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2- Vérification des propositions de départ

2.2 Les trajectoires d’insertion sociale réussies sont fondées sur la présence de passerelles ou de passeurs adultes ayant favorisé le passage de la « vie de

2.2.4 Les démarches d’intégration professionnelle

2.2.4.2 Les comportements

O que se observa na maioria das sociedades é que as pessoas sempre estão em busca de informação. Nessa busca, as informações são trocadas através das pessoas, e essa troca pode resultar de atividades mentais e de manejo técnico, através de linguagens e suportes que dão significados e constroem sentidos.

Nas civilizações antigas, ainda que não existisse o registro escrito das informações, estas eram transmitidas através de figuras, pinturas, gravuras, etc. O importante é que a informação não deixava de ser repassada. E assim, construiu-se um saber acumulado por milhares de anos e muito desse saber se dava através da observação dos fenômenos.

Observa-se, então, que desde o início da evolução da humanidade, os seres humanos começaram a perceber a necessidade de registrar o conhecimento acumulado ao longo dos anos, organizar a informação registrada, e começar a constituir meios eficazes para acesso ao conteúdo dos documentos quando precisassem e a qualquer tempo.

É nesse momento que começam a surgir as raízes das práticas biblioteconômicas, arquivísticas e museológicas desenvolvidas a partir de conhecimento empírico. Começa, então, a construção dos acervos que na Idade Média concentravam-se em acervos da nobreza e do clero.

No contexto da organização do conhecimento, as atenções estavam voltadas para o desenvolvimento de esquemas de classificação bibliográfica com o objetivo de encontrar uma melhor ordenação lógica dos acervos de bibliotecas e organizar, tematicamente, os itens em bibliografias especializadas e em outros serviços de indexação da literatura publicada.

Nesse sentido, pode-se citar Burke (2003) quando, em seu livro Uma história social

do conhecimento: de Gutenberg a Diderot, aborda a consolidação do conhecimento trazendo

algumas informações: a maioria dos primeiros letrados modernos, como também, os intelectuais modernos não estavam livres, mas sim vinculados a instituições como as

universidades. Dessa forma, o contexto institucional do conhecimento era parte essencial de sua história. Nessa época, as universidades concentravam-se apenas na transmissão do conhecimento, e não em sua descoberta. Os professores limitavam-se a expor as fundamentações das autoridades como Aristóteles, Hipócrates, Tomás de Aquino e outros. Cabe ainda ressaltar que na Europa medieval, os professores universitários eram quase todos membros do clero, e que a instituição relativamente nova da universidade fazia parte de uma instituição muito mais antiga, a Igreja, que exercia o monopólio do conhecimento.

O conhecimento estava sendo consolidado, mas o livre fluxo de informação e sua distribuição equitativa continuavam sendo um sonho da humanidade em diversas épocas, como demonstra Barreto (2007, p. 14):

A luta por uma distribuição adequada do conhecimento produzido pela humanidade vem desde o século XVII passando por antigas instituições e grupos europeus e americanos do norte, como a construção da Enciclopédia de Diderot e D’Alembert. Paul Otlet e seu grupo na Bélgica, Vannevar Bush e seus pesquisadores na segunda Guerra Mundial, a aldeia global de Marshal McLuhan, as ideias de Roland Barthes, Jaques Derrida, os “mitemas” de Claude Lèvi-Strauss, a Arqueologia do Saber de Michel Foucault e o Decuverse global de Theodore Nelson.

Ainda segundo o autor, o ideal compartilhado seria construir uma sociedade do conhecimento e não apenas, uma sociedade da informação. Não se deve confundir a sociedade da informação com a do conhecimento, pois a sociedade da informação é uma utopia de realização tecnológica, enquanto que a do conhecimento, uma esperança de realização do saber. Para ele, a sociedade do conhecimento contribui para que o indivíduo se realize na sua realidade vivencial, e a sociedade da informação está limitada a um avanço de novas técnicas devotadas para guardar, recuperar e transferir a informação.

Com relação à preocupação em guardar e recuperar a informação surge o importante papel dos dois documentalistas visionários Otlet e La Fontaine, que começam a configurar a problemática moderna das relações culturais entre a informação e o conhecimento. Otlet sonha em facilitar o acesso do maior número de pessoas à informação graças a um complexo conjunto de bibliotecas conectadas por canais telegráficos e telefônicos (BARRETO, 2007).

Conforme Mattelart (2002b), o campo privilegiado de ação de Otlet e La Fontaine é a

documentação e ambos fazem dele a base de uma nova ciência, ao criar, em 1895, o Instituto

Internacional de Bibliografia, com o objetivo de estudar as questões concernentes ao livro e à organização sistemática da documentação em bases internacionais e universais.

Na História da sociedade da informação, Otlet e La Fontaine, são colocados como fundadores de uma “nova ciência da organização sistemática da documentação” (MATTELART, 2002a).

Já na visão de Figueiredo, a importância do trabalho de Otlet reside na construção de uma base teórica para uma ciência emergente, e não apenas na criação de tecnologias de informação. Conforme a autora:

O [Tratado] de Documentação, culminação de pensamentos de toda uma vida, é, talvez, a primeira sistemática e moderna discussão dos problemas gerais da organização da informação. O termo documentação é um neologismo, criado por Otlet, para designar o que hoje em dia tendemos a chamar de armazenamento e recuperação da informação. De fato, não é exagero declarar-se que o tratado foi um dos primeiros textos de Ciência da Informação, pois começa com uma longa exposição geral sobre comunicação e informação examinadas do ponto de vista de várias ciências. Propõe, então, novos tipos de sistemas mecânicos integrados para o manejo da informação, os quais teriam ainda de ser inventados e transformariam o meio ambiente e as práticas dos pesquisadores. (FIGUEIREDO, 1996, p. 16)

Para Pinheiro (1997), a “utopia” de Otlet e La Fontaine sobre o valor e a universalidade da ‘documentação’ pode ser vista como origem para a CI, cuja relevância foi comprovada na missão científica do Instituto Internacional de Bibliografia, de onde surgiu a ideia de bibliografia como registro, memória do conhecimento científico, desvinculada dos organismos, como arquivos e bibliotecas, e de acervos.

Observa-se que o objetivo de Otlet era ordenar toda a documentação, de maneira que o conhecimento registrado pudesse estar disponível para toda e qualquer pessoa que dele precisasse. Ele acreditava que a informação recuperada operaria comunicação intelectual, mudança social e paz mundial.

Segundo Freire e Freire (2010), o enfoque principal do trabalho de Otlet e La Fontaine é que no processo de criação dos instrumentos necessários para sua organização, armazenagem e recuperação, ambos centraram seus esforços no “conteúdo” dos documentos, isto é, na informação em si, sendo isto inovador, pois nunca tinha sido feito antes.

Encerrando a abordagem sobre Otlet e La Fontaine, Freire e Freire (2010) afirmam que este novo paradigma informacional deslocou o foco de autores e coleções para o conteúdo dos documentos, para a informação em si, desde a produção do conhecimento científico até sua representação [ressignificação], organização e distribuição pelos canais formais de comunicação científica.

Pela análise do trabalho de Otlet e La Fontaine, conclui-se que o ideal do acesso ao conhecimento livre e para todos não surgiu com a internet, mas é algo que remonta a um passado bem distante.