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Implementing Disk Quotas

Dans le document Red Hat Linux 8.0 (Page 68-0)

II. Resource Management

5. Managing Storage

5.7. Implementing Disk Quotas

O teorema de Hahn-Banach tamb´em ´e crucial para estabelecer uma teoria satisfat´oria de operadores adjuntos. A partir desta se¸c˜ao, frequentemente usaremos a nota¸c˜ao

hf, xi = f (x)

se x ∈ E e f : E −→ R ´e um funcional linear.

3.11 Defini¸c˜ao. Sejam E, F espa¸cos vetoriais normados e A : E −→ F um operador linear limitado. O operador adjunto A∗: F−→ E´e o ´unico operador linear limitado que satisfaz

hg, Axi = hA∗g, xi

para todos x ∈ E e g ∈ F∗.

3.12 Proposi¸c˜ao. O operador adjunto est´a bem definido. Al´em disso,

kA∗k = kAk .

Prova. De fato, se A : E −→ F ´e um operador linear limitado e g ∈ F∗, ent˜ao o funcional f : E −→ R

definido por

f (x) = g (Ax)

´e um funcional linear limitado, pois

|f (x)| = |g (Ax)| 6 kgk kAxk 6 kgk kAk kxk .

Logo, podemos definir A∗: F−→ E por

A∗g = f.

A desigualdade que provamos acima implica que kA∗gk = kf k 6 kAk kgk, portanto

kA∗k 6 kAk .

Por outro lado,

kA∗k = sup g∈F∗\{0}

kA∗gk

kgk .

Pelo teorema de Hahn-Banach (Corol´ario 2.24), se x0∈ E ´e tal que kx0k = 1 e Ax06= 0, ent˜ao existe g ∈ F∗

tal que kgk = 1 e g (Ax0) = kAx0k . Logo kA∗gk kgk = kA gk > |hA∗g, x0i| kx0k = |hg, Ax0i| = kAx0k . Assim, kA∗k > kAx 0k

para todo x0∈ E tal que kx0k = 1, donde

kA∗k > sup

kx0k=1

kAx0k = kAk .

¥

3.13 Defini¸c˜ao. Sejam E, F espa¸cos vetoriais e A : E −→ F um operador linear. O n´ucleo de A ´e o subespa¸co vetorial de E definido por

N (A) = {x ∈ E : Ax = 0}

e a imagem de A ´e o subespa¸co vetorial de F definido por

R (A) = {y ∈ F : y = Ax para algum x ∈ E} .

Uma das raz˜oes de se considerar operadores adjuntos ´e dada a seguir. Muitos problemas em matem´atica pura e aplicada podem ser formulados da seguinte forma: dados espa¸cos vetoriais normados E, F e um operador linear A : E −→ F , encontrar uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao

Ax = y.

Se y ∈ R (A), esta equa¸c˜ao possuir uma solu¸c˜ao x. Ent˜ao, para cada g ∈ F∗ n´os temos

g (Ax) = g (y)

e tomando o operador adjunto segue que

(A∗g) (x) = g (y)

Se g ∈ N (A∗), isto d´a

g (y) = 0

Portanto, uma condi¸c˜ao necess´aria para que y ∈ R (A) ´e que g (y) = 0 para todo g ∈ N (A∗). A quest˜ao

fundamental a ser respondida ´e se esta condi¸c˜ao tamb´em ´e suficiente. Em dimens˜ao finita, esta condi¸c˜ao ´e verdadeira, conhecida como a alternativa de Fredholm. Veremos como essa condi¸c˜ao ´e traduzida para espa¸cos vetoriais normados em geral. Antes, estabelecemos nota¸c˜ao.

3.14 Defini¸c˜ao. Sejam E um espa¸co vetorial normado e V ⊂ E um subespa¸co vetorial. O anulador de V ´e o subespa¸co vetorial V⊥ de E dos funcionais lineares que anulam V , isto ´e,

V⊥= {f ∈ E: f (x) = 0 para todo x ∈ V } .

Analogamente, se W ´e um subespa¸co vetorial de E∗, o anulador de W ´e o subespa¸co vetorial W de

E dos vetores que s˜ao anulados pelos funcionais lineares de W , ou seja, W⊥ = {x ∈ E : f (x) = 0 para todo f ∈ W } .

3.15 Proposi¸c˜ao. Se E ´e um espa¸co vetorial normado, V ´e um subespa¸co vetorial de E e W ´e um subespa¸co

vetorial de E∗, ent˜ao V e W s˜ao fechados. Al´em disso,

¡

V⊥¢= V

e ¡

W⊥¢⊃ W

Prova. Seja {fn}n∈N⊂ V⊥ tal que fn→ f em E∗. Ent˜ao

fn(x) → f (x) para todo x ∈ E.

Seja {xn}n∈N⊂ W⊥ tal que xn→ x em E. Ent˜ao

f (xn) → f (x) para todo f ∈ E∗

pois f ´e cont´ınuo. Em particular isso vale para f ∈ W , logo f (x) = 0 para todo f ∈ W , donde x ∈ W⊥.

Claramente V ⊂¡V⊥¢e como¡V¢´e fechado, segue que V ⊂¡V¢. Reciprocamente, suponha por

absurdo que existe x0

¡

V⊥¢ tal que x

0∈ V . Pelo teorema de Hahn-Banach existe f ∈ E/ tal que f ≡ 0

em V e f (x0) 6= 0. Mas ent˜ao f ∈ V⊥ e n˜ao podemos ter x0

¡

V⊥¢. ¥

Em particular, se V ´e um subespa¸co fechado de E, vale a igualdade ¡

V⊥¢= V.

Veremos no pr´oximo cap´ıtulo que se E ´e reflexivo vale a igualdade ¡

W⊥¢= W

3.16 Teorema. Sejam E, F espa¸cos vetoriais normados e A : E −→ F uma aplica¸c˜ao linear. Ent˜ao vale: (i) N (A) = R (A∗) . (ii) N (A∗) = R (A). (iii) R (A) = N (A∗) . (iv) R (A∗) ⊂ N (A).

Prova. (i) Se x ∈ N (A), ent˜ao

hA∗g, xi = hg, Axi = hg, 0i = 0

para todo g ∈ F∗, ou seja, x ∈ R (A)

. Reciprocamente, se x ∈ R (A∗)

, ent˜ao

hg, Axi = hA∗g, xi = 0

para todo g ∈ F∗, ou seja, Ax = 0 e x ∈ N (A).

(ii) Se g ∈ N (A∗), ent˜ao

hg, Axi = hA∗g, xi = h0, xi = 0

para todo x ∈ E, logo g ∈ R (A)⊥. Reciprocamente, se g ∈ R (A)⊥, ent˜ao

hA∗g, xi = hg, Axi = 0

para todo x ∈ E, logo A∗g = 0 e g ∈ N (A).

(iii) e (iv) decorrem da aplica¸c˜ao da proposi¸c˜ao anterior a (ii) e (i), respectivamente. ¥

3.17 Corol´ario. Seja E um espa¸co vetorial normado de dimens˜ao finita e A : E −→ E um operador linear.

Ent˜ao

A ´e injetiva se e somente se A∗ ´e sobrejetiva e

A ´e sobrejetiva se e somente se A∗ ´e injetiva.

No caso de espa¸cos de Banach mais gerais, podemos concluir que se A ´e sobrejetiva ent˜ao A∗´e injetiva:

3.18 Teorema. Sejam E, F espa¸cos de Banach e A : E −→ F uma aplica¸c˜ao linear fechada. Ent˜ao s˜ao

equivalentes

(ii) A∗ ´e limitado inferiormente.

(iii) A ´e uma aplica¸c˜ao aberta.

Prova. Pelo teorema do gr´afico fechado, A ´e limitada.

(i)⇒(ii) Como A ´e sobrejetiva, pelo teorema da aplica¸c˜ao aberta existe r > 0 tal que A (B1(0)) ⊃ Br(0).

Logo,

kA∗gk = sup kxk61

|hA∗g, xi| = sup kxk61

|hg, Axi| > r sup

kyk61

|hg, yi| = r kgk .

(ii)=⇒(iii)Vamos mostrar que A satisfaz o primeiro passo da demonstra¸c˜ao do teorema da aplica¸c˜ao aberta: existe r > 0 tal que

A (B1(0)) ⊃ Br(0) .

Como A ´e limitada, seguir´a do segundo passo da demonstra¸c˜ao daquele teorema que A ´e aberta. Seja r > 0 tal que

kA∗gk > r kgk

para todo g ∈ F∗. Equivalentemente, mostraremos que se y

0 ∈ A (B/ 1(0)), ent˜ao ky0k > r. Aplicando a

segunda forma geom´etrica do teorema de Hanh-Banach aos conjuntos convexos {y} e A (B1(0)), obtemos

g ∈ F∗tal que

|g (y)| < 1 < |g (y0)|

para todo y ∈ A (B1(0)) (podemos tomar g = f /α para f, α do enunciado daquele teorema). Em particular,

isto implica que

kA∗gk = sup kxk61

|hA∗g, xi| = sup kxk61

|hg, Axi| 6 1

e

r < r |g (y0)| 6 r kgk ky0k 6 kA∗gk ky0k 6 ky0k ,

conforme quer´ıamos.

(iii)⇒(i) Como A ´e aberta, R (A) ´e um subespa¸co vetorial aberto de F . Isso s´o ´e poss´ıvel se R (A) = F . ¥ 3.19 Teorema. (Teorema da Imagem Fechada de Banach) Sejam E, F espa¸cos de Banach e A : E −→ F

uma aplica¸c˜ao linear fechada. Ent˜ao s˜ao equivalentes

(i) R (A) ´e fechado. (ii) R (A∗) ´e fechado.

(iii) R (A) = N (A∗)

.

(iv) R (A∗) = N (A)

.

Prova. (i)⇔(iii) segue diretamente do Teorema 3.16, logo ´e suficiente provar a cadeia de implica¸c˜oes (i)⇒(iv)⇒(ii)⇒(i).

(i)⇒(iv) Pelo Teorema 3.16, temos R (A∗) ⊂ N (A)

, logo resta apenas mostrar que N (A)⊥⊂ R (A∗). Seja

f ∈ N (A)⊥; vamos obter g ∈ F∗ tal que Ag = f . Defina um funcional linear g

0: R (A) −→ R por

g0(Ax) = f (x)

para todo x ∈ E. g0 est´a bem definido, porque se Ax1= Ax2 ent˜ao x1− x2 ∈ N (A), logo f (x1− x2) = 0.

Para ver que g0 ´e limitada, considere a restri¸c˜ao de contradom´ınio A : E −→ R (A); como R (A) ´e um

subespa¸co vetorial fechado de um espa¸co de Banach, ele tamb´em ´e um espa¸co de Banach e podemos aplicar o teorema da aplica¸c˜ao aberta para concluir que existe r > 0 tal que

onde Br(0)R(A) denota a bola aberta de centro na origem e raio r no espa¸co de Banach R (A). Isso implica

que existe C > 0 tal que para todo y ∈ R (A) existe x ∈ E satisfazendo Ax = y e kxk 6 C kyk. De fato, se

y ∈ R (A), ent˜ao r

2 kyky ∈ Br(0)R(A), logo existe z ∈ B1(0) tal que

Az = r 2 kyky e podemos tomar x = 2 kyk r z de modo que Ax = y e kxk 6 r 2kyk. Da´ı,

|g0(y)| = |g0(Ax)| = |f (x)| 6 kf k kxk 6 C kf k kyk .

Portanto, pelo teorema de Hahn-Banach g0pode ser estendida a um funcional g ∈ F∗ com

hA∗g, xi = hg, Axi = hg

0, Axi = f (x) .

(iv)⇒(ii) Pelo Teorema 3.16,

R (A∗) ⊂ R (A) ⊂ N (A),

logo se R (A∗) = N (A), segue que R (A) = R (A).

(ii)⇒(i) Seja Z = R (A). Como R (A) ´e denso em Z, o anulador de R (A) em Z s´o pode ser o funcional nulo. Defina S : E −→ Z por Sx = Ax (S ´e uma extens˜ao do contradom´ınio de A). Observe que como A ´e fechada, pelo teorema do gr´afico fechado A ´e limitada e portanto S tamb´em ´e. Al´em disso, R (S) = R (A), donde

R (S)⊥ = 0, como acabamos de observar. Mas, pelo Teorema 3.16, N (S∗) = R (S)

, portanto conclu´ımos que S∗´e injetiva.

Agora vamos mostrar que R (S∗) = R (A). Seja g

0∈ Z∗. Pelo teorema de Hahn-Banach, existe g ∈ F∗

extens˜ao de g0. Da´ı,

hA∗g, xi = hg, Axi = hg, Sxi = hg0, Sxi = hS∗g0, xi

para todo x ∈ E, o que mostra que S∗g

0∈ R (A∗), ou seja, provamos que R (S∗) ⊂ R (A∗). Reciprocamente,

se g ∈ F∗, considere a restri¸c˜ao g

0= g|Z. Temos, de modo an´alogo,

hS∗g0, xi = hg0, Sxi = hg, Sxi = hg, Axi = hA∗g, xi

para todo x ∈ E, donde R (A∗) ⊂ R (S). Por hip´otese, temos ent˜ao que R (S) ´e fechado, portanto ´e um

espa¸co de Banach, j´a que ´e um subespa¸co vetorial fechado do espa¸co de Banach Z∗(lembre-se que o dual de

um espa¸co vetorial normado sempre ´e um espa¸co de Banach).

Obtemos ent˜ao que a restri¸c˜ao de contradom´ınio S∗ : Z −→ R (S) ´e um operador linear cont´ınuo

bijetivo. Pelo Corol´ario 3.7, a inversa (S∗)−1

existe e ´e cont´ınua. Em particular, S∗´e limitada inferiormente

e existe m > 0 tal que

kS∗g0k > m kg0k

para todo g0∈ Z∗. O teorema anterior implica que R (S) = Z, logo R (A) = Z e portanto R (A) ´e fechado.

¥

Portanto, se R (A) ´e fechado (por exemplo, se A for limitado), uma condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para que

3.4

Exerc´ıcios

3.1 Seja T : E −→ F um operador linear limitado inferiormente tal que Im T ´e um subespa¸co fechado de

F . Mostre que T−1´e um operador linear fechado.

3.2 Mostre que se a inversa de um operador linear fechado existir, ent˜ao ela tamb´em ´e um operador linear fechado.

3.3 Mostre que operador linear D : C1([0, 1]) −→ C ([0, 1]) definido por

Df = f0 ´e fechado. 3.4 Seja E = ½ f ∈ C ([0, 1]) : existe lim t→0+ f (t) t ¾ .

Defina uma aplica¸c˜ao linear T : E −→ C ([0, 1]) por

T f (t) =      f (t) t se t 6= 0, lim t→0+ f (t) t se t = 0.

Mostre que T ´e fechado.

3.5 Sejam E, F espa¸cos de Banach e {Tn}n∈N ⊂ L (E, F ) tal que {f (Tnx)}n∈N ´e uma sequˆencia limitada

para todo x ∈ E e para todo f ∈ F∗. Mostre que {T

n}n∈N ´e uniformemente limitada.

3.6 Se E, F s˜ao espa¸cos vetoriais normados, mostre que (E × F )∗= E∗× F.

3.7 Considere o seguinte subespa¸co de `1:

F = ( (xn)n∈N∈ `1: X n=1 n |xn| < ∞ )

a) Mostre que F ´e um subespa¸co vetorial pr´oprio denso de `1, portanto F n˜ao ´e um espa¸co de

Banach.

b) Verifique que a aplica¸c˜ao linear T : F −→ `1 definida por

T¡(xn)n∈N

¢

= (nxn)n∈N

´e uma aplica¸c˜ao fechada que n˜ao ´e limitada.

c) Mostre que a inversa de T est´a bem definida, ´e limitada, sobrejetiva, mas n˜ao ´e aberta.

3.8 Sejam E, F espa¸cos de Banach e T : E −→ F um operador linear limitado. Suponha que existam um espa¸co de Banach G e operadores lineares A : E −→ G e B : G −→ F tais que T = B ◦ A. Usando o teorema do gr´afico fechado, mostre que se B ´e limitado e injetivo, ent˜ao A ´e limitado.

3.9 Sejam E um espa¸co de Banach e F um espa¸co vetorial normado. Seja {Tn}n∈N⊂ L (E, F ) uma sequˆencia

de operadores lineares limitados tal que sup

n∈NkTnk = ∞. Mostre que existe um ponto x ∈ E tal que

sup

3.10 Sejam E, F espa¸cos de Banach. Se T : E −→ F ´e uma aplica¸c˜ao linear tal que f ◦ T ∈ E∗ para todo

f ∈ F∗, mostre que T ´e limitada.

3.11 Sejam L, M subespa¸cos vetoriais fechados de um espa¸co vetorial normado E. Mostre que se L 6= M , ent˜ao L⊥6= M.

3.12 Sejam E um espa¸co de Banach e F um subespa¸co vetorial pr´oprio de E. Mostre que se T0: F −→ `∞

´e uma aplica¸c˜ao linear limitada, ent˜ao T se estende a uma aplica¸c˜ao linear limitada T : E −→ `∞com

kT k = kT0k.

3.13 Considere `∞ e suponha que k·k ´e outra norma em ` tal que (`, k·k) tamb´em ´e um espa¸co de

Banach. Se para cada i ∈ N a proje¸c˜ao na i-´esima coordenada πi

¡

(xn)n∈N

¢

= xi´e cont´ınua na norma

k·k, mostre que existe uma constante C > 0 tal que kxk 6 C kxk`

para todo x ∈ `∞ (sugest˜ao: use o teorema do gr´afico fechado). Conclua que as normas k·k

`∞ e k·k

s˜ao equivalentes.

3.14 Mostre que a aplica¸c˜ao identidade I :¡C0[0, 1] , L−→¡C0[0, 1] , L¢ tem gr´afico fechado mas n˜ao

Cap´ıtulo 4

Espa¸cos Reflexivos

4.1

Espa¸cos Reflexivos

Seja E um espa¸co vetorial normado. Denote

(E∗)

= E∗∗.

E∗∗´e chamado o espa¸co bidual de E. Podemos definir um operador linear limitado canˆonico

J : E −→ E∗∗ (4.1)

da seguinte forma: para cada x ∈ E, o funcional linear limitado Jx : E∗−→ R ´e dado por

(Jx) (f ) = f (x) (4.2)

para todo f ∈ E∗. De fato, Jx ´e um funcional linear limitado em E pois

|(Jx) (f )| = |f (x)| 6 kf k kxk = kxk kf k ,

ou seja,

kJxk 6 kxk .

Al´em disso, J ´e realmente uma isometria de E sobre sua imagem J (E). Com efeito, pelo teorema de Hahn-Banach, para cada x ∈ X existe um funcional linear f0∈ E∗ tal que kf0k = 1 e f0(x) = kxk, logo

kJxk = sup

kf k=1

|(Jx) (f )| > |(Jx) (f0)| = f0(x) = kxk ,

portanto

kJxk = kxk (4.3)

para todo x ∈ E. Em particular, J ´e injetivo. Se J for tamb´em sobrejetivo, dizemos que E ´e reflexivo. Isso implica que J ´e ao mesmo tempo um isomorfismo e uma isometria, em particular ´e um isomorfismo topol´ogico. Como E∗∗ = (E)

´e um espa¸co de Banach, segue que uma condi¸c˜ao necess´aria para que um espa¸co vetorial normado seja reflexivo ´e que ele seja de Banach. Em vista disso, definimos

4.1 Defini¸c˜ao. Dizemos que um espa¸co de Banach E ´e reflexivo se o operador J : E −→ E∗∗ for um

isomorfismo isom´etrico. ´

E importante saber que E e E∗∗ serem isometricamente isomorfos atrav´es de um isomorfimo isom´etrico

diferente do operador J n˜ao garante que E seja reflexivo, pois pode ocorrer que apesar disso o operador J n˜ao seja sobrejetivo (veja [James1] e [James2]).

Todo espa¸co vetorial normado de dimens˜ao finita ´e reflexivo (veja Exerc´ıcio 4.1). Existem importante exemplos de espa¸cos de Banach de dimens˜ao infinita que n˜ao s˜ao reflexivos, como veremos mais tarde.

4.2 Teorema. Seja E um espa¸co reflexivo. Se F ⊂ E ´e um subespa¸co vetorial fechado, ent˜ao F ´e reflexivo. Prova. Dado f∗ ∈ F temos que mostrar que existe x ∈ F tal que f = Jx. Considere a submers˜ao

cont´ınua I : E∗,→ F definida por

If = f |F.

Pelo teorema de Hahn-Banach a submers˜ao ´e sobrejetiva, pois todo funcional linear limitado definido em F se estende a um funcional linear limitado definido em E (obviamente ela n˜ao ´e injetiva se F ´e um subespa¸co pr´oprio de E). Esta submers˜ao ´e cont´ınua pois

kIf kF= sup x∈F \{0} |If (x)| kxk =x∈F \{0}sup |f (x)| kxk 6x∈E\{0}sup |f (x)| kxk = kf kE∗, logo kIf k = sup f ∈E∗\{0} kIf kF kf kE 6 1.

Atrav´es desta submers˜ao, f∗ induz um funcional linear g∈ E∗∗ quando definimos

g∗(f ) = (f∗◦ I) (f ) = f∗(f |F) .

Como E ´e reflexivo, existe x ∈ E tal que g∗= Jx, ou seja,

f∗(f |

F) = (Jx) (f )

para todo f ∈ E. Afirmamos que x ∈ F . De fato, se x /∈ F , como F ´e fechado podemos aplicar o teorema

de Hahn-Banach para concluir que existe um funcional linear f0 que se anula em F tal que f0(x) = 1 o que

´e uma contradi¸c˜ao, pois

f∗(f

0|F) = 0

enquanto que

(Jx) (f0) = f0(x) = 1.

¥

Um subespa¸co vetorial de um espa¸co reflexivo que n˜ao ´e fechado obviamente n˜ao pode ser reflexivo, j´a que todo espa¸co reflexivo ´e de Banach.

4.3 Proposi¸c˜ao. Se E ´e um espa¸co reflexivo e W ´e um subespa¸co vetorial de E∗, ent˜ao

¡

W⊥¢ = W .

Prova. J´a vimos na Proposi¸c˜ao 4.15 que¡W⊥¢⊃ W . Suponha por absurdo que existe f

0

¡

W⊥¢tal que

f0∈ W . Pelo teorema de Hahn-Banach, existe f/ ∈ E∗∗ tal que f∗(f ) = 0 para todo f ∈ W e f∗(f0) 6= 0.

Como E ´e reflexivo, existe x ∈ E tal que f∗(f ) = f (x) para todo f ∈ E. Em particular, f (x) = 0 para

todo f ∈ W , logo x ∈ W⊥. Mas ent˜ao f

0(x) = 0, pois f0

¡

W⊥¢, contradizendo f

0(x) = f∗(f0) 6= 0. ¥

4.4 Teorema. Seja E um espa¸co de Banach. Ent˜ao E ´e um espa¸co reflexivo se e somente se E∗ for.

Prova. Suponha que E seja reflexivo. Sejam J : E −→ E∗∗ e J : E −→ E∗∗∗ as aplica¸c˜oes canˆonicas,

isto ´e,

(Jx) (f ) = f (x) e

Seja f∗∗∈ E∗∗∗. Para provar que E´e reflexivo, precisamos encontrar f ∈ Etal que f∗∗= Jf . Considere

f := f∗∗◦ J ∈ E:

E−→ EJ ∗∗ f−→ R.∗∗

Logo,

f∗∗(Jx) = f (x) = (Jx) (f )

para todo x ∈ E. Como E ´e reflexivo, para todo f∗∈ E∗∗ existe x ∈ E tal que f= Jx. Substituindo na

´

ultima equa¸c˜ao acima, segue que

f∗∗(f) = f(f )

para todo f∗∈ E∗∗, ou seja,

f∗∗= Jf.

Reciprocamente, suponha que E∗ ´e reflexivo. Para provar que E tamb´em ´e reflexivo, observamos em

primeiro lugar que porque E ´e um espa¸co de Banach, o subespa¸co vetorial R (J) ´e um subespa¸co fechado de

E∗∗. De fato, como J ´e uma isometria, se Jx

n→ f∗ em E∗∗ ent˜ao em particular {xn} ´e uma sequˆencia de

Cauchy em E. Como E ´e um espa¸co de Banach, existe x ∈ E tal que xn → x em E. Logo, Jxn → Jx e

portanto f∗= Jx ∈ R (J).

Suponha por absurdo que R (J) 6= E∗∗. Seja f ∈ E∗∗\R (J). Pelo teorema de Hahn-Banach, existe

f∗∗∈ E∗∗∗ tal que f∗∗= 0 em R (J) e f∗∗(f) 6= 0. Como E ´e reflexivo, existe f ∈ E tal que f∗∗ = Jf

. Da´ı, para todo x ∈ E vale

f (x) = (Jx) (f ) = (J∗f ) (Jx) = f∗∗(Jx) = 0, isto ´e, f ´e o funcional nulo. Mas

f∗(f ) = (Jf ) (f) = f∗∗(f) 6= 0,

contradi¸c˜ao. ¥

4.2

Espa¸cos Separ´aveis

Lembramos que um espa¸co topol´ogico ´e separ´avel se ele possui um subconjunto denso enumer´avel. 4.5 Teorema. Seja E um espa¸co vetorial normado. Se E∗ ´e separ´avel, ent˜ao E tamb´em ´e.

Prova. Seja {fn}n∈N um subconjunto enumer´avel denso em E∗. Como

kfnk = sup x∈E kxk=1

|fn(x)| ,

podemos escolher para cada n um elemento xn∈ E tal que kxnk = 1 e

|fn(xn)| > kfnk

2 . Seja

M = hx1, x2, . . .i

o fecho do subespa¸co gerado pelo conjunto {xn}n∈N. Observe que M ´e separ´avel, pois o subconjunto das

combina¸c˜oes lineares dos xn com coeficientes racionais formam um subconjunto enumer´avel denso em M .

Afirmamos que M = E. De fato, se x0 ∈ E\M , pelo teorema de Hahn-Banach (Corol´ario 2.23) existe

f ∈ E∗∩ M tal que kf k = 1 e f (x

0) 6= 0. Em particular, f (xn) = 0 para todo n, logo

kfnk

donde

1 = kf k 6 kfn− f k + kfnk 6 3 kfn− f k ,

ou seja,

kfn− f k > 1

3, contradizendo o fato que {fn} ´e denso em E∗. ¥

Vale a rec´ıproca quando E ´e um espa¸co reflexivo:

4.6 Corol´ario. Se E ´e um espa¸co reflexivo separ´avel, ent˜ao E∗ tamb´em ´e.

Prova. Pela Proposi¸c˜ao 4.4 temos que E∗ ´e reflexivo. Para mostrar que E ´e separ´avel, pelo teorema

anterior basta provar que E∗∗ ´e separ´avel. Seja {x

n}n∈N um subconjunto enumer´avel denso em E. Dado

f∗ ∈ E∗∗, existe x ∈ E tal que Jx = f, e dado ε > 0 existe n ∈ N tal que kx

n− xk < ε. Como J ´e uma

isometria, segue que kJxn− f∗k < ε. Vemos portanto que {Jxn}n∈N ´e um subconjunto enumer´avel denso

em E∗∗. ¥

4.3

Exemplo 1: Espa¸cos `

p

Os espa¸cos `p(n) tem dimens˜ao finita, logo s˜ao reflexivos (veja o Exerc´ıcio 4.1). Por outro lado, os espa¸cos

`p s˜ao reflexivos se e somente se 1 < p < ∞, isto ´e, `1 e ` s˜ao exemplos de espa¸cos de Banach que n˜ao s˜ao

espa¸cos reflexivos. Vamos provar estes fatos, al´em de alguns fatos auxiliares que por si s´o j´a s˜ao muito ´uteis. 4.7 Proposi¸c˜ao. `p s˜ao espa¸cos separ´aveis para 1 6 p < ∞.

Prova. Seja

en = (0, . . . , 0, 1 n, 0, . . .),

de modo que todo elemento x ∈ `p se escreve de maneira ´unica na forma

x =

X

n=1

xnen.

[Como veremos mais tarde, {en}n∈N ´e uma base de Schauder para `p.] Ent˜ao o conjunto de todas as

combina¸c˜oes lineares com coeficientes racionais dos en´e um subconjunto enumer´avel denso em `p.¥

4.8 Proposi¸c˜ao. `∞ n˜ao ´e separ´avel.

Prova. Observe que em `∞, o fecho do subespa¸co gerado por {e

n}n∈N ´e apenas o subespa¸co `∞0 das

sequˆencias convergentes para 0. Para ver que `∞n˜ao ´e enumer´avel, considere o subconjunto n˜ao-enumer´avel

{0, 1}ω ⊂ `∞ das sequˆencias cujos elementos s˜ao apenas 0 ou 1 (uma tal sequˆencia tem norma 1 em `).

Se x, y ∈ {0, 1}ωe x 6= y, ent˜ao kx − yk` = 1, logo existe um n´umero n˜ao-enumer´avel de bolas com centro

nos pontos de {0, 1}ω e raio 1/2 que n˜ao se interceptam. ¥ 4.9 Proposi¸c˜ao. Se 1 < p < ∞, ent˜ao

(`p)∗= `p0

no sentido que estes espa¸cos s˜ao isometricamente isomorfos.

Prova. Afirmamos que a aplica¸c˜ao linear

Φ : `p0 −→ (`p) y 7→ f (x) = X n=1 xnyn.

´e um isomorfismo isom´etrico. Pela desigualdade de H¨older temos |f (x)| 6 X n=1 |xnyn| 6 kyk`p0kxk`p, de modo que f ∈ (`p) e kf k(`p)∗6 kyk`p0, (4.4)

logo Φ ´e cont´ınua.

Agora exibiremos a inversa de Φ e mostraremos que ela tamb´em ´e cont´ınua. J´a vimos que todo elemento

x ∈ `p se escreve de maneira ´unica na forma

x =

X

n=1

xnen.

Ent˜ao, dado f ∈ (`p), por continuidade temos

f (x) =

X

n=1

xnf (en) .

De fato, se para cada k ∈ N denotamos

zk = k

X

n=1

xnen,

por linearidade temos

f (zk) = k X n=1 xnf (en) . de modo que f (x) = f µ lim k→∞zk ¶ = lim k→∞f (zk) = limk→∞ k X n=1 xnf (en) = X n=1 xnf (en) .

Notando que f (en) = (Φy) (en) = yn, vemos agora que a inversa de Φ ´e dada por

Ψ : (`p)∗−→ `p0 f 7→ (f (en))n∈N

Para mostrar que Ψ est´a de fato bem definida e ´e cont´ınua, defina zk∈ `p por

z(i)k =    |f (ei)|p 0 f (ei) se i 6 k e f (ei) 6= 0, 0 se i > k ou f (ei) = 0, de modo que f (zk) = k X n=1 |f (en)|p 0 . Temos |f (zk)| 6 kf k kzkk = kf k à k X n=1 |f (en)|(p 0−1)p !1/p = kf k à k X n=1 |f (en)|p 0 !1/p ,

j´a que p = p0/ (p0− 1), logo k X n=1 |f (en)|p 0 = f (zk) = |f (zk)| 6 kf k(`p) à k X n=1 |f (en)|p 0 !1/p , donde à k X n=1 |f (en)|p 0 !1/p0 6 kf k(`p)∗.

Tomando o limite quando k → ∞, segue que

k(f (en))k`p0 6 kf k(`p)∗, (4.5)

ou seja, a inversa Ψ tamb´em est´a bem definida e ´e cont´ınua.

Juntando as desigualdades (4.5) e (4.4) vemos que Φ ´e uma isometria. ¥ 4.10 Proposi¸c˜ao. `p ´e um espa¸co reflexivo se 1 < p < ∞.

Prova. Embora a aplica¸c˜ao do resultado anterior duas vezes produza (`p)∗∗ =³`p0´

= `p,

isso por si s´o n˜ao prova a reflexividade de `p, pois, como j´a observamos antes, a existˆencia de um isomorfismo

isom´etrico arbitr´ario n˜ao garante a sobrejetividade da aplica¸c˜ao canˆonica J. No entanto, como vimos na demonstra¸c˜ao da proposi¸c˜ao anterior, como (`p)

= `p0

, a cada g ∈ (`p)∗∗

corresponde um funcional eg ∈

³

`p0´

tal que g (f ) = eg (y), onde

f (x) =

X

n=1

xnyn

para todo x ∈ `p. Analogamente, como³`p0´

= `p, a cada eg ∈³`p0´

corresponde um elemento x ∈ `p tal

que e g (y) = X n=1 xnyn para todo y ∈ `p0 . Portanto, g (f ) = eg (y) = X n=1 xnyn= f (x) = (Jx) (f ) . ¥ 4.11 Proposi¸c˜ao. ¡ `= `

no sentido que estes espa¸cos s˜ao isometricamente isomorfos.

Prova. Como na demonstra¸c˜ao do resultado anterior, mostraremos que a aplica¸c˜ao linear Φ : `∞−→¡` y 7→ f (x) = X n=1 xnyn.

´e um isomorfismo isom´etrico. Pela desigualdade de H¨older temos |f (x)| 6 X n=1 |xnyn| 6 kyk`∞kxk`1, de modo que f ∈¡`e kf k(`1) 6 kyk`∞, (4.6)

logo Φ ´e cont´ınua.

A inversa de Φ, como na demonstra¸c˜ao do teorema anterior ´e dada por Ψ :¡`−→ `

f 7→ (f (en))n∈N

Como kenk`1 = 1, temos

|f (en)| 6 kf k(`1)∗kenk`1 = kf k(`1)∗,

de modo que Ψ est´a bem definida e

k(f (en))k` = sup

n∈N

|f (en)| 6 kf k(`p)∗. (4.7)

(4.6) e (4.7) provam que Φ ´e uma isometria. ¥ 4.12 Proposi¸c˜ao.

(`∞)∗6= `1.

Prova. Se tiv´essemos (`∞)

= `1, como `1´e separ´avel, ` tamb´em seria pelo Teorema 4.5, contradizendo

a Proposi¸c˜ao 4.8. ¥

4.13 Corol´ario. `1 e ` n˜ao s˜ao reflexivos.

Prova. Como `1´e separ´avel, enquanto que o seu dual ´e isometricamente isomorfo a `, que n˜ao ´e separ´avel,

segue do Corol´ario 4.6 que `1 n˜ao ´e reflexivo. Consequentemente, pelo Teorema 4.4, seu dual tamb´em n˜ao

pode ser reflexivo, ou seja, `∞ n˜ao ´e reflexivo. ¥

Veja tamb´em o Exerc´ıcio 4.5 para uma demonstra¸c˜ao alternativa.

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