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CHAPITRE 2 OBJETS D’ASPIRATIONS ET SUJETS DÉSIREUX

2.5 L’analyse de contenu

Assim, os ensaios sistemáticos foram realizados em quatro condições ambientais 22ºC- 40% HR, 22ºC-80% HR, 32ºC-40% HR e 32ºC-80% HR, no interior de uma câmara climática, onde foi possível controlar com precisão as variáveis do ambiente térmico e da temperatura da pele dos voluntários em dois pontos (testa e pescoço).

As condições exteriores à referida câmara foram também controladas e dentro do laboratório houve a preocupação que a temperatura se mantivesse em média em torno dos 20°C. Os parâmetros ambientais no exterior sofreram grandes oscilações ao longo de todo o período dos ensaios. Para garantir condições de ensaio constantes ao longo do tempo, independentemente das condicionantes exteriores, foram garantidos dois períodos de estabilização da temperatura dos voluntários: um primeiro, no interior do laboratório de 20 minutos, antes da sua entrada na câmara e outro de 10 minutos no interior da câmara sem exercer qualquer atividade física, até estabilizar a temperatura da pele.

Segundo Kataoka,et al. (1998) a temperatura da pele é um indicador efetivo para avaliar objetivamente a sensação humana, pois reflete a informação processada pelo cérebro. Chueng (2007) acrescenta que a cabeça é uma região de sensibilidade térmica.

Doutoramento em Segurança e Saúde Ocupacionais

156 Análise e discussão dos ensaios finais

Neste estudo, a temperatura da pele foi controlada em dois pontos da cabeça: testa e pescoço, que se mostraram adequados, em particular a testa, pelo facto do desvio padrão da temperatura média da testa dos 15 voluntários não ultrapassar os 0,1ºC nas condições de 22ºC 40% HR, 32ºC 40% HR e 32ºC 80% HR e de 0,2ºC na condição de 22ºC 80% HR. Verificou-se que, efetivamente, os voluntários estabilizaram a temperatura da pele ao fim de 10 minutos de permanência no interior da câmara climática, após um período de adaptação de 20 minutos no seu exterior dentro do laboratório. Assim, o tempo de adaptação faseado a uma nova condição ambiental apresentou-se como uma opção adequada.

Quanto à avaliação antropométrica efectuada verificou-se existirem flutuações nos valores encontrados, no entanto, a variação do IMC é mínima de ensaio para ensaio.

5.2 Temperatura da pele

Analisa-se neste ponto a diferença entre a temperatura da testa e pescoço nos Ensaios Finais efetuados. Quanto à temperatura média da testa a Figura 85 ilustra a evolução da temperatura média nas diferentes condições de ensaio, onde se observa, perfeitamente definidos, os tempos de estabilização e respetivos efeitos na estabilização da temperatura da testa. Primeiro, 20 minutos no exterior da câmara e depois 10 minutos no interior da câmara antes do início dos ensaios. Este tempo de estabilização foi fundamental para permitir que cada voluntário iniciasse o ensaio praticamente com a mesma temperatura da pele para cada uma das condições de ensaio. Como se pode observar na referida figura, dez minutos após a entrada na câmara climática, regulada para as condições específicas do ensaio, a temperatura da testa do voluntário atinge um valor que se mantém estável ao longo de todo o ensaio.

Quanto à temperatura média do pescoço que se encontra o seu registo no gráfico da Figura 86, verifica-se aí uma instabilidade ao longo de todo o ensaio que pode ser justificada pelas condicionantes da localização do ponto de medição na zona posterior do pescoço. Neste ponto, a temperatura registada sofre influência da movimentação da cabeça do voluntário, da quantidade de cabelo que cobre o referido ponto que é usualmente diferente de homens para mulheres e também por algum tipo de vestuário com a gola um pouco mais alta. Em resumo, trata-se de um ponto cuja monitorização é suscetível de registar maiores oscilações.

Na Tabela 64 estão sintetizados os resultados da temperatura média da testa e pescoço, ao longo das condições ambientais estudadas.

Influência do Ambiente Térmico na Amplitude do Sinal EEG em Atividades Sedentárias

Costa, Emília Quelhas 157

Tabela 64 - Temperatura média da testa e pescoço em diferentes condições ambientais

Condição ambiental 22ºC 40% HR 22ºC 80% HR 32ºC 40% HR 32ºC 80% HR

Parte do corpo Testa Pescoço Testa Pescoço Testa Pescoço Testa Pescoço Temperatura (ºC) 33,6 32,6 33,9 33,3 35,9 35,4 36,0 35,8

Foi na testa que se encontrou a temperatura superior, em todas as condições ambientais, ao contrário da opinião de Arens & Zhang que consideraram a temperatura mais quente no pescoço (parte de trás) tendo encontrado uma diferença de 0,3ºC entre o pescoço e a testa, nos ensaios destes investigadores, no entanto, não foi divulgada a humidade relativa durante a realização dos ensaios, o que poderá ser, eventualmente, um fator condicionador.

5.3 Desidratação

De acordo com Adam et al. (2008), o défice de água no corpo pode degradar o desempenho cognitivo, durante exposições ao calor e mesmo em condições neutras. A desidratação pode, por isso, também afetar negativamente a produtividade, a segurança e o estado emocional. Ainda mais recentemente foram efetuados estudos específicos sobre o efeito da desidratação no desempenho cognitivo durante o calor, que vieram comprovar estudos anteriores. Investigações disponíveis nesta área indicam que pode ocorrer um decréscimo de atividade motora visual, memória e atenção quando 2% ou mais de peso corporal é perdido como resultado da desidratação (Jay, O. & Kenny, G. P., 2010).

A perda de peso encontrada nos ensaios efetuados foi sempre inferior a 1%. Na Tabela 58 foram apresentados os valores do desvio padrão da taxa de desidratação, e verificou-se que variou entre um valor mínimo de 0,00% e o valor máximo de 0,83%, abaixo dos valores considerados como críticos. De acordo com alguns autores só valores de desidratação acima de 1% ou 2% é que poderiam afetar adversamente o desempenho cognitivo (Lieberman H.R., 2007; Kenefick, R. W. & Sawka, M. N 2007), o que nunca aconteceu. Refira-se que no estudo desenvolvido por Gopinathan e seus colaboradores (1988), estes autores provocaram uma desidratação faseada de 1, 2, 3 e 4% do peso corporal a um grupo de voluntários e descobriram que a acuidade visual, capacidade motora, memória a curto prazo, atenção e eficiência aritmética eram todos deficitários quando se atingia 2% de desidratação (Gopinathan, et al., 1988).