1. Orientation des recherches sur les relations entre l’être humain et l’animal
1.4 L’Umwelt du chien
1.4.3 L’olfaction
Uma sociedade acessível contribui para melhorar a qualidade de vida e bem estar de todos os cidadãos, principalmente das pessoas que apresentam algum tipo de deficiência. Assim, as adaptações ou novas edificações, produtos ou ambientes devem ser concebidos do ponto de vista do design universal, possibilitando que tudo possa ser utilizado por todos.
Essa acessibilidade, no que se refere principalmente às pessoas com deficiência, deve partir das suas residências, tornando o ambiente seguro e utilizável, permitindo que o deficiente realize suas atividades da vida diária de maneira independente e autônoma. Pois garantir uma plena acessibilidade é um aspecto essencial para a qualidade de vida de todos os cidadãos.
Quando o termo deficiência começou a ser utilizado, aplicava-se apenas em relação ao ambiente construído e se referia apenas às barreiras arquitetônicas encontradas nas edificações, sendo frequentemente igualada à “eliminação de barreiras”. Não há como negar que as cidades e as edificações eram vistas como lugares perigosos, cheios de armadilhas e obstáculos a serem enfrentados, que exigiam enormes doses de disposição e paciência diárias, causando uma inevitável e negativa sensação de impotência e impossibilidade aos usuários.
O objetivo proposto na presente pesquisa que consistia em gerar recomendações e adequações do ambiente residencial dos alunos e pacientes da APAE a partir das suas percepções e de observações sistemáticas do pesquisador, foi alcançado pela aplicação dos questionários e registros das residências, os quais revelaram, por parte dos entrevistados, uma imensa vontade em viver em sociedade e de forma autônoma e desempenhando as suas tarefas de forma independente. Por outro lado, a pesquisa revelou na amostra estudada uma baixa consciência perceptiva com relação à adaptação da residência às suas limitações.
São poucas as questões sobre acidentes domésticos envolvendo as pessoas com deficiência. Na literatura não há registros científicos voltados para essa área, porém com a realização do estudo, foi evidenciado que as quedas correspondem a mais de 50% dos casos de acidentes domésticos envolvendo as pessoas com deficiência física e intelectual leve, ocorrendo com maior frequência nos banheiros devido a ausência de adequações projetuais para ambientes destinados a pessoas com deficiência.
Como resultado da pesquisa, percebe-se que, em sua maioria, os deficientes físicos e deficientes intelectuais entrevistados, encontram-se parcialmente integrados em seus ambientes domésticos, sentindo-se acolhidos e seguros, descartando a possibilidade de uma adequação da sua residência. Quando levado em consideração a opinião dos entrevistados, essa não percepção da necessidade de uma adequação parte, muitas vezes, por questões de costume. Por
outro lado, mesmo os familiares percebendo essa necessidade de adequação, não realizam as modificações necessárias devido questões financeiras, pois mais de 90% possuem baixa renda. Porém, todos devem ser conscientizados que a adequação ambiental é uma questão de segurança física e qualidade de vida, e por isso se faz necessária a sua implementação como prevenção de acidentes.
O que norteou o presente estudo foi o sentido da percepção, processo fisiológico, físico e neurológico pelo qual o indivíduo interpreta estímulos sensoriais. O histórico de vida contribui para delinear a forma pela qual a pessoa responde e interpreta os estímulos à sua volta. Assim, a questão da percepção em pessoas com comprometimento físico e/ou intelectual é complexa, pois envolve uma história de vida com dificuldades, superações rejeições, lentificações, dificuldades a responder novos estímulos, e tudo isso torna o advento da mudança um fato desestruturador, que se trata de uma quebra de referencial daquilo que lhe é conhecido e acostumado e para aprender a lidar com algo novo.
Foi perceptível durante a pesquisa o quanto o deficiente físico e o deficiente intelectual sentem-se felizes quando capazes de conduzir sozinhos determinadas atividades de forma independente. Essa capacidade concorre para o sentimento de que ele é útil e que suas ações possuem validade. Um dos entrevistados fez o seguinte comentário:
“gosto quando estou na escola (APAE) porque lá consigo me deslocar sozinho (na cadeira), quando chego em casa dependo da minha irmã para tudo pois minha cadeira não passa da sala”.
Infelizmente, apesar do prazer sentido na forma autônoma de conduzir a sua vida, a maioria dos deficientes que participaram do estudo não consegue perceber a importância da adequação ambiental às suas condições físicas, podendo este fator ser justificado pela resiliência e pelo fato de acharem que eles que devem se adaptar ao ambiente.
A hipótese levantada na pesquisa de que pessoas com deficiência física e intelectual não conseguem perceber que os equipamentos e mobiliário das suas residências, são distribuídos de maneira inadequada, não sendo condizentes com as suas necessidades físicas, tende para uma confirmação através das respostas relacionadas ao nível de satisfação de adequação das moradias.
Com os resultados obtidos na pesquisa, observou-se que a maioria (79%) das pessoas com deficiência física e intelectual leve considera a sua residência adequada às atividades da vida diária. Com essa percepção, não vislumbram a necessidade de adaptações na residência e passam a se adaptarem aos espaços e equipamentos os quais se relacionam no dia-a-dia, ocasionando lesões corporais, redução das suas atividades diárias e se posicionando de forma
suscetível a acidentes domésticos. A pesquisa revelou que 94% dos entrevistados sofreram acidentes em suas casas.
Tanto as soluções de adequação dos espaços residenciais como a percepção da inadequação são fatores muito complexos, principalmente quando relacionados às pessoas com deficiência. É preciso que os projetistas considerem que essas pessoas com deficiência muitas vezes não conseguem perceber as barreiras domésticas que se impõem perante ele, em outras situações já se encontram acomodados, o que foi possível verificar na pesquisa. Deve-se, pois, remover barreiras a partir da criação do projeto, utilizando-se os princípios do Design Universal, minimizando os custos posteriores com adaptações e contribuindo para a qualidade de vida das pessoas com deficiência, pois as adaptações serão feitas de forma gradativa.
Quando os critérios do Design Universal são adotados na concepção dos espaços residenciais, o ambiente torna-se acessível, o que possibilita a inclusão e, consequentemente, a utilização do ambiente por qualquer tipo de usuário, garantindo às pessoas com deficiências, sua autonomia e independência na realização das atividades diárias.
As questões norteadoras que fundamentaram a pesquisa revelaram que existe um vasto campo para o desenvolvimento de trabalhos científicos na área da ergonomia com foco na percepção do usuário com deficiência, na forma como o estado físico, mental e principalmente o psicológico dos deficientes influencia o seu ambiente doméstico. As limitações funcionais, a lentificação nas tomadas de decisões como também os aspectos relacionados com a afetividade desenvolvida pelo ambiente podem influenciar e orientar as adequações projetuais. Essa área de interseção entre as áreas de saúde e a ergonomia, no âmbito desse universo, é uma área que merece ser bastante explorada.
A deficiência física é vista como uma desvantagem, resultante de um comprometimento ou de uma incapacidade, que limita ou impede o desempenho motor. Já o deficiente intelectual apresenta o funcionamento intelectual geral significativamente abaixo da média, com limitações associadas a duas ou mais áreas de conduta adaptativa ou da capacidade do indivíduo em responder adequadamente às demandas da sociedade. Por isso, é complicado trabalhar com pessoas que apresentam esses comprometimentos. Uma das dificuldades da pesquisa consistiu na aplicação dos questionários, pois alguns sentiam-se inseguros nas respostas, outros porque não queriam demonstrar que apresentavam determinadas limitações. Houve também casos em que os familiares não aceitavam abrir as portas das suas casas para os registros, por vergonha de ser humilde ou temendo algum tipo de repreensão. Por outro lado, vários entrevistados ficaram muito felizes em participar do estudo, e juntamente com os seus familiares fizeram o possível para colaborar com o andamento da pesquisa, acolhendo de forma
calorosa em suas residências.
O resultado da pesquisa foi bastante enriquecedor no sentido de voltar o olhar para essa parte da população no âmbito da sua percepção, conhecer os seus anseios, estudar como as barreiras arquitetônicas podem causar perturbações no ambiente doméstico e, a partir dessas constatações, realizar orientações fundamentadas aos próprios usuários visando à melhoria da qualidade de vida e a segurança das pessoas com deficiência.
A pesquisa retratou que a matéria percepção de pessoas com deficiência e acidentes domésticos envolvendo a pessoa com deficiência não foi ainda bem discutida na comunidade científica. Os trabalhos pesquisados nesta matéria são na sua grande maioria na área de saúde, onde existem diversos trabalho sobre as limitações das pessoas com deficiência física e intelectual, suas causas, tipos, comprometimentos e legislação destinada a essa parte da população. Há também um grande acervo sobre acidentes domésticos envolvendo idosos e crianças. O campo da ergonomia que se relaciona à acessibilidade em residências e aos acidentes domésticos envolvendo pessoas com deficiência merece estudos mais aprofundados e é uma área que encontra-se aberta para novas investigações.
Os panfletos confeccionados serão distribuídos para os alunos, pais e frequentadores da APAE, durante a semana da pessoa com deficiência, nos dias 21 a 28 de agosto de 2015, no município de Petrolina, onde ocorrerão diversas atividades educativas como palestras e orientações sobre os assuntos abordados na presente pesquisa.
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