VI.13 Adverbes de temps amra : maintenant amra : maintenant
2 La grammaticalisation verbale
3.3 La négation en siwi
3.3.6 La négation attributive
Segundo Locke e Johnston (2001), os estereótipos permitem um funcionamento cognitivo mais rápido e eficiente, ajudando a uma distribuição de energia mental por várias tarefas, mas acarretam, em consequência da generalização que exigem e da não contemplação de informação mais específica, consequências nem sempre positivas para os alvos dessas estereotipias. De facto, Spears e Haslam (1997) assinalam que nas abordagens cognitivistas os estereótipos são propostos como a “opção por defeito” para o julgamento social, à qual os indivíduos recorrem quando não dispõem de recursos para dedicarem atenção total à perceção social. De acordo com esta perspetiva, o percipiente social é visto como comprometendo a precisão em detrimento da quantidade, isto é, embora adaptativo, este tipo de processamento é propenso a erro sistemático não intencional. Finalmente, decorre também destes pressupostos, que se o percipiente tivesse a capacidade de processar
1 Já em 1954, Allport no seu livro The Nature of Prejudice, numa tentativa de definição do termo preconceito, e referindo-
se a algumas propostas de definição avançadas, defendia que um prejulgamento seria um preconceito, apenas se fosse eticamente desaprovado na sociedade. Este tipo de definição remete para o nível de análise sistémico, proposto por Stangor e Jost (1997). Também Stangor e Jost (1997) analisam o impacto do sistema social mais alargado, na formação dos estereótipos e do preconceito, tanto nos indivíduos, como nos grupos, como no próprio sistema social.
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os estímulos sociais em termos mais individualizados e completos, então os erros associados aos estereótipos seriam evitados.
Tal como Oakes e Reynolds (1997) referem, perspetivar os estereótipos como decorrentes de uma necessidade de economia cognitiva, implica, por defeito, defini-los como inexatos, uma vez que o processo que os sustenta – a categorização - é visto como um mecanismo de compactação de informação, que serve o propósito de facilitar o processamento da imensidão de estímulos que rodeiam o indivíduo.
1.1.2.1. Fatores psicossociais e a estruturação cognitiva dos estereótipos.
Segundo Spears e Haslam (1997), numa abordagem dos estereótipos mais focada em processos psicossociais, como os que derivam da teoria da identidade social proposta por Tajfel, procura-se uma abordagem mais integradora e menos reducionista, baseada na forma como as relações intergrupais e outros fatores sociais, estruturam os aspetos cognitivos do processo de estereotipia, realçando-se tanto os aspetos funcionais, como os de significação. Nesta perspetiva, a categorização social não é vista como um mecanismo de redução da informação, mas antes como um mecanismo que permite ao percipiente ir para além da informação dada. Medin (1988, cit in Spears & Haslam, 1997) chega ao ponto de dizer que, contrariamente à perspetiva do categorizador como um avarento cognitivo (cognitive miser, no original em inglês), a categorização é, justamente, o processo que permite ao sujeito lidar com a escassez de informação presente em determinada situação social, de uma forma adaptativa e funcional.
Contestando uma perspetiva cognitivista dos estereótipos, enquanto dispositivos ao serviço de uma necessidade de economia cognitiva, Spears e Haslam (1997), apresentam argumentos que atribuem uma “carga cognitiva” idêntica, tanto ao processamento “individualizado” da informação, quanto ao processamento de categorização, referindo que a “carga cognitiva” está mais relacionada com a maior ou menor adequabilidade da estratégia de processamento utilizada no contexto específico em que esse processamento está a ocorrer. Isto é, num determinado contexto pode ser cognitivamente mais económico (adequado) utilizar uma estratégia de processamento da informação mais individualizada, enquanto num outro contexto pode ser cognitivamente mais económico utilizar uma estratégia de processamento mais categorial. Ao contrário de serem vistos como atalhos informacionais, os estereótipos pressupõem da parte do percipiente um esforço adicional no sentido de fazer sentido da situação-estímulo em que se encontra, de uma forma que seja contextualmente
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adequada, tendo de escolher de entre um conjunto de categorizações alternativas, aquela que, naquele contexto em particular, é a que confere maior sentido à situação.
Estes autores sugerem que a “preguiça” e o concomitante viés tradicionalmente atribuídos ao processamento categorial da informação, decorre do facto das categorias serem tradicionalmente representadas como estruturas fixas. Se a categorização social for teorizada enquanto processo mais flexível de construção em contexto, então essa economia cognitiva deixa de ser tão indexada a um processamento categórico da informação.
Para Spears e Haslam (1997) existe de facto uma relação inversa entre carga cognitiva e capacidade de processamento de informação, tanto para um processamento mais individualizado, quanto para um processamento mais categórico, em que a uma maior carga corresponde um decréscimo na capacidade de processamento da informação. Contudo, consideram que pode existir uma certa vantagem em termos de solicitação mnésica, quando o processamento é categórico, uma vez que as categorias utilizadas neste tipo de processamento são mais inclusivas. Mais ainda, a respeito das limitações em termos do sistema de memória, referem que à incapacidade em processar a informação em termos mais individuais (devido a sobrecarga cognitiva) não corresponde inevitavelmente uma motivação para estereotipar.2
Ellemers e Van Knippenberg (1997) também fizeram uma análise que contesta o caráter relativamente estático atribuído aos estereótipos nas abordagens cognitivistas. Estes autores, na mesma linha de de Spears e Haslam (1997), defendem que os estereótipos têm uma natureza relativamente flexível. Segundo estes autores, há quatro fatores que influenciam a perceção de grupos sociais e que, em consequência, podem ter impacto tanto na manifestação de estereotipia, como no conteúdo estereotípico ativado. Isto é, são fatores que contribuem para a flexibilização do processo de estereotipia e dizem respeito aos seguintes processos: (1) a saliência das categorizações sociais, (2) o grau de envolvimento do percipiente, (3) as diferenças de estatuto social existentes entre os grupos e (4) a relevância das dimensões estereotípicas.
Segundo Ellemers e Van Knippenberg (1997), consoante a saliência das
categorizações sociais, o mesmo grupo pode ser percecionado de forma diferente,
dependendo da categorização mais saliente, nomeadamente quanto ao nível de categorização
2 No entanto Spears e Haslam (1997) referem que esta economia mnésica deve ser vista mais como um aspeto incidental
deste tipo de processamento, do que como a razão na base do mesmo, como preconizam as abordagens cognitivistas do
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mais saliente, quanto à saliência de categorizações alternativas no mesmo nível de abstração, ou quanto à saliência de uma categorização específica, dada a natureza e número de grupos de comparação disponíveis. O grau de envolvimento do percipiente, nomeadamente, a medida em que a sua identidade social está em jogo na situação, é também um importante fator a ter em conta. Percipientes pessoalmente envolvidos na situação tendem a manifestar maiores níveis de estereotipia e a ativar conteúdo estereotípico mais consistente com uma autoimagem mais positiva enquanto membro do grupo.
Segundo aqueles autores, as diferenças socio-estatutárias existentes entre grupos podem restringir as perceções acerca do que é consensualmente aceitável nos processos intra e intergrupais, nomeadamente nos processos de auto e de heteroestereotipia (tanto ao nível do conteúdo estereotípico, quanto ao nível da sua manifestação). Por exemplo, membros de grupos com um estatuto inferior podem, simultaneamente, estar motivados para a obtenção/manutenção de uma identidade social positiva, ao mesmo tempo que se inibem de manifestar (em presença de um exogrupo relevante e estatutariamente superior) os enviesamentos grupais necessários para a alcançarem, devido aos constrangimentos ao seu estatuto, impostos pela estrutura social onde os grupos se integram.
No entanto, segundo Ellemers e Van Knippenberg (1997), estas tensões entre motivações diferentes podem ser resolvidas de várias formas, as quais demonstram a
relevância das dimensões estereotípicas (tanto no número, como no tipo de dimensões
relevantes) na forma como os grupos são percecionados. Efetivamente, comparações unidimensionais tendem a tornar mais difícil o estabelecimento de um diferencial intergrupal positivo para o grupo de estatuto inferior. Por esta razão, uma estratégia mais “funcional” para este tipo de grupos é o recurso a comparações sociais multidimensionais, que incluam traços onde esse grupo possa ser visto como superior. Assim, dependendo das dimensões de comparação em jogo, os membros de grupos com estatuto inferior podem, simultaneamente, demonstrar que reconhecem as diferenças existentes entre os grupos (e que a estrutura social lhes impõe), ao mesmo tempo que, de forma criativa, se aproveitam da ambiguidade existente no contexto comparativo noutras dimensões de comparação.3 Para Ellemers e Van
Knippenberg (1997) esta flexibilidade dos estereótipos é essencialmente adaptativa, servindo importantes funções, tanto individuais, como sociais.4
3 Mais adiante, na secção “Identidade social e estrutura social” (p. 61 e ss.), Hogg e Abrams (1992), apresentam mais em
detalhe o tipo de estratégias que podem ser utilizadas para aumentarem a distintividade social intergrupal.
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A respeito da variabilidade inerente dos estereótipos, e contestando a perspetiva cognitivista que os descreve como um mero conjunto de traços associados a categorias sociais, Reicher, Hopkins e Condor (1997) concluíram que os estereótipos são, acima de tudo, explicações da realidade social e que a sua variabilidade é utilizada como uma estratégia de influência social. O conteúdo estereotípico associado a determinada identidade social, pode servir para influenciar os membros detentores dessa identidade social a comportarem-se de uma determinada forma, de acordo com determinados interesses. Isto é, não só o estereótipo pode servir para explicar determinado comportamento, como pode servir para elicitar determinado comportamento. Dito de outra forma, como aqueles autores sugerem, a relação entre contexto e categorias não é unívoca, antes recíproca, isto é, as categorias são criadas a partir do contexto (função explicativa), mas o contexto é, também ele, criado a partir das categorias (função de influência social).
Um outro aspeto estrutural dos estereótipos é a sua natureza essencialmente
partilhada. Segundo Haslam (1997), muito embora o conteúdo estereotípico atribuído a
determinado grupo possa variar ao longo do tempo (e possa variar também em função do grupo que estereotipa), existe, ainda, assim um considerável consenso acerca do conteúdo estereotípico atribuído a determinado grupo estereotipado, num dado contexto socio- temporal.
As abordagens cognitivistas dos estereótipos, dada a sua natureza individualista, embora contribuam de forma importante para a compreensão dos processos associados à criação dos estereótipos, não contemplam suficientemente os aspetos coletivos dos estereótipos. Nestas abordagens, o consenso estereotípico é explicado a partir da existência de experiências comuns, que os membros de determinado grupo experienciam e que geram informações similares que, através dos processos genéricos da cognição, são traduzidas nos estereótipos partilhados. No entanto, segundo Haslam (1997), esta explicação não dá resposta suficiente à questão do consenso, uma vez que são muitos os casos em que indivíduos atribuem significados distintos a experiências/informações semelhantes (situações de conflito bélico, por exemplo) e, por outro lado, os indivíduos têm alguns estereótipos, sem terem tido qualquer experiência relevante com o grupo alvo do estereótipo.
As abordagens sociais, como por exemplo, a teoria das representações sociais de Moscovici (1984, cit in Haslam, 1997), por outro lado e baseando-se nessa limitação das abordagens cognitivistas, propugnam que os sujeitos organizam a informação de forma semelhante se partilharem teorias explicativas da realidade. Segundo Augoustinos (1991, cit
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in Haslam, 1997), não só teorias explicativas comuns contribuem para significações idênticas de informações, como essas mesmas representações sociais comuns servem importantes funções sociais, como por exemplo, a manutenção de uma identidade social positiva, que pode ser alcançada por membros de grupos diferentes, através da acentuação de distintos diferenciais.
Na designada abordagem da identidade social, a conceção destas funções sociais dos estereótipos, constitui-se como o cerne explicativo da emergência dos mesmos.