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La convocation régulière d’une Assemblée légitimement constituée

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SECTION 2 : U NE TRANSITION « DEMOCRATIQUE » PREPARANT LA C ONSTITUTION

B) La convocation régulière d’une Assemblée légitimement constituée

189 MIRANDA, Manoel. [carta] 23 set. 1912, Rio de Janeiro. [para] ABBOTT, Raul. Ibirama. 1f. Plano operacional e negociação de terras para os Xokleng.

contato amistoso entre os funcionários do SPI e os Xokleng, ocorrido entre 1911 a 1912. Contudo, de acordo com Coelho dos Santos, certa vez Fioravante sentou-se à mesa com fazendeiros – os mesmos que em outros tempos perseguiram e mataram vários indígenas; e o sertanista confirmou para os Xokleng a sua amizade com os antigos inimigos. Esse teria sido o motivo para que os indígenas resolvessem atacar e matar a todos.

Depois do acontecido, os Xokleng foram recontatados somente no ano de 1918, dessa vez por João Serrano.190 Então, temos que Fioravante morreu assassinado por desconhecer os hábitos culturais do povo que protegia, afinal, não houve tempo hábil para que um aprendizado fosse construído. Ele confiou totalmente nos indígenas e nas boas intenções do Serviço, tanto que morreu crédulo em sua nobre causa, no decorrer do ano de 1912. Podemos também supor que quando Miranda escreveu a Abbott, no mesmo ano, a morte de Fioravante Esperança ainda não tinha acontecido, pois, caso contrário, não haveria razão para expressar, na missiva citada, tanto otimismo e entusiasmo. Contudo, o inspetor Abbott também não possuía nenhum conhecimento, mesmo que mínimo, a respeito dos indígenas que pretendia encontrar e aldear.

No mês de agosto, ao completar seis meses como Inspetor Regional, Abbott foi solicitado pelo engenheiro chefe da Repartição Geral de Telégrafos, Adolpho Goeldner, para tomar providências em relação às investidas indígenas nos arredores de Pouso Redondo, naqueles tempos distrito de Blumenau:

Solicito-vos em nome do Snr. Director Geral as providencias que julgardes necessarias, afim de cessarem os constantes assaltos de indios pelas immediações da estação telephonica de Pouso Redondo conforme a seguinte communicação que recebia a 25 de Julho ultimo, do encarregado da estação de Indayal: “ Os indios estiveram tres dias pelos arredores de Pouso Redondo. Mataram diversos animaes pertencentes aos guarda-fios Petters e Knoblauch, levando toda a carne, temendo estes que lhe assaltem tambem suas casas. Há muitos vestigios de indios. O encarregado da estação telephonica pede communicar e solicitar providencias Inspectoria

Indios para garantir vida e propriedade.”191 Sobre esse fato, e diversos outros, o periódico Der Urwaldsbote (“O Mensageiro da Selva”) lançou críticas contundentes: alegava que a administração do Serviço nada fazia para impedir que os ataques indígenas ocorressem; questionava a impunidade garantida aos indígenas; e colocava em evidência a dificuldade dos colonos para se defender dos ataques. O jornal colocou em xeque a administração de Abbott em relação ao mesmo caso citado pelo engenheiro Goeldner:

É inegável o fiasco da catequese e torna-se cada vez maior a indignação do povo contra os catequistas. Com a exceção de poucos indivíduos que tiram proveito da proteção dos índios ou apresentam sintomas de anormalidade mental, tôda a Blumenau está convencida de que a catequese não só é inútil bem como produz maus efeitos. Os catequistas obstinam-se em alegar serem botocudos selvagens os índios que encenam os assaltos. Mas de todos os indícios resultam que são coroados meio civilizados que do Paraná vagueiam para Santa Catarina, bem sabendo que por aqui ninguém os impede de roubar e matar impunes. No inquérito policial, a que em 2 de setembro de 1912 se procedeu no Pouso Redondo, a requerimento do Superintendente de Blumenau, tôdas as testemunhas – entre elas algumas bem familiarizadas com os costumes dos índios – depuzeram unanimes terem sido coroados os matadores do gado, que lá se demoraram por quatro meses, depois contestado pelo Inspetor dos Indios, Abbot, embora êste não tivesse visto índio algum e se tivesse negado a acompanhar aqueles que o quizeram conduzir para o acampamento da horda. Também mais tarde reparou-se, em quase todos os assaltos, que os índios falavam português.192

A recusa de Abbott em acompanhar o grupo, na finalidade de

191 GOELDNER, Adolpho Alfredo. [carta] 6 ago. 1912, Repartição Geral de Telegrafos. [para] ABBOTT, Raul. Ibirama. 1f. Providências contra ataques de indígenas.

192 Blumenau em Cadernos, nº 10, tomo IX, p. 192. Trad. SILVA, José Ferreira da. Out. 1968. Apud: SANTOS, Silvio C. p.137.

averiguar sobre a que comunidade indígena pertenciam os autores daqueles ataques, auxiliou a imprensa a afirmar, de modo muito claro, que o sistema protecionista não era bem-vindo e que a sua inutilidade estava comprovada em decorrência das investidas contra os núcleos coloniais, fossem essas de autoria dos Kaingang do Paraná, ou dos Xokleng da região – conforme já havia observado o viajante alemão Lacmann. No relatório de Raul Abbott sobre os trabalhos prestados no ano de 1912, tem-se descrito que: vários picadões foram abertos com finalidade de facilitar o transporte ao distrito de Ibirama; um posto de atração foi montado às margens do rio das Pombas, atual município de Rio do Oeste, onde roças foram feitas e ranchos construídos sob a guarda do capitão Euclides de Castro – Abbott pretendia atrair os indígenas até lá e facilitar o tráfego para os moradores de Pouso Redondo que usavam a estrada para ir a Curitibanos; e também outro posto de atração foi montado na barra do rio Plate – seguindo os mesmos moldes do citado anteriormente – com a intenção de nele concentrar os indígenas que fossem contatados, para tal fim, expedições eram necessárias. Abbott, em seu relato, discorre a respeito de uma dessas expedições:

Esta inspectoria levou em Setembro uma expedição, que partindo da linha Moema desceu pelo vale do rio do Bispo affluente do Itajahy do Norte, atravessou este e com o rumo de S.SO; foi ter ao lendario morro Itayó onde supunha-se o reducto dos humildes Botocudos. Infelizmente não foi encontrado vestigio algum que demonstrasse existencia de numerosos indios nessa região, nem mesmo por alli houvesse transitado nestes ultimos annos. Encontramos acampamentos provisorios todos nas margens do rio Hercilio e de seus affluentes, o que demonstra que os indios que aqui aparecem são indios nomades, caçadores.

Embora não encontramos as (sic) de indios como desejavamos não foi de todo improficuo o nosso exforço por termos desbavado (sic) uma grande facha de sertão inteiramente virgem encontrando terras uberrimas, proprias para a agricultura, grandes hervaes, e diversos affluentes do rio Hercilio de longos cursos, qualquer delles mais volumosos do que os já conhecidos Denek, Plate,

Lais, Vigan, etc.193

Assim, através do que relatou Abbott, as atividades de sua equipe, no ano de 1912, resumiram-se em abrir picadas, instalar um novo posto de atração às margens do rio Plate bem como descrever recursos naturais e aspectos geográficos da região. Todavia, a equipe e o seu inspetor acabaram por andar na contramão dos Xokleng, pois eles não foram encontrados, fisicamente, mas apenas vestígios de suas andanças. O método de Abbott mostrava-se ineficiente para conseguir promover o encontro com os indígenas e, por isso, em seu relatório, o inspetor justificava que apesar de tal situação, o Serviço, de certo modo, estava presente para demonstrar sua atuação. Então, os levantamentos geográficos foram apontados como novidade pois se tratava de porções de terras pertencentes a uma extensa e pouco explorada Mata Atlântica, onde há poucas décadas Fritz Müller divertiu-se por anos a colher cupins e escrever relevantes e empíricos estudos ao seu colega inglês Charles Darwin. Em áreas inexploradas, sempre haverá descobertas e novidades.

Talvez Abbott, por estar habituado com os Kaingang semi- integrados de sua terra – o Rio Grande do Sul – tenha ficado abismado ao constatar que a comunidade Xokleng era nômade, caçadora e coletora, e que, por isso, os Xokleng não permaneciam por muito tempo em uma localidade específica. Conforme a denúncia do jornal Der

Urwaldsbote, Abbott não se mostrava nem um pouco disposto em ir, de fato, ao encontro dos indígenas quando eles promoviam as investidas: era praticamente impossível não encontrá-los, uma vez que, em certos casos, os indígenas permaneciam por meses a saquear as mesmas fazendas de uma determinada região. As causas que desestimulavam a ousadia de vários inspetores para realizar o contato com os Xokleng, possivelmente fossem a falta de um conhecimento preciso acerca dos costumes desses indígenas, a fama de implacáveis atribuída aos mesmos e a proibição feita ao SPI para não revidar aos seus ataques. Então, as ações dos inspetores ficavam limitadas a abrir quilômetros de picadas e a admirar a abundância de recursos naturais – isso irritou, em muito, a opinião pública da região do vale catarinense: afinal, os inspetores não conseguiam cessar asagressões praticadas pelos Xokleng.

Abbott não teve problemas somente em Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, ele também ocupava o cargo de Chefe de Inspetoria e,

193 ABBOTT, Raul. Relação dos serviços materiaes feitos pela Inspectoria de Protecção aos Indios em 1912. 2f.

em maio de 1913, precisou prestar esclarecimentos ao Chefe de Seção Manoel Tavares da Costa Miranda sobre o caso de um indivíduo contratado pelo SPI local em 1911. Esse indivíduo, Miguel de Souza Lima, estava desempregado e em condições precárias de sobrevivência, quando foi apresentado a Abbott por Rodrigo Silva, escriturário da Repartição de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul. Abbott contratou Souza Lima como professor de música e combinou com ele um salário de quatro mil réis diários. Depois de alguns dias Souza Lima solicitou dinheiro ao seu patrão para liquidar algumas dívidas. Abbott não fez o contrato por escrito e o professor alegou aos superiores do contratante que nunca havia recebido seus ordenados. Sobre Miguel de Souza Lima Abott afirma que:

Foi pago pontualmente pelo Capataz Apolo, até dezembro de I9I I [sic] e isso se deprehende de seu requerimento feito em 9 de Abril (documento n I) no qual solicitava pagamento de seus vencimentos de Janeiro e Fevereiro de 1913, e no entanto na sua petição os Snr. Ministro fez crer, que nada houvesse recebido até então!

Souza Lima, a principio portou-se bem, cuidando de instruir as meninas ensinando-lhes canto coral, leitura e contagtem, com muito aproveitamento, mas, isso durou pouco. Amaziou-se com uma india; fazia constantes passeios a villa onde permanecia 3 e mais dias, em tacatas (sic) e bailes incorporando-se aos muitos que ali receberam mal o Serviço de Protecção aos Indios, por interesses mal contidos; fazendo contas em nome da Inspectoria na casa commercial dos snrs. Guilherme Luiz Soarrys pharmacia do Dr. Walter Bobrick e por conta propria em muitissimas outras como verificasse pelos documentos nos. 2 e 3 juntos a este.194

Antes mesmo do encontro do SPI com os Xokleng, os inspetores, além de enfrentar problemas típicos da burocracia brasileira, precisavam ainda resolver empecilhos causados por maus funcionários que se aproveitavam dessa instituição idealista. Ocorrências como a de Souza Lima prejudicavam todo o empenho das pessoas que acreditavam na

194 ABBOTT, Raul. [carta] 25 abr. 1913, Florianópolis. [para] MIRANDA, Manoel T. da Costa. 3f. Explicações sobre dívidas contraídas do funcionário Miguel de Souza Lima.

ação missioneira do Serviço e que lutavam para conquistar os seus objetivos. O governo era inerte: pouca diferença fazia se o SPI estava ou não cumprindo suas metas. Já para os servidores do SPI engajados em um objetivo comum acontecia justamente o contrário: eles confiavam numa obra patriótica e nobre que, uma vez cumprida, poderia fazer grande diferença à nação. Esse era o motivo que os impulsionava a encontrar energia para suportar a imprensa pessimista, conquistar populares desacreditados, excluir servidores estelionatários e, por fim, encontrar os Xokleng – para então “começarem” a trabalhar!

Não obstante, em julho de 1913, o Capitão Euclides de Castro, que ocupava o cargo de Auxiliar da Inspetoria de Índios, sendo ele e sua tropa os responsáveis pela segurança dos serventuários, recebeu o seu pedido de exoneração, concedido diretamente pelo ministro da Agricultura, Pedro de Toledo. Embora o documento não apresente preservada a assinatura de quem o registrou, é possível supor, pela escrita e pelo cargo que ocupava na época, que o próprio Abbott o assinou. Além disso, ele fez mais alguns pedidos ao exonerado militar: “Me prestaríeis especial obsequio, informando-me do destino dado aos vencimentos do trabalhador Nilo José de Abreu, que antes de haver sido pago, fugou perseguido pela policia deixando seus credores em falta alguns segundo consta, afiançados por vós”.195 Ao que parece, o capitão

solicitou sua retirada do Serviço porque percebeu que promover o encontro com os Xokleng seria apenas o início de um grande problema; afinal a própria formação estrutural do SPI contava com funcionários inadequados, muitas vezes civis, o que leva a supor que os mesmos não estavam sob as ordens hierárquicas do Exército.

O capitão Euclides de Castro, segundo o próprio Tenente José Vieira da Rosa, era conhecido como “O Canudinho”. Quando serviu num Posto de Atração nas proximidades do atual município de Rio do Sul, o capitão Canudinho todas as noites instalava um gramofone nas árvores próximas ao posto a fim de atiçar a curiosidade dos Xokleng embrenhados na selva, uma vez que a principal ideia era atraí-los. Para não correr riscos de uma flechada traiçoeira, nas noites escuras e muitas vezes tempestuosas, o militar utilizava, no interior de seu esconderijo, uma longa vara oca, ela atravessava a parede, para que pudesse realizar suas necessidades mictórias. Apesar de esse relato ser de autoria do tenente Vieira da Rosa, o mesmo considerava injusto chamar o capitão Euclides dessa maneira, querendo dizer que a pessoa responsável por tal

195 ABBOTT, Raul? [carta] 07 jul. 1913, Hamonea. [para] Capitão Euclides de Castro. 1f. Informe do pedido de exoneração e problemas de dívidas.

alcunha certamente nunca precisou permanecer no meio do mato à espera de indígenas.196

Em agosto de 1913 novos ataques aconteceram no Posto Krauel e um indígena foi baleado, o que causou extrema irritação aos Xokleng. Dr. Manoel Miranda, Inspetor Raul Abbott e Eduardo Hoerhann foram até ao posto para tentar estabelecer o primeiro contato amistoso com os indígenas atacantes. Quando lá chegaram se depararam com uma turma de funcionários revoltados e apavorados que exigiam melhores condições de trabalho. Mesmo com o aumento da diária oferecido por Abbott na ocasião, muitos funcionários resolveram deixar o Serviço, e essa teria sido a verdadeira intenção do protesto. Entre esses funcionários estava um alemão de nome Johann Horak, ao qual Hoerhann havia aconselhado a partir à noite, uma vez que os ataques na escuridão eram raros. Horak não atendeu ao pedido e partiu com mais dois colegas que eram irmãos, Hermann e Max Hoppe. Passados cerca de vinte minutos após a retirada, os irmãos retornaram totalmente aterrorizados e informaram que Horak havia sido alvejado no peito pelos indígenas. Somente à meia-noite três funcionários do posto – totalmente cercado pelos Xokleng – saíram em busca de auxílio para o resgate do corpo. Eduardo Hoerhann anotou que, apesar de fortemente armados, os funcionários estavam em pânico e muitos confeccionaram armaduras com latas de querosene. O corpo de Horak só foi resgatado após a chegada da comitiva – ele havia sido despido pelos atacantes, com a exceção dos sapatos, possuía um ferimento de 5,5cm entre as costelas esquerdas e a flecha atingira diretamente o coração. Sobre o fato, Eduardo Hoerhann escreveu:

Estando tudo pronto pusemo-nos em caminho, sendo eu o último a deixar o Posto, pois ainda uma vez quis ver o interior da casa, que causava melhor impressão. A viagem era vagarosa e maçante, pois os dois homens que carregavam o corpo eram constantemente substituídos, não aguentavam muito, não só por ser o cadáver de um homem gordo e muito pesado, como também por ser o caminho péssimo, cheio de altos e baixos. Afinal chegamos às 4 horas da manhã seguinte em casa de um colono onde deixamos o corpo e pernoitamos. Mandou-se encomendar um caixão, avisar a viúva, arranjar carroças, etc.

Às 10:40 chegou o caixão, acomodamos o corpo, pusemos flores, Etc. Às 11 horas chegaram a viúva e o filho de Horak. A autoridade tomou conhecimento do fato; e, em seguida, partimos para o cemitério onde o Sr. Miranda com toda sua bondade, procurou acalentar a viúva, e rendeu todas ashomenagens ao morto.

Todas as despesas foram pagas pela Inspetoria.197 Segundo um levantamento feito pelo Der Urwaldsbote, em três anos os indígenas mataram oito pessoas – entre elas uma mulher e duas crianças – e feriram nove; abateram cerca de setecentos animais; saquearam sete residências, sendo que algumas foram incineradas; e por duas vezes atacaram os postos de atração. Além disso, o pavor em relação a novos ataques fazia com que os fazendeiros se mantivessem, durante meses, distantes de suas plantações, o que acarretava um prejuízo incalculável para a produção agrícola:

Eis o ajuste de contas dos três anos de atividade de catequese em Santa Catarina.

Todos estão de acôrdo conosco que disso ninguém se pode pavonear. Está palpável o mais completo fiasco, e o governo bem fará em tomar outro rumo para domesticar e civilizar os índios. Êsses resultados da catequese apenas podem comprometer a boa fama do país e diminuir a imigração.198

De acordo com Coelho dos Santos, as pesadas críticas proferidas pelo periódico abalaram a moral dos funcionários do SPI. Não obstante, os Xokleng recém haviam atacado um dos postos de atração e matado um trabalhador, o alemão Horak. Então, os funcionários foram retirados do Posto Plate e, na sequência, o mesmo foi destruído pelos atacantes. Em seguida, Manoel Miranda viajou para o Rio de Janeiro, enquanto Abbott e os seus principais auxiliares solicitaram as devidas demissões.

197 HOERHANN, Eduardo. [carta] 1913, Hammonia. [para] HOERHANN, Miguel. Rio de Janeiro. In: WIESE, Harry. De Neu-Zürich a Presidente Getúlio. Uma História de Sucesso. Rio do Sul: Empresa Editora Jornal Nova Era Ltda, 2000. Em contato com o autor desta tese, Wiese afirmou ter conseguido a carta através de Vitor Lucas, escritor de Rio do Sul, que a transcreveu.

198 Blumenau em Cadernos. t. IX, n. 10, out. 1968. p. 192. Trad. José Ferreira da Silva. Apud: SANTOS, Silvio C dos.. p. 142.

A inspetoria foi incorporada à do Paraná e em Hansa permaneceram apenas três funcionários: Eduardo Hoerhann,199 talvez Hugo Straube e

Mancio Ribeiro.200

Hoerhann foi admitido no Serviço em 16 de maio de 1912 como auxiliar de fotografia,201 na diretoria, com quinze anos de idade – embora na ficha funcional202 conste como data de seu nascimento 29 de agosto de 1892. O ano indicado na certidão de nascimento original é 1896, ele foi modificado para que Hoerhann pudesse ingressar no SPI na condição da maioridade penal. No mesmo documento, consta apenas

Eduardo Hoerhann, posteriormente foi adicionado o sobrenome materno Lima e Silva. Em torno de 1930, Eduardo passou a assinar em seus documentos Eduardo de Lima e Silva Hoerhan, sendo que, por motivos desconhecidos retirou um n do apelido austríaco de família e dessa forma repassou-o aos seus descendentes. Comtudo, alguns deles preferiram manter o apelido em sua forma original, a saber: conforme fôra registrado pelo patriarca Miguel Hoerhann quando chegou ao Brasil, na segunda metade do século XIX.203 Quanto à pronúncia, temos

Rêr-ran – essa germânica, ou Ôérran – esta ao modo florianopolitano de Sílvio Coelho dos Santos, como pude observar quando o entrevistei em 1999.

Sendo assim, Eduardo Hoerhann ingressou no Serviço com apenas 15 anos de idade. Vivia num ambiente urbano e sua família possuía tradição militar que ligava o Brasil à Áustria. Ele admirava seu tio-bisavô Luis Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, e com isso, possivelmente, almejou uma vida diferenciada – leia-se aqui: em prol de uma causa – distante do conforto de sua residência em Petrópolis no Rio

199

SANTOS, Silvio Coelho dos. p. 142.

200 As duas missivas de julho de 1914 de Straube para Hoerhann mostram os fortes laços de amizade existente entre os dois, e também apresentam as atividades prestadas por Straube ao Serviço. Ribeiro fotografou Hoerhann, o Kaingang Preyê, sua esposa e filha em uma expedição à canoa, em fevereiro de 1914. As informações repassadas aqui constam no verso dessa fotografia. 201 De acordo com os anexos da obra Um grande cerco de paz de Souza Lima,

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