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E. Les Traitements

3. Les nouvelles thérapies

Do total de 209 incidentes registrados, 105, ou seja, a metade foi identificada e categorizada pelas dimensões e variáveis do modelo brasileiro (gráfico 9). A outra metade, totalizando 104 incidentes, não foi captada pelos parâmetros de competitividade propostos nesse modelo. Por isso, foram designadas de novas categorias de análise que serão descritas nesta seção com exemplos de narrativas dos incidentes identificados.

Gráfico 9 - Incidentes críticos

Destaca-se que essas “novas (sub)categorias” não são inovadoras para a literatura, enquanto analisadas pela perspectiva da oferta, mas, quando estudada à luz de demanda, há uma conotação diferenciada que se associa ao desempenho do destino.

a. Hospitalidade dos residentes

Conforme Oliveira e Martins (2009), hospitalidade não é apenas a atividade turística de hospedar o viajante, ou a relação comercial de oferecer abrigo, alimentação em troca de pagamento. “Há mais do que isso, o ato de receber pressupõe uma troca de valores entre visitantes e visitados. Os turistas não ficam restritos aos lugares de hospedagem ou de visitação, circulam pela comunidade receptora interagindo com a população local” (OLIVEIRA e MARTINS, 2009, p. 199).

A hospitalidade é o ato de receber bem o visitante, fornecer-lhe o conforto, bem estar e segurança que normalmente seriam encontrados em sua casa (PRAXADES, 2004). Seria impossível conceber um ambiente hospitaleiro sem que toda a localidade receptora participasse conjuntamente nesse sentido. Nas palavras de Praxades (2004, p.5): “Hospitalidade é a generosidade de um agrupamento humano, seja uma comunidade, etnia, cidade, nação, estado ou país. É a ternura da gente de um lugar em relação ao estrangeiro e os seus mistérios”.

O sentido de hospitalidade mencionado por esses autores pode ser encontrado na narração dos entrevistados que se encantaram com a receptividade dos residentes: [...] “a receptividade das pessoas do povo baiano; eu sempre fui muito bem tratado; às vezes até exageravam, [...] a amabilidade do baiano me encanta (visita a Salvador)”. (ENTREVISTADO 2, 2013).

Contudo, há os que não encontraram a devida hospitalidade dos residentes no local visitado, como este turista em visita a Caldas Novas (GO):

“[...] e quando você ia fazer as perguntas para onde eu vou, como eu faço para chegar, as pessoas não eram tão receptivas assim, elas pareciam que davam informação com má vontade [...] elas não são tão calorosas, receptivas como a gente costuma ser. Quando alguém vai pedir informação

para você, você faz de tudo para atender bem, né? E eu senti que eles são bastantes frios” (ENTREVISTADO 36, 2013).

Esta categoria apareceu 21 vezes nas narrativas dos entrevistados obtendo uma taxa de participação de 27% dos incidentes.

b. (In)segurança

O item falta de segurança foi citado 22 vezes, constituindo uma taxa de participação de 29% dos incidentes. Ressalta-se, com importância, que o sentimento de insegurança foi manifestado devido a quatro causas: assaltos de rua; mendicância; consumo de drogas e assédio com o propósito de venda de produtos ou serviços. Os exemplos a seguir ilustram esses quatro tipos de insegurança.

O assalto praticado a pessoas que se deslocam pelas áreas urbanas da cidade foi mencionado pelo entrevistado 12 (2013) em visita a Fortaleza:

“[...] negativo, o lado violento da cidade. Estava na Praia do Futuro às duas da tarde. Avisaram que estavam assaltando na praia com armas, avisaram que tivéssemos cuidado. Achei mais perigoso que o Rio, a violência lá tem um nível mais perigoso para os turistas, fomos seguidos por um ladrão na praia [...]”

O Entrevistado 21 (2013), em visita a Cabo de Santo Agostinho/Vila de Gaibu, manifesta sua insegurança ao deparar-se com uma situação com moradores de rua:

“[...] ao chegar à praça, para nossa surpresa, o que seria um coreto simples servia de varal para um grupo de moradores de rua que espalhavam ali seus pertences e jogavam na mureta do coreto suas roupas lavadas, ali precariamente. Havia um cheiro forte de bebidas e garrafas espalhadas, o que nos intimidou um pouco, porque à noite quando pensávamos que podíamos dar uma volta, temíamos como voltar para pousada e deparar com essa situação [...]”

Já o entrevistado 38 (2013) critica a maneira agressiva com que seu grupo foi abordado e intimidado por vendedores de rua em Salvador:

“{...} a gente se sentiu na obrigação de dar o dinheiro para ele rápido, para ele sair de perto, estava com medo [...] tinha muita gente na mesa e ele estava com aquela faca de serrinha e estava bem amolada, porque ele só passava assim e já cortava aquela folha de coqueiro, para fazer aquele artesanato que eles fazem na hora, agente se sentiu ameaçado [...]”.

A insegurança causada pela presença de viciados na área urbana de Maceió é enfatizada pelo entrevistado 75 (2013): “Eu achei a cidade bastante perigosa, apesar de eu ter ficado numa área muito boa, assim, num bairro de classe média alta, eu achei bastante perigosa, tinha muito ‘cracudo’ na rua, não sofri violência, mas me senti ameaçada” [...].

c. Desconforto causado pela pobreza e prostituição

Pobreza e prostituição foram duas situações relatadas como causadores de situações de desconforto registrando-se 10 casos. Seja pelo constrangimento que a penúria observada em seres humanos causa àqueles que se encontram em momento de descontração e lazer, seja pelo assédio ocasionado pela mendicância.

De outro lado, a prostituição constrange moralmente os que estão acompanhados de cônjuges e familiares. Apesar da prostituição entre adultos não ser ilegal no Brasil, Dutra et al (2008) alertam que esse segmento está muito próximo da linha da ilegalidade, em relação às drogas e à prostituição infanto-juvenil.

Conforme Dutra et. al. (2008), muitos buscam determinados destinos para a prática do “turismo sexual”, cujo termo é muito criticado por autores que não consideram adequada a utilização desse termo. Contudo, admite-se que há a demanda de turistas para o Brasil, cuja motivação é o sexo.

Sobre a temática da prostituição infanto-juvenil, os principais fatores que favorecem esse tipo de exploração são a pobreza e exclusão social, pois tratam daqueles que vivem à margem da sociedade e com menos chances de receber proteção do Estado (ZOUAIN e OLIVEIRA, 2008).

Apesar de esta nova subcategoria ter alcançado uma taxa de participação de 13% dos incidentes, é relevante sua contribuição para o monitoramento de políticas públicas contra a pobreza, a exclusão social e a exploração sexual de jovens. Alguns exemplos desta subcategoria podem ser observados a partir das narrativas a seguir.

Em relação aos pedintes de rua em Maceió, o entrevistado 35 (2013) relatou o incômodo pelo assédio:

“Muitos pedintes, mendigos, hippies [...] pedintes de alimento, dinheiro. Você sentava para comer aí vinha uma família, uma ‘renca’, quatro, cinco. Ahh incomoda, porque não é um caso isolado, tem muito lá [...] Era constante, lá todo dia era: ahh me dá um Real, ahh me dá um salgado, ahh me dá um refrigerante, isso que incomoda, né?”

O entrevistado 44 (2013) se mostrou incomodado com a pobreza observada na periferia de Maceió:

“[...] então a gente saindo fora da orla, a gente encontra casas de pau a pique, você vê bairros que não têm saneamento, você vê uma pobreza bem extrema e é bem visível. Então você muitas vezes vai para fazer um passeio que precisa se deslocar da orla para ir para outras praias que são 100 Km, 90 km que você percorre e acaba encontrando uma pobreza muito grande. Isso incomoda um pouco, porque você vai a um passeio e você tem a expectativa de ver coisas bonitas, belas e tal, né? Ter um passeio bacana, né? [...] então um ponto negativo que eu destacaria de Maceió seria a pobreza, que é bem clara e não precisa andar muito longe para encontrar”.

No relato do entrevistado 60 (2013), pode-se notar o constrangimento em relação à prostituição praticada em um ponto na Praia de Boa Viagem, em Recife: “[...] teve um ponto

dela mesmo que eu vi muita prostituição [...] principalmente porque tem muitos turistas nesse ponto e aí é onde tem essa prostituição [...] me incomodou, porque as imagens são feias [...]”

O entrevistado 55 (2013), em viagem de negócios, testemunhou a prática da prostituição infanto-juvenil em Fortaleza: “[...] e você vê que está na cara a prostituição infantil, isso foi o que mais me agrediu. A prostituição lá é muito agressiva e ninguém faz nada para mudar. É um destino que eu nunca levaria minha família [...]”

d. (In)Satisfação com a prestação de serviços (turístico e outros)

A satisfação ou insatisfação com a qualidade da prestação de serviços foi citada 32 vezes pelos entrevistados obtendo uma taxa de participação de 42% dos incidentes. Não só os serviços turísticos foram objetos de críticas ou elogios, mas também serviços de outras atividades afetaram positiva ou negativamente a experiência dos entrevistados.

Os serviços turísticos já foram descritos em detalhes na seção 3.3.5.3 do Capítulo 3, sendo compostos basicamente de sinalização turística, informação turística, hospedagem, receptivo, eventos, alimentos e bebidas.

Um turista (ENTREVISTADO 10, 2013) queixou-se de forma generalizada dos serviços prestados na cidade de Salvador: “[...] a qualidade de serviços é terrível, atendimento, entrega, todo tipo de serviço, qualquer coisa, não é só de serviço turístico, são serviços gerais [...]”

Já o entrevistado 19 (2013) citou deficiências no hotel em que se hospedou:

“O hotel é todo envidraçado para você ter uma vista para o mar, mas as vidraças estavam podres de sujeira, de maneira que você não conseguia ver o mar, havia aquela sujeira de anos que ninguém limpava, então eram coisas assim [...] eu tentei fazer uma sauna um dia e aí a sauna estava quebrada, tinha outra sauna e quando cheguei lá, um mau cheiro horrível dentro da sauna e também quebrada, enfim, coisas que não funcionam; isso é um absurdo para um hotel com um porte do P...”

O entrevistado 24 (2013) foi participar de uma formatura em Pelotas (RS) e foi surpreendido pelas condições do local onde se realizou o evento:

“O centro de eventos onde ocorreu o baile de formatura não tinha aquecimento. Era mês de julho, fazia três graus negativos e nós estávamos lá dentro sem aquecimento nenhum, estava muito frio. O teatro onde foi a colação de grau foi a mesma coisa, sem aquecimento e completamente acabado”.

A satisfação em relação à organização da Jornada Mundial da Juventude realizada no Rio de Janeiro foi comentada pelo entrevistado 27 (2013):

“[...] éramos muitas pessoas, mas tudo organizado, lógico que tinha filas, mas um nível de organização de tanta sofisticação que tinha, por exemplo, a entrega do Kit: você passava por um estágio e pegava os livros, andava mais um pedaço e pegava o crachá, o kit alimentação, ainda no fim uma pessoa conferia tudo, além do que era em diversas línguas e a coisa fluía mesmo assim. A sinalização com jovens que se identificavam como da Jornada e eles eram bem preparados para te ajudar. Eles tinham todas as informações [...]”

Em relação ao serviço de receptivo, o entrevistado 45 (2013) ressalta a qualidade dos guias de turismo em Maceió, “os guias maravilhosos, têm muito conhecimento, atendimento nota 10 [...]”, enquanto o entrevistado 77 (2013) elogiou o serviço de receptivo e a qualificação dos guias em Nobres (MT):

“[...] não sabia que esses lugares que prestam serviço de mergulho e até outras atividades, que eles eram bem preparados, não só em relação ao material, mas também na prontidão de prestação de serviço para o turista e alguns guias até eram bastante especializados.”

e. Outras subcategorias

Outras subcategorias emergiram com menos frequências dos relatos, mas não podem ser desprezadas, pois são incidentes que podem apontar para uma tendência em relação a mudanças nos hábitos e preferências dos turistas que podem ser mais ou menos importantes conforme as características dos destinos.

O assédio de vendedores e prestadores de serviços ambulantes foi relatado sete vezes. Este assédio diferencia-se do já relatado (motivador de insegurança), por causar aborrecimento com o excesso de insistência desses ambulantes como observado no relato do entrevistado 15 (2013) que visitou Porto Seguro (BA):

“Eles fazem um artesanato de rua com palha, legal, as coisas são bonitas, mas eles te ‘artomentam’ até você comprar, mas é tudo igual, são muitas pessoas fazendo o mesmo tipo de serviço o mesmo artesanato, isso incomodou a mim e eu vi muitas pessoas incomodadas com isso [...]”

Os preços de serviços turísticos e refeições foram também mencionados sete vezes como sendo um motivo de insatisfação, conforme relatado pelo entrevistado 23 (2013) em relação à hospedagem em Brasília: “o preço do hotel, caríssimo, um absurdo [...]”

Há quem viaje por diferentes motivos, não necessariamente para adquirir mercadorias, mas a falta de opções para compras ou sua farta disponibilidade e variedade foram citadas quatro vezes como motivo de insatisfação ou satisfação, como observado neste depoimento do entrevistado 1 (2013): “Joinville não tem nada para fazer, não tem o que comprar [...]”

A entrevistada 18 (2013) se mostra incomodada com o fator atmosférico da cidade de São Paulo: “A última vez que eu fui estava muito poluído, [...] foi agora em abril, [...] eu sinto, eu sou alérgica, eu não me acostumo com o clima de lá, me sinto fisicamente mal, coceira [...] às vezes está poluído e frio, aí é o pior dos mundos [...]”.

O excesso de visitação do atrativo foi motivo de insatisfação de uma visitante a Maragogi (AL): “[...] lá é maravilhoso, mas o lado ruim é quando você chega lá (no atrativo), são vários barcos, você quer achar a um lugar paradisíaco, você acha um lugar com todo mundo fazendo a mesma coisa, não fica tão paradisíaco como aparece nas fotos”.

A síntese dos resultados sobre os incidentes críticos identificados na pesquisa pode ser observada em números absolutos no gráfico 10.

Gráfico 10 - Síntese dos resultados encontrados na pesquisa

21 6 10 22 32 7 4 1 1 21 22 12 42 1 1

Hospitalidade dos residentes Assédio de ambulantes Desconforto causado pela exclusão social e prostitutas Insegurança (In)satisfação com a prestação de serviços Preços Disponibilidade/locais para compras em geral Excesso de utilização do atrativo Poluição atmosférica Infraestrutura Geral Acesso Serv. Equip. Turísticos Atrativos Turísticos Economia Local Aspectos Ambientais