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Descrição: o que se fez?

A Etapa 2 da fase de desenvolvimento do Aventura Climática© dedicou-se a aperfeiçoar a narrativa, a mecânica e as regras do jogo e estendeu-se entre fevereiro e maio de 2015, como pôde ser observado anteriormente na Figura 4 – Cronograma das fases: desenvolvimento e teste do Aventura Climática©. A narrativa foi aperfeiçoada a partir das modificações realizadas na mecânica do jogo e no modo como as equipas colaboram entre si. A mecânica foi revista a fim de verificar como a passagem de uma casa para outra durante o percurso no tapete do jogo seguia um fluxo dinâmico que permitisse uma continuidade sem que houvesse interrupção até à saída da atmosfera. A mecânica também sofreu revisão pois era necessário encontrar um elemento que trouxesse mais cooperação entre os participantes durante a partida,

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principalmente entre os integrantes de cada uma das equipas. As regras foram submetidas a uma revisão para saber se estavam alinhadas com a mecânica do jogo e com o aperfeiçoamento realizado.

Metodologia: como foi feito?

Os procedimentos metodológicos utilizados na Etapa 2 da fase de desenvolvimento são o feedback e o mapeamento de resultados. Para a captação de feedback, utilizámos a técnica da sessão de cocriação. Tanto a técnica quanto os procedimentos utilizados já foram descritos no tópico Metodologia, que abordou o design thinking. O feedback foi captado numa sessão de cocriação realizada com um consultor e o seu assistente direto, ambos profissionais de sistema, especializados em simulação para formação profissional no mundo dos negócios. O objetivo da sessão era o de rever a mecânica para incluir elementos a fim de incrementar a cooperação entre participantes durante o curso do jogo e também o de rever as regras para que estivessem alinhadas com a nova mecânica. O mapeamento de resultados foi realizado tendo por base as notas apontadas pela investigadora e autora líder do jogo durante a sessão de cocriação.

Os profissionais contactados são de área correlacionada com a da usada na solução do problema, permitindo assim um diálogo sobre o jogo como canal de comunicação para proporcionar proximidade entre a questão das alterações climáticas e o indivíduo. Seguindo o que estabelece a metodologia de Design Thinking, a sessão de cocriação permite alargar a visão do designer e/ou da equipa de designers (Vianna et al., 2012, pp. 99-120). As sugestões resultantes da sessão de cocriação podem ou não ser incorporadas no projeto, e esta deve acontecer principalmente durante o feedback, pois já existe algo tangível a ser discutido (Ideo, 2011, p. 38). A autora líder do jogo e investigadora, nesta investigação, faz papel de designer e/ou integra a equipa de designers.

Entrámos em contacto com o consultor e o seu assistente direto, os quais residem em San Diego (CA), cidade em que também reside atualmente a investigadora. Eles fazem parte da nossa rede de relacionamentos profissionais entre os brasileiros e falantes de língua portuguesa residentes na cidade. Nesse contacto, solicitámos apoio para o desenvolvimento da solução e convidámo-los a participar numa sessão de cocriação. Ambos aceitaram prontamente colaborar. Pediram, no entanto, que os seus nomes não fossem citados.

A fim de que a sessão de cocriação fosse a mais produtiva possível, enviámos os documentos resultanes da Etapa 1 da fase de desenvolvimento e informámos que nosso objetivo era tornar o jogo mais cooperativo entre os participantes e principalmente entre os integrantes das equipas. Por ocasião do convite, comentámos que, com base na nossa sessão de brainstorming realizada na fase de criação, era necessário contemplar a tomada de decisão sobre concentração de carbono e não

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somente que os peões das equipas carregassem carbono (em analogia com os balões) durante a aventura pela atmosfera.

Três semanas depois do contacto e do envio dos documentos, foi agendado um encontro presencial, que durou quatro horas, para que fosse realizada a sessão de cocriação, na qual as contribuições seriam discutidas e analisadas.

Durante a sessão, discutimos a sugestão de incluir paragens obrigatórias e/ou pausas no caminho durante o percurso pelas casas do tapete do jogo, o que, na perespetiva dos profissionais, permitiria que os jogadores pudessem simular situações da vida real. Também discutimos como alinhar as cartas com a inclusão dessas sugestões na mecânica do jogo.

Resultados: o que foi apurado?

O mapeamento de resultados da sessão de cocriação tem por base as notas por nós apontadas durante a sessão, sem uso de quipamentos, e está agrupado em três tópicos: mecânica, regras e cartas. Para nós, como autora líder do jogo e investigadora, a sugestão de paragens obrigatórias ao longo do percurso atendeu à necessidade de proporcionar mais cooperação entre os jogadores, e por isso decidimos incorporar a sugestão no jogo a partir dessa Etapa 2 da fase de desenvolvimento da solução. Assim, incluimos na narrativa da aventura na atmosfera que as equipas devem tomar decisões nas casas 6 e 12 do percurso do jogo com vista a manterem-se em equilíbrio, tomando por base a quantidade de balões que o Peão da equipa carrega no seu colete. Os balões, no jogo, simbolizam carbono cuja quantidade na atmosfera resulta em extremos climáticos, provocando significativas subidas ou descidas da temperatura, que não são compatíveis com a manutenção da vida na Terra.

A paragem obrigatória, denominada Momentos de Ponderação, no Manual de Regras do Jogo, acontece nas casas 6 e 12 do percurso pela atmosfera, como referido acima. Nessas paragens, a equipa (Líder, Peão e integrantes) toma, em conjunto, uma decisão sobre a quantidade de balões (carbono) que o Peão carrega no seu colete, porque é imperativo estar em equilíbrio para se manter no jogo e o ganhar, isto é, passar pelo Portão de Saída da atmosfera. Portanto, nessas paragens obrigatórias, as equipas analisam e discutem quantos balões (carbono) o Peão carrega no seu colete e o que é melhor fazer para prosseguir pelas casas do jogo sem correr o risco de ser eliminado, ou porque morreu de frio (ficou congelado), se carregar menos do que três balões, ou porque morreu de calor (ficou torrado), se carregar mais do que 11 balões.

Ao obrigar as equipas a tomar uma decisão, essas paragens obrigatórias – Momentos de Ponderação – funcionam como uma representação da vida real, isto é, simulam situações reais que são vividas pelas pessoas tanto no plano individual como no coletivo, à semelhança de quando

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tratam de controlar as suas emissões e as suas reduções de carbono com vista à manutenção da habitabilidade da Terra. Assim, nas casas 6 e 12 do jogo, cada equipa (Líder, Peão e integrantes) tem a oportunidade de se defrontar com escolhas e de decidir, tanto coletivamente, pois os membros da equipa discutem e decidem por consenso e de modo colaborativo, como individualmente, pois o Peão necessita de carregar apenas os balões (carbono) que lhe permita estar em equilíbrio na Terra. Em síntese, tanto no âmbito coletivo como no individual, as paragens obrigatórias são uma pausa no caminho, para reflexão, individual e colectiva, sobre a concentração de carbono na atmosfera, pois no jogo o Peão e a equipa só podem ultrapassar o Portão de Saída da atmosfera, isto é, ganhar a partida, se carregarem seis, sete ou oito balões (carbono).

As cartas e a mecânica do jogo e sua interligação com as bases teóricas que fundamentam o Aventura Climática© serão apresentadas adiante, na Etapa 4 da fase de desenvolvimento.

Mecânica: a sessão de cocriação permitiu identificar que não havia um momento

durante o caminhar pelas casas no tapete do jogo para que os integrantes da equipa pudessem interagir e tomar decisões. Incluímos no jogo o momento em que os participantes tomam decisões, e elas dizem respeito à quantidade de balões que os peões têm nos seus coletes e à necessidade de buscar carbono na Caixa Fonte ou de descartar carbono na Caixa Sumidouro. Buscar ou descartar carbono está alinhado com a regra de que para ganhar o jogo é necessário sair da atmosfera com o mesmo número de balões com que a equipa entrou, podendo carregar um balão a mais ou a menos. Sem estar em equilíbrio, a equipa não pode sair da atmosfera.

Regras: a revisão fez-nos ver que as regras não estavam apresentadas numa sequência

compreensível para os jogadores e também que era necessário reformular, pois um aspeto da mecânica do jogo havia-se modificado, ao incluir as paragens obrigatórias.

Cartas: a leitura detalhada indicou que as cartas continham fontes de referência

incompletas e também alguns erros de ortografia e de gramática.

Alterações: o que mudou?

As contribuições recolhidas na sessão de cocriação permitiram-nos incorporar no jogo um componente que altera a mecânica, dando-lhe um fluxo mais dinâmico e um momento de ponderação (paragem obrigatória). Esse momento serve para que as equipas possam refletir sobre a quantidade de carbonos que possuem e como manterem-se em equilíbrio até a saída da atmosfera.

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Os três tópicos apresentados como resultado foram considerados pela investigadora, que, como autora líder do jogo, tomou a decisão de fazer as devidas incorporações na Etapa 3 da fase de desenvolvimento. Abaixo, estão descritos as alterações e/ou melhoramentos que serão levados à próxima etapa.

Mecânica: a partir da Etapa 3, o jogo deve incorporar duas paragens e/ou pausas no

caminho, uma na casa 6 e outra na casa 12, de modo que as equipas possam avaliar como estão a prosseguir em direção à saída da atmosfera. Essas paragens passaram a ser identificadas no tapete do jogo com o símbolo de um joker, que é a carta Carbono. As cartas Carbono são estacionárias no tapete sobre as casas 6 e 12, sendo lá colocadas durante a preparação para o início da partida.

Regras: as regras são alteradas de modo que contenham a paragem obrigatória, designadas

Momento de Ponderação. A paragem acontece nas casas 6 e 12 do tapete do jogo e se aplicam a cada uma das equipas. Considerámos importante elaborar um manual, de maneira que os jogadores possam ler e conhecer as regras e a sequência de procedimentos antes, durante e depois do jogo.

Cartas: uma vez que modificámos a carta Carbono, indicámos que as cartas Bónus e as

cartas Penalidade deveriam apenas ter uma revisão para saber se estão harmonizadas com as novas regras. As cartas Pergunta & Resposta devem ser revistas, principalmente para verificar as fontes de referência citadas.