• Aucun résultat trouvé

GRAPHICS MEMORY REFRESH

Dans le document " .. :..II? rv (Page 194-197)

Graphics Memory 5

CHAPTER 5 GRAPHICS MEMORY

5.3 GRAPHICS MEMORY REFRESH

O nível comunitário representa o culminar dos esforços e da construção que se foi fazendo durante os ciclos anteriores, e que se constituiu num ciclo onde as diferentes fases de investigação-ação se concretizaram com diferentes medidas de tempo e participação. A fase de planeamento foi notoriamente a mais longa, enquanto que as fases de implementação e observação decorreram em simultâneo e durante apenas umas poucas horas. Cabe agora a este momento de reflexão, o papel de conseguir informar e motivar futuros ciclos, pois a investigação-ação “não tem um fim definido, uma vez que (…) novas realidades [podem] estender o processo de investigação” (Gray, 2013)75.

Esta última fase de intervenção substanciada na sessão de cocriação, foi realizada debaixo de uma combinação de pressões de diferentes naturezas, que acentuaram o desafio, e que, como já foi referido anteriormente, levaram a algumas falhas,

maioritariamente atribuíveis a questões organizacionais. Contudo é com base também

75 “In contrast, Stringer (1999) argues that good action research projects have no well-defined ending. Instead, new realities emerge that extend the process of inquiry (Gray, 2013: 383).”

152

nessas falhas, que se processa este momento de reflexão e de onde se extraem lições e mais-valias deste último ciclo.

A constatação mais imediata é que a sessão teria beneficiado de um trabalho de preparação em equipa, pelo menos com uma outra pessoa além da investigadora, para partilha de tarefas, responsabilidades e decisões que se acumularam e assoberbaram a última semana antes da realização da sessão e o próprio dia. Os episódios de imprevistos e adaptações aos planos inicialmente traçados para a sessão já assinalados não carecem de ser reiterados, mas alguns apenas aludidos para justificar a necessidade de reformular o plano de trabalhos. Nomeadamente:

• na salvaguarda de uma clarificação prévia dos objetivos da sessão e orientações estruturantes do trabalho esperado de todos os participantes. Esta clarificação, foi inicialmente considerada sob a forma de reunião no mesmo dia, na parte da manhã, com os participantes especialistas e sob a forma de conversa com os habitantes que participariam, mas em ambos os casos a falta ou pouca antecedência na confirmação de participação, além de algumas indisponibilidades para estar presente durante uma manhã e tarde de sábado, foram as razões para a ausência deste esclarecimento. Uma outra forma, menos desejável, mas certamente mais viável, pelo menos para os convidados externos, seria através de um documento escrito que explicasse mais em pormenor o conteúdo da carta-convite que lhes foi dirigido, assim como o briefing e as orientações para a sessão; • apesar de ter sido realizada de forma muito ligeira (almoço-reunião) e

apenas com as designers (secretárias), convinha haver uma coordenação e preparação mais atempada das funções de secretário e moderador, de grande importância para a salvaguarda da democratização do processo e para a fluidez das etapas da sessão em direção aos resultados esperados; e

• na delegação da função de observação não participante a uma pessoa por equipa, preferencialmente externa ao projeto, que pudesse fazer um registo imparcial e focado. Ao contrário de outras fases deste projeto de

investigação, as dinâmicas e o número de participantes desta sessão tornariam a presença de um observador menos percetível e, por isso, menos constrangedora.

No formulário de avaliação, um dos participantes comentou que, apesar de considerar que as famílias inspiração (personas) estivessem bem desenvolvidas, a discussão centrou-se em generalizações e acabaram por perder a referência que as personas constituíam. Será que as personas serviram o seu desígnio? É uma questão abordada por Cooper (2004) que assevera que não adianta ter uma boa proposta de design se

153

esta não corresponde aos requisitos das personas criadas (p. 138). O mesmo autor aponta duas problemáticas possíveis no que se refere às personas: uma concetual e outra processual. Ao nível concetual, um conjunto de personas pode não ser bem- sucedido por falta de detalhe realista (Cooper, 2004: 130, 131) ou por excesso de requisitos (Cooper, 2004: 135). Em termos processuais, Cooper (2004: 138) refere a facilidade com que se retorna a discussões baseadas em formas genéricas de utilizadores e se perde “o foco conquistado em arquetípicos específicos de

utilizadores”, que as personas constituem. Nesta situação especifica, o objetivo das personas criadas para a sessão de cocriação não pretendia constituir-se na única referência para as decisões tomadas, uma vez que, ao contrário de Cooper (2004), este processo previa a colaboração com os próprios habitantes do bairro e estes podiam fornecer informação complementar. Todavia, na análise dos materiais produzidos para a apresentação, a relação entre os factos apurados através da discussão sobre as famílias inspiração e as soluções que propõem, não é muito clara.

Esta análise acaba por desembocar numa outra questão já aflorada: quão democrático foi o processo de cocriação? Além dos depoimentos dados pelos participantes, é possível refletir sobre este assunto mediante algumas evidências observadas. As personalidades dos presentes podem ditar que uns elementos participem mais e por vezes se sobreponham a outros. Este facto parece ter sido intensificado pela

experiência acumulada de trabalho no contexto específico por alguns dos elementos. Estas circunstâncias parecem ter conduzido a tomadas de decisão fundamentadas no conhecimento desses elementos mais experientes, conhecedores e extrovertidos, e poderão não ter sido apresentadas ou clarificadas para o grupo, incorrendo, desta forma, numa visão e sensação refratadas sobre o processo e respetivos resultados. Esta situação torna-se ainda mais evidente quando se comparam as dinâmicas das duas equipas, uma vez que os elementos mais experientes no trabalho com a

população do bairro se concentraram apenas numa das equipas. Daqui se deduz que, na reformulação das equipas, a experiência do especialista com a população devia ter sido um critério de relevância.

Os elementos do jogo, eram na maioria simples papéis de diferentes formatos e cores, e riscadores coloridos. Além das famílias inspiração, apenas um outro elemento se distingue do conjunto, os cartões conceito. Embora alguns destes cartões fossem de interpretação imediata (como o IEFP), outros deixavam espaço para serem

apropriados em função das necessidades de representação que a equipa ou elemento tinha, e isso acabou por se verificar numa das apresentações, a única que recorreu a estes e improvisou outros. As razões pelas quais esta ferramenta não foi mais

requisitada podem ser várias, desde falhas na introdução e/ou explicação das possíveis aplicações dos cartões, às imposições de tempo para as equipas na

preparação das suas apresentações, e à exiguidade dos espaços e mesas de trabalho que conduziram a uma desorganização dos materiais (Figura 47). Para assegurar que a não utilização dos cartões conceito é uma decisão da equipa e não uma

154

consequência das circunstâncias, estes deviam ter sido apresentados e explicados no mesmo momento em que se fez a apresentação do design game. Aliás, o desejável será que todos os elementos fossem apresentados no início e que, para precaver as situações de falta de espaço, a cada etapa correspondesse uma caixa que conteria as respetivas orientações e materiais.

Figura 47. Mesas de trabalho das equipas. Fotografias: Abhishek Chatterjee.

Relativamente às propostas desenvolvidas pelas duas equipas, a experiência e conhecimento acumulado durante um ano e meio de permanência em campo, permite inferir que os elementos constituintes de cada equipa são responsáveis pela tipologia das propostas apresentadas. Isto é, a equipa composta por elementos com

experiência acumulada no contexto apresentou um evento como proposta, e a outra equipa, sem elementos próximos do contexto, propôs uma intervenção de longa duração (programa). A partir desta constatação é possível depreender que, quem lida com a comunidade está consciente que a adesão e sustentabilidade de projetos de longa duração tem uma história de insucesso no Lagarteiro e que, por isso, a proposta de evento afigura maior viabilidade de concretização, não implicando esforços e estruturas permanentes de sustentação e manutenção. Contudo, para constituir-se um veículo para a transformação, a proposta de evento terá que desencadear alguma mudança. Verifica-se, desta forma, que é imprescindível que o desenho destas propostas tenha em consideração:

• a abrangência da proposta em relação: aos temas abordados e às estratégias de envolvimento da população (grupos pequenos, médios ou grandes);

• a viabilidade da concretização, mediante: histórico de experiências, estratégias motivacionais, articulações com agentes individuais e institucionais, e

dependência de financiamento e/ou manutenção;

• o impacto dessa concretização em função das problemáticas e a implicação dos investimentos de diferentes naturezas que esta representa.

155

É fundamental referir que, além dos resultados das equipas e das lições já mencionadas, esta sessão de cocriação constituiu um importante exercício de preparação, que se não tivesse acontecido (se as expectativas de afluência da população do Lagarteiro não tivessem sido goradas), o resultado teria sido

provavelmente desastroso, somando mais uma frustração no histórico de experiências da população do Lagarteiro. Esta sessão foi importante na medida em que se

observou que uma visão partilhada da realidade vivida neste contexto é um processo que requer algum tempo para discussão e sintonização, e que a articulação entre os participantes (nomeadamente externos) também necessita de ser treinada.

156

157

SÍNTESE

Dans le document " .. :..II? rv (Page 194-197)