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L’émergence renforce la concurrence mais ouvre

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7. Les véritables enjeux

7.2. L’émergence renforce la concurrence mais ouvre

Entre os eventos interna corporis que marcaram a memória coletiva do Partido Comunista dois deles se destacaram: a Conferência da Mantiqueira (1943) e o IV Congresso do Partido (1954). A primeira, pela contribuição que deu à reorganização partidária num momento em que os comunistas haviam

se dispersado em decorrência da perseguição implacável que sofriam do Estado Novo. Esse evento partidário combinou proposições organizativas com orientações táticas e estratégicas que possibilitaram a adoção de uma política mais ajustada à situação nacional e internacional. No aspecto organizativo, a Conferência de 1943 elegeu uma nova direção nacional, em que Prestes mesmo preso foi alçado à condição de Secretário-Geral – o cargo mais importante na estrutura leninista do Partido Comunista – e reestruturou os comitês estaduais. No tocante às questões táticas e estratégicas, a Conferência da Mantiqueira aprovou a realização de uma campanha em favor do ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados (EUA, URSS e Inglaterra), bem como a proposta de “política de união nacional” em torno de Vargas e contra o nazifascismo.

Esse novo posicionamento dos comunistas brasileiros rendeu-lhes dividendos políticos importantes, pois significou a saída de seu isolamento político e o estabelecimento de uma nova relação com a sociedade brasileira por intermédio da frente única antifascista. A vitória da Guerra pelos Aliados criou um ambiente favorável à democracia dentro e fora do Brasil, o que levou ao fim o Estado Novo e a Ditadura Vargas, que em seus estertores legalizou o PC e convocou eleições para a Presidência da República e para o Congresso Nacional.

Cabe relembrar que a repressão política do Estado Novo havia encarcerado os militantes comunistas e da Aliança Nacional Libertadora após o fracasso da Insurreição de 1935, levando à dispersão as organizações partidárias. Nestas condições o Partido Comunista deixou de possuir uma direção central no país. Somente a partir de 1941, o PC começou a se rearticular nacionalmente, quando seus dirigentes estaduais criaram a Comissão Nacional de Organização Provisória (CNOP)230. O trabalho desta comissão partidária resultou na convocação e realização de uma Conferência Nacional que ficaria conhecida como Conferência da Mantiqueira, realizada clandestinamente na Serra da Mantiqueira, no Rio de Janeiro, em agosto 1943. O maior feito desse conclave comunista foi ter contribuído para a reestruturação nacional do Partido, mediante a eleição de um novo Comitê

Central e a elaboração de uma tática política adequada à situação nacional e internacional, cujo conteúdo poder ser resumido na defesa de uma política de união nacional em torno de Vargas contra o nazifascismo231.

Os momentos anteriores à realização da Conferência da Mantiqueira foram de desconfiança entre os grupos comunistas da Bahia, São Paulo e Rio de Janeiro232. Os comunistas de São Paulo não aceitavam a liderança de Prestes e, conseqüentemente, se isolaram no processo de organização partidária. Os baianos, tendo Diógenes Arruda Câmara à frente, se aproximaram dos comunistas do Rio de Janeiro, liderados por Amarílio Vasconcelos e Maurício Grabois que, segundo José Antonio Segatto233, gozavam da confiança e representavam o pensamento de Luís Carlos Prestes, no interior da agremiação comunista. Com o aval do Cavaleiro da Esperança, a CNOP pôde prosseguir com êxito a retomada da organização do Partido, na fase final do Estado Novo. Na CNOP além de Amarílio Vasconcelos, logo se destacaram nomes como os de Maurício Grabois, Diógenes Arruda Câmara, João Amazonas e Pedro Pomar, que ao lado do trabalho de organização partidária tomavam medidas para reanimar o movimento social, como a participação na eleição da UNE e “a ressurreição da antiga Liga da Defesa Nacional”234.

Este evento partidário inegavelmente contribuiu decisivamente para a vida do Partido Comunista nos anos seguintes, pois a linha política adotada teve como resultado imediato a conquista da legalidade e o direito de participar ativamente das eleições de 1945. Entretanto, nas deliberações da Conferência da Mantiqueira encontramos elementos que seriam valorizados distintamente pelo PCB e pelo PCdoB, após a cisão de 1962. O PCB valorizaria a política de união nacional em torno de Vargas, simbolizada pelo gesto democrático de Prestes em se unir ao líder da Revolução de 1930, apesar de ter sido vítima implacável do Estado Novo, que entregou sua mulher Olga Benário à Gestapo,

231 Cf. com informações do primeiro capítulo, p. xx. 232 CHILCOTE, Ronald H. Op. cit., p. 89.

233 SEGATTO, José Antonio. Op. cit., p. 54. 234 DULLES, John W. F. Op. cit., p. 247-248.

sem sequer respeitar sua gravidez235. Já o PCdoB, embora explicitamente reconheça a importância programática desse conclave, tem em alta conta a Conferência de 1943 em razão dela ter promovido para a direção do PC boa parte dos quadros partidários que o acompanharia na cisão de 1962.

Leôncio Rodrigues Martins, depois de destacar a eleição de Prestes para o cargo de secretário-geral do Partido Comunista, apesar de sua condição de preso político na ditadura Vargas, constatou a ascensão política de uma nova geração de dirigentes comunistas a partir da Conferência da Mantiqueira:

A Conferência da Mantiqueira consistiu um marco na vida do movimento comunista no Brasil não só porque significou um passo importante na reorganização do PCB, acéfalo depois das prisões de 1940, como também porque assinalou a formação de uma nova equipe dirigente. Mais precisamente, a Conferência da Mantiqueira marcou o começo da ascensão de Diógenes Arruda Câmara como segundo homem do PCB, seguido de João Amazonas de Souza Pedroso, Maurício Grabois, Carlos Marighella e Pedro Ventura Pomar.236

Observando a relação de dirigentes partidários promovidos pela Conferência da Mantiqueira podemos asseverar que, para o PCdoB, este evento partidário é muito mais vivo em sua memória do que o ato de fundação em 1922 e a Insurreição de 1935. Isto se deve ao fato do seu rival PCB, após a cisão de 1962, ter conseguido manter em seus quadros nomes históricos como os de Astrojildo Pereira (principal responsável pela fundação do Partido Comunista em 1922), Luís Carlos Prestes, Gregório Bezerra, Agildo Barata e Giocondo Dias, entre outros dirigentes e participantes da Insurreição de 1935. Diferentemente, o PCdoB não conseguiu atrair para seus quadros nenhuma personalidade política de 1922 e apenas João Amazonas teve participação na Aliança Nacional Libertadora, porém, no Estado do Pará, onde não aconteceram levantes comunistas em 1935. Entretanto, quando se trata de passar em revista os nomes que organizaram a Conferência da Mantiqueira e

235 KONDER, Leandro. Op. cit., p. 51. Nesta obra o autor elogia o comportamento democrático

do Partido Comunista em sua trajetória política, com destaque para o período da redemocratização do país após a Segunda Guerra.

236 RODRIGUES, Leôncio Martins. O PCB: os dirigentes e a organização. In.: BORIS, Fausto

compuseram a direção partidária dela decorrente, se constata que, afora Luís Carlos Prestes, os que mais se destacaram acompanharam o PCdoB na cisão de fevereiro de 1962, a exemplo de João Amazonas, Maurício Grabois, Pedro Pomar e Diógenes Arruda Câmara. Neste sentido, a memória do PCdoB está muito mais vinculada ao processo de construção partidária iniciado em 1943, com a Conferência da Mantiqueira, do que aos fatos históricos representados pelo ato de fundação do PC e pela Insurreição de 1935, sem que isto tenha significado qualquer menosprezo do PCdoB por estes importantes eventos da memória comunista nacional237.

Vale salientar, entretanto, que a ascensão dos novos dirigentes comunistas não foi aceita unanimemente por toda militância comunista. Resistências aconteceram em São Paulo e na Bahia, conforme se depreende do relato John W. F. Dulles238. Giocondo Dias e Caio Prado Júnior foram alguns desses militantes comunistas que não se acharam completamente satisfeitos com os novos rumos adotados pela CNOP e a Conferência da Mantiqueira.

3.5. A DISPUTA PELA MEMÓRIA DA EXPERIÊNCIA DEMOCRÁTICA DO

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