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A vila de Boipeba, situada no distrito e na ilha de mesmo nome, assim como Morro de São Paulo, teve inicialmente uma ocupação em dois níveis. Na parte alta, se localizava a aldeia jesuítica, e na parte baixa eram exercidas as funções portuária e comercial (CAIRU, 2004). O nome do distrito é uma

derivação do termo m’boi pewa, termo tupi que significa cobra de cabeça chata, uma referência às tartarugas marinhas que os antigos moradores acreditavam se tratar da cabeça de uma grande cobra.

Atualmente, a área próxima da praia é também a mais valorizada devido a expansão do turismo e onde se localizam grande parte dos equipamentos e serviços turísticos e de apoio ao turismo. Apesar de o trecho litorâneo estar se consolidando como uma área turística, ainda existem grandes latifúndios como a Fazenda Pontal, que ocupa mais de 3 km do litoral da ilha de Boipeba (BID, 2005).

A localidade apresenta um turismo menos intensivo do que Morro de São Paulo, tendo seus picos de ocupação apenas em datas comemorativas como réveillon e carnaval, o que pode ser creditado ao fato de estar mais distante dos centros emissores de turistas da região e pela maior dificuldade de acesso. Este vem sendo incrementado com a inclusão de mais linhas de transporte marítimo desde 2007. A travessia pode ser realizada a partir do Terminal Marítimo de Valença, e do cais da localidade de Torrinhas, na Ilha de Cairu, onde é possível chegar de carro ou de ônibus, devido à ponte construída na década de 1960, que liga a ilha de Cairu ao continente. Direto de Valença, as lanchas rápidas, que levam 1 hora para chegar a Boipeba, custam R$ 35,00 mais a taxa de embarque. Por Torrinhas, além de carro é possível ir de ônibus que saem em dois ou três horários, a depender do dia da semana e do período do ano. A viagem até Torrinhas leva uma hora e meia, de onde se pega o barco que leva mais uma hora e meia até Boipeba. É possível também chegar com aviões de pequeno porte, em vôos regulares ou fretados. São três horários diários, tanto de ida como de volta, que custam R$ 340,00 por pessoa e por trecho.

A localidade, segundo a Associação de Moradores e Amigos de Boipeba (AMABO), possui 37 pousadas que estão cadastradas. O perfil de preços dos meios de hospedagem apresenta-se conforme aparece na Figura 7, a seguir:

Figura 7: Preços médios de pousadas em Boipeba Fonte: Pesquisa de campo, 2010

Com relação à movimentação de turistas, apesar de não existirem dados estatísticos que computem a quantidade de turistas por estação, é claramente perceptível a sazonalidade com um movimento intensivo em alguns meses do ano, o que deixa Boipeba na condição de destino de alta temporada. Este fato é confirmado por um artesão e reside em Boipeba:

O movimento maior é em julho e agosto e no verão. Aí nos outros meses dá uma parada (ENTREVISTA 1, 2009).

Para hospedagem em Boipeba, é possível perceber uma proporção menor de turistas estrangeiros do que em Morro de São Paulo. A partir da observação e da conversa com moradores, estima-se que a partir de meados de dezembro até o carnaval, geralmente em fevereiro, a localidade recebe um maior número de turistas provenientes da Bahia, especialmente Salvador, seu principal público, e das regiões Sudeste e Centro-Oeste. O público da região Sudeste e Centro-Oeste também é grande no mês de julho, devido às férias escolares, mas também aumenta o número de estrangeiros devido ao período de férias europeias em julho e agosto.

Apesar da quantidade de turistas que se hospedam na vila reduzir na baixa estação, o movimento de visitantes que se hospedam em Morro de São Paulo e fazem o roteiro oferecido pelas agências denominado de “volta à ilha” é constante. Sendo assim, alguns moradores conseguem viver apenas do turismo conforme relata um condutor de turismo nativo:

Figura 9: Casa de farinha de Boipeba Fonte: CULTURA, 2010

Figura 8: Foz do Rio do Inferno Fonte: POSTO, 2010

Antigamente era dividido assim: eram três meses de verão e nove de inverno, ou seja, a gente trabalhava com turismo três meses e pescava os outros nove. Agora não. A gente trabalha em média nove meses do ano, tipo assim, hoje melhorou muito. Dá até pra viver só do turismo. Só é desempenhar um bom trabalho que tem gente o ano todo, se tem sol, tem gente. (ENTREVISTA 2, 2009)

Boipeba se destaca e se diferencia de Morro de São Paulo pela atuação de algumas associações que desenvolvem ações de cunho ambiental, cultural e social. Entre as associações existentes destacam-se a AMABO, que desenvolve principalmente projetos na área de educação ambiental, e a Associação Luz Cultural, que tenta despertar o sentimento de pertencer a partir da realização de atividades culturais, voltadas para os moradores, que enfoquem e valorizem a cultura local.

Dentre os atrativos destacam-se o banho na Foz do Rio do Inferno (Figura 8), de águas calmas, e de onde é possível atravessar até a Ilha de Tinharé durante a maré baixa. Dentre os atrativos históricos e manifestações culturais destacam-se a Igreja do Divino Espírito Santo, além da própria festa do Divino que ocorre todos os anos no mês de maio, a casa de farinha (Figura 9), o Museu do Osso, mantido pelo Sr. Tavinho mais conhecido por Mr. Cabeludo, no qual ele guarda esqueletos de animais marinhos encontrados mortos nas praias de Boipeba. Há também o Centro Ambiental m’boi pewa (Figura 10), onde são realizadas palestras sobre educação ambiental e são apresentados filmes sobre Boipeba produzidos pela AMABO. Além disso, destacam-se as praias, principalmente as piscinas naturais do povoado de Moreré, também na ilha, e os canais formados pelos manguezais.

Figura 10: Centro Ambiental m’boi pewa Fonte: Pesquisa de Campo, 2010