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3.2 L’instrument ECLAIRs

3.2.3 Les logiciels UGTS et Trigger

Os desafios encontrados atualmente na Atenção às Urgências e Emergências são diversos e vão além de questões relacionadas somente a essa área, tanto no nível nacional como no Distrito Federal.

Em primeiro lugar, o perfil epidemiológico do brasileiro mudou. As doenças transmissíveis, que antes predominavam na população brasileira, cederam espaço para as doenças crônico-degenerativas. O crescimento demográfico, as mudanças econômicas, o crescimento desordenado das cidades e o aumento da violência têm forte influência sobre o crescimento dos agravos relacionados a situações de urgência, como o trauma e as doenças cardiovasculares (SCARPELINI, 2007).

Em segundo lugar, apesar da ampliação da cobertura da Atenção Básica, não houve proporcional aumento do acesso a serviços básicos, especializados e de apoio diagnóstico. Assim, um paciente que necessita de uma consulta simples, que poderia ser resolvida em um ambulatório, por exemplo, se dirige às unidades de pronto-socorro dos hospitais à procura de solução para o seu problema. Isso porque, no senso comum, esses serviços dispõem de diversos recursos que os tornam mais resolutivos, como consultas, remédios, procedimentos de enfermagem, exames diagnósticos e a possibilidade de internação (BRASIL, 2002b; MACHADO, SALVADOR e O’DWYER, 2011; SANTOS et al., 2013).

Essa utilização inadequada dos serviços de emergência prejudica tanto os pacientes graves, que não têm o atendimento adequado, como aqueles não graves, que não têm uma continuidade da assistência, visto que o tratamento é pontual, sem adequada referência aos serviços básicos ou especializados (MACHADO, SALVADOR e O’DWYER, 2011).

Diante desse quadro, os serviços de emergência acabam por funcionar como “porta- de-entrada” do sistema de saúde, acolhendo pacientes de urgência propriamente dita,

pacientes com quadros percebidos como urgências, pacientes desgarrados da atenção primária e especializada e as urgências sociais (BRASIL, 2002b).

Outra lacuna se constitui na falta de leitos especializados, pela incipiência dos mecanismos de referência e pela falta de estrutura física adequada. Muitos recursos têm sido dispensados aos atendimentos pré-hospitalar e hospitalar, entretanto, os serviços especializados ainda carecem de investimentos, inviabilizando a integralidade do atendimento a pacientes que precisam destes serviços (MACHADO, SALVADOR e O’DWYER, 2011).

Em quarto lugar, a formação dos profissionais de saúde ainda não é voltada para o contexto do SUS, e os incentivos previstos pela Política de Atenção às Urgências e Emergências na capacitação desses profissionais ainda são poucos (MACHADO, SALVADOR e O’DWYER, 2011).

Os municípios pequenos também são outro desafio para o SUS. Sem demanda e condições para hospitais especializados, a população de muitos desses municípios sofre com a falta de atendimento adequado para as urgências e emergências. A própria Política de Atenção às Urgências e a Rede Toda Hora preveem, para esses casos, a regionalização do atendimento, de forma que os municípios tenham unidades preparadas para os primeiros atendimentos e garantia de transporte para a unidade mais próxima especializada. Entretanto, essa estratégia ainda carece de maior regulação e investimentos (BRASIL, 2002b). Esse desafio é exemplificado pela sobrecarga causada nos serviços de saúde pelos moradores da RIDE ao sistema de saúde do DF, pois não encontram, em seus municípios, uma estrutura adequada de atendimento a emergências e de serviços especializados.

Principalmente em grandes centros urbanos, como no DF, facilmente encontramos como cenário uma atenção pré-hospitalar minimamente satisfatória, que transfere o paciente para um hospital lotado, frequentemente carente de profissionais, principalmente médicos. Ao chegar ao atendimento hospitalar de emergência, o paciente pode até ser prontamente atendido, dependendo da gravidade do caso, mas a continuidade e a integralidade da sua assistência são interrompidas pelo despreparo dos profissionais, pela falta de leitos especializados ou pela ineficiência dos serviços de contra referência. O maior prejudicado é o paciente que perde a sua vida ou convive com as sequelas (talvez evitáveis) do agravo que sofreu.

Como proposta de atuação em redes de saúde, o Governo pretende fortalecer todos os níveis de atenção e integrá-los, a fim de oferecer serviços de saúde mais resolutivos e em maior nível de abrangência, a fim de reverter essa realidade.

Nesse contexto, os cuidados pós-PCR, objeto de estudo desta pesquisa, representam bem a necessidade da atenção em rede, pois a maior causa de PCR são ainda as doenças cardiovasculares, passíveis de prevenção e tratamento na Atenção Básica. Se esse nível de atenção atuar de forma mais efetiva, poder-se-ia diminuir o número de vítimas desse evento, diminuindo a demanda nos serviços de urgência e emergência. Para os pacientes que sofrem uma PCR, é necessário um atendimento pré-hospitalar e hospitalar resolutivo, que disponha de recursos tecnológicos adequados e recursos humanos com uma formação voltada para atenção ao paciente crítico. Por fim, volta-se à Atenção Básica, que precisa receber as vítimas desse evento, dando continuidade ao tratamento e instituindo medidas de prevenção de novos episódios e acompanhamento dos pacientes que ficaram com sequelas.

2 MÉTODO

Para atingir os objetivos propostos neste trabalho, optou-se por realizar um estudo misto de caráter exploratório-descritivo. Os métodos mistos são aqueles que

combinam os métodos predeterminados das pesquisas quantitativas com métodos emergentes das qualitativas, assim como questões abertas e fechadas, com formas múltiplas de dados contemplando todas as possibilidades, incluindo análises estatísticas e análises textuais. [...] No método misto, o pesquisador baseia a investigação supondo que a coleta de diversos tipos de dados garanta um entendimento melhor do problema pesquisado (DAL-FARRA e LOPES, 2013).

Sendo assim, a escolha de uma abordagem mista se deu na busca de entender mais profundamente a complexidade dos problemas que dizem respeito ao universo da prestação dos cuidados de enfermagem no Pós PCR.

A pesquisa descritiva começa com algum fenômeno de interesse e tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno, proporcionando uma nova visão do problema, por meio da relação estabelecida entre as variáveis estudadas (GIL, 2008). A pesquisa exploratória extrapola a característica observacional e descritiva e investiga a natureza complexa do fenômeno estudado e os outros fatores com os quais ele está relacionado (POLIT, BECK e HUNGLER, 2004).

Para uma melhor compreensão do caminho percorrido, dividiu-se a pesquisa em duas etapas:

Na Etapa 1 foi utilizada a abordagem quantitativa, empregando como instrumento um questionário (Apêndice 1). O objetivo dessa etapa foi verificar o conhecimento dos enfermeiros (saber) acerca dos cuidados pós-PCR e traçar o perfil desses profissionais..

Na Etapa 2 foi utilizada a abordagem qualitativa, na qual se realizaram entrevistas, utilizando como instrumento um roteiro semiestruturado. O objetivo dessa etapa foi apreender as percepções e as vivências dos enfermeiros sobre o saber, o fazer e o sentir no cotidiano da prestação dos cuidados pós-PCR, identificando as facilidades e dificuldades encontradas nesse contexto.

A partir do diálogo entre esses dois métodos, buscou-se identificar as relações entre as diferentes dimensões que organizam o cuidado de enfermagem após uma PCR revertida com êxito nas unidades de emergência.