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Chapitre 1 : Les courbes environnementales de Kuznets et les changements de couverture

1.2 Les courbes forestières de Kuznets : apports et critiques

1.2.4 Interprétations des CFK

A obrigatoriedade do ensino de sociologia nas escolas públicas e privadas brasileiras vem de encontro aos anseios de um grupo de cientistas sociais e educadores que defendem a presença desta disciplina nos currículos do ensino médio, no sentido de garantir aos jovens alunos uma formação crítica e reflexiva. Mas Sarandy e Ribeiro (2012) alertam que a simples obrigatoriedade da presença do ensino de sociologia nos currículos de todas as escolas brasileiras, a partir da

implementação da Lei n° 11.684 de 2 de junho de 2008, não justifica e não garante a sua permanência nesta condição. Estes autores afirmam que a identidade da sociologia como disciplina do ensino médio e sua distinção das demais disciplinas do campo das ciências humanas, depende de um projeto político e intelectual que garanta a construção e a consolidação de metodologias e abordagens teóricas que convençam não somente os membros do campo das ciências sociais, mas também estudantes, pais, professores de outras áreas, universidades e governos, da importância da presença da sociologia na formação de nossos jovens.

Nesse sentido, a permanência e a consolidação do ensino de sociologia dependem do empenho e da intensificação dos debates em torno da identidade da disciplina e dos contrastes desta com os demais conteúdos que compõem os currículos do ensino médio. Neste sentido, a defesa da disciplina sociologia no ensino médio tem como propósito a sua (re) construção discursiva, não somente no interior do campo das ciências sociais, mas entre os seus mais diversos interlocutores.

Este movimento se configura como elemento chave para a permanência e a consolidação da sociologia como disciplina obrigatória no ensino médio. Nesta perspectiva, Sarandy e Ribeiro (2012) argumentam que o simples fato de afirmar que a presença desta disciplina no ensino médio garante ao estudante um ensino que lhe permita realizar uma análise crítica da sociedade, obter uma formação para o mundo do trabalho e propiciar instrumentos para o exercício efetivo da cidadania não se mostram consistentes, pois, em última instância, estas atribuições não se configuram como exclusivas do ensino de sociologia no nível médio, mas sim de todas as disciplinas que compõem os currículos desta etapa do ensino.

A construção de sentidos para essa disciplina é tarefa que envolve também professores das redes públicas e privadas que ministram a disciplina de sociologia, dos acadêmicos que atuam nos cursos de graduação em ciências sociais e pesquisadores do campo do ensino de sociologia. Construir sentidos, promover a interlocução com outras disciplinas do campo das ciências humanas e também entre disciplinas dos outros campos do conhecimento são alguns dos desafios.

Apresentar as especificidades do ensino de sociologia a partir da definição de seus conteúdos e abordagens e reconhecer sua articulação com outras disciplinas, especialmente as disciplinas que constituem a Área de Ciências Humanas, requer

uma compreensão da formação dos sujeitos em sua totalidade e a particular perspectiva da sociologia.

A este debate, acrescenta-se ainda questões acerca da implementação do ensino de sociologia que ainda são temas controversos até mesmo entre os defensores da presença desta disciplina no ensino médio. Qual a real função do ensino de sociologia no nível médio de ensino? Devemos formular um currículo mínimo nacional ou não para esta disciplina? De que forma devem ser organizados os cursos de licenciatura? Estas são algumas das indagações que circundam essa disciplina.

Para Dayrell e Reis (2007), o ponto positivo desta recente introdução do ensino de sociologia nas escolas de nível médio é que esta disciplina, não carrega o peso de uma tradição escolar. Não possuir uma lista de conteúdos consolidados por uma tradição coloca o ensino de sociologia no nível médio em condição diferente das disciplinas de história, geografia, biologia, química etc., que, atualmente, lutam para se desvencilhar de alguns conteúdos e práticas que se consolidaram nestes campos do conhecimento ao longo de sua história, mas que tem sua validade questionada por professores e alunos.

Na interpretação de Dayrell e Reis (2007), o ensino de sociologia permite que os jovens educandos possam obter uma compreensão e interpretação da complexidade do contexto social desenvolvido na modernidade a partir de uma perspectiva informada pelas teorias sociais. Nesse sentido, o contexto em que estão inseridos os estudantes de ensino médio e as demandas colocadas por esses sujeitos, pode ser um caminho profícuo para orientar a definição do que precisa ser ensinado e como.

Os sujeitos do ensino médio em seus contextos, em suas similitudes e singularidades, requerem um currículo e metodologias de ensino que levem em conta as profundas mudanças que vêm ocorrendo no mundo e que afetam diretamente a sociedade e os processos de socialização nos quais os jovens alunos estão imersos e que interferem diretamente em sua constituição como sujeitos desafiados por múltiplas temporalidades e múltiplos pertencimentos.

Estudos no campo da sociologia da educação como de Dubet (2006) apontam para a constituição de subjetividades que se operam no interior das escolas. “Tornar- se aluno” já não significa a submissão a modelos prévios e deixar de ser jovem. Ao contrário, consiste em construir experiências, e como tal, atribuir um sentido a esse

trabalho. Nesse cenário, a compreensão das diversas dimensões pelas quais perpassa a vida juvenil pode balizar a discussão sobre o currículo de sociologia no ensino médio. Perceber a relação entre o que é ensinado e o sujeito da aprendizagem não se trata de negar as teorias e conceitos consolidados pelas ciências sociais ao longo de sua história. Pressupõe um diálogo entre os interesses dos jovens e os temas e abordagens historicamente discutidos nas pesquisas sociológicas. Como afirmam Dayrell e Reis (2007), é de suma importância que se busque o contexto de determinada compreensão dos sujeitos que são a razão de ser da própria ação educativa.

O ensino de sociologia chega às escolas num contexto de massificação do ensino. A escola básica passou a receber contingentes de jovens cada vez maiores e mais heterogêneos que historicamente se viam fora da escola. Esses jovens trazem para dentro de seus muros conflitos e contradições sociais já presentes em outros ambientes sociais (FANFANI, 2000; SPOSITO, 2005). A presença de uma disciplina que tem como função primordial a análise de fenômenos sociais, pode desempenhar um papel fundamental, tanto para os jovens alunos quanto para os professores na compreensão e na interlocução com a nova realidade da escola brasileira.

O ensino de sociologia pode se configurar como referência na compreensão das tensões presentes nas formas como os jovens se constituem como alunos. Tensões cada vez mais complexas e mediadas por múltiplos marcadores sociais externos à instituição escolar, tais como: lugar social dos jovens, seus contextos familiares, os espaços onde vivem, as questões de raça e de gênero, entre outros.

Para o professor, a sociologia tem um papel retroalimentador, pois permite inferir a respeito dos fatores internos da realidade escolar, como a infraestrutura e projetos políticos pedagógicos, como também conceber consensos mínimos em torno do que deve ser aprendido e ensinado aos jovens alunos.