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Les limites de la formalisation logique classique 61

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Não existe concepção histórica que afirme categoricamente a data da origem do jogo de xadrez. Muitos até consideram essa incerteza um elemento que o torna atrativo e misterioso, pois essa é a natureza desse jogo.

Segundo Sá (2009, p. 11), a origem do xadrez não é exata, mas sim

[...] misteriosa, conhecendo-se, até o presente momento, cerca de 40 lendas a este respeito. Dentre elas, uma menciona o herói grego Palamedes como o criador do xadrez, durante o cerco de Troia, com o objetivo de distrair seus guerreiros.

Porém, o que se pode afirmar é que, por volta do ano 600 de nossa era, surgiu no noroeste da Índia um jogo muito parecido com o xadrez: o Chaturanga, que, considerado como o “pai” do xadrez, baseava-se na estrutura dos exércitos

hindus e era passatempo preferido de seus governantes. Dessa maneira, segundo Sá (2009, p. 11)::

Aproximadamente no ano 570 de nossa era, nasce o "jogo dos quatro membros" (Chaturanga, em sânscrito), o ancestral direto do xadrez. Participavam dele quatro parceiros, possuindo cada um oito peças, sendo um Ministro (mais tarde a Rainha; no presente, a Dama), um Cavalo, um Elefante (hoje o Bispo), um Navio (mais tarde uma Carruagem; nos nossos dias, a Torre), e quatro Soldados (atualmente os Peões), dispostos nos quatro cantos do tabuleiro de 64 casas unicolores.

As peças diferenciavam-se pelas cores pretas, vermelhas, verdes e amarelas. Os adversários jogavam individualmente e o lançamento de dados designava a peça a ser movimentada. Quando a face de um do dado surgia, movia-se um Soldado ou o Ministro. O número dois obrigava o movimento do Navio. O três movia o Cavalo. O quatro movia o Elefante. Caso o dado mostrasse o número cinco ou seis, eles eram considerados, respectivamente, um ou quatro.

O jogo indiano sofreu evoluções estruturais, destacadas por Sá (2009, p. 12) em três etapas:

1) Supressão dos dados. Esta modificação excluiu o fator sorte e os jogadores passaram a contar apenas com seus raciocínios para vencer. 2) Reunião dos adversários diagonalmente opostos. Os pretos e verdes

opunham-se aos vermelhos e amarelos.

3) Substituição das alianças diagonais por alianças lado a lado. Esta mudança denota o nascimento da noção de estado em detrimento das sociedades tribais.

Desse modo, quer seja da criatividade de Palamedes ou da derivação do Chaturanga, registra-se que o xadrez, desde sua origem, possui característica estratégico-educativa.

O Chaturanga na Índia, até as primeiras décadas do século XIX, constituiu- se como um jogo para o divertimento e o desenvolvimento das competências na nobreza que incluía “a prudência, a diligência, a visão e o conhecimento” (VASCONCELLOS, 1991, p. 20).

Com a chegada do xadrez ao mundo ocidental, observa-se seu uso, além do divertimento, para fins educativos. Porém, ainda limitada a sua prática, como na Idade Média, em que era considerado como o “jogo dos reis” e adquirira rapidamente, o status de passatempo favorito da sociedade aristocrática europeia, sendo proibida a sua prática entre os pobres (SÁ, 2009, p. 13). Mas também, foi nesse período que aconteceram algumas modificações que o conduziram ao formato que conhecemos atualmente.

A partir dos elementos apresentados por Sá (2009), essa história, com seus mistérios e lenda, promove para mais de quatorze séculos, com modificações, impressão de livros e democratização em sua prática, um crescente e permanente interesse das pessoas no seu uso para os mais diversos fins.

Tal evolução despertou interesse do campo científico em estudá-lo e, em grande medida, revelou suas potencialidades educativas, despertando, dessa maneira, o interessa da escola no seu uso pedagógico. De todo modo, algumas questões ainda ficam no ar: : A escola o utiliza com seu valor pedagógico, ciente de suas potencialidades pedagógicas? E os/as educadores/as levam em conta essas possibilidades? Há uma preocupação da escola em investir em formação continuada com essa temática?

Dessa maneira, essas são questões que motivam um trabalho mais analítico e interpretativista sobre a história desse jogo, pois o que se sabe é que as mais diversas pesquisas o apontam como um potencial instrumento de promoção da aprendizagem, mas também, como impulsionador de um ambiente escolar competidor e individualista.

Segundo Santos, Martins e Teixeira (2007, p. 7):

A competição é parte da vida (não a única parte, felizmente), ainda mais de nossa sociedade capitalista, e uma boa parcela da energia da agressividade é sublimada em um jogo de xadrez para transformar-se em reflexão e raciocínio estratégicos.

Para tanto, o jogo de xadrez se mostra como uma brincadeira que impulsiona em seus/suas jogadores/as imaginações e o compartilhamento de estratégias entre eles/elas. Permite também interações, mobilizando-os/as e motivando-os/as a atenções, à elaboração cognitiva, promovendo identificações de coordenadas, entre outras competências e habilidades que ativam mutuamente os sentidos humanos, permitindo desenvolver o aprendizado.

Esse aprendizado pode levar ao processo de autoconstrução do conhecimento, consolidando uma aprendizagem que envolve a interdisciplinaridade científica, pois conecta várias áreas do conhecimento no desenvolvimento das jogadas.

De outro modo, a partir de Santos, Martins e Teixeira (2007), percebe-se que, em uma partida de xadrez, as possibilidades do diálogo não se materializam nas palavras, mas sim, nas reflexões e análise que cada jogador/a realiza da partida

para promover a coexistência necessária para a promoção de sua estratégia, pois um/a não poderá arquitetá-la, sem tentar desvendar o que o/a outro/a pensou para o movimento de sua peça.

Para tanto, para o desenvolvimento desse espaço de aprendizagem, é indispensável que a docência repense sua atuação e prática em sala de aula, conscientizando-se de que a verdadeira educação se constrói com participação, indagação, diálogo e cooperação dentro do contexto social e escolar, com intencionalidade política.

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