A história da evolução da indústria automobilística mundial teve seu início a partir do desenvolvimento de um veículo de transporte de forma artesanal (COSTA, 1999). Em 1769, o francês Nicolas Cugnot construiu um veículo de três rodas que seria destinado a arrastar canhões. Karl Benz, em 1886, fabricou o primeiro automóvel produzido no modelo artesanal de motor de combustão interna.
Mesmo com o crescente aumento da demanda, quando um consumidor buscava um automóvel para a compra, naquela época deveria encomendar em uma fábrica de máquinas e ferramentas. Os automóveis da época eram projetados de acordo com o sistema Panhard, com motor na frente tracionando as rodas traseiras, com os passageiros sentados em fila atrás do piloto (WOMACK et. al, 1992).
Até meados do século XIX, o automóvel era considerado tanto para os fabricantes como os consumidores como objeto de luxo. A primeira produção em massa foi iniciada em 1901 por Ramson E. Olds, fabricante do Oldsmabile. No entanto, ele não teve tanto sucesso quanto Henry Ford que, em 1903, fundou a Ford Motor Company e alguns anos depois desenvolveu um modelo que se tornou a história da indústria automobilística. O Ford T.
Todavia, o modelo de produção artesanal apresentava problemas em relação aos ajustes dos automóveis produzidos, devido a baixa padronização nas peças efetuados para sua montagem. A era do petróleo e da produção em larga escala fez com que, após a Primeira Guerra Mundial, a indústria automobilística evoluísse para a produção em massa, modelo de produção que Henry Ford descobriu, como uma maneira de superar os problemas inerentes da produção artesanal utilizando novas técnicas de produção que reduziriam custos, aumentando ao mesmo tempo a qualidade do produto.
Ford consegue instalar-se em diversos países como Canadá em 1904, Inglaterra em 1911, Argentina, Brasil, Dinamarca e Espanha em 1919. Essa fase foi fundamental para a expansão em direção aos mercados externos devido à montagem no mercado consumidor ter um custo menor do que o de exportar veículos montados.
O mercado automobilístico brasileiro é visto pelo mundo todo como forte, competitivo e de portas abertas para novos investimentos. As ótimas expectativas que cercam a
economia e o bom andamento do País são algumas das causas pelas quais muitas empresas têm considerado entrar na disputa local, em busca de uma fatia desse atraente setor.
O mercado automobilístico sempre teve grande importância no cenário econômico brasileiro, e nos últimos anos tem obtido ainda mais destaque devido ao expressivo crescimento das vendas. A indústria automobilística brasileira pode comemorar a passagem para 2013, pois os incentivos do governo com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, que começou em maio de 2012, garantirá ao setor um crescimento em torno de 4% sobre o ano anterior.
Os fatores críticos de sucesso e oportunidades, que mais poderão influenciar o segmento em relação às vendas, a retirada total do IPI; ampliação da carteira de crédito ao consumidor; taxas de juros atrativas e a provável expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, em relação ao ano anterior.
Já os fatores que mais poderão impactar negativamente o desempenho das vendas, principalmente a partir do segundo semestre de 2013, o retorno gradativo do IPI; possibilidade de restrição ao crédito, caso a inadimplência continue subindo e eventuais problemas econômicos.
Algumas montadoras deverão continuar crescendo, enquanto outras encontrarão dificuldades. Como se sabe, em 2013, 60% dos carros deve sair de fábrica equipados com Air Bag e freios ABS. Montadoras como a Hyundai, Toyota e Nissan já incorporaram esses itens em seus veículos, mas a maioria, inclusive as quatro grandes (Fiat, VW, GM e Ford) terão que se adaptar. Naturalmente, esses itens aumentarão seus custos e elas terão que encontrar uma maneira de não aumentar o preço ao consumidor, para não perder participação de mercado.
Neste cenário, a mudança no quadro de participação de mercado das marcas, será inevitável. Quem tiver produtos de qualidade, preços competitivos e capacidade de atrair e conquistar o consumidor vencerá a batalha, e quem mais tem a ganhar com tudo isso é o consumidor, que poderá contar com carros de melhor qualidade e maiores ofertas.
E neste contexto, o Rio Grande do Sul ocupa a sexta colocação no ranking de emplacamentos nacionais, com 4,9% da participação. Segundo o Sincodiv-RS, em outubro de 2012, as vendas de veículos no Estado somaram mais de 26 mil unidades. Em relação ao mês anterior, o crescimento foi de 12,64%, enquanto que o Brasil verificou retração de 3,07%. Na comparação com outubro do ano passado, o aumento foi de 9,4% para o Estado. Em nível nacional, a alta foi de 6,3%. O consumidor gaúcho não se diferencia muito do restante dos
consumidores brasileiros, está sempre atento às boas condições de pagamento das concessionárias.
O carro mais vendido no Rio Grande do Sul é da Volkswagen, o Gol 1.0, com ar- condicionado e direção hidráulica, nas cores prata, branco ou preto. A montadora é líder do ranking gaúcho, conforme dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O ar-condicionado é uma preferência bem gaúcha, afirma Hugo Pinto Ribeiro, presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos (Sincodiv-RS), justificando devido ao nosso clima.
Não há dúvidas de que o setor automotivo brasileiro, bem como, juntamente com ele, a frota de veículos, vem crescendo não apenas no Brasil, como no âmbito global nos últimos anos, devido, por grande parte, pelo incentivo da venda de automóveis pelo governo com a redução nas taxas de juros e também com o aumento do prazo de financiamentos.
Segundo o presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Décio Carbonari de Almeida, existe uma tendência contínua de queda de inadimplência no financiamento de automóveis, queda verificada no mês de Julho, fechando o mês em 6% o índice de inadimplência do (CDC) acima de 90 dias de atraso, para pessoa física, este é o principal indício de um crescimento na liberação de crédito. “As curvas de inadimplência das instituições estão baixando. Com isso, a maior rigidez nas avaliações de crédito deve ser diminuída”, afirma o executivo.
De acordo com informações da Anef, obteve-se crescimento na modalidade de financiamentos em relação ao ano de 2012, conforme nos mostra a tabela 01 a seguir:
Tabela 1 – Modalidade de Pagamento do Automóvel
Modalidade de pagamento 2012 1º Semestre 2013
Financiamento 51% 53%
À vista 39% 37%
Consórcio 8% 8%
Leasing 2% 2%
Como podemos verificar na tabela 01, atualmente obteve-se crescimento de 2 pontos percentuais na modalidade de pagamento através de financiamentos, e queda de 2 pontos percentuais nas vendas à vista, o que confirma a tendência do presidente da Anef.
Este crescimento do mercado automotivo, bem como a frota de veículos, por parte é preocupante não apenas para a população brasileira, mas também a população mundial, pois nossas cidades não foram planejadas para um número tão grande de veículos, o que gera muitos problemas de mobilidade urbana, sendo os mais recorrentes, a falta de estacionamento, os grandes congestionamentos que temos principalmente nas grandes metrópoles e se formos avaliar o baixo incentivo na venda de veículos menos poluentes, como os carros elétricos e híbridos que geram níveis de poluição mínimos, nos faltando também a infraestrutura necessária para abastecermos estes veículos e também o alto valor de compra, que é muito elevado se comparado com os automóveis tradicionais, abastecidos com combustíveis mais poluentes.
Se pelo lado da sustentabilidade do planeta, o crescimento do mercado automotivo tem sido preocupante, de outro lado, este crescimento é positivo, devido ao aumento da empregabilidade no setor, onde segundo informações da Anfavea, no mês de julho de 2013, o setor automotivo encerrou o mês com 153.974 empregos, representando um crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior e se comparado com julho de 2012, obteve crescimento de 4,4% no número de empregos do setor, considerando automóveis e máquinas agrícolas.
Segundo recente consultoria do Jato Dynamics, nosso país é o quarto maior mercado automotivo do planeta, baseado nos emplacamentos realizados entre janeiro a julho deste ano, com pouco mais de 2 milhões de veículos licenciados, obtendo em relação ao ano de 2012, crescimento de 2,4%. O primeiro colocado, com folga, é a china, com venda de 10,63 milhões de carros no mesmo período de 2013. Em segundo vem os Estados Unidos, seguido de Japão como terceiro maior mercado de automóveis no mundo.
De acordo com a Fenabrave – Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores, o mercado automotivo nacional manteve-se estável neste primeiro semestre do ano, com leve queda de apenas 0,27% nas vendas de todos os segmentos, sendo eles, de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas, entre outros, sendo emplacados 2.627.910 unidades no período acumulado.
Apesar da leve queda nas vendas de todos os segmentos de automóveis no primeiro semestre do ano de 2013, obteve-se um resultado positivo para o segmento de automóveis e
comerciais leves, ainda segundo informações da Fenabrave. Com venda de 1.770.814 automóveis e comerciais leves nos seis primeiros meses do ano de 2013, o mercado automotivo nacional apresentou um crescimento de 4,62% referente o mesmo período do ano anterior, onde foram emplacados pouco mais de 1,6 milhões de veículos.
Segundo informações apuradas pela Anfavea, referente resultados no mercado automotivo brasileiro, no período de janeiro a setembro de 2013, o Brasil produziu 2,84 milhões de automóveis e comerciais leves no período de janeiro a setembro de 2013, obtendo um crescimento de 13,9% em relação à produção do mesmo período do ano anterior, com produção de 2,49 milhões.
Nos licenciamentos totais de automóveis e comerciais leves novos, o Brasil obteve uma pequena queda de 0,3% onde no período de janeiro a setembro deste ano, foram licenciados 2.780.385 automóveis e no mesmo período de 2012 foram licenciados 2.789.300. Ainda de acordo com a Anfavea, o licenciamento de automóveis novos nacionais, o Brasil conquistou um crescimento de 3,1% no período de janeiro a setembro de 2013, sendo licenciados 2.260.944 automóveis e no mesmo período de 2012, foram licenciados 2.192.465 automóveis nacionais. O licenciamento de automóveis novos importados obteve queda de 13% no mesmo período. De janeiro a setembro de 2013, foram licenciados 519.441 automóveis importados e no mesmo período de 2012, foram licenciados 596.835 veículos leves, sendo eles automóveis e comerciais leves.
Este crescimento nas vendas e a elevação da produção brasileira de automóveis, nos revela que o país está se desenvolvendo, investindo em tecnologia, qualificando sua mão de obra, tornando-se deste modo, mais competitivo em relação ao mercado estrangeiro.
Nos licenciamentos de veículos nacionais, que são automóveis e comerciais leves, nos revela que o Brasil está mais competitivo em relação ao mercado exterior, que obteve queda no número de licenciamentos, constatando que o Brasil está investindo em tecnologias, abrindo suas portas para receber as instalações de grandes marcas de montadoras de automóveis no nosso país, o que trará muitos benefícios para nossa economia, com geração de empregos, aumento no recolhimento de impostos, que poderão ser repassados para a população em forma de benefícios sociais como investimento na infraestrutura, educação, saúde entre outros.
De acordo com informações da Anfavea, o licenciamento total de automóveis por empresa no período acumulado de janeiro a setembro de 2013 obteve o seguinte resultado, conforme a tabela 02:
Tabela 2 – Quantidade de Licenciamentos por Empresa
Empresa Jan/Set 2013 Jan/Set 2012 Variação 13/12
VW 405.684 482.085 -15,8% Ford 173.247 197.343 -12,2% Fiat 455.298 493.973 -7,8% GM 397.732 396.543 0,3% Honda 94.238 84.500 11,5% Mercedes-Benz 6.247 3.923 59,2% Toyota 86.397 41.104 110,2%
Fonte: Elaborado pela autora.
Como podemos constatar na tabela 02, o público brasileiro consumidor de automóveis, está aderindo a marcas mais renomadas, com alto poder tecnológico e deixando de adquirir carros de marcas mais populares, como por exemplo, a Volkswagen, que atualmente obteve queda de 15,8% no número de licenciamentos em relação ao período anterior, oposto da situação da marca Toyota, que no mesmo período, obteve crescimento de 110,2%, o que nos indica que estas empresas mais desenvolvidas que entraram no mercado nacional, estão abrindo suas portas para o público brasileiro, tornando-se mais competitivas na questão de preços, produzindo modelos mais acessíveis, mas que não dispensam o luxo, conforto e a tecnologia.
Analisando o conjunto de informações, podemos constatar a grande importância que o setor automotivo significa para a economia do país, tanto para a indústria como para o comércio em geral, pois quanto maior forem as vendas, mais dinheiro circula no mercado, gerando o crescimento de empregos, elevação no recolhimento de impostos, fazendo com que a economia de um modo geral, cresça positivamente, fazendo com que o Brasil torne-se cada vez mais desenvolvido, tendo maior acesso às tecnologias, e tornando-se a cada dia, mais competitivo em relação ao países mais desenvolvidos.