L’ADÉQUATION DU SYSTÈME DE RETRAITE FRANÇAIS À SES OBJECTIFS
Chapitre 4 – La solidarité du système de retraite en regard des évolutions de la société
IV. La question du handicap et de l’inaptitude
De maneira geral, segundo uma abordagem histórica grosseira, pode-se observar que a humanidade mudou seu modo de convívio com o ambiente, que nos primórdios da civilização era moldada pela natureza e, a partir do advento da agricultura e da criação de assentamentos fixos alterou-se bastante, principalmente após revolução científica e industrial.
Tendo como base o entendimento do caráter transacional da relação entre as pessoas e o ambiente, fator que corresponde à instantânea comunicação socioespacial, a Psicologia Ambiental (PA) representa a relação entre ambos como uma via de mão dupla de influência, ou seja, a pessoa e o ambiente influenciam-se mutuamente.
Apoiando-se nesse tipo de proposição, ainda que sob uma visão tradicional, Lewin (1965), indicava que o comportamento (C) é fruto da interação instantânea e simultânea (a
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multiplicação) entre pessoa (P) e ambiente (A), que são, portanto, variáveis interdependentes, como indica a equação C= f (P x A). Esclarecendo a proposição de Lewin, Campos-de- Carvalho (2005) comenta a preocupação do autor em enfatizar que as pessoas não estão em um cenário, com o qual não interagem, mas são constituintes/constituídos do/pelo ambiente (vice-versa).
Mais recentemente, em uma perspectiva sistêmica, a literatura adverte que pessoa e ambiente não podem ser abordados separadamente, pois são partes constituintes de um todo outro maior, a relação que se estabelece entre ambos (CAMPOS-DE-CAVALHO, CAVALCANTE, NÓBREGA, 2011). Nesse caso, o mais importante seria o ponto de convergência destas perspectivas, entendendo que a relação ‘pessoAmbiente’ contempla a mútua e instantânea relação entre humanos e seu contexto físico, histórico e psicológico. A partir deste ponto da dissertação, portanto, passo a utilizar esse neologismo, defendendo a importância de escrever as duas palavras de modo único, e sabendo que o leitor compreenderá este uso.
Para aprofundar e abranger o contexto impactante do processo de crescimento que a sociedade imprime às cidades, e a fim de gerar mais e melhores estratégias de envolvimento urbano. Este termo se justifica, no sentido de contrapor o des-envolvimento, mais utilizado no aspecto econômico recorrente. Portanto, é indispensável envolvermos mais e melhor os fatores urbanos, desde seus aspectos econômicos, naturais, humanos, históricos, logísticos, políticas públicas, ativismos, etc. nas pesquisas e na gestão sobre a cidade.
Um olhar integrado sobre o meio ambiente e o desenvolvimento é fomentado pelo Relatório Brundtland (COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO, 1991), e já comentado nesse texto, mostra que o meio ambiente não existe como uma esfera desvinculada das ações, ambições e necessidades humanas, portanto, defender o ambiente sem levar em consideração os problemas humano-ambientais constitui uma visão ingênua. A Comissão alerta:
É no ‘meio ambiente’ que todos vivemos; o ‘desenvolvimento’ é o que todos fazemos ao tentar melhorar o que nos cabe neste lugar que ocupamos. Os dois são inseparáveis.
Para Mendes (1994), desenvolvimento é a criação de condições e necessidades tendentes à constituição do ser humano em sua integridade, processo resultante, onde o desenvolvimento econômico é um elemento, mas em/por si insuficiente. Já envolvimento
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corresponde às articulações do ser humano com o ambiente que o cerca, o comprometimento e consequências correspondentes, e vai desde o ambiente natural ao relacionamento com os outros, com a cidade, consigo mesmo dentro do meio.
No mundo atual não se pode mais ignorar a questão ambiental, seja na mídia, ou em suas evidências cotidianas que ocorrem nas cidades, no campo ou na natureza. Ela está presente na vida das pessoas. Portanto, a degradação do meio ambiente é um dos principais desafios vivenciados pela sociedade contemporânea. Nas cidades, podem-se perceber problemas de superconcentração de populações; falta de moradia; acúmulo de lixo; congestionamentos de trânsitos ocupações em áreas de risco, poluição do ar, da água e do solo; destruição de refúgios naturais urbanos (CAVALCANTE, ELALI, 2011), todas causadas por um arraigado crescimento a qualquer custo, sem planejamento democrático e distantes de uma socioeco-sustentabilidade.
Os termos sustentabilidade, comportamentos ecologicamente responsáveis, manejo de recursos e envolvimento urbano, entre outros que apareceram nesta dissertação, não apresentam uma visão utilitarista (ALEXANDRE, 2002), em contrapartida, fortalecem a correlação com a emergência ambiental pela qual as cidades passam hoje em dia.
O autor imediatamente citado relaciona a visão utilitarista que alguns termos – como ecoconservacionismo, comunidades tradicionais – “são de correntes ecocapitalistas que também nos falam de redução de desperdícios ou gestão ambiental para a melhor persecução dos fins econômicos que visa”. Neste caso, alguns destes discursos fazem alusão à concessão de patrocínios, apoios e financiamentos de instituições internacionais, com um caráter de ecoembelezamento.
Para lograr o suporte ao estudo da sustentabilidade das cidades e sua direta relação com as pessoas de uma forma multifacetada, é importante ressaltar que o estudo da RPA tem base não só na Psicologia, mas na Sociologia, na Antropologia, contando com o apoio de ecólogos, arquitetos, planejadores urbanos, designers e outros profissionais preocupados com o ambiente físico (ITTELSON et al, 2005). Desta maneira, surgem novas propostas de suporte às pesquisas envolvendo a subjetividade do indivíduo ou da sociedade na interação com seu ambiente, e são importantes, pois avaliam diversas abordagens embasadas em um caráter multi, inter e transdisciplinar da PA.
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De acordo com o estudo de Wiesenfeld (2005), há diversas escalas ambientais dos estudos da PA, desde o micro espaço doméstico, ao intermediário, como a vizinhança, até o macro, como a cidade; os tipos de ambientes (se residenciais, urbanos, rurais, recreativos, laborais, educativos, hospitalares), fatores ambientais específicos (design, decoração, ruído, iluminação, cor) ou gerais (relacionado à qualidade ambiental), além de processos ambientais – conservação, sustentabilidade, risco ambiental e desastres naturais.
Para a Psicologia Ambiental, o ambiente é um conceito multidimensional, compreendendo o meio físico e concreto em que se vive, natural ou construído, o qual é indissociável das condições sociais, econômicas, políticas, culturais e psicológicas daquele contexto específico (CAMPOS-DE-CARVALHO et al, 2011).
O conceito de ambiente dessa dissertação está contemplado nas duas últimas abordagens de Wiesenfeld (2005), portanto, ressalta a importância da percepção acerca da mudança do espaço de uma maneira particular provocada pelo crescimento da cidade, ou incremento urbanístico de uma área e sua influência nos arredores, englobando novas áreas de interesse econômico, social e ambiental, logo, uma situação que remete ao processo de produção do espaço em Itapuama.
Os estudos da inter-ação pessoa-ambiente (PINHEIRO, ELALI, 2010) têm abordado diferentes escalas que vão desde uma simples casa e vizinhança até visões de mundo. Neste sentido, os autores trazem perspectivas focadas na arquitetura do edifício, da cidade, além de abordagens ambientais, chamadas “verdes” ou ecológicas, que podem envolver questões globais e relacionar-se com o atual paradigma da sustentabilidade. Além desses fatores, os estudos da RPA têm uma característica de interesse multidisciplinar, já que psicólogos, arquitetos, geógrafos, urbanistas e outros têm trazido novos olhares acerca desta relação complexa entre comunidades/povos e seus ambientes.
Günther, Elali e Pinheiro (2008) atentam para o rigor ao se tratar a relação entre pessoa e ambiente, lembrando que o foco do trabalho precisa ser a interface entre estes elementos. A complexidade da relação pessoa-ambiente, ou seja, sua interação pode ser investigada por várias disciplinas, cada uma com suas formas de coleta e análise de dados. Neste caso, a multiplicidade metodológica agrega disciplinas, teorias e métodos, integrando diversas experiências para a pesquisa na perspectiva da percepção ambiental.
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De maneira geral, a sociedade vivencia uma época de crescente preocupação com o destino ecológico de nossa civilização, o que tem levado as Ciências Humanas e Sociais a, também elas, se debruçarem cada vez mais sobre temas relacionados ao nosso modo de vida e à maneira de tratarmos o ambiente em que vivemos, o qual pode ser entendido em várias escalas, abrangendo desde o cômodo em que nos encontramos até o próprio planeta (PINHEIRO, ELALI, 2010).
Para Santos (2008), existem preocupações ambientais e o enfoque nas comunidades (ditas tradicionais), através da relação decorrente de “se estar” num lugar, bem como a perspectiva da percepção e do manejo do ambiente que se vive. Corroborando com estas premissas, Lynch (2009) argumenta que é preciso aprofundar a percepção das pessoas sobre o meio ambiente, o que seria uma continuidade ao desenvolvimento biológico e cultural dos sentidos.
Em um sentido amplo, é fácil perceber que os processos de industrialização e da tecnociência da vida humana alteraram a conformação urbana – seus ritmos, tamanhos, escalas – no que existe de fundamental, transformando o modo de ser, de pensar e de agir (RIBEIRO, 1995) de grupos sociais, podendo alterar a maneira que estes representam e percebem seu espaço. Paulatinamente, tornou-se clara a necessidade de uma nova revolução industrial e urbana, que esteja calcada na manutenção socioambiental em escalas local e global.
No tocante à tecnociência, Lago (2006) comenta que as crises do petróleo de 1973 e 1979 tiveram forte repercussão e favoreceram o surgimento de um pensamento ecológico, consequência da nova revolução tecnológica de uma era pós-industrial e caracterizada pela expansão dos serviços e da informática, uso menos intensivo dos recursos naturais, novos materiais e desenvolvimento de novas tecnologias, como a biotecnologia. Isso pode desencadear uma ampliação na forma como as pessoas se percebem, como vêem suas ações e como elas conhecem a cidade e seus problemas, embora isto ainda aconteça de forma incipiente.
Segundo Jacobi (2006), a dinâmica da urbanização pela expansão de áreas suburbanas produziu um ambiente urbano segregado e altamente degradado, com efeitos muito graves sobre a qualidade de vida de sua população. Embora o autor faça referência à segregação econômica, ressalto que um ambiente segregado social ou espacialmente pode dificultar a
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visualização e criação de uma identidade local conjunta, gerados a partir de uma produção urbana enviesada e baseada na exclusão socioambiental.
Alguns temas chaves dos estudos da relação pessoa-ambiente, vinculados à Psicologia Ambiental, e que apresentam diferentes perspectivas acerca da sustentabilidade, são importantes contextos de pesquisas acadêmicas. Entre alguns destes temas estão: o comportamento ecológico, que trata da ação humana com o intuito de proteger ou minimizar impactos ao meio ambiente (PATO, CAMPOS, 2011). Um segundo tema é o compromisso pró-ecológico (CPE), caracterizado pela “relação cognitiva e/ou afetiva, de caráter positivo, que as pessoas estabelecem com o meio ambiente ou parte do mesmo, responsabilizando-se e interessando-se por ele” (GURGEL, PINHEIRO, 2011).
Outro tema envolvido com a sustentabilidade e presente nos estudos da relação pessoa-ambiente é o valor ecológico, que de acordo com Pato (2011), parte dos valores humanos, tendo como cerne o equilíbrio e a sustentabilidade das relações entre os ecossistemas ou ambientes, diretamente relacionados a crenças, atitudes e comportamentos ecologicamente responsáveis.
A percepção ambiental também tem a sustentabilidade sociourbana como foco para pesquisas. Talvez por exercer papel fundamental nos processos de apropriação e identificação dos espaços e ambientes (KUHNEN 2011), a percepção ambiental possa auxiliar em estudos que avaliem a forma que as pessoas sentem alterações em seus contextos sociofísicos. Os processos de mudança ambiental, decorrentes do desenvolvimento urbano, possivelmente ocasionem mudanças na maneira como as pessoas percebem sua vizinhança ou realidade, semelhante ao que acontece em Itapuama, e que será melhor explanado no capítulo dois (2), desta dissertação.