• Aucun résultat trouvé

Chapitre 2 : L’individualisme

2.1 L’individualisme conçu comme une tendance dynamique

A partir dos objetivos indicados e do marco teórico desenvolvido, são construídas as seguintes hipóteses:

3.10.1 Perfil das mães adolescentes e dos pais das crianças

A literatura dá ênfase a alguns fatores associados à gravidez e à maternidade na adolescência. As mães adolescentes têm mais probabilidade de serem solteiras, ter escassos recursos econômicos, problemas nas trajetórias escolares (RODRIGUEZ, 2005) e pertencer a lares com relações familiares fragmentadas (GUIJARRO et al., 1999). Espera-se encontrar entre as entrevistadas essas características.

Considerando que os fatores associados à paternidade em adolescentes são similares aos da maternidade nessa idade, são previstos aspectos semelhantes nos pais. Porém, espera-se que haja duas diferenças principais com o grupo de mães adolescentes. Por um lado, acredita-se que só uma parte dos pais das crianças são adolescentes. Por outro, como é destacado pela literatura (CHACHAM, A. S.; MAIA;

CAMARGO, 2012; HEILBORN et al., 2002), pensa-se que existe entre os pais uma maior tendência de estarem inseridos no mercado de trabalho (Hipótese 1).

3.10.2 Família da mãe adolescente nas redes de suporte

Abordagens de gênero indicam que a mulher é considerada como responsável pela criação dos filhos (MILLER, 2007). Mas ela geralmente não tem autonomia econômica, precisa de apoio para a sustentação material do filho, recursos informativos e, em alguns casos, contribuição de tempo de cuidado. Os recursos acessíveis a uma pessoa estão positivamente relacionados aos seus laços sociais com outros, com quem o ego compartilha sentimentos mais fortes, como os provenientes da família (LIN, 2001; GOTTLIEB; BERGEN, 2010). Portanto, as pessoas que proveem esses recursos mantêm laços estreitos com as mães. Estudos empíricos ressaltam o papel da família da mãe adolescente na ajuda com suporte material. Membros da família estendida da mãe adolescente e outros atores que tenham laços estreitos com ela podem contribuir com o suporte material. Mas a contribuição de atores como os pais das crianças é mais complexa, pois eles enfrentam condições que dificultam contribuir com esse suporte (FONSECA, 1998). Assim, as redes de suporte material estariam conformadas, basicamente, pelos membros da família de origem da mãe adolescente. Espera-se encontrar pais que contribuam com o suporte material da criança, mas pensa-se que a ajuda por parte deles ou das suas famílias é menos importante que a contribuição da família da adolescente. Outros atores, como a família estendida da mãe adolescente, amigos e atores institucionais, contribuem com o suporte material, dependendo da força desses vínculos e da ausência dos membros da família de origem dela (Hipótese 2). Se bem que o sustento material possa ser entregue por homens e mulheres da família, o suporte de cuidado é realizado, essencialmente, por mulheres, como a avó materna da criança, ou outras mulheres com vínculos de consanguinidade com a adolescente.

Desta forma, a composição da rede de cuidado das crianças das adolescentes estudadas se conforma pela avó materna, como principal fonte de ajuda, e outras mulheres da família de origem ou estendida da adolescente. Mas, a decisão de

contribuição com o suporte de cuidado está condicionada pela força dos vínculos, pela proximidade física e pela inserção destas pessoas no mercado de trabalho (Hipótese 3).

3.10.3 O vínculo afetivo mãe adolescente – pai e o suporte

O laço afetivo constitui um vínculo forte e importante na adolescência (SHULMAN; KIPNIS, 2001). Há uma relação entre esse tipo de vínculo e o suporte que os pais das crianças dão. No caso da população adulta, quando há laços de amor romântico na relação mãe-pai, este se sente mais comprometido com a criação do filho (CASTILLO, 2010). Esta associação também pode aparecer no caso dos pais das crianças de mães adolescentes (FURSTEMBERG, 1992; PASCHAL et al., 2001; BUNTING; MCAULEY, 2004). Porém, sendo que eles nem sempre trabalham ou disponibilizem de pouco tempo para o cuidado da criança, eles podem procurar recursos disponíveis em atores que são parte das relações deles (BARRERA, 1986) e, assim, contribuem com o suporte da criança.

Portanto, espera-se que nos casos em que existe o vínculo afetivo entre a mãe adolescente e o pai da criança, haja contribuição de suporte material e/ou de cuidado por parte dele ou da família dele. Os atributos pessoais do pai, como idade, nível educacional e inserção no mercado de trabalho são menos importantes que as características do vínculo afetivo com as mães adolescentes, para explicar o suporte de material e de cuidado (Hipótese 4).

3.10.4 Centralidade do pai e suporte material e de cuidado

Existe uma associação entre suporte material e de cuidado e a força dos vínculos (LIN, 2001). As pessoas que contribuem com o suporte da criança costumam estar inseridas no mundo da adolescente e estar vinculadas a outros laços da mãe adolescente. Elas têm alta importância ou “centralidade”. Em alguns casos, o pai também tem importância na rede social da mãe adolescente. Essa centralidade do pai, apesar de não ser familiar da adolescente, mostra o que Milardo, Johnson e Huston (1983) indicam. O laço afetivo gera maior inserção do parceiro na rede social de uma pessoa. Por outro lado, a entrega de suporte material e de cuidado por parte do pai da criança pode estar associada a uma maior inserção dele no mundo na

adolescente. Isso acontece porque já existiam laços fortes entre ele e outros vínculos na adolescência antes da gravidez e isso fez com que o pai contribua com suporte material ou de cuidado. Ou pode acontecer porque o pai desenvolveu laços com vínculos da adolescente, a partir de um maior envolvimento do pai com a criança, o que implica entre outros aspectos suporte material e de cuidado.

Por conseguinte, espera-se que os pais que dão suporte material e ou de cuidado tenham maior centralidade na vida das mães adolescentes (Hipótese 5).

3.10.5 Suporte material como ideal de paternidade

Estudos realizados em contextos diferentes como aqueles levantados nos Estados Unidos e na América Latina concluem que há diversas formas de exercício e de percepção sobre a paternidade. Mas, boa parte destes estudos conclui que o papel do pai como provedor é predominante.

Assim, a percepção de paternidade que as adolescentes teriam em Quito está identificada também, sobretudo, com o suporte material da criança. Mas acredita-se que outros aspectos, como o cuidado e a expressão de afetos possam ser mencionados como relacionados com a paternidade (Hipótese 6).