A Escola E1, situada no município goiano próximo à capital Goiânia. A escola oferece ensino de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e Ensino Médio, atendendo cerca de 1.064 (Um mil e sessenta e quatro) alunos matriculados nos turnos matutino, vespertino e noturno. Possui 30 (trinta) turmas distribuídas em 10 (dez) salas de aulas no prédio da escola (sendo oito salas do Ensino Fundamental e duas com o Ensino Médio) e 4 (quatro) salas de aula na extensão do Colégio (Polo da Universidade Aberta do Brasil-UAB) com Ensino Médio no turno matutino; 10 (dez) salas de aulas no prédio da escola no turno vespertino (com Ensino Fundamental e Médio) e 6 (seis) salas de aula no turno noturno (Ensino Médio). Nesse turno também é ministrado o Curso Técnico Profissionalizante em Segurança do Trabalho vinculado ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) do Governo Federal.
No ano de 2014, houve um aumento expressivo do número de alunos para o Ensino Médio, com a falta de salas de aulas para atender à demanda, a Subsecretaria Regional de Educação, alocou os alunos excedentes no prédio onde funciona o Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) situado em um bairro mais distante do prédio principal. Dessa maneira, foi criada a extensão do colégio que funciona há dois anos em um prédio separado do prédio principal, onde funcionam a secretaria, biblioteca, laboratório de informática,
quadra coberta e demais dependências que os estudantes da extensão não têm acesso diariamente.
Quanto a infraestrutura a área construída é toda de alvenaria, dividida em dois blocos, sendo o bloco I mais antigo onde funciona a parte administrativa e sete salas de aula, o bloco II é composto por três salas de aula, 4 banheiros masculinos e 5 banheiros femininos, são interligados por um corredor de acesso com cobertura e rampas, todo o piso em granitina, com forro de PVC, sendo o prédio bem conservado, com pintura na cor amarelo marfim. A dimensão das salas de aula varia entre 34m² e 53m², são bem ventiladas, com boa acústica e iluminação artificial. Conta também com uma quadra coberta de 800m², com arquibancada e iluminação. As demais dependências da escola são pequenas, inadequadas, adaptadas e muitas delas atendem a duas funções ao mesmo tempo, assim descritas: sala de coordenação funciona junto a sala de professores num espaço de 20m², sendo insuficiente para abrigar as duas funções e inadequada para o atendimento individual aos alunos e comunidade em geral em se tratando de assuntos individuais e particulares.
A secretaria da escola atende mais de 1.000 (um mil) alunos e funciona no espaço de 20m², onde também abriga o arquivo morto escola. A sala de direção, muito pequena (8m²), adaptada, com pouca ventilação e baixa iluminação. A biblioteca funciona em uma sala de aula que foi desativada para esse fim, com espaço reduzido de 25m² o que é insuficiente e inadequado tanto para armazenar corretamente o acervo bibliográfico, quanto para o atendimento a alunos e professores, não dispõe de espaço para estudo individual e nem mobiliários suficientes para trabalhos em grupos. As funcionárias que atendem na biblioteca geralmente são professoras em situação de readaptação definitiva ou prestes a se aposentar. A cantina está localizada na parte externa, não tendo nenhum corredor de interligação entre esta e os demais blocos, estando localizado num local inadequado para sua finalidade.
Com adesão ao PROINFO, em 1999, a escola ganhou o laboratório de informática com 40,32m² construído obedecendo às normas e o layout do Programa. No momento das entrevistas os professores disseram que eles não utilizam o laboratório, pois os poucos computadores existentes estão desatualizados, não tem acesso à internet e faltam profissionais para auxiliá-los no suporte técnico, na elaboração e execução de projetos com os alunos, porque antes havia na escola o professor dinamizador do laboratório de informática, função que foi extinta pelo governo do Estado. Na Gestão do governo Dilma a escola recebeu do Governo Federal a sala multifuncional para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), destinado a atender alunos com necessidades educacionais especiais. No entanto, o espaço é insuficiente e inadequado, pois é uma sala modular montada no meio do corredor principal da
escola, se caracterizando em um “puxadinho”58. No pátio da entrada principal da escola foi montada uma tenda que atende o programa Mais Educação.
Contudo, no que se refere ao desenvolvimento das aulas, dos projetos educacionais, a escola não conta com espaços adequados ao trabalho pedagógico em que professores e alunos pudessem se sentir confortáveis e estimulados para o processo ensino-aprendizagem. Nesse sentido, as aulas em dois prédios distintos e distantes um do outro acabam por afetar o atendimento com dignidade aos estudantes, uma vez que estes ficam excluídos da escola como um todo, passando a ter uma visão parcial do processo educativo. Também há prejuízos em relação às interações com os diferentes grupos que compõem a escola, no relacionamento com os professores, pois estes se subdividem para atender dois espaços diferentes de uma mesma escola, além de não terem acesso aos outros ambientes na escola, limitando-se apenas as salas de aula.
Para o lazer e recreação, são utilizados o pátio da área livre e a quadra da escola. A área livre é ampla e arborizada dividida em dois ambientes, a parte cimentada é utilizada para recreação, ensaios, apresentações e palestras com três mesas de cimento para jogos de tênis de mesa e seis bancos de cimento. No outro espaço conta com algumas árvores frutíferas e ainda tem disponível uma grande área verde.
Pensando na melhoria na qualidade de atendimento dos alunos na escola no ano de 2016, o grupo gestor solicitou, por meio da Subsecretaria Regional de Educação, a construção de cinco salas de aula, oito banheiros sendo quatro para mulheres e quatro para homens, sala para Secretaria, sala para professores, uma sala de vídeo, uma sala especifica para a biblioteca, um laboratório de Ciências, mas até o momento os recursos não foram liberados. O quadro de servidores é constituído por 30 funcionários administrativos e por 48 professores modulados nos três turnos. A diretora foi eleita pela comunidade e está em seu segundo mandato. O processo de escolha dos diretores das unidades escolares ocorre por meio das eleições diretas para um mandato de três anos, podendo ser reconduzido por mais um mandato consecutivo. Os cargos de vice-diretor e de secretário geral são definidos pela diretora. A escola conta ainda com três coordenadores pedagógicos que atendem nos três turnos, com formação em Matemática, Biologia e Geografia. Dentre as funções administrativas apresenta-se o seguinte quadro: secretaria geral efetiva com segundo grau completo, três auxiliares de secretaria sendo, uma com ensino superior completo, uma
58
Palavra utilizada para designar a extensão em um imóvel feita de modo irregular e ilegal, para aproveitar espaços.
cursando Direito e outra com ensino médio; sete auxiliares de merendeira; sete auxiliares de serviços gerais, todos com ensino médio completo; três professoras que ocupam a função de bibliotecárias, duas formadas em Letras e uma graduada em Pedagogia; um coordenador de turno, coordenador da merenda, um coordenador do programa Mais Educação; um professor de banda e a vice diretora que é formada em Pedagogia.
A instituição educacional é reconhecida pela sociedade, como uma boa escola devido a formação pedagógica de seus funcionários, o bom índice de aprendizagem dos alunos, o grande acervo de recursos didático-pedagógico e ainda pelo amplo espaço físico externo que oferece, sendo privilegiado pela sua localização central. Tem como vizinhança casas residenciais, uma pizzaria, um templo religioso, uma “Lan House” e autoescola. As ruas que o circundam a escola são asfaltadas e com fluxo médio de movimento de veículos.
Apesar da localização central, a comunidade atendida é socialmente diversificada, em sua maioria pertencente à classe média baixa oriunda praticamente de todos os bairros da cidade e da zona rural, são filhos de pais assalariados, comerciantes, trabalhadores rurais, domésticas, etc. Os alunos chegam à escola por meio de transporte municipal (ônibus), carros próprios (dos pais), motos, bicicletas e a pé.
O turno noturno apresenta características peculiares com relação ao perfil dos alunos. Atende alunos menores e maiores de idade, trabalhadores ou não. O turno é considerado ponto crítico com relação à evasão escolar, isso acarreta um número de alunos reprovados por faltas e a ocorrência de problemas de disciplina, uso de drogas, consumo de bebida alcoólica, tabagismo, às vezes dentro da própria escola. Mesmo os alunos menores de idade, por vezes, apresentam comportamento agressivo e desrespeitoso aos professores, colegas e funcionários da Unidade Escolar.
A escola recebe recursos complementares por meio de verbas do PROESCOLA I e II e do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Os recursos recebidos referentes a 2015 foram os seguintes: Recurso do PDDE: R$19.072,00; Recurso do PROESCOLA: R$ 16.950,50; Mais Educação: R$ 21.491,71, num total de Recursos no valor de R$: R$ 57.514,21 por ano. Somam-se a esse montante, os recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar para o Ensino Fundamental na razão de R$ 0,30 (trinta centavos) por aluno, repassado pelo governo federal e R$ 0,14(quatorze centavos) do governo estadual.
Diante do exposto, surgem questões a serem discutidas acerca do financiamento da educação, relativos ao custo/aluno qualidade em uma escola pública, as variáveis que mais interferem em um ensino considerado de qualidade em escolas que apresentam diferentes realidades, a ampliação da qualidade de ensino na Educação Básica, e por fim as políticas de
financiamento a serem praticadas para elevar a qualidade do ensino no país.
Essas e outras questões apontam para o grande desafio a ser enfrentado pela educação brasileira no que se refere à manutenção do ensino, visando atender a um padrão mínimo de qualidade nas escolas de Educação Básica. As questões se agravam ao considerar a dimensão da educação brasileira em todos seus níveis, etapas e modalidades, além da desigualdade social brasileira e da defasagem idade/série que ainda é considerada elevada (AMARAL, 2012). O Mesmo autor cita os desafios a serem superados pela educação brasileira:
Há que se promover ainda uma substancial expansão no número de matriculas da educação infantil, do ensino médio e da educação superior. Dessa forma há que se elevar o volume total de recursos públicos aplicados na educação brasileira, se quisermos expandir as matriculas, corrigir as defasagens idade/série e melhorar a qualidade da educação (p. 48).
Em face do que foi observado sobre os recursos destinados a educação percebe-se os desafios a serem enfrentados pela escola analisada, no sentido de alcançar os objetivos pedagógicos, para se cumprir a missão da escola declarada no Projeto Político Pedagógico “promover um ensino de qualidade, pautado na gestão democrática e participativa, assegurando a universalização do acesso a todos, bem como a sua permanência com sucesso, visando à inserção efetiva de indivíduos críticos e participativos na sociedade. (PPP E1, 2016, p. 7).