de estudar o diagnóstico de enfermagem? Não estou à vontade para ensinar diagnósticos de enfermagem, uma vez que nunca aprendi sobre eles durante o curso. Algumas recomendações?
O uso deste livro é um bom começo! Primeiro, porém, realmente recomendamos que use algum tempo aprendendo/revisando conceitos que apoiam os diagnósticos. Pense sobre o tanto que você conhece sobre ventilação, enfrentamento, tolerância à atividade, mobilidade, padrões alimentares, padrões de sono, perfusão tissular, etc. Na verdade, há necessidade de você começar com um entendimento firme desses fenômenos “neutros”. O que é normal? O que você esperaria encontrar em um paciente saudável? Que fatores fisiológicos/psicológicos/sociológicos influenciam esses padrões normais? Assim que você entender realmente os conceitos, poderá passar para os desvios da norma: como identificar dados para eles? Que outras áreas da saúde da pessoa podem estar afetadas se ocorrer um desvio? Que tipos de coisas colocariam alguém em risco de desenvolvimento de uma resposta indesejada? Quais são os pontos positivos com que as pessoas podem contar para melhorarem essa área de sua saúde? O que os enfermeiros estão dizendo sobre esses fenômenos – que pesquisas estão sendo feitas? Há diretrizes clínicas de prática? Todas essas áreas do conhecimento contribuirão para que você compreenda o diagnóstico de enfermagem – afinal, diagnósticos de enfermagem dão nome aos conhecimentos da disciplina.
Não basta pegar este livro, ou qualquer outro, e começar a registrar diagnósticos que “pareçam” adaptar-se ao paciente, ou que tenham ligação com um diagnóstico médico de algum modo padronizado. Assim que você realmente entender os conceitos, começará a ver padrões nos dados da sua coleta que indicarão estados de risco, estados problemáticos e pontos fortes – então você poderá aprimorar sua compreensão dos diagnósticos por meio de uma análise das definições e indicadores diagnósticos para os diagnósticos que pareçam representar a maioria das respostas do paciente encontradas em sua prática. Existem diagnósticos centrais em todas as áreas de prática e é neles que você desejará concentrar-se para construir as primeiras experiências.
Devo escolher um diagnóstico de cada um dos 13 domínios e combinar no final da coleta de dados?
Embora saibamos que alguns professores ensinem assim, não é um método que conta com nosso apoio. Designar, de forma arbitrária, determinado número de diagnósticos a serem analisados não é algo prático nem que reflita, necessariamente, a realidade do paciente. Além disso, conforme antes registrado, os domínios não têm formato de coleta de dados. Você deve completar um instrumento de coleta de dados de enfermagem e, enquanto realiza isso, começará a construir hipóteses sobre os diagnósticos potenciais. Isso, por sua vez, deverá gerar uma coleta mais focalizada para descartar ou confirmar as hipóteses. Coletar dados é um processo fluido – um dado pode levá-lo de volta a dados antes obtidos, ou pode exigir análise mais profunda para a coleta de informações adicionais. Recomendamos o uso de um instrumento de coleta de dados fundamentado em um modelo de enfermagem, como o dos Padrões de Saúde Funcional de Gordon. Embora a taxonomia seja, atualmente, adaptada desses padrões, a estrutura do instrumento de coleta de dados de enfermagem dá suporte aos enfermeiros que fazem uma
entrevista e um levantamento do paciente, possibilitando (e encorajando!) uma análise fluida de como os dados e as informações obtidos dos padrões interagem enquanto a coleta está sendo realizada.
Meus professores não permitem o uso de diagnósticos de risco porque, dizem, nosso foco é em diagnósticos “reais”. Os riscos dos pacientes não são “reais”?
Sem dúvida! Diagnósticos de risco podem, na verdade, ser diagnósticos de elevada prioridade para os pacientes – um indivíduo com vulnerabilidade significativa a infecções, quedas, úlcera de pressão ou sangramento pode não ter um diagnóstico mais crítico que de risco. O uso anterior do termo diagnóstico “real” pode levar a essa confusão – alguns interpretaram isso de modo a significar que o diagnóstico real (com foco no problema) era mais “real” que o de risco. Pense na jovem mulher que acabou de dar à luz um bebê recém-nascido saudável, mas que desenvolveu coagulação intravascular disseminada durante a gestação e possui uma história de hemorragia pós-parto. É bem possível que ela não tenha outro diagnóstico altamente prioritário quanto o de Risco de sangramento (00206). Talvez ela tenha Dor aguda (00132) em decorrência da episiotomia, pode ter Ansiedade (00146) e Disposição para amamentação melhorada (00106), mas qualquer enfermeiro perinatal dirá que o foco número um será Risco de sangramento.
Nosso currículo básico de enfermagem já está cheio. Quando devem ser ensinados os diagnósticos de enfermagem e quem deve fazer isso?
A enfermagem, tal como outras áreas, batalha para passar de um sistema carregado de conteúdo para um processo educativo baseado no aprendiz, com foco no raciocínio. Durante, no mínimo, várias décadas passadas, o padrão na educação de enfermagem foi tentar incluir cada vez mais informações em palestras, leituras e tarefas, levando a um padrão de memorização e regurgitação de conhecimentos (comumente seguido do esquecimento da maior parte do que fora “aprendido” logo em seguida). Isso simplesmente não funciona! A velocidade do surgimento de conhecimentos aumenta de modo exponencial – não podemos continuar a ensinar cada informação necessária. Em vez disso, precisamos ensinar conceitos centrais, ensinar os estudantes a raciocinarem, a descobrirem conhecimentos e saberem o que é confiável, além da forma de aplicação. Precisamos dar-lhes os instrumentos que levam a um aprendizado permanente, e o raciocínio clínico é, possivelmente, o mais fundamental de todos. Mas tal raciocínio exige um campo de conhecimentos – no caso, a enfermagem – demandando o domínio dos conhecimentos de nossa disciplina, representados pelos diagnósticos de enfermagem.
Cada um dos professores na enfermagem precisa ensinar diagnósticos de enfermagem – em qualquer curso e como o foco do curso. Aprendendo os conceitos, os estudantes aprenderão sobre disciplinas relacionadas, seus diagnósticos e tratamentos padronizados; também aprenderão sobre as respostas humanas e como diferem sob uma variedade de situações, ou conforme idade, gênero, cultura, etc. A reestruturação dos currículos para realmente focalizarem a enfermagem pode soar radical, embora seja a única maneira de, com solidez, proporcionar conteúdos de enfermagem para os futuros enfermeiros. Ensinar, primeiro, os diagnósticos centrais que perpassam todas as áreas de prática; depois, com os estudantes aumentando os conhecimentos, ensinar os diagnósticos centrais por especialidade. O restante – aqueles que não ocorrem com frequência, ou ocorrem somente em condições muito específicas – será aprendido com a prática