• Aucun résultat trouvé

The HFNetChk Tool and MBSA

A literatura juvenil parece não ter adquirido ainda um estatuto consistente, sendo, fre- quentemente, sujeita a uma indefinição que dificulta, de algum modo, a sua abordagem. O principal obstáculo prende-se com a separação deste conceito do de literatura infantil, uma vez que, quer a literatura infantil quer a literatura juvenil, são frequentemente inte- gradas sob a denominação de literatura infantil, literatura infantil e juvenil, ou literatura infanto-juvenil, tendo sido utilizados como sinónimos ao longo dos tempos (Huici, 1999; Padrino, 1998). Cerrillo (2007) sublinha que, se se acrescenta ao vocábulo literatura o termo «infantil» ou «juvenil»,:

es por la necesidad de delimitar una época concreta de la vida del hombre que, en literatura, está marcada por las capacidades de los destinatarios lectores, y, en menor medida, por gustos e interesses lectores muy concretos, así como por sus posibilidades de recepción literaria. (p. 44)

Desde há algum tempo, os termos têm vindo a ser utilizados de forma diferenciada (Dueñas Lorente e Tabernero Sala, 2004), remetendo para realidades diversas. Como

destaca Padrino (1998), «Se ha roto así el empleo de infantil como término abarcador de tan compleja realidad evolutiva como la comprendida hasta los catorce años, a favor de una particular identidad de esas otras creaciones específicas para la juventud» (p. 101).

Thaler e Jean-Bart (2002), após percorrerem as diferentes designações utilizados aos longo do último século, na língua francesa, para englobar as produções para os mais novos (littérature enfantine, livres d’enfants, livres pour enfants, littérature de jeunesse, livres pour les jeunes, littérature d’enfance et de jeunesse...)2, concluem que nenhuma é verda- deiramente capaz de nomear um domínio literário capaz de reagrupar em si as diferentes manifestações literárias, referindo que as mesmas se encontram intimamente ligadas quer à questão do objecto (livro ou literatura?) quer à escolha do destinatário (criança ou jo- vem?). Além disso, estes investigadores sublinham que as dificuldades na definição deste domínio derivam também do facto de existir la littérature de jeunesse dos editores (a dos catálogos, das colecções especializadas onde se encontram textos literários, informativos e outros), a dos escritores especializados, composta pelas obras dirigidas aos mais jovens, e a das instituições literárias e escolares, que defendem um património de obras que fo- ram sendo reconhecidas ao longos dos tempos como pertencentes a este domínio (apesar de muitas delas não terem sido escritas para um público jovem). Na sua opinião, «On ne peut pas affirmer qu’un écrit appartient à la littérature de jeunesse sous le seul prétexte qu’il a eté écrit pour les jeunes, sélectionné pour eux ou édité à leur intention, ou qu’il est lu par des enfants ou des adolescents» (Thaler e Jean-Bart, 2002, p. 30).

Com efeito, neste contexto tão polémico, quer o facto de nem todas as produções es- critas serem consideradas literatura, quer a questão do destinatário, um leitor em evolução, que passa por estádios de desenvolvimento diferentes ao longo do período a que se refe- rem as designações (parecendo dificil encontrar uma unidade a partir destas diferenças), tornam complexa a questão da delimitação conceptual da literatura juvenil.

Cervera (1991) sublinha que o estabelecimento de limites entre a literatura infantil e juvenil não é simples, reflectindo este investigador sobre o relativismo inerente à definição destes conceitos, quer se baseie em critérios cronológicos ou das temáticas abordadas:

Que el niño se tropiece primero con la literatura infantil y luego con la ju- venil es evidente. Pero también lo es que ni objectivamente por parte de la literatura, ni subjectivamente por parte del niño puedan acceptarse defini- ciones presididas por criterios exclusivamente cronológicos y de desarrollo 2Neste contexto, de acordo com Nières-Chevrel (2009), «Le flottement même de ces désignations

físico.(...) Si los criterios escogidos para trazar la fluctuante frontera entre literatura infantil y juvenil se basan en la acogida de los lectores, se corre le riesgo de caer en un subjectivismo tan exarcebado que conduce al casuismo individualista. Pretender la división a juzgar por los contenidos es buscar una objectividad que prescinde del receptor e incluso del tratamiento; por consiguiente, de forma indirecta, aboca al relativismo que pondrá en tela de juicio cualquier criterio para las classificaciones y el resultado de las mismas. (pp. 251-252)

No entender de Thaler e Jean-Bart (2002), a inclusão, nas designações acima menci- onadas do termo «jovens» resulta essencialmente da preocupação em incluir na definição os romances destinados aos adolescentes. Com efeito, a emergência da figura do adoles- cente na ficção veio questionar o conceito de literatura infantil e as fronteiras, até então definidas de forma mais clara, entre o livro para as crianças e os livros para adultos. Na actualidade, as fronteiras entre as obras pertencentes quer à literatura infantil quer à li- teratura juvenil são, por vezes, difíceis de definir, e os limites, entre as produções para jovens e para adultos, estão também cada vez mais fluídos (Martin-Rogero, 2003; Thaler e Jean-Bart, 2002). Para Cervera (1991), o mais complexo é o facto de não existir uma fronteira definida entre a literatura infantil e a literatura para adolescentes, facto que não surpreende se considerarmos que a evolução psíquica do adolescente sofre também flu- tuações. Para o investigador, a falta de um adjectivo que denote a condição da literatura para adolescentes justifica o facto de se utilizar frequentemente também a denominação de literatura infantil ou, abusivamente, literatura juvenil, sublinhando que «Salta a la vista que no podemos aventurarnos a hablar de una literatura adolescente sin exponermos a que el adjectivo contamine peligrosa y pejorativamente al sustantivo literatura» (p. 256).

Delbrassine (2006, p. 11) sublinha que a utilização da expressão literatura para ado- lescentesremete para o facto de estas produções literárias terem sido pensadas e dirigidas a um grupo específico de leitores, como se se tratasse de um produto concebido por me- dida, em função de uma procura, o que acarreta uma certa desconfiança e desvalorização, logo à partida, remetendo estas produções literárias para a literatura popular ou de massas. Na década de 70, em Portugal, Pinto-Correia (1973) define a literatura juvenil como a produção literária que se destina aos jovens de doze a dezasseis anos. Curiosamente, de forma geral, nos países europeus, é a expressão «juvenil» que parece prevalecer para designar estas produções literárias, embora se refira naturalmente a um público leitor essencialmente constituído por adolescentes, sobretudo por razões que aproximam depre- ciativamente a expressão adolescência do conceito de puberdade (Delbrassine, 2006).

No mundo anglo-saxónico e na realidade literária norte-americana, a expressão equi- valente, young adults literature3, refere-se a «anything that readers between approximate ages of 12 and 18 choose to read (as opposed to what they may be coerced to read for class assignements)» (Nilsen e Donelson, 2001, p. 3). Cart e Jenkins (2006) definem young adult literaturecomo o conjunto de livros «that are published for readers aged twelve to eighteen, have a young adult protagonist, are told from a young adult perspective, and feature coming-of-age or other issues and concerns of interest to YAs» (p. 1).

Determinados investigadores, como Thaler e Jean-Bart (2002), questionam-se sobre a necessidade de se produzir textos rigorosamente adaptados a leitores específicos, embora reconheçam que determinadas obras como Telémaco e Alice no País das Maravilhas ou obras da Condessa de Ségur, nasceram «dans une forme d’intimité où le destinataire est parfaitement identifiable, individualisé» (p. 15).

Alguns críticos que se têm vindo a debruçar sobre as produções literárias incluídas na designada literatura juvenil associam-na a um tipo de produções classificadas para adolescentes entre os 12 e os 17 anos, como é o caso de McCallum (1999), evitando alimentar a polémica sobre esta questão:

There is no space here to examine issues such as what constitutes the category of “adolescent fiction”, and whether it does or should exist. For my purposes an “adolescent” novel is one that has been classified and marketed for high school-aged people (ages 12-17). (p. 20)

Petrini (1981), no seu livro Estudio crítico de la literatura juvenil, utiliza a expressão literatura juvenil, mas engloba neste conceito a literatura infantil4. A expressão literatura juvenilabarcaria, na perspectiva deste investigador, tudo o que constitui leitura adaptada aos diversos momentos da idade evolutiva5. No entanto, há investigadores, como Pires 3Os termos juvenile literature, junior novel, teen novel e juvie foram utilizados no passado, mas as

conotações negativas associadas a estes termos levaram à sua parca utilização na actualidade (Nilsen e Donelson, 2001).

4«La literatura juvenil ha salido ya de su minoria de edad, ha ensanchado su espacio vital, se articula

en filones y sectores, comprende desde los cuadernos para los más chicos, pasando por los libros esplén- didademente ilustrados para niños, hasta las lecturas en volumen y en periódico para adolescentes, nutre y se nutre de aportaciones ofrecidas por las modernas técnicas audiovisuales y llega hasta la divulgación científica verdadera y propriamente tal» (p. 15).

5O autor considera que a designação literatura infantil adquiriu um significado restrictivo e deprecia-

tivo. Azevedo (2006, p. 12) sublinha também, a este propósito, que a expressão consagrada não é, na sua opinião, particularmente feliz, devido à «presença do atributo, que frequentemente é lido como referindo-se estilística e estruturalmente ao nome que o acompanha, sugerindo a existência de marcas estilísticas e/ou estruturais que, exibidas pelos seus textos, os diferenciariam da literatura dita canónica, nos parece desa- dequada e fonte de numerosos constrangimentos». Porque é na entidade receptora que a literatura infantil encontra a sua especificidade, o autor entende-a na acepção de literatura de potencial recepção infantil.

(198?), que consideram que a designação literatura infantil ou literatura para crianças engloba também os leitores mais velhos que já não gostam de ser classificados como crianças. Blockeel (2001), na sua tese de doutoramento, utiliza a expressão literatura infanto-juvenilquando se quer referir à totalidade das produções literárias destinadas a crianças e jovens, e a expressão literatura juvenil quando alude a narrativas para a pré- adolescência e adolescência.

De acordo com Cerrillo (2001), seria proveitoso que historiadores, críticos e investi- gadores aceitassem uma única denominação para se referirem à literatura para crianças e jovens, o que evitaria a dispersão terminológica (literatura infantil; literatura juvenil; literatura para adolescentes; literatura infantil e juvenil...), que apenas tem contribuído para lançar confusões e polémicas. Na sua opinião, dever-se-ia adoptar a expressão lite- ratura infantilpara fazer referência a todas as produções literárias destinadas a crianças até aos dezasseis anos, realçando, no entanto, as particularidades dos três últimos anos deste período.

Na mesma linha de pensamento, Nobile (2007) sublinha que a diversidade de expres- sões utilizadas para designar as produções literárias para crianças e adolescentes põe em evidência a dificuldade de enquadramento crítico e de definição de âmbitos cronológi- cos, ao mesmo tempo que, com maior ou menor convicção e legitimidade, designam a literatura destinada a um sujeito em formação. Baseando-se em critérios da psicologia evolutiva, o autor afirma que talvez fosse mais correcta a expressão literatura para a in- fância e a adolescência, mas, na sua opinião, a adjectivação juvenil, apesar de não estar isenta de objecções, parece preferível, uma vez que coincide com as denominações utili- zadas noutros países. Ora, todos estes posicionamentos, mais do que contribuírem para a clarificação dos conceitos, acrescentam polémica e dificuldade na hora de se considerar uma terminologia globalmente consensual.

O professor José António Gomes afirma que se trata de «uma questão estafada e ge- radora de polémicas inúteis: a da própria designação de literatura para a infância e ju- ventude: infantil? juvenil? para crianças, apenas literatura?» (1991, p. 23), referindo-se o autor à «literatura para jovens» quando aborda livros de autores de mérito confirmado, como Alice Vieira. Pinto-Correia (1973) afirma que não vê inconveniente na utilização da expressão literatura juvenil para toda a produção destinada aos jovens, uma vez que se fala também de «literatura policial», de «literatura de ficção-científica»6.

O investigador Daniel Delbrassine (2006), autor de uma tese de doutoramento sobre os romances para adolescentes, enquadra o seu objecto de estudo dentro da realidade mais abrangente da literatura infantil (designada nos países francófonos como littérature de jeunesse), fazendo, no seu entender, os romances para adolescentes parte deste todo, tal como o álbum ilustrado ou o documentário. Deste modo, os romances para adolescentes constituiriam um campo específico «en dehors du champ de la littérature générale, mais en étroite relation avec lui. Il s’agit d’une espèce de microcosme dont les usages et les valeurs sont calqués sur ceux de la littérature des adultes» (Delbrassine, 2002, pp. 27-28), num funcionamento que o autor qualifica de mimético. Para Delbrassine, este campo possui três características fundamentais: o seu relativo isolamento em relação à literatura geral (sublinha o facto, por exemplo, de um reconhecido autor de livros juvenis ser considerado, aquando de uma publicação na literatura geral, mero iniciante)7; uma certa dependência em relação ao campo da literatura geral (sobretudo porque a legitimidade no seu interior é condicionada e alimentada pelo exterior); e a sua polarização, desde o final do século XX, em relação ao campo da literatura para adultos por via da paraliteratura (séries, best- sellers...) e das colecções com pretensão literária.

Segundo o autor, observa-se a organização da oferta editorial em função da idade dos leitores-alvo. Deste modo, algumas colecções destinam-se explicitamente aos leitores adolescentes, o último segmento de mercado deste campo, nitidamente distinto do sector infantil (Delbrassine, 2006). Neste contexto, Padrino (1998) aponta também dois fac- tores principais que justificam o auge da denominada literatura juvenil: por um lado, o empenho dos professores para desenvolver e manter hábitos de leitura nos adolescentes seus alunos, recomendando-lhes títulos ajustados aos seus interesses e capacidades e, por outro, as investidas editoriais que tentam adaptar os seus produtos às especificidades dos adolescentes, considerando este público um sector de mercado ainda não devidamente explorado.

Cervera (1995) sublinha que é necessário centrar o debate sobre a questão da exis- tência, necessidade e características de uma literatura juvenil especificamente distinta da infantil e da dos adultos em geral. De acordo com Moreno Verdulla (2006), o desenvol-

juvenil como a literatura que é lida pelos jovens, o escritor espanhol Víctor Moreno (1995) questiona-se ironicamente, seguindo essa espécie de regra tautológica, que também é válido afirmar a existência de literatura de camionistas, de donas de casa, dos porteiros, dos padeiros e outros profissionais.

7Shavit (2003, p. 64) reforça que o estatuto dos escritores para crianças foi sempre inferior ao do escritor

vimento da teoria e crítica literária, bem como a produção da literatura infanto-juvenil parece ter conduzido à aceitação do estudo parcial das suas produções enquanto realida- des distintas, ou seja, podemos falar de duas literaturas possíveis, isto é, a infantil e a literatura da adolescência e juventude, sendo esta última a literatura produzida para os adolescentes e os jovens (a partir dos 12 até aos 17 anos, de acordo com o autor). A divisão entre a literatura infantil e a juvenil, para além de cronológica e psicológica, seria sobretudo justificada por diferenças temáticas, formais e de recepção, salientando o autor, no entanto, a necessidade de se estabelecerem regras para definir as obras pertencentes à literatura infantil e juvenil, a partir de critérios como a literariedade, a recepção da obra, a intencionalidade do autor, o tratamento do tema, a exposição e a intencionalidade do editor (Moreno Verdulla, 2003).

Na mesma linha de pensamento, Cervera (1995) sublinha que é perigoso conceber a literatura juvenil como prolongamento da literatura infantil, aplicando-lhe a mesma defi- nição e limitando-a a uma literatura que aborda os problemas especificamente juvenis:

El adolescente, y muy especificamente el joven, tiene su mundo de referen- cias más amplio y complejo. Y aunque la literatura, en este caso juvenil, asuma funciones vicarias, es logico que se le amplie cada vez más el de re- ferencias, como necesidad de abrirse cada vez más a un mundo, el real, en el qui tiene que integrarse proximamente.[...] Ceñir la literatura juvenil a los problemas especificamente juveniles equivalería a mantener el joven en su mundo, ese que tanto le complace cuando se amontoa en discotecas. (p. 15)

Com efeito, no ponto de vista deste investigador, a abordagem exclusiva, nas produ- ções de potencial recepção juvenil, dos problemas próprios dos adolescentes constituiria uma limitação inadmissível, uma vez que essa situação impediria o desenvolvimento cabal da personalidade dos mesmos (Cervera, 1991, p. 269). Embora estas produções literárias possam tratar dos problemas dos jovens, não devem cingir-se a eles já que a literatura tem como obrigação relacionar a presença destes no mundo com o próprio mundo. No en- tanto, como sublinha Lartet-Geffard (2005), em larga medida, esta literatura define-se, na actualidade, por esta preocupação dos autores com os leitores aos quais estas produções literárias se destinam.

Neste contexto, Padrino (1998) destaca que este fenómeno da literatura juvenil, situ- ado entre o económico e o sociológico, praticamente se circunscreve a narrativas destina- das a adolescentes, residindo a sua característica principal não na complexidade da própria criação ou nos seus elementos estilísticos, mas antes na temática apresentada. Ainda que

esta situação seja responsável por alguma marginalização a que está sujeita a literatura ju- venil, considerada mais como um subproduto comercial do que um verdadeiro fenómeno criativo, de acordo com este investigador não é possível ignorar nem a existência nem a evolução deste género. O autor apresenta uma proposta de delimitação conceptual da literatura juvenil, reinvindicando a sua especificidade em função do destinatário e não das criações literárias. Com efeito, Jaime García Padrino, contribuindo para a reflexão sobre a polémica legitimação da literatura juvenil, iniciada em 1995, em Espanha, nos Cuadernos de Literatura Infantil y Juvenil, nos seus números 72 e 75, publica um artigo onde aceita como óbvia a existência de um leitor juvenil, não negando do mesmo modo as narrativas para jovens, mas considera estas produções literárias um subgénero narrativo da literatura em geral, e não uma realidade independente, uma literatura específica, assumida como juvenil.

A polémica à volta da existência da literatura juvenil remete-nos essencialmente para mudanças sociais que têm no centro a realidade juvenil e que influenciaram de forma decisiva a adequação e adaptação dos produtos destinados aos sujeitos desta faixa etária, integrando-se a literatura no mesmo pacote de outras manifestações artísticas intrinse- camente ligadas a processos de carácter comercial, como o cinema ou a música, mais do que na aparição ou revitalização de um género específico (Padrino, 1998). O livro foi con- vertido em mais um elemento do consumo cultural, confundindo-se as capas dos livros com as dos CD de música, dos DVD, dos jogos de computador ou das revistas juvenis, formando todos juntos um pacote estético para o consumidor adolescente, constituindo esta transformação do livro uma das características da literatura juvenil actual (Lluch, 2007a,b).

A escolarização e o progressivo prolongamento da escolaridade obrigatória8, mas tam- bém outros factores como a transformação da família em instituição educacional, a con- cepção por parte de todos os envolvidos na educação dos adolescentes da leitura como instrumento de formação intelectual, entre outros, despoletaram a necessidade de produzir para este público específico (adolescentes dos 12 aos 17 anos, um grupo leitor massivo) leituras que servissem de trampolim para a compreensão de grandes obras, ao mesmo tempo que abordassem problemas próprios das novas situações em que se encontram os 8Em Portugal, a promulgação da Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.o46/86, em 1986, estipulou

como escolaridade obrigatória um período de 9 anos; a Lei n.o85/ 2009, de 27 de agosto, regulamentou o alargamento da idade de cumprimento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos.

adolescentes (Teixidor, 1995). Para Thaler e Jean-Bart (2002), esta concepção conduz, no entanto, à valorização do destinatário, em detrimento da questão literária, comprome- tendo, naturalmente, a condição literária destas produções.

No contexto português, destaque-se a contribuição da Rede de Bibliotecas Escolares (desde 1996) e do Plano Nacional de Leitura (desde 2006) no desenvolvimento desta li- teratura juvenil, sobretudo porque um dos objectivos destes dois programas é a promoção da leitura, de forma particular nos alunos dentro da escolaridade obrigatória. Os livros a serem trabalhados nas actividades de leitura orientada na sala de aula (de carácter mais