de f oment o ao ar t esanat o, enquant o ger ação de ocupação e r enda. Como incor por ar a “t r adicionalidade” dessa at ividade na elabor ação e implement ação das ações de f oment o? E ant es: conhecemos essa “t r adicionalidade”? Temos condições de def inir uma car act er ização mínima da cult ur a local, e em se t r at ando do Vale, da cult ur a r egional, que nos per mit a (aos int er vent or es) f alar e pensar com pr opr iedade?
Quant o ao segundo pont o, nosso t ema – o cont ext o da pr odução ar t esanal em cer âmica de Car aí e as t ent at ivas de valor izá-la, melhor ando as condições de vida daquela população – expõe com pr imor o que ele descr eve: se, por um lado, a valor ização desse saber local f avor ece o desenvolviment o, de acor do, ainda, com as dir et r izes mais r ecent es das polít icas públicas dir ecionadas ao set or , por out r o lado, a “ausência de uma ét ica do t r abalho” – nos t er mos da Ciência Econômica - põe em dúvida o acer t o da iniciat iva19.
Nest e t r abalho, ver emos como é dif ícil capt ar e descr ever uma supost a cult ur a r egional (do Vale do J equit inhonha) e, ao mesmo t empo, como essa t r adicionalidade r egional apar ece de f or ma incont est ável, ainda que escor r egadia. É como um hor izont e que sempr e se vê, mas nunca se alcança; t alvez, possa ser expr essa apenas poet icament e, numa linguagem invent ada, t al como f ez Guimar ães Rosa, ou sem palavr as, no calor da ef er vescência de uma f est a do vale, de um caf é f eit o no f ogão de bar r o, numa cozinha da r oça, numa pr osa amor osa.
Car olina Ant unes, em sua t ese de dout or ado Moviment os do Vale: cor po e
nar r at iva, est uda as nar r at ivas que se const r oem na ar t e cer âmica e nos cont os
19 As polít icas públicas dir ecionadas ao set or do ar t esanat o t r adicional sit uam essa at ividade no campo da economia da cult ur a.
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f ant ást icos do Vale. Depar ando-se com o pr oblema de def inir o que ser ia uma r egião, r ecor r e a Gilber t o Giménez (1996), que def ende que “o t er r it ór io é um const r uct o, que só exist e enquant o valor izado de múlt iplas maneir as: como zona de r ef úgio, como meio de subsist ência, como f ont e de pr odut os e r ecur sos econômicos; como cir cunscr ição polít ico-administ r at iva; como espaço de inscr ição de um passado hist ór ico ou de uma memór ia colet iva; como símbolo de ident idade sociot er r it or ial, ent r e out r as. Assim, o conceit o r emet e, cada vez mais, a um pr ocesso, a algo que se f abr ica, e cada vez menos, a um dado pr é-exist ent e. O t er r it ór io assim concebido não apr esent a limit es pr ecisos e, necessar iament e, não coincide com as delimit ações polít ico-administ r at ivas, podendo ser consider ado em dif er ent es escalas: r egional – que r ecobr e r ealidades diver sas quant o à sua ext ensão e a seu cont eúdo – local, nacional, supr anacional” (2000, p. 17-18).
O conceit o de r egião, enquant o algo em const r ução, sempr e em pr ocesso, elege o dado sociocult ur al como o mais impor t ant e. É nesse sent ido que f ala-se da “cult ur a e do povo” do Vale. Na voz de Ulisses Mendes, um dos mais conhecidos cer amist as do Vale, de I t inga: “as pessoas me per gunt am quant as peças eu bolo por ano. Eu não bolo as peças. Q uem mor a no Vale do J equit inhonha não pr ecisa est ar bolando nada. É só olhar e ver . Ent ão eu vou, vej o e f aço. Não t em pr ecisão de bolar nada” (apud Mat t os, 2001, p. 245).
Ulisses ref er e-se a uma das car act er íst icas mais f aladas, r ecor r ent e quando se t r at a de def inir o povo do Vale: a pr ont idão, int eligência, cr iat ividade e o sucesso em f azer qualquer t ipo de t r abalho, sej a manual ou int elect ual, como encont r ar uma solução par a um pr oblema cot idiano.
Out r a car act er íst ica r ecor r ent e nos discur sos sobr e o povo do Vale é a “honr a”, a “palavr a” e a solidar iedade. Ant igament e, nenhum cont r at o escr it o er a f eit o ent r e pat r ões e empr egados ou em t r ansações comer ciais; t udo er a f eit o com base no que f oi dit o.
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Do pont o de vist a de um “est r angeir o” à r egião, cr iador de gado em uma f azenda de Padr e Par aíso, a “cult ur a” do Vale pode ser apr eciada na seguint e hi[e]st ór ia que me f oi cont ada, mas cuj a aut or ia omit o par a r esguar dar o nar r ador : “O Tião compr ou do I zaque a Fazenda Sar inguê no Município de Padr e Par aíso-MG. O J er emias, ant igo vizinho do I zaque, f icou sabendo e quando encont r ou o Tião per gunt ou-lhe: você compr ou o Sar inguê, o Tião disse sat isf eit o: compr ei, pensando que o vizinho ir ia lhe desej ar boa sor t e, qual o quê, o J er emias disse: você me pr ej udicou, pois eu quer ia compr ar e t inha of erecido R$ 10.000,00 [assim ouvi o caso; a moeda da época não er a o Real]. O Tião disse eu não sabia que você quer ia compr ar e f oi o I zaque que me pr ocur ou lá em casa e me of er eceu a f azenda. Compr ei por R$ 30.000,00 mas dependendo do lucr o que você me der nela eu t e vendo a f azenda. O J er emias disse, por esse pr eço eu compr o t r ês f azendas. O t empo f oi passando e um dia, de manhãnzinha, o Tião est ava na Fazenda Ar oeir a e r ecebeu por um por t ador mandado por J osué de Seu Anísio (que er a amigo do Tião) um bilhet e do J osué pedindo ao Tião par a encont r á-lo às 4 hor as da t ar de no bar do Zé em Padr e Par aíso, sem f alt a, pois t inha um assunt o impor t ant e par a t r at ar com ele. O t empo cust ou a passar par a o Tião at é dar a hor a do encont r o. Às 4 hor as encont r ar am-se Tião e J osué. J osué disse com aquele j eit o de f alar devagar pensando palavr a por palavr a, ent or t ando a boca: Tião você vai no Sar inguê esses dias? O Tião disse que sim, ir ia. Ent ão J osué disse: Você vai t er dif iculdade de passar por que mor r eu uma égua de J er emias e ele ar r ast ou ela at é per t o da por t eir a da sua divisa com ele e at r avessou ela no caminho. Você não passa. Só se t ir ar ela de lá. E emendou - o que você vai f azer ? O Tião, ponder ado como o povo da t er r a dele, devolveu a per gunt a, o que você acha que eu devo f azer ? O J osué disse: eu acho que você deve ar r ast ar a égua e colocar na por t eir a do cur r al dele. O Tião per gunt ou não bast a t ir ar a égua da est r ada? J osué do alt o de sua sabedor ia e exper iência disse que não, assim o Tião não t er ia sossego. Que ele conhecia aquela ‘t r aia’ de pessoa. O Tião t inha de most r ar ao vizinho que não se mexe com ele impunement e. O J osué f alou: essa minha caminhonet e
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velha ainda aguent a ar r ast ar uma égua mor t a. Se você quiser vamos lá, eu t e aj udo. Você f az o seguint e, vai pr o Sar inguê, você, par a ir ao Sar inguê t em nat ur alment e de passar na f r ent e da casa do J eremias, ele vai est ar vigiando par a ver você passar e par a ver o que você vai f azer . Você vai at é onde a égua est á impedindo o car r o de passar , volt a, vai na minha casa e nós volt amos j unt os, aí ele vai ver que f oi você que const at ou e que t omou a at it ude de ir na minha casa pedir aj uda par a sua at it ude de devolver a égua mor t a ao dono. Vamos f azer isso amanhã cedinho. O Tião disse, e se ele r eagir ? O J osué t ir ou dois r evólver es, e f alou com o Tião, você f ica com um e eu com o out r o. Se ele pensar em at ir ar eu mat o ele ant es. Na manhã seguint e, ant es do sol nascer , mas j á com dia clar o, o Tião passou em f r ent e a casa do J er emias. Cer ca de hor a e meia depois eles est avam na por t eir a do J er emias na caminhonet e do J osué. O Tião desceu r apidament e e desamar r ou a égua da caminhonet e, pegando o J er emias de sur pr esa, pois o car r o er a do J osué e não do Tião. Quando o Tião f oi acabando de desamar r ar a égua e j á est ava ent r ando na caminhonet e o J er emias apar eceu na por t a e per gunt ou o que er a; o Tião r espondeu vim t r azer o que não me per t ence. E f or am embor a. O J er emias nunca mais impor t unou o Tião”.
Tião, que veio de f or a e compr ou a Fazenda Sar inguê, não conhecia os códigos locais e ser ia impor t unado por muit o t empo se não t ivesse r espondido à at it ude de seu vizinho J er emias. Pr ecisou cont ar , no ent ant o, com a solidar iedade de um amigo, conhecedor dos códigos locais par a saber qual er a a f or ma de agir adequada àquela sit uação. Par a Tião, que r esidiu por mais de uma década em Padr e Par aíso, esse caso expr essa bem a cult ur a do povo do Vale.
Busquei, no meu per cur so, não dar cont a, se é que é possível dar -se cont a ef et ivament e do que quer que sej a, da bibliogr af ia exist ent e sobr e o t ema, mas sobr et udo não ignor á-la, o que j á é gr ande coisa. Pelo que pude const at ar no cur t o t empo de convivência com o Vale (como pr of issional e como pesquisador a acadêmica), com f uncionár ios de gover nos e de ent idades, agent es cult ur ais e pesquisador es acadêmicos, apr endi que a pr odução de conheciment o sobr e o Vale é ant iga, vigor osa e
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pouquíssimo conhecida. Sobr e os t r abalhos acadêmicos que t êm por obj et o o Vale, J oão Valdir Alves de Souza, af ir ma que “essa bibliogr af ia, ent r et ant o, t em que ser gar impada pelos pesquisador es, por que, apesar de ampla [...], em nenhum lugar ela est á disponível de f or ma concent r ada. I sso t r az pr oblemas diver sos, uma vez que se cor r e o r isco de f icar ‘r einvent ado a r oda’, gast ando o t empo em pesquisas sobr e t emas j á pesquisados. Par a os novos pesquisador es isso t r az gr aves pr oblemas, como dispor -se a pesquisar um t ema sem o domínio do que j á se conhece” (2003, p. 6).
De f at o, gast ei muit o t empo numa exaust iva pesquisa por f ont es, na t ent at iva de “não reinvent ar a r oda”, o que me obrigou a r et or nar , r epensar e r ef azer per cur sos e pensament os inúmer as vezes. Por exemplo, e como se ver á nit idament e na par t e 3 dest a disser t ação, int ent ando cont ext ualizar hist or icament e o Vale e o município de Car aí, depar ei-me com a escassez de f ont es, em r elação às quais escr eve Souza: “O Vale do J equit inhonha se car act er iza pela dif iculdade de acesso t ant o a