D. LE BILAN DE L’ACTION DE L’AUTORITÉ DE LA CONCURRENCE
1. B ILAN DE L ’ ACTION CONTENTIEUSE DE L ’A UTORITÉ
Se o FRN é causado por um erro de predição de recompensa é esperado que a sua amplitude varie de acordo com o quanto previsível ou imprevisível o feedback é. Por exemplo, se você está esperando perder três centavos como o resultado de uma resposta e realmente perde essa quantia, você não apresentará um erro de predição de recompensa, uma vez que a perda é esperada. Portanto, presume-se que a probabilidade de um resultado afeta o FRN.
Em uma tarefa de adivinhação, os participantes foram instruídos a escolher entre quatro balões, visando encontrar uma recompensa de cinco centavos (Holroyd, Nieuwenhuis, Yeung, & Cohen, 2003). Sem que os participantes soubessem, o feedback era selecionado aleatoriamente. Em uma condição, a probabilidade de obter uma recompensa era alta (75%), enquanto que na outra essa probabilidade era baixa (25%). Foi verificado que o FRN era maior (mais negativo) para omissões de recompensa quando a probabilidade da mesma era alta, ou seja, o feedback era inesperado. Outros estudos também evidenciaram que o FRN reflete um erro de predição de recompensa ao invés de um simples resultado negativo apenas (Bellebaum, Polezzi, &
Daum, 2010; Chase, et al., 2011; Holroyd, et al., 2009; Yasuda, Sato, Miyawaki, Kumano, & Kuboki, 2004).
Foi sugerido que o FRN reflete um erro de predição de recompensa enquanto que o ERN (fechado com a resposta) reflete a detecção de um erro comportamental (Potts, Martin, Kamp, & Donchin, 2010). Utilizando a análise de componentes principais, os autores verificaram que o ERN é composto por um único componente central enquanto que o FRN abrange diversos outros componentes centrais e pré-frontais. Eles sugeriram que enquanto o ACC monitora ambas as ações e o feedback para erros, o córtex pré-frontal atualiza a expectativa de recompensa baseado na violação da predição detectada pelo ACC.
No entanto, um estudo falhou em encontrar a diferença entre recompensas esperadas e inesperadas (Hajcak, et al., 2005). Neste estudo, o FRN em resposta ao feedback em uma tarefa de adivinhação foi comparado entre três condições com diferentes probabilidades (25, 50 e 75%). Não foram encontradas diferenças entre as condições em relação à probabilidade do feedback, sugerindo que apenas a sua valência (positiva vs. negativa) afetou o FRN. Uma das possibilidades de explicação para esse resultado incongruente é a chamada “falácia do apostador” (gamblers fallacy), que consiste no problema em que depois de obter uma recompensa, o apostador espera obtê-la novamente mesmo que as chances sejam baixas. Se este for o caso, ser explicitamente informado sobre a probabilidade de recompensa evitaria a falácia, tornando o FRN sensível à probabilidade da recompensa.
A fim de testar essa possibilidade, outros estudos foram realizados (Hajcak, Moser, Holroyd, & Simons, 2007; Holroyd, et al., 2009). Hajcak et al. (2007) conduziu dois experimentos utilizando uma tarefa de adivinhação na qual os participantes prediziam a recompensa esperada antes de escolher (estudo 1 – prospectivo) ou após a escolha ter sido feita (estudo 2 – retrospectivo). Eles encontraram que apenas no estudo 2 o FRN foi maior após recompensas inesperadas.
O mesmo problema foi investigado por outros (Holroyd, et al., 2009) com três experimentos distintos. No primeiro experimento, foi utilizada uma tarefa de adivinhação similar àquela utilizada no estudo de Hajcak et al. (2005), mas com a probabilidades diferentes (5, 50 e 95%) e também com a possibilidade de sofrer perdas de diferentes magnitudes se a recompensa não fosse encontrada ou se o participante respondesse muito devagar. Verificou-se que o FRN foi maior em resposta ao feedback negativo inesperado do que ao feedback negativo esperado. Entretanto, os tamanhos de efeito foram baixos, mesmo com uma diferença extrema na probabilidade do feedback (5% - 95%). Além
disso, não foi encontrado um FRN intermediário para a condição controle (50%). No segundo experimento, os autores mudaram a tarefa de forma que ao invés de explicitamente indicar a probabilidade das recompensas no início de cada tentativa, foram apresentadas imagens arbitrárias de objetos no início de cada tentativa. Cada objeto representava uma probabilidade distinta de recompensa, sendo que o valor de cada imagem tinha que ser aprendido por tentativa e erro ao longo da tarefa. Os resultados mostraram maiores diferenças no FRN entre feedback esperado e inesperado, mas o FRN da condição controle ainda não era diferente do apresentado em resposta ao feedback esperado. Assim, no experimento 3, os autores modificaram o paradigma fazendo às contingências estímulo-resposta-recompensa aprendíveis. Os resultados demonstraram que quando as contingências eram aprendíveis, a amplitude do FRN variava de acordo com o grau de previsibilidade da recompensa. Recompensas inesperadas provocaram FRNs maiores.
Os resultados desses estudos sugerem que o FRN é sensível à probabilidade do feedback apenas quando existe um padrão aprendível. Foi sugerido que os participantes também são mais motivados em tarefas nas quais eles conseguem ver a conexão entre as ações e os resultados (Holroyd, et al., 2009). Além disso, em tarefas com contingências aprendíveis, o feedback é mais informativo e relevante para o desempenho, o que o tornaria, consequentemente, mais sensível às diferentes características do mesmo.
Oliveira et al. (2007) investigou se a expectativa do feedback está associada com a amplitude do FRN em uma tarefa de timing antecipatório. Nesse experimento, os participantes eram instruídos a pressionar um botão quando um estímulo visual em movimento horizontal atingia um alvo específico na tela. Antes do feedback, os participantes explicitamente revelavam se a sua resposta havia sido muito cedo, tarde ou no alvo. O feedback era apresentado depois dessa estimativa. Foi encontrado que os participantes apresentavam um viés superotimista, julgando que suas respostas estavam corretas com uma frequência maior do que elas realmente estavam. O FRN foi maior para feedback indicando erro em tentativas que o participante acreditava estar correta. Adicionalmente, foi verificado um FRN após feedback positivo em tentativas nas quais os participantes haviam predito com erradas. Em um segundo experimento, os autores removeram a predição de performance do paradigma e introduziram falso feedback indicando uma resposta correta quando erros foram cometidos. Foi verificado que o feedback positivo falso provocou um FRN mais alto do que o feedback
negativo verdadeiro. Os autores sugeriram que o FRN reflete um erro de predição que não é necessariamente negativo. Adicionalmente, eles sugeriram que um viés otimista natural pode ter contribuído aos resultados dos experimentos prévios que indicaram maior FRN em resposta ao feedback negativo, uma vez que o feedback positivo seria naturalmente mais esperado do que o negativo.