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Le groupe d’experts recommande d’améliorer le diagnostic en permettant une évaluation pluridimensionnelle et

Dans le document Trouble développemental de la coordination (Page 74-79)

Ozório Bimbato P. Christovam Diósnio Machado Neto

Introdução

As possibilidades de estudo da história econômica ocupa uma área, consensualmente, entre a história e economia, tentando interpretar um fato acontecido sob um prisma his- tórico em ambivalências marcadas pela teoria econômica. A. K. Cairncross assume a história econômica como uma maneira de resolver questões da teoria econômica estudando as reparações e transferências do capital que se desdobra na subjetivação da vida sobre a plataforma econômica.

1 Texto adaptado do apresentado na 13ª Conferência Internacional do RIdIM e 1º Congresso Brasileiro de Iconografia Musical, Salvador (BA), 2011.

O fenômeno posto por Cairncross se refere à troca, sendo esta uma parte limitada da história, existindo outras formas de troca que não são fáceis de medir como troca em técnicas, no gerenciamento e organização, em atitudes e valores humanos. (CAIRNCROSS, 1989, p.173-185)

Na musicologia, a intersecção com a história econômica fundamenta inú- meros estudos que hoje em dia se justificam na Critical Musicology. Esse é um campo teórico que permeia todo e qualquer estudo crítico da sociedade, desde os estudos da forma de produção e consumo da música até os problemas rela- cionados com a musicologia compensatória, ou seja, os problemas da sexua- lidade e raça na representação e subjetivação do fenômeno musical como ato consubstanciado na sociedade.2

O recorte proposto por esse trabalho utiliza a fundamentação da história econômica, buscando constatar um eixo entre as cidades de Santos, Campinas e Ribeirão Preto no estado de São Paulo durante a virada do século XIX para o século XX, comprovando a influência e interiorização da ópera. A metodologia é o uso dos estudos iconográficos como plataforma de análise dos léxicos que representavam os desejos e fantasias de uma sociedade em transição. A escolha das cidades formadoras desse eixo se deu pela importância que estas tiveram num momento de grande reforma econômica e social.

Os estudos de história econômica em solo brasileiro, notadamente em Warren Dean, mostram que as mudanças registradas durante as últimas décadas do Império e as primeiras décadas da chamada Primeira República, período que compreende de 1870 a 1930, sensibilizaram todos os parâmetros de desenvolvimento socioeconômico-político e cultural brasileiro. Assumindo a problemática de troca posta por Cairncross, observa-se durante esse período a grande importância da mudança do sistema agrário baseado na cultura cafeeira para um princípio de industrialização, ocorrida principalmente no estado de São Paulo. (DEAN, 2008, p. 659-703)

A expansão das zonas cafeeiras promoveu o surgimento de novas cidades e a ampliação das já existentes; a urbanização gerada a partir desse trânsito se

2 O trabalho de David Beard e Kenneth Gloag, Musicology: the key concepts ([New York: Routledge, 2005], pp.28-29), apresenta algumas referências de trabalhos sobre sexualidade e raça como Carolyn Abbate, Opera; or, the Envoicing of Women, in: Musicology and Difference: Gender and

consubstanciou na geração de novos modos e hábitos urbanos.3 Antecipando assuntos que serão tratados no decorrer desse texto, podemos observar a trans- formações dos modelos de socialização através do teatro. Um dos aspectos a ser sublinhado é que, como forma de entretenimento, as atividades vincu- ladas ao espaço teatral se firmam como símbolo da redefinição dos espaços públicos, onde o processo de socialização se transfere da praça em frente ao teatro, para dentro do teatro. As fotos 1 e 2 mostram essa transferência e redefinição; a foto 1 ilustra uma festa de viajantes em Ribeirão Preto no ano de 1906 na praça XV de Novembro em frente ao Theatro Carlos Gomes; por sua vez, a foto 2 retrata na mesma cidade, no ano de 1941, uma festa popular italiana realizada dentro do Theatro Pedro II.

O desenvolvimento das cidades do estado de São Paulo durante esse período abarca muitos fatores que se entrelaçam, sendo difícil delimitar suas fronteiras de ação, mas observam-se três fatores principais: a ênfase na expor- tação do café, a imigração europeia, e as linhas férreas. Como apresenta Flávio de Saes, a expansão cafeeira em São Paulo data de meados do século XIX: primeiro, no Vale do Paraíba paulista, antes mesmo de 1850; e na segunda metade do século, em direção ao então chamado Oeste Paulista (que se define a partir de Campinas e segue em várias direções: Mogi-Mirim e Casa Branca ao norte, Ribeirão Preto e Jaboticabal a noroeste, e Jaú e Piracicaba ao oeste). Ao fim do século XIX, os cafezais já haviam ocupado grande parte do terri- tório paulista, sendo acompanhados pelas linhas férreas instaladas após 1870. (SAES, 2010, p. 13-40)

3 Para mais informações: Aracy Amaral e Kim Mrazek Hastings: “Stages in the Formation of Brazil’s Cultural Profile”, The Journal of Decorative and Propaganda Arts, 21 (Florida International University, 1995), pp. 8-25; Mirian Silva Rossi: “Circulação e Mediação da obra de arte na Belle Époque paulistana”, Anais do Museu Paulista, 6/7 (São Paulo, 2003), pp. 83-119; Mauricio A. Font: “Coffe Planters, Politics, and Development in Brazil”, Latin American Research Review, 22, p. 3 (The Latin American Studies Association, 1987), pp.69-90.

Foto 1 – Theatro Carlos Gomes, 1906. Fonte: Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto

Foto 2 – Theatro Pedro II, 1941. Fonte: Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto

Esse deslocamento é promovido pelo declínio da produção do Vale do Paraíba, considerada uma zona agrária mais antiga, acarretando na busca por terras virgens, mas também é associado à extensão das linhas férreas para regiões mais distantes do litoral, e o crescimento populacional em grande parte impulsionado pela imigração europeia. O Quadro 1, produzido por Saes (2010, p. 17), mostra o paralelismo entre os fatores já citados, sendo que o crescimento populacional correspondia à ampliação da mão de obra necessária à produção de café; da mesma forma, a extensão das linhas férreas tornava viável a produção de café em terras mais distantes do porto de expor- tação, o porto da cidade de Santos.

Quadro 1: Ferrovias, produção de café e população do estado de São Paulo (1886-1940)4

Ano Ferrovias (Km) População Café (arrobas)

1886 1.640 1.221.380 12.371.613

1905 3.843 2.279.608 35.819.079

1920 6.616 4.592.188 20.243.948

1940 7.540 7.180.316 60.985.487

Apesar da majoritária importância da produção cafeeira, o estado de São Paulo também ampliou outros ramos da economia; nos anos 1920, houve uma expressiva diversificação de produtos agrícolas, e a instalação de bancos, grandes casas comerciais de importação e exportação, empresas de serviços públicos, e as primeiras fábricas no ambiente urbano, já apresen- tando uma elite empresarial forjada com os nomes de famílias proeminentes. (SAES, 2010, p. 17)

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