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III.3 Choix des candidates et pessimisme

III.3.2 Incertitudes structur´ees

A tabela abaixo mostra que, depois de controlados por características observadas, não

havia diferenças sistemáticas de proficiência entre os grupos antes do tratamento e que entre

2005 e 2007 não houve evolução nas notas gerada por efeitos temporais comuns a ambos os

grupos.

Tabela 10

Resultados do modelo de DID para resultados de proficiência – escolas públicas e

privadas

Amostra total

Amostra do intervalo [7,12]

Matemática

Português

Matemática

Português

Dummy grupo

1,819

-3,016

-10,095

-10,920

(2,938)

(2,579)

(9,479)

(7,671)

Dummy ano

-1,915

-0,992

2,345

-2,856

(2,983)

(2,716)

(5,197)

(4,179)

Trat.

5,463

6,443

**

3,568

2,612

(3,405)

(3,013)

(7,536)

(6,480)

Controles

Sim

Sim

Sim

Sim

N. Obs

35.624

35.568

3.537

3.479

R

2

0,340

0,290

0,332

0,327

Nota: * p-valor < 0,1; ** p-valor < 0,5; *** p-valor < 0,01. Desvios-padrão (corrigidos por cluster nas escolas) entre parênteses.

As estimativas para a amostra total revelam que o grupo tratado teve crescimento na

nota de Português em relação ao grupo de comparação, cujo resultado manteve-se em média

igual no período. Enquanto os alunos das escolas de fora da divulgação mantiveram seu

desempenho entre 2005 e 2007, os que estudam nas escolas tratadas tiveram crescimento de

6,4 pontos de proficiência em Português.

Porém, como já foi argumentado, os grupos de tratamento e comparação na amostra

total devem ser diferentes não apenas em características observáveis (que neste caso já estão

controladas), mas em não observáveis, o que justificaria usar uma amostra com escolas mais

próximas ao cutoff.

Quando tomamos então um grupo de escolas que teve entre 7 e 12 alunos prestando

ENEM 2005 percebe-se que a significância estatística do efeito do tratamento desaparece.

Assim, quando se comparam escolas mais parecidas, a divulgação das notas do ENEM não

parece ter impactado a proficiência medida pelo Saeb.

As tabelas A.03 e A.05 do anexo A trazem resultados para outros cortes amostrais

(escolas com 10 e 5 alunos acima e abaixo do cutoff). Nestes casos prevalecem os efeitos não

significativos obtidos para a amostra menor.

Neste anexo também constam resultados para escolas públicas e privadas

separadamente. Nestes casos, não há efeitos significativos para nenhuma as amostras, exceto

para a amostra de escolas públicas com 0 a 19 alunos prestando ENEM, em que o efeito do

tratamento sobre as notas de Português aparece negativo.

Tabela 11

Resultados do modelo de DID para resultados de insumos de infra-estrutura

Amostra total

Amostra do intervalo [7,12]

Biblio.

Lab.

Info.

Lab.

Ciên.

Internet Biblio.

Lab.

Info.

Lab.

Ciên.

Internet

Dummy grupo

0,016

-0,052

0,044

-0,013

-0,183 -0,301

*

-0,50

***

-0,268

**

(0,047) (0,051) (0,053) (0,046) (0,116) (0,177) (0,149) (0,124)

Dummy ano

0,055

0,123

**

-0,012

-0,022

0,018

0,096

-0,052

-0,003

(0,046) (0,051) (0,050) (0,050) (0,064) (0,086) (0,081) (0,077)

Trat.

0,001

0,044

0,040

0,052

0,023

0,056

0,196

0,137

(0,052) (0,059) (0,058) (0,055) (0,112) (0,159) (0,141) (0,123)

Controle

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

N. Obs

118.373 118.373 118.373 114.745 11.370 11.370 11.370 11.050

R

2

0,092

0,116

0,166

0,139

0,226

0,175

0,263

0,219

Nota1: * p-valor < 0,1; ** p-valor < 0,5; *** p-valor < 0,01.

Um primeiro ponto a se destacar sobre os resultados de infra-estrutura é que mesmo

após controlar por variáveis observadas (neste caso apenas dos diretores e de localização da

escola) e reduzindo a amostra a escolas mais próximas ao corte, há persistência de diferenças

pré-tratamento na infra-estrutura.

É possível perceber que no grupo tratado há menor presença de laboratórios e de

computadores com internet na amostra menor. O que se esperaria é que estas escolas

estivessem tão próximas que, após a inclusão das variáveis de controle, estas diferenças não

permaneceriam.

Um segundo aspecto de destaque é que quase não se observa efeitos temporais nas

amostras, isto é, de maneira geral as escolas não alteraram a presença destes insumos entre

2005 e 2007, exceto a de laboratórios de informática que se elevou no período.

Quanto ao efeito do tratamento, repara-se que são todos positivos, porém não é

possível diferenciá-los de zero a um nível de significância de 10%. Resultados não

significativos também foram encontrados em outros tamanhos de amostra (entre 0 e 19 alunos

e entre 5 e 14 alunos) para todos estes insumos, exceto para computadores com internet, que

aparece com efeito de tratamento positivo e significante apenas na amostra com 5 a 14

participantes do ENEM

17

.

Em suma, os resultados sobre estes itens de infra-estrutura escolar, ainda que

significantes em alguns casos, não são robustos às amostras analisadas.

As tabelas A.17-A.24 e A.33-A.40 do anexo A mostram os resultados para outros

cortes amostrais. Considerando-se apenas as escolas privadas o tratamento não parece ter

influenciado, de forma robusta entre amostra de diferentes tamanhos, a presença de insumos

de infra-estrutura. Para as escolas públicas o tratamento parece ter diminuído a presença de

laboratórios de informática, mas elevado a presença de computadores com acesso a internet.

Estes resultados, no entanto, também não são robustos ao tipo de amostra adotado.

Tabela 12

Resultados do modelo de DID para resultados de insumos não associados a infra-estrutura

Amostra total

Amostra do intervalo [7,12]

Projeto

pedag.

Prova de

seleção

Aulas de

reforço

Projeto

pedag.

Prova de

seleção

Aulas de

reforço

Dummy grupo

0,033

0,080

***

0,042

-0,017

0,016

-0,023

(0,051)

(0,030)

(0,047)

(0,151)

(0,099)

(0,140)

Dummy ano

-0,194

***

0,032

0,008

-0,293

***

0,013

-0,010

(0,056)

(0,029)

(0,049)

(0,079)

(0,052)

(0,082)

Trat.

0,023

-0,029

-0,058

0,078

-0,154

**

0,011

(0,064)

(0,036)

(0,057)

(0,141)

(0,078)

(0,147)

Controles

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

N. Obs

114.671

116.142

112.820

11.247

11.308

10.799

R

2

0,095

0,134

0,127

0,189

0,286

0,275

Nota1: * p-valor < 0,1; ** p-valor < 0,5; *** p-valor < 0,01.

Nota2: desvios-padrão (corrigidos por cluster nas escolas) entre parênteses.

Os efeitos de tratamento estimados apontam para diferentes direções, como no caso

dos demais insumos. No caso do projeto pedagógico, as estimativas apontam que as escolas

de maneira geral passaram a ter menos projetos elaborados internamente em 2007 (efeito

negativo da dummy de ano), mas nas escolas tratadas esta redução foi menor, resultado dado

pelo valor positivo do coeficiente de tratamento. Este resultado, porém, não é estatisticamente

significante a 10%.

Já para a existência de exames de seleção de alunos, percebe-se um efeito de

tratamento negativo. A probabilidade de escolas tratadas terem exames para seleção dos

alunos é 2,9 p.p. menor, para a amostra total, e 15,4 p.p. menor na amostra mais próxima do

cutoff. No entanto, apenas no último caso é possível afirmar com ao menos 10% de

significância que o efeito do tratamento seja diferente de zero.

Para estes insumos observa-se que os grupos não eram diferentes antes do tratamento e

há, no caso da existência de projeto pedagógico elaborado pela equipe escolar, uma evolução

temporal negativa. Isto significa que entre 2005 e 2007 aumentou a proporção de escolas que

adotam modelos externos de projeto pedagógico, independente do grupo a que a escola

pertence.

Quando adicionamos à análise os resultados para outros tamanhos de amostra,

mostrados no anexo A, pode-se notar que consistentemente o efeito do tratamento estimado é

negativo para exames de seleção. Já para as aulas de reforço e projeto pedagógico, os efeitos

são não significativos para todas as amostras.

Assim, quanto a insumos não ligados a estrutura física da escola parece que as escolas

tratadas parecem ter uma seletividade menor de seus alunos que as não tratadas, o que deve

indicar que a reação das escolas não ocorre via seleção dos melhores alunos.

Por fim, a análise dos resultados para diferentes redes de ensino revela uma reação

maior das escolas privadas. É possível notar que entre as escolas privadas o efeito do

tratamento é consistentemente negativo sobre exames de seleção. O mesmo não acontece com

as públicas, para as quais não há impactos significantes sobre estes insumos em nenhuma das

amostras avaliadas.