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4.7 Analyse de l’effet d’ombrage

5.1.2 La r´ egularisation

O modelo do Conhecimento Didático-Matemático (CDM) é caracterizado por um sistema de categorias que é utilizado para analisar o conhecimento do professor de matemática. Esse sistema de categorias é referenciado por Godino (2009) como sendo um conjunto de conhecimentos que o professor deve conhecer, compreender, saber aplicar e avaliar. Esse modelo foi proposto por Godino (2009), que buscou elementos em outros modelos que visam dar suporte para investigar e caracterizar o conhecimento do professor de matemática, como por exemplo o modelo do Conhecimento Pedagógico do Conteúdo (PCK23) de Shulman (1986, 1987) e o modelo do Conhecimento Matemático para o Ensino (MKT24) de Ball e seus colaboradores (BALL, THAMES E PHELPS, 2008; HILL, BALL E SCHILLING, 2008), entre outros.

Godino (2009) reconhece os avanços que os trabalhos, como os citados acima, produziram para a caracterização das complexas estruturas que se propõem a investigar o conhecimento que os professores precisam ter para a sua prática de sala de aula.

Entretanto, esse autor ressalta que

os modelos de Conhecimento Matemático para o Ensino criado a partir da pesquisa em Educação Matemática, incluem categorias que são demasiadamente globais e desarticuladas, de modo que seria útil ter modelos que permitissem uma análise mais detalhada de cada um dos tipos de

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Do inglês Pedagogical Content Knowledge. 24

conhecimentos que podem ser utilizados para um ensino eficaz da matemática. Além disso, permitiria orientar a concepção de ações de formação e a elaboração de instrumentos de avaliação de conhecimentos dos professores (GODINO, 2009, p. 19) [tradução nossa].

Com esse entendimento sobre os modelos que vinham sendo utilizados para caracterizar o conhecimento do professor de matemática, aliado ao seu interesse nas investigações acerca dos conhecimentos didático-matemáticos dos professores, esse autor propôs o modelo do CDM, o qual é utilizado para interpretar e caracterizar o conhecimento do professor a partir de três dimensões, a saber: a Dimensão Matemática; a Dimensão Didática; e a Dimensão Meta Didática-Matemática. De forma mais pontual, descreveremos as categorias relacionadas a Dimensão Matemática e a Dimensão Didática do CDM, uma vez que algumas dessas categorias serão referenciadas por nós durante o processo de análise dos encontros de formação. 2.4.2.1 Dimensão Matemática

2.4.2.1.1 Categoria do Conhecimento Comum do Conteúdo

Essa categoria refere-se ao conhecimento de um objeto matemático específico e que se apresenta como suficiente para resolver os problemas ou atividades matemáticas que são propostas, e que comumente podem ser encontrados no currículo de matemática da escola, bem como nos próprios livros didáticos.

2.4.2.1.2 Categoria do Conhecimento Ampliado do Conteúdo

A Categoria do Conhecimento Ampliado do Conteúdo refere-se aos conhecimentos que o professor precisa ter a respeito das conteúdos matemáticos e de como eles estão relacionados, por exemplo com o currículo do próximo nível de ensino, ou seja, essa categoria discute a necessidade do professor saber como os conteúdos matemáticos que ele ensina em um determinado ano está relacionado com os conteúdos matemáticos que seu aluno irá aprender em anos posteriores.

A compreensão do conhecimento relacionado à essa categoria contribui para que o professor tenha, inclusive, melhor fundamentação matemática para sugerir e aplicar novos desafios matemáticos em sala de aula, por meio da relação de um determinado objeto matemático com outras noções matemáticas, contribuindo para

que os alunos observem o estudo de conteúdos matemáticos que são subsequentes aos conteúdos que estão estudando naquele momento. (PINO-FAN; GODINO, 2015). 2.4.2.2 Dimensão Didática

2.4.2.2.1 Categoria Epistêmica

A Categoria Epistêmica é referenciada por Pino-Fan e Godino (2015) como sendo a que se ocupa do conhecimento especializado da Dimensão Matemática. Nesse sentido, ela propõe um conhecimento que vai além daqueles que são discutidos tanto pela Categoria do Conhecimento Comum do Conteúdo quanto pela Categoria do Conhecimento Ampliado do Conteúdo.

Esses autores destacam que essa categoria envolve o conhecimento matemático que o professor necessita ter para o ensino. Nesse sentido, o professor deve ser capaz, por exemplo,

de mobilizar várias representações de um objeto matemático para resolver uma tarefa por meio de procedimentos diferentes; para relacionar objetos matemáticos com outros objetos matemáticos ensinados em um determinado nível de ensino ou de níveis anteriores ou futuros; de compreender e mobilizar a diversidade de significados parciais para um único objeto matemático (PINO-FAN; GODINO, 2015, p. 99) [tradução nossa].

Podemos observar que o conhecimento relacionado a essa categoria deve possibilitar ao professor fazer escolhas de modelos ou exemplos úteis, bem como fazer analogias com o que está sendo discutido. Para os autores, realizar estas atividades requer percepção e entendimento matemáticos adicionais, que vão além de apenas conhecer o conteúdo que irão ensinar, o que implica que eles precisam ter um conhecimento especializado do conteúdo para poder ensinar.

2.4.2.2.2 Categoria Afetiva

Esta categoria refere-se aos aspectos emocionais e comportamentais dos alunos em sala de aula. Assim, diz respeito a um conhecimento importante e necessário para que o professor compreenda as formas de lidar com as possíveis mudanças de humor de seus alunos, assim como identificar quais são os aspectos individuais que os motivam a se envolverem em determinadas atividades ou não.

O conhecimento relacionado à essa categoria contribui, ainda, para que o professor seja capaz de descrever as experiências e sensações de seus alunos, quando esses se encontram envolvidos em um determinado problema matemático.

2.4.2.2.3 Categoria de Interação

A Categoria de Interação destaca a importância de se considerar as interações como um componente essencial para o processo de ensino e aprendizagem da matemática. Pino-Fan e Godino (2015) descrevem essa categoria como sendo a que se refere ao conhecimento das interações que acontecem, por exemplo, no interior de uma sala de aula.

Essas interações dizem respeito não somente àquelas que ocorrem entre o professor e o aluno, mas também àquelas que podem ocorrer entre os próprios alunos, entre os alunos e os recursos didáticos, bem como às interações professor-recursos- alunos. Pino Fan, Assis e Castro (2015) ressaltam que os conhecimentos relacionados à essa categoria compõem, assim, o campo de relações que sustentam o processo de aprendizagem.

2.4.2.2.4 Categoria de Mediação

Esta categoria está relacionada com os conhecimentos que o professor necessita para avaliar a pertinência do tipo de materiais e de recursos tecnológicos, assim como avaliar a pertinência do seu uso, para promover a aprendizagem dos alunos sobre um objeto matemático específico. Para Pino-Fan e Godino (2015), o conhecimento sobre os recursos didáticos desempenha um importante papel na organização e gestão da aprendizagem dos alunos.

2.4.2.2.5 Categoria Cognitiva

A Categoria Cognitiva refere-se ao conhecimento dos aspectos cognitivos dos alunos. Nesse sentido, por meio dos conhecimentos relacionados à ela, o professor deve ser capaz de prever respostas possíveis dos alunos a um determinado problema, antever equívocos esperados, conflitos ou erros que podem surgir a partir do processo de resolução das atividades matemáticas (PINO-FAN; GODINO, 2015).

Por meio dos conhecimentos relacionados à essa categoria, o professor deve ser capaz, ainda, de compreender as relações matemáticas, corretas ou incorretas, que os alunos realizam entre o objeto matemático que está sendo estudado e os demais objetos matemáticos que se apresentam como necessários para que eles resolvam o problema.

2.4.2.2.6 Categoria Ecológica

Essa categoria diz respeito ao conhecimento do professor acerca do currículo de matemática do nível de ensino que considera o estudo dos objetos matemáticos com os quais ele está trabalhando, assim como as relações que podem ser percebidas com os currículos de outros níveis, bem como as relações que esses currículos têm com os aspectos sociais, políticos e econômicos que, por vezes, apoiam e condicionam o processo de ensino e aprendizagem (PINO-FAN; GODINO, 2015).