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Dans le document Android Security Internals (Page 80-88)

Busquei entrevistar no mínimo oito pessoas relacionadas a cada projeto: dois membros da sociedade civil participantes, dois presos participantes, um preso não-participante, o coordenador ou outro que responda pelo projeto, o diretor do estabelecimento penitenciário, e, ao menos um funcionário do estabelecimento prisional onde o projeto é realizado.

                                                                                                               

106 Inspirados no Guia de Avaliação da 3ª Edição do Prêmio Sócio-Educando (2008), da qual compus o

Nas entrevistas, abordei três temas centrais: 1. informações sobre o projeto (objetivos, bases teóricas e dificuldades); 2. a prática da reintegração social - como ocorre a interação entre sociedade civil e presos (estratégias e métodos); 3. o impacto do projeto na vida das pessoas e instituições envolvidas.

Optei pelo modelo semiestruturado de entrevista, que permitiu focar nos assuntos que me interessavam, e ao mesmo tempo, deixar espaço para que meus interlocutores falassem o que julgavam importante. Essa técnica possibilitou ainda, que outras temáticas conexas aparecessem na fala dos entrevistados e fossem agregadas aos roteiros de entrevista no decorrer da pesquisa.

Em algumas entrevistas fiz uso de gravador, porém, na maioria delas abri mão desse recurso ao notar o constrangimento e perda de espontaneidade dos meus interlocutores frente ao aparelho. Certamente, há uma grande diferença na precisão dos dados colhidos com o gravador, principalmente no tocante à transcrição de expressões utilizadas pelo entrevistado. A gravação constitui uma prova do que foi dito. O uso do gravador, principalmente em ambientes prisionais, é mais um obstáculo à conquista da confiança do entrevistado, e à verbalização de certos temas (normalmente, de discursos abafados pela prisão e por outros presos).

Logo, o porte de um gravador nas entrevistas realizadas na prisão não facilitaria a minha entrada. Quando a negociação estava difícil, eu sequer mencionava essa possibilidade. Em compensação, nesses anos de pesquisa, acumulei uma dezena de cadernos de campo, que contém entrevistas, impressões e os relatos de inúmeras idas ao cárcere.

Algumas das entrevistas iniciais desta pesquisa, realizadas no primeiro semestre de 2010, foram feitas com gravador. Isso estará indicado no decorrer do texto, devido à diferença na forma de registro da entrevista. Todas as demais foram transcritas nos cadernos de campo, a partir do roteiro de entrevista.

Todas as pessoas entrevistadas autorizaram o uso das informações nesta pesquisa, mediante a assinatura do “termo de consentimento livre e esclarecido”. Ainda assim, a

identidade dos entrevistados foi preservada pelo uso de pseudônimos, com exceção dos pesquisadores e professores que colaboraram com a presente tese.

Temáticas ligadas a vida pessoal dos interlocutores não foram objeto das entrevistas. Durante as conversas, concentrei-me na problemática da interação social entre prisão e sociedade livre, evitando quaisquer questionamentos de cunho pessoal que implicassem a exposição do meu interlocutor, e consequentemente, pudessem comprometer a ética da minha pesquisa.

Elaborei cinco roteiros de entrevista: começando por um núcleo comum a todos os entrevistados, seguido de quatro específicos, voltados a: o coordenador do projeto, membros da sociedade civil participantes, presos participantes e não participantes, diretor do presídio/ funcionário da instituição prisional.

A fase de elaboração dos roteiros foi importante para refletir quais eram as minhas indagações. Porém, a minha experiência no campo mostrou que a entrevista fluía melhor quando mais solta, quando se deixa o entrevistado conduzi-la a partir de sua perspectiva, dizer o que acha importante ser dito. Portanto, a tendência adotada nas entrevistas, foi o uso do roteiro apenas como um norte, privilegiando assim uma abordagem menos dirigida.

Esse tipo de abordagem mais flexível, mostrou-se uma estratégia para se chegar nas concepções mais sutis melhor do que a pergunta direta- estratégia utilizada nas primeiras entrevistas. A flexibilidade é importante, levando-se em conta a diversidade dos tipos de interação estabelecida em cada entrevista: as pessoas entrevistadas têm histórias e formações diferentes, o local e as representações sociais em jogo são também muito distintos.

4.5.1. Roteiro básico de entrevista (núcleo comum a todos os entrevistados)

§ Qualificação do entrevistado: nome, idade, formação, profissão, relação com o projeto e com o sistema prisional. Como você se definiria?

§ Primeiramente, o que você tem vontade de me contar sobre o projeto? § Quais as maiores dificuldades na realização do projeto?

4.5.2. Roteiro específico: coordenador do projeto

§ Como foi o seu envolvimento? Quais eram suas expectativas no início do trabalho? Elas foram cumpridas?

§ Como nasceu o projeto?

§ Qual o objetivo da intervenção?

§ A intervenção tem alguma base teórica?

§ Como é a relação do grupo com os funcionários penitenciários? § Como são selecionados os presos que participarão?

§ De que forma as pessoas da sociedade civil foram atraídas pelo projeto? Há alguma forma de seleção?

§ Como foi sua entrada na prisão? Quais foram as surpresas e dificuldades? § Como é a dinâmica dos encontros? Você poderia descrever um deles?

4.5.3. Roteiro específico: membros da sociedade civil participantes

§ Por que você resolveu participar do projeto? § Como é a sua relação com os presos?

§ Como é a sua relação com os funcionários da prisão?

§ Como seus familiares e amigos enxergam esse seu trabalho?

§ Como é a dinâmica dos encontros? Você poderia descrever um deles?

4.5.4. Roteiro específico: presos participantes

§ Por que você resolveu participar do projeto?

§ Você já participou de outros projetos aqui na prisão? O que achou?

§ Qual impressão que você tem dos participantes que vem de fora? Porque você acha que eles vem até aqui fazer esse trabalho com vocês?

§ Como é a dinâmica dos encontros? Você poderia descrever um deles?

§ Se você tivesse que propor uma ação da sociedade na prisão, o que você faria?

4.5.5. Roteiro específico: presos não participantes

§ Você já ouviu falar do projeto? O que você ouviu falar? § Tem vontade de participar?

§ Você já participou de projetos como esse aqui na prisão? O que achou?

4.5.6. Roteiro específico: diretor do presídio/ funcionário da instituição prisional

§ Como você tomou conhecimento do projeto? Você se envolve direta ou indiretamente com as ações propostas?

§ Foi preciso readequar a dinâmica da prisão por conta das pessoas que veem de fora?

§ Existem outros projetos desse tipo sendo desenvolvidos nessa prisão? § Como são selecionados os presos que participarão?

§ Você consegue notar algum impacto na prisão com esse trabalho?

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