Um dos primeiros problemas enfrentados no estudo foi seu início, com a ausência da professora regente, que estava de atestado médico, inviabilizando um planejamento de trabalho imediato. Apenas a encontramos no 5º encontro, em 07 de maio de 2010, porém, esse contratempo foi importante para conhecer melhor o grupo.
O relacionamento intergrupo era violento, com brincadeiras agressivas; o ambiente se constituía em espaços permanentes de disputas de atenção, nos quais, os/as estudantes promoviam conflitos entre si, e, em alguns casos, proferiam “xingamentos e palavrões” e até agressões físicas. O grau de dispersão e agitação do grupo era bastante movimentado, provocando situações incondicionais para o desenvolvimento das atividades.
O grande interesse dos/as estudantes em irem para a quadra poliesportiva ou ficarem correndo pelos corredores da escola era intensamente demonstrado. Foram identificados casos em que os/as estudantes ludibriavam tanto a professora participante quanto o pesquisador, como forma de não participarem nem do estudo nem das atividades desenvolvidas em sala, para irem para a quadra poliesportiva.
A divisão da turma entre os/as que participaram do estudo e os/as que não participaram foi muito negativa, pois não possibilitou o desenvolvimento de atividades conjuntas com a professora J e com todos/as os/as estudantes da turma, Situação que aconteceu porque, nem todos/as estudantes foram autorizados/as por seus pais e/ou responsáveis legais para participarem da pesquisa. Dessa maneira, foi necessário dividir a turma em dois grupos nos dias dos encontros: uma parte participava das atividades e a outra ficava com a professora participante, desenvolvendo atividades de revisão de conteúdo.
Com isso, inviabilizou-se um trabalho com a professora regente no planejamento conjunto para as ações do estudo, assim como o acompanhamento, mais de perto, do desenvolvimento deste trabalho.
Outros acontecimentos retardaram a finalização da pesquisa de acordo com o cronograma inicial, os dias sem atividades do estudo, que ocorreram por questões de natureza profissional e de outras circunstâncias, conforme nos mostra a Tabela 6 a seguir:
Tabela 6 – Dias sem atividades do estudo
Dia/mês Justificativa
04/06 Ponto facultativo 18/06 Concurso IFG
25/06 Jogo da Copa do Mundo de Futebol 02/07 Jogo da Copa do Mundo de Futebol 16/06 Recesso Escolar
23/06 Recesso Escolar
13/08 Comemoração do dia do Estudante 20/08 Viagem a trabalho
10/09 Viagem a trabalho
15/10 Dia do professor e Viagem a trabalho 12/11 Viagem a trabalho
Total 11
Ressalte-se que essas ausências interferiram diretamente na conclusão e defesa da pesquisa, conforme seu cronograma inicial, que tinha como indicativo a conclusão e a defesa para o mês de dezembro de 2010, ocasionando, dessa maneira, o pedido de prorrogação de prazo para a defesa da dissertação para junho de 2011, ao Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação, por meio da Coordenação de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília.
A realização das últimas entrevistas, que, na prática, transformaram-se em questionários, com a professora regente e com o supervisor pedagógico, não aconteceu no ano letivo de 2010. Isso porque, concluída a fase de atividades do estudo, devido às atividades profissionais tanto do pesquisador quanto da professora regente e do supervisor pedagógico, foi difícil compatibilizar as agendas para realizar a entrevista. Dessa forma, foi enviado por mensagem eletrônica o questionário.
O supervisor pedagógico apenas respondeu ao questionário na primeira semana de abril de 2011, e a professora regente, transferida de escola, não respondeu ao questionário por meio de mensagem eletrônica, sendo necessário localizá-la para entregar em mãos o questionário. Dessa maneira, respondeu e devolveu o questionário na terceira semana de abril do corrente ano.
4 ANÁLISE DA PARTIDA
5E SUAS DISCUSSÕES
A passagem para um novo tipo de percepção interior significa passagem para um tipo superior de atividade psíquica interior. Porque perceber as coisas de modo diferente significa ao mesmo tempo ganhar outras possibilidades de agir em relação a elas. Como em um tabuleiro de xadrez: vejo diferente, jogo diferente. Ao generalizar meu próprio processo de atividade, ganho a possibilidade de outra relação com ele. Grosso modo, ele é destacado da atividade geral da consciência. Tenho consciência de que me lembro, isto é, faço da minha lembrança um objeto de consciência (VIGOTSKI, 2000, p. 289).
O objetivo desse momento da partida é analisar e interpretar as informações registradas no transcurso do estudo, tendo como eixos os desafios e pressupostos de uma prática docente direcionada à construção de estratégias pedagógicas que impulsione uma aprendizagem e um ensino lúdicos, interativos, dialógicos e cooperativos.
Nesse sentido, os recortes desse processo se propõem em revelar práticas docentes lúdicas com intencionalidade política educativa de cooperação, de acordos mútuos, estabelecendo um gradativo processo de aprendizagem mútuo do conhecimento interdisciplinar e coletivo.
Para tanto, esse processo se constitui por indução analítica, possibilitando transformar as informações em dados, a partir do Diário de Campo (DC); das Entrevistas e Questionários (EQ); das Avaliações dos/as estudantes (AE); da Ficha Sócio-Pedagógica (FS); e das Atividades de Aprendizagem (AA), como fontes elementares para revelar os objetivos da presente investigação, relacionando-os com as referências bibliográficas que fundamentam este estudo.
Dessa maneira, este capítulo tem por objetivo descobrir como uma ação docente lúdica pode contribuir para a construção e consolidação de estratégias pedagógicas, relacionando a produção do conhecimento interdisciplinar e coletivo ao uso do xadrez em sala de aula.
Esta análise dialoga com os diversos recortes do lócus do estudo, na seguinte ordem: (1) contexto pedagógico, em que se avaliam as condições
5“[...] é o meio que o jogador de xadrez dispõe para encontrar o melhor lance de cada posição”
(STALHBERG apud VASCONCELLOS, 1991, p. 160), que aqui representa a análise e a interpretação dos dados do estudo.
pedagógicas, do lócus do estudo, que impulsiona uma aprendizagem/ensino lúdica e dialógica; (2) discussão curricular, em que se procura investigar até que ponto a escola tem promovido o debate com a comunidade escolar para a inclusão do xadrez no currículo escolar; (3) estratégias pedagógicas, nas quais, avalia-se o quanto a aplicação do xadrez em sala de aula potencializa a ludicidade com foco em uma aprendizagem colaborativa e socialmente responsável; e (4) dimensão relacional do ensino de xadrez, que investiga sua relevância para a promoção de um ambiente de aprendizagem/ensino dialógico, interativo, hipertextual e interdisciplinar.