4.11 Les m´ethodes de Monte-Carlo
4.11.5 Int´egration multidimensionnelle sur des domaines compliqu´es
Para organização e sistematização dos elementos a serem trabalhados nos experimentos isolados, levei em consideração alguns fatores pontuais e decisivos para o andamento da prática como: tempo, quantidade de pessoas, perfil dos/as participantes, condições físicas do local da prática e situação em que a prática foi proposta. Como não se trata de uma pesquisa quantitativa e sim qualitativa, cada experimento apresentou características bem particulares, inclusive no modo de participação dos/as envolvidos/as, de forma que não existem comparações entre os grupos e sim constatações de suas características – inclusive sócio-culturais.
Dentro de cada experimento isolado tentei manter uma estrutura parecida que contemplasse a preparação, a ação e a finalização, e ao final, sempre que possível, uma conversa para ter o feedback dos/as participantes. Saliento que em todas as ocasiões sempre foi posto de modo muito claro que se trata de um experimento de uma pesquisa em andamento – pois mesmo entregando e apresentando a dissertação não considero que a investigação tenha parado por aqui – e que no que proponho como prática não há como definir que durante a execução se esteja fazendo do jeito certo ou do jeito errado,
já que meu lugar é o de quem conduz com proposições e provocações, ficando por conta da subjetividade de cada indivíduo interpretar e externar os elementos propostos nessa condução.
1º Experimento de condução – 19.05.2015
A primeira experiência como os elementos da Dança de Iansã como possibilidade de “treinamento” para atores e atrizes aconteceu na disciplina de Poética e Teatro ministrada pelo professor doutor Robson Haderchpek, no dia 19 de Maio de 2015, finalizando o primeiro semestre do curso, como parte da avaliação da referida disciplina, sendo assim optei por compartilhar experimento de parte do meu objeto de estudo.
Vale salientar que neste primeiro experimento compartilhado eu ainda não havia passado pelos processos de en/incorporação dos elementos da Dança de Iansã, sejam eles nas aulas com Mãe Nany, nos laboratórios individuais ou com a vivência do transe mediúnico com características mais marcantes em relação ao ato de dançar, por isso mesmo considero que, de modo claro e sistematizado, esta foi a primeira vez que trouxe alguns elementos da Dança de Iansã para laboratório, embora que, em 2014, durante a escrita de minha monografia da Especialização em Antropologia tenha aplicado as imagens, que citarei abaixo, numa turma do curso de Iniciação ao Teatro pela Universidade Estadual de Alagoas/UNEAL, mais com o caráter de aquecimento do que como “treinamento” energético ou pré-expressivo, caminhos esses que a própria pesquisa veio apontando durante seu desenvolvimento.
Diferente da turma a qual conduzi o exercício embrionário da prática proposta na disciplina de Poética e Teatro, a turma do Mestrado contava com pessoas que, pelas características do próprio curso e de suas histórias de vida, já possuem experiência teórico-prática nas áreas do teatro, da dança e da performance, o que me motivou a realizar o experimento com esta condução. Enquanto que, na turma do curso de Iniciação ao Teatro na UNEAL, contava com participantes que já tinha experiência nas artes – seja como atores/atrizes, dançarinos/as, brincantes, palhaços/as e cantores – assim como pessoas que procuraram o curso como uma ferramenta para superar a timidez.
Compreender o perfil e o contexto de cada grupo envolvido na pesquisa me ajudou a compreender o sentido de conceitos trazidos por Merleau-Ponty (1999), que já foram explicitados anteriormente. E, inevitavelmente, criam-se assim relações com outros referenciais teóricos desta pesquisa, pois, ao observar as práticas propostas encontro as palavras de Inaicyra Falcão ao dizer que
O conteúdo das mensagens comunicadas pela dança resulta da interação recebida e transmitida por alguns fatores, como a característica física de cada indivíduo, o objetivo da representação e o elemento cultural, o qual determino o uso do vocabulário corporal, ritmo e regras que funcionam em determinada comunidade (FALCÃO, 2002, p. 41)
Pensando a partir desta constatação, vale a pena salientar que, embora neste grupo de participantes do Mestrado tenham pessoas que já vivenciaram dança afro ou dança de orixá como parte de sua formação artística, ninguém tem a vivência de dança apreendida dentro de um terreiro de Candomblé.
Contando com trinta minutos para realização da prática, dividi o tempo em três etapas: I – PREPARAÇÃO, II – AÇÃO e III – FINALIZAÇÃO, as quais descrevo a seguir.
I – PREPARAÇÃO
Inicialmente orientei aos participantes que fizessem seus alongamentos e aquecimentos individuais. Em seguida pedi que caminhassem pela sala, durante a caminhada pedi para que trouxessem à memória imagens que sugerissem o vento (desde a brisa à tempestade), borboletas/mariposas e búfalos/bois/vacas. O passo seguinte foi pedir que experimentassem os verbos – em forma de movimento – LANÇAR, RECEBER e EMPURRAR. Considero interessante apontar que esses três verbos foram explorados com várias partes dos corpos dos participantes. Ao experimentarem os três movimentos, dei alguns comandos de expansão, velocidade e depois da diminuição do ritmo e do movimento até o retorno ao ponto zero, o corpo parado, mas ainda em estado de alerta. Nesse momento, pedi que observassem como o corpo estava reagindo, quais grupos musculares haviam trabalhado, onde estavam as tensões.
II – AÇÃO
Para o segundo momento, dei como orientação que experimentassem os verbos
relacionados à Iansã sob a forma de ação, sendo eles CORTAR,
ESPANAR/ABANAR86e CHICOTEAR, pedindo aos participantes que se
concentrassem nas ações em si mais do que nos possíveis objetos (espada, abanador e chicote) que poderiam estar usando. Neste ponto introduzi o uso de músicas a primeira delas “Iansã comanda os ventos”, trecho da música “As Ayabás” composição de Caetano Veloso e Gilberto Gil, na voz de Maria Bethânia, do LP “Pássaro proibido” de 197687, a segunda “Obachirê Eloya Xire” de domínio público e cantada nas festas de Iansã e aqui tocada na versão do Maracatu Nação Estrela Brilhante88 e a terceira também um ponto de Iansã cantado por Maria Bethânia retirado de um documentário alemão de 1974 sobre o Candomblé89. A opção por utilizar música nesse momento se deu para experimenta-las como um estímulo à qualidade dos movimentos dos participantes.
Com as ações experimentadas sugeri que retornassem às três primeiras imagens, as mesclando em suas ações sobre os seguintes comandos:
- Como seria o vento abanando/chicoteando/cortando?
- Como seria o movimento de uma borboleta abanando/chicoteando/cortando? - Como é o corpo desse búfalo abanando/chicoteando/cortando?
Nesta etapa as relações entre os participantes começaram a se estabelecer, então sugeri que expandissem seus movimentos, explorando-os em totalidade e, gradativamente, que fossem minimizando seus movimentos, mas sem perder a sensação da energia que estava instaurada nos corpos.
86 Revisando este trecho da dissertação e após aprofundamento nas leituras, percebo que esses dois
movimentos não poderiam ser considerados na condução dos exercícios como sendo o mesmo, pois a estrutura do movimento é a mesma mas a direção em que cada um é executado dá outro significado para o gesto. ESPANAR pode ser realizado com movimentos circulares de punho, de dentro para fora, enquanto ABANAR pode ser realizado com movimentos circulares de punho, de fora para dentro. Onde temos assim, respectivamente um movimento de REPULSA e de PUXAR.
87 Áudio disponível no link: https://youtu.be/E1q1nJ65Pl8?list=FLfNul8MFaWK_kS8e5qOup4w 88 Áudio disponível no link: https://soundcloud.com/baba-egun/obachir?in=daniela-beny/sets/ians-po-tica 89 Áudio disponível no link: http://migre.me/w051f