5.2 G´en´eralisation `a N qubits
5.2.2 Les N qubits
A implementação do projeto comentado no tópico anterior requereu a organização de encontros de capacitação dos monitores e nivelamento dos facilitadores. As observações permitiram acompanhar o planejamento desses encontros, bem como a ação docente de Joana.
Antes da organização do encontro de capacitação dos monitores, Joana e os outros técnicos identificaram o fato de que a principal atribuição do monitor era articular o facilitador, os jovens e a coordenação do projeto, não tendo uma função específica de sala de aula. A partir dessa identificação, foi realizado o planejamento do referido encontro, cujo objetivo foi capacitá-los “para que pudessem compreender todo o circuito laboral que iam desenvolver durante o desenvolvimento do projeto”.
O planejamento da capacitação evidenciou um conjunto de objetivos voltados para a necessidade dos monitores conhecerem a concepção do projeto e suas atribuições. Joana considerou importante muni-los de informações pedagógicas, mesmo sendo eles uma espécie de suporte administrativo no Município, pois
(...) eles precisavam estar afinados em relação ao desenvolvimento pedagógico do projeto. Eles necessariamente tinham de ter um conhecimento técnico do que está acontecendo no projeto, quais as etapas, qual o papel dos facilitadores em cada etapa, qual o objetivo que se buscava à proporção que ia se desenvolvendo o projeto.
Conhecer os pressupostos teóricos que norteiam o projeto se tornou, portanto, um aspecto fundamental para a atuação dos monitores nos município:
Nós começamos a trabalhar identificando as atribuições que eles iam ter nos municípios de forma que os conhecimentos teóricos que fossem trabalhados durante o nivelamento contribuíssem, não apenas para o desenvolvimento do trabalho deles, enquanto monitores do projeto, mas também de forma que eles tivessem a concepção da formação da cultura empreendedora dos jovens. Desde a primeira etapa, enquanto empreendedorismo social, às demais etapas que se direcionarão ao empreendedorismo voltado para o desenvolvimento das habilidades e posturas profissionais dos jovens. Nessa perspectiva da colocação no mercado de trabalho que é o resultado final que se espera do projeto.
Outro grupo de objetivos identificados no planejamento referiu-se às competências, habilidades e atitudes que os monitores precisariam desenvolver para ter um bom desempenho no projeto, como liderança, trabalho em equipe, comunicação, empreendorismo social etc. Também houve objetivos relacionados à importância do planejamento das atividades que seriam realizadas por eles nos próprios municípios.
Além dos aspectos pedagógicos, o planejamento também exigiu de Joana uma preocupação com a infra-estrutura do encontro, como registra esta fala:
Como os oito monitores moram nos municípios da Região Metropolitana e municípios mais distantes, eles precisavam estar numa estrutura aqui em Fortaleza onde eles
tivessem uma certa comodidade. Todo o apoio necessário para que eles pudessem vivenciar todo o processo de capacitação, para que eles, ao voltarem aos municípios, pudessem fazer deslanchar o processo do projeto. (...) Então, foi escolhido um hotel para a realização do encontro porque nós não íamos ter problemas em relação ao deslocamento, alimentação e hospedagem.
Em relação ao encontro dos facilitadores, o objetivo foi o nivelamento de conhecimentos relacionados ao conteúdo e desenvolvimento do projeto. Buscou-se, pois, realizar atividades em torno dos desafios que seriam enfrentados por eles no processo de formação dos jovens.
Joana, inicialmente, realizou atividades de formação do grupo, mas sem “entrar no trabalho propriamente dito do facilitador, no desenvolvimento dos conteúdos em sala de aula”. Assim,
(...) nós introduzimos uma discussão acerca da organização do grupo como profissionais que iam ter um objetivo comum. Embora cada um tenha sua forma de trabalhar, a sua forma de ser como profissional, mas que eles preservassem a idéia, o objetivo do projeto como todo. Nesse sentido, nós trabalhamos, inicialmente, com essas atividades de formação grupal.
Joana também apresenta detalhadamente o projeto, mostrando aos facilitadores a importância de compreendê-lo teoricamente, assim como foi observado no encontro dos monitores:
Nesse nivelamento nós também enfatizamos o detalhamento do projeto apesar deles terem o conhecido durante o processo de seleção. Nós enfatizamos o detalhamento do projeto para que elas pudessem ir para sala de aula com a compreensão global do trabalho que elas iam fazer.
Foram abordados, ainda, o papel do facilitador ante a concepção do projeto e o tema das políticas públicas e juventude no Brasil, destacando aspectos como relação facilitador-educando e suas dimensões afetivas e emocionais:
Passamos a discutir a questão do papel do facilitador frente à concepção do projeto e o sentido de compreender o público com o qual elas iriam trabalhar, que é o público jovem. As preocupações acerca das relações facilitadoras e educandos, a preocupação no sentido do acolhimento deste jovem em sala de aula como também a postura das facilitadoras ao trabalhar com adolescentes e jovens. A preocupação em desenvolverem relacionamento adequado a esse público, a essa população, assim como a metodologia que iria ser utilizada para o desenvolvimento do trabalho.
Quanto aos pressupostos metodológicos que embasariam o trabalho do facilitador em sala de aula, Joana declara:
A gente fez uma retrospectiva dos pressupostos metodológicos com os quais nós iríamos trabalhar em sala de aula, uma vez que a metodologia utilizada pelo Instituto é a metodologia CEFE que é o desenvolvimento das competências empreendedoras. É uma metodologia vivencial onde se trabalha a construção do conhecimento a partir das experiências do educando. Por isso, nós tivemos a necessidade de fazer um resgate desses pressupostos metodológicos para que, então, a gente pudesse fazer aplicabilidade prática mediante as vivências metodológicas que foram centradas em cada conteúdo a ser trabalhado.
A vivência metodológica aconteceu de acordo com o conteúdo programático do projeto, como juventude, família, sociedade, ética, cidadania e política, meio ambiente, qualidade de vida, saúde pública e responsabilidade social.
Na programação do encontro, também houve espaço para o conhecimento da realidade de cada município, integração entre monitores e facilitadores e desenvolvimento de uma metodologia de elaboração da agenda do empreendedorismo na comunidade.
Tanto o encontro dos monitores quanto o dos facilitadores evidenciaram que o trabalho pedagógico realizado por Joana buscou muni-los de ferramentas no intuito de ensejar condições e possibilidades para que atuassem da melhor maneira junto aos jovens nas comunidades.
O trabalho pedagógico exposto aqui, portanto, expressa que a racionalização de elementos como objetivos, assuntos, atividades, procedimentos e recursos didáticos do planejamento elaborado por Joana estavam de acordo com a intencionalidade do projeto, da metodologia CEFE e, conseqüentemente, com aquilo que se propunha na atuação docente dos facilitadores e na ação técnica dos monitores. Nesse sentido, não foi uma ação isolada que visasse ao melhor desempenho de si mesma, mas daqueles que iriam atuar junto aos jovens participantes do projeto.