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Influence des caractéristiques du restituteur

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3.4 LA PERCEPTION DES DISTANCES EN REALITE VIRTUELLE ET AUGMENTEE

3.4.2 Les causes de la sous-estimation des distances

3.4.2.1 Influence des caractéristiques du restituteur

quimioterapia, formas alternativas de cura, histerectomia, efeitos do tratamento, percepção sobre o câncer, dor, mudanças, corpo, historias de câncer na família, sexualidade, gestação, superação da doença, exames preventivos, acompanhamento médico, rede pública de saúde, Deus, origem da doença, novas cirurgias, trabalho, dúvidas, medo, morte, reação ao diagnóstico, etc. Assim pude perceber o que era recorrente, com parar relatos e histórias e, finalmente, decidir qual seria o m elhor caminho a ser trilhado na exposição desses dados, na forma da dissertação.

Ainda na tentativa de clarear caminhos, procurei construir uma ‘linha do tem po’ tentando perceber, baseada no tem po de diagnóstico e da etapa em que se encontrava cada informante no que diz respeito a tratamento e acompanhamento médico, as diferenças entre as narrativas no que diz respeito ao tempo verbal (passado/presente). Foi muito difícil definir quando poderia considerar que a informante já havia passado pela doença. Precisei retom ar várias vezes às narrativas e nelas verificar em que tempo os verbos eram conjugados e onde estava alocado o episódio de doença. O espaço de tempo entre a realização dos exames preventivos que aqui estou chamando de ‘exames de controle’ foi algo que surgiu em quase todos os relatos e pode servir-me como parâmetro para julgam ento. O procedimento médico padrão é de que um a vez realizada a histerectomia, o primeiro retom o deve ocorrer o mais breve possível (entre 15 e 20 dias), para verificação do resultado do exame anátomo-

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patológico . Nos três prim eiros meses, as consultas são bastante próxim as, em média de vinte a trinta dias uma em relação à outra. Não havendo maiores problemas neste período, exames clínicos de rotina e preventivos passam a ser realizados num período de três em três meses, por mais de um ano. Posteriorm ente, este período é ampliado para seis meses por cerca de dois anos e, finalmente, chegando ao recomendado para qualquer mulher: uma vez por ano. Pareceu-me razoável, então, separá-las em três grandes grupos: no primeiro grupo, estão

mulheres que ainda estão passando pela doença e não chegaram à fase de exames de três em três meses. N o segundo grupo, mulheres que fazem acompanhamento a cada três meses. No terceiro grupo, m ulheres acim a de três meses. Duas delas aparecem em dois grupos: um caso no primeiro e no terceiro e outro caso no segundo e no terceiro. No primeiro caso, trata-se de um a informante que teve o prim eiro diagnóstico de câncer no ano de mil novecentos e noventa e oito, realizou histerectom ia total e várias sessões de quimioterapia. No ano dois mil o câncer ressurgiu e precisou submeter-se a nova cirurgia e sessões de quimioterapia. Classifiquei-a nos dois grupos pois seu relato é muito marcado por menções à ‘outra vez que

teve câncer’ e ‘dessa v e z ’- O segundo caso é bastante parecido. A informante passou por

histerectom ia radical19 no ano de mil novecentos e noventa e sete e, em junho do ano dois mil, foi operada novamente.

1.3 A E scolha

C onhecer um a informante que havia recebido o diagnóstico no mês de m aio do ano dois mil e ter a oportunidade de acom panhar de perto e desde o princípio toda um a história de doença, fez com que eu entendesse o quão complexa e cheia de facetas é a vivência de uma doença como o câncer. Foi somente a partir daí que as histórias das outras informantes também passaram a fazer sentido - e que realmente senti qual poderia ser a contribuição de meu trabalho.

Resolvi contar a história dessa informante particular desdé 0 princípio, desde o prim eiro contato, para além de sua doença, demonstrando que não se trata de um estudo de caso - mas sim dem onstrar a trajetória passada por cada uma das informantes, umas num período de tem po mais distante, outras nem tanto, mas todas bem mais distantes que ela.

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Foi Rose, com certeza mais que uma informante, que me fez entender o quão pequena era m inha preocupação inicial e, ao mesmo tempo, o quão valorosa esta poderia ser. Rose é um a das informantes que ainda encontra-se no período de margem. Sua história, talvez muito mais marcadamente que as histórias de outras informantes, ou o final das sua história, é incompleto.

M inha tentativa ao contar a história de Rose será de não retirar os diálogos do contexto original (Crapanzano, 1991) e evitar falar ‘por sobre’, ‘além dela’ - mas sim buscando conferir o sentido ao longo do processo de revelação, também me inserindo na história contada (Tedlock, 1986).

O trabalho encontra-se estruturado da seguinte forma: no capítulo que se segue, discorrerei sobre a visão biom édica acerca do câncer. O que é o câncer, as categorias de causalidade, o que significa a cura e os motivos da realização da histerectom ia (do ponto de vista biomédico) serão apresentados basicamente para dem onstrar as diferenças entre a narrativa médica e a experiência vivida pelas mulheres no que diz respeito à doença.

N o capítulo posterior, apresentarei a história de Rose e as dem ais histórias às quais tive acesso, tanto nos pontos onde possuem semelhanças quanto nos de divergência.

No capítulo seguinte, farei um resgate geral das questões que surgiram ao longo do trabalho e registrarei as considerações finais, iniciando a discussão sobre questões que me pareceram pertinentes e que podem suscitar futuras pesquisas, tais com o a relação çorpo/gênero e o saber/poder médico em relação ao corpo feminino.

Tenho a sensação de que a intensidade dos relatos e da relação estabelecida com as informantes não foi possível de ser transcrita para o papel: para m inha experiência pessoal como pesquisadora, o que percebi, vi e principalmente senti foi m uito m aior do que as linhas que consegui redigir. Essa pesquisa não pode oferecer dados para a construção de

19 Este é um nome ‘o ficio so ’ dado à cirurgia, pelos próprios m édicos, que retira útero, ovário, trompas e rede ganglionar pélvica. Também cham ado de pan-histerectomia.

um a causalidade do câncer, tam pouco é essa minha intenção. O enfoque adotado não têm condições de oferecer dados com a precisão explicativa das ciências naturais, mas creio que não é esta, enquanto aspirante a antropóloga, a minha tarefa. Esta, sim, é responder quais são as situações sociais, as biografias sociais típicas, os tipos de sociedade e instituições nas quais tal fisiologia acontece. A resposta nesse contexto pode ser de probabilidade ou de plausibilidade, nunca causal.

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