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LA LIGNE DU GOTHARD

Dans le document ïi II 1883 (Page 173-182)

Desde a infância, o indivíduo reconhece a importância do trabalho para a sua vida e a identidade vocacional torna-se uma parte importante da sua identidade geral. Ter um emprego valorizado pela sociedade – e ter sucesso no desempenho do mesmo – aumenta a sua auto-estima e facilita o desenvolvimento do sentido de uma identidade segura e estável (Mussen, Conger, Kagan & Huston, 1995). No entanto, na sociedade globalizada em que se encontram, com mudanças e transformações cada vez mais céleres, os jovens sentem-se pressionados pela própria complexidade do mercado de trabalho (Fontaine, 1991; Sprinthall & Collins, 1994).

A adolescência, como fase desenvolvimental onde há o desapego da infância e a entrada progressiva na idade adulta, é essencial para o crescimento e maturação física e psicológica, na qual o indivíduo procura construir de forma pró-activa a sua identidade, afirmando-se como um ser independente, autónomo, diferente do outro e com necessidades, capacidades e interesses específicos (Papalia, Olds & Feldman, 2001). Este é um período no qual a mudança é a principal novidade e o crescimento vivenciado resulta da combinação de alterações biológicas, sociais, cognitivas e afectivas, desenvolvendo-se desde a puberdade – mutações fisiológicas – até a um importante acontecimento psicossocial – autonomia em relação aos pais. É deste período conturbado e em permanente evolução que surgem frequentes dúvidas, questionamentos, confusões e conflitos, culminando com a definição da própria identidade e a consequente assumpção de papéis e responsabilidades característicos da adultez (Campos, 1990, 1991).

26 Esta fase coincide com a necessidade dos jovens assumirem uma postura perante a sociedade, tendo que optar por um ou outro percurso formativo-profissional a ser seguido. No início da adolescência, o jovem sente-se alienado do seu projecto de vida, vivendo, na maioria das vezes, na ilusão, na fantasia e no sonho. Contudo, paralelamente a este estado de delírio, ele vai conquistando a sua própria identidade e compreendendo as suas singularidades, tendo a necessidade de definir, conhecer e tomar uma primeira decisão sobre a eventual profissão a seguir, com base na sua realidade pessoal e sociocultural (Papalia, Olds & Feldman, 2001). A compreensão do mundo profissional e o ajuste salutar do indivíduo a esse mundo é um dos principais objectivos do indivíduo, em geral, e do adolescente, em particular e, por volta dos 14/15 anos de idade, o mesmo vê-se confrontado com a necessidade de tomar uma importante decisão escolar e, perante a multiplicidade de profissões e formações, é vítima da multiplicidade de estados de confusão, ambivalência e frustração (Carmo & Costa, s/d).

Para o adolescente, todos os momentos de tomada de decisão, que não apenas os vocacionais nos momentos de transição, representam duas situações de crise: uma situação característica da fase desenvolvimental na qual se encontra – adolescência – por todas as questões, dúvidas e metacognições a ela associadas, e outra, por esta ser uma fase de menor ajuste emocional que requer uma tomada de decisão importante para o tracejar do seu percurso escolar e de todos os agentes a ele associados (Osipow & Reed, 1985).

Toda a conjuntura em que os adolescentes se integram coloca um forte desafio à escola, enquanto contexto de vida significativo. Uma das suas missões, através dos serviços de Orientação, passa pela criação de condições para que o adolescente se conheça melhor e desenvolva o processo de exploração da carreira, através da adopção de uma atitude efectiva de auto-determinação (Pimenta, 1981). A preparação do jovem adolescente para a vida profissional, como meta do sistema educativo (Diéguez & Gonzalez, 1995, cit. por Königstedt & Taveira, 2010) deve reflectir-se numa perspectiva desenvolvimentalista de carreira, recorrendo a um conjunto de estratégias diversificadas, como actividades de coordenação, gestão e consultoria, realização de seminários, visitas de estudo, experiências laborais breves, actividades de pesquisa de informação, etc. (Königstedt & Taveira, 2010). Através do processo de Orientação Vocacional, o adolescente conhece-se melhor, percebendo as suas identificações, características e particularidades, ampliando e transformando a sua consciência e adquirindo melhores condições para organizar os seus projectos de vida, minimizando as fantasias. A Orientação ultrapassa o momento de “descoberta” da profissão a seguir, sendo antes, um processo onde brotam conflitos,

27 estereótipos e preconceitos que devem ser trabalhados para a sua superação, onde a desinformação é enfrentada e são traçados possíveis caminhos, à medida que o auto- conhecimento adquire o status que se constrói na relação com o outro e não como algo que se obtém a partir de uma reflexão isolada, desligada da realidade social ou através, apenas, de um esforço pessoal (Bock & Aguiar, 1995).

As estratégias de actuação vocacionais, integradas no contexto económico-social em permanente mudança, independentemente das concepções teóricas, das metodologias e das técnicas utilizadas, devem integrar nas suas estratégias de actuação, as diferentes dimensões (emocionais, cognitivas, relacionais, contextuais) de cada indivíduo, no sentido de promover o desenvolvimento de competências para lidar com a metamorfose social actual. Antes de mais, através das mesmas, urge dar a conhecer ao indivíduo, o cenário real do mundo actual e transmitir-lhe uma perspectiva adaptativa do desenvolvimento pessoal e social ao contexto envolvente (Barros, 2010). Nos dias de hoje, o percurso pessoal do indivíduo é traçado a partir de mudanças consecutivas, pessoais e/ou profissionais, as quais exigem a capacidade do mesmo adaptar-se a elas, vezes e vezes seguidas e é o seu sentido de identidade pessoal, o seu auto-conhecimento, a sua capacidade de adaptação, o desenvolvimento de estratégias de coping claras e bem definidas, a capacidade de resiliência e as suas competências sociais e emocionais que lhe permitem aquietar-se e saber lidar com as permanentes incertezas (Silva, 2002; Betz, 2008).

O facto da Orientação (que não assente apenas na vertente psicométrica e/ou informativa) poder ocorrer mais precocemente (exemplo, nos 7º ou 8º anos) parece conferir ao curriculum um maior significado pelos alunos, ao estabelecerem uma ligação entre o que aprendem e como aprendem num dado momento, bem como as implicações que essas aprendizagens têm futuramente – na viabilidade dos percursos escolhidos ou dos conhecimentos-base, necessários ao exercício de uma determinada profissão. Esta transversalidade da intervenção em Orientação não deve limitar-se ao factor temporal, mas concretizar-se através de um processo de educação para a carreira, ao longo da escolaridade, sendo conseguida através de um trabalho de cooperação entre os vários elementos da comunidade educativa, alargando os momentos, espaços, e intervenientes no processo de Orientação, bem como os limites da escola, criando uma rede alargada de parceiros (Leão, 2007).

O processo de Desenvolvimento Vocacional, como um processo holístico, não centrado apenas no aluno mas também em toda a dinâmica e organização escolar e no tipo de interacção estabelecido entre os alunos e a comunidade (ibidem) deve, também, manter

28 acesa a preocupação com a justiça social e com a disponibilização global no acesso às oportunidades por todos os indivíduos, seja qual for a sua origem cultural, étnica, sexual e religiosa (Metz & Guichard, 2009, cit. por Barros, 2010).

Neste sentido, a Orientação Vocacional representa o processo de Desenvolvimento Vocacional, este incluído no Desenvolvimento Pessoal e Social dos Jovens (Fonseca, 1994).

3.3. A concepção de Carreira e a Exploração Vocacional pela Educação para a

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