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Les expe riences de de Souza-Mendes (2007)

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CHAPITRE 4. Validation du code de calcul 3D et leve es des verrous a

4.4. Les expe riences de de Souza-Mendes (2007)

É importante conhecer adequadamente as características dos silicones usados e anteriormente descritos, bem como as características do gesso utilizado, compatível com os mesmos. No caso dos silicones Affinis, segundo a própria marca, essa deformação não é maior que 0,2%.46

Um outro estudo de uma marca concorrente, 3M ESPE®,49 reporta uma deformação para o Affinis de 0,24 %. Ora, para contrapor uma contração do silicone de 0,2 % interessa a escolha de um gesso que produza uma expansão compatível, ou seja de 0,2%.

Este estudo demonstra a importância do controlo da infeção em Medicina Dentária. Na realidade, a falta de um protocolo de desinfeção simples e adequado das impressões dentárias, o receio de muitos médicos dentistas em introduzirem alterações dimensionais consideráveis ao efetuarem a desinfeção e o alto custo dos desinfetantes são importantes óbices a um correto controlo de infeção. Vários estudos69-72 demonstram a perda de eficiência da desinfeção, podendo ser devida a várias razões, desde a variação das condições de humidade e temperatura até à falha técnica do médico ou ao desrespeito pelas normas do fabricante. A comunicação com o laboratório é também frequentemente incompleta levando a que se verifique um menor controlo da infeção.73

O desenvolvimento de um protocolo de esterilização das impressões que seja simples, barato e acima de tudo mais seguro e mais rápido que o protocolo de desinfeção, representa um grande passo no controlo das impressões dentárias. O único material usado em impressões dentárias com estabilidade dimensional suficiente para resistir a temperaturas altas é o silicone de adição ou polivinilsiloxano. Estudos de Holtan et al.17,18 evidenciam que a ideia de esterilizar este tipo de impressão não é recente, mas a estabilidade do silicone de adição a temperaturas de 134° Celsius eram insuficientes. Ressaltam destes estudos dados importantes como a importância da moldeira e o suporte do material de impressão, na manutenção da estabilidade dimensional adequada.

O estudo de Brian Millar et. al.3 representa uma viragem, dado que este autor demonstrou ser possível esterilizar impressões dentárias de silicone de adição sem alterações dimensionais clinicamente relevantes. Kollefrath et al.26 vêm confirmar a possibilidade de esterilização do polivinilsiloxano com alterações dimensionais clinicamente irrelevantes.

Foi com este conhecimento que decidimos conduzir este estudo procurando medir as alterações dimensionais provocadas pela esterilização em autoclave a 134° Celsius. A observação das Tabelas 1 a 5 permite saber quais os pontos, nos quais as alterações dimensionais entre modelos autoclavados e não autoclavados são estatisticamente significativas. À exceção do ponto 15 que é palatino, todos os restantes pontos com alterações dimensionais estatisticamente significativas são vestibulares. Porque razão são então as zonas mais afectadas? Quer Holtan et al.17,18 quer Kollefrath et al.26 referiram como zonas de maior alteração dimensional as zonas que se encontrem mais livres, tornando as zonas com menor espessura em termos horizontais, as zonas mais susceptíveis de alterações dimensionais. Essas zonas correspondem às zonas vestibulares. Para solucionar este problema os autores realçam a importância de uma moldeira que dê um suporte adequado a estas zonas mais livres por forma a minimizar estas alterações dimensionais. Provavelmente a obtenção de valores de alteração dimensional estatisticamente significativos estarão relacionados com este facto.

Importa ainda realçar que das alterações dimensionais registadas como estatisticamente significativas, o ponto com maior alteração dimensional quer para silicones autoclavados, quer para silicones não autoclavados, é o ponto 34, cuja distorção relativamente ao modelo padrão é de 146 µm para os silicones não autoclavados e de 97 µm para os autoclavados. Serve este exemplo para demonstrar que, apesar das alterações dimensionais produzidas pelo processo de autoclavagem, em que se demonstra que na maioria dos casos há um aumento das médias, dos desvios padrões das alterações dimensionais relativamente aos não autoclavados e dada a ordem de grandeza das alterações, estas são clinicamente irrelevantes apesar de estatisticamente significativas.

Estes resultados são concordantes com os trabalhos de Millar3, e Kollefrath et

A avaliação das alterações dimensionais por região veio confirmar o já observado na análise dos pontos. Como podemos observar nas Tabelas 6 a 10, além das zonas vestibulares não existem zonas onde as alterações dimensionais possam ser consideradas estatisticamente significativas. Podemos então afirmar que, com um melhor controlo das alterações dimensionais vestibulares, a esterilização das impressões dentárias a 134° Celsius é uma solução possível e viável.

Este melhor controlo está relacionado com um suporte mais efetivo por parte da moldeira e com a espessura do próprio polivinilsiloxano, podendo a solução estar relacionada com estes factos.

A alteração do ciclo do autoclave de 134° C para 121°C poderá também ser uma alternativa, visto que, quanto maior a temperatura maiores serão as alterações dimensionais.

Outro ponto que interessa referir é que, apesar da importância da desinfeção das impressões ser indiscutível, é também indiscutível que o facto de esta depender de fatores tão diversos e alguns deles difíceis ou até impossíveis de controlar, torna este processo pouco preciso, tornando por sua vez pouco evidente a margem de segurança dada pelo desinfetante, uma vez que a desinfeção pode ir de uma ligeira diminuição dos microorganismos até à completa esterilização1,2.

Por outro lado, a obtenção da esterilização permite a maior margem de segurança possível (em termos de eliminação de microorganismos), tornando este método uma excelente alternativa à desinfeção.

Por fim, é certo que a utilização de desinfetantes afecta física e quimicamente as impressões, tendo consequências na estabilidade dimensional e na molhabilidade do material de impressão e, muitas vezes, reagindo quimicamente com o gesso.11-15,19,23 Este tipo de alterações aumenta com o tempo de exposição ao desinfetante, pelo que geralmente a desinfeção é descurada pelos profissionais, que mantêm as impressões por muito curtos períodos de tempo em contacto com o desinfetante.12,19,22

Quer desinfetantes, quer o autoclave, causam alterações dimensionais estatisticamente significativas nas impressões dentárias. No entanto, essas alterações são consideradas clinicamente irrelevantes por vários autores.10,11,13-

15,19,23-25

no que diz respeito à desinfeção, assim como no que diz respeito à esterilização.3,26

O nosso estudo debruça-se precisamente sobre este último aspeto e podemos inferir que, provavelmente, apesar de encontradas diferenças estatisticamente significativas, essas alterações serão clinicamente irrelevantes dado que as médias e medianas das alterações dimensionais observadas nestes pontos representam alterações dimensionais que não são diferentes em ordem de grandeza dos pontos em que não foram encontradas diferenças estatísticas. Importa no entanto referir que a esterilização a 134°C provocou um aumento dos desvios padrões relativamente às médias tornando a impressão menos precisa.

A introdução clínica da esterilização das impressões dentárias com silicones de adição deve ser feita com pecaução. Este estudo envolveu apenas o silicone Affinis® e encontrou, apesar de ligeiras, alterações dimensionais provocadas pelo processo.

Mais estudos serão necessários por forma a tentar avaliar esta perda de estabilidade dimensional como sendo ou não clinicamente significativa e, eventualmente, tentar compensar este facto, quer com um melhor suporte das zonas afetadas por parte da moldeira, quer com um aumento da espessura das zonas vestibulares ou com a adição na estrutura química do silicone de algum agente estabilizador. Como referido por Martin et al. (22) a composição dos silicones difere ligeiramente de marca para marca, pelo que não devem ser feitas extrapolações de uma marca para outra, sendo que cada silicone de adição deve ser estudado individualmente.

Quando for mais generalizada a introdução clínica da esterilização das impressões dentárias, teremos dado um grande passo no controlo da infeção cruzada e obtido um protocolo que se afirma como mais fácil, acessível e bastante menos dependente de fatores difíceis ou mesmo impossíveis de controlar na prática clínica.

Mais do que discutir se a desinfeção de alto-grau é suficiente ou não, é necessário ter em conta que os médicos dentistas necessitam de um protocolo simples, fácil, barato e rápido de usar no que diz respeito à desinfeção ou esterilização das impressões. O protocolo de desinfeção não é simples, e certamente não é fácil devido a um sem número de desinfetantes, cada um

com o seu próprio protocolo. Diferentes marcas com o mesmo principio ativo têm protocolos diferentes.

Além disso, fica consideravelmente mais cara a desinfeção do que a esterilização em autoclave, dado que este último é uma presença obrigatória nos consultórios dentários e um ciclo de autoclave consegue ser tanto ou mais rápido que uma desinfeção de alto grau.