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Good practices in classroom management

Classroom management: good practices and consequences of inappropriate approaches

2. Good practices in classroom management

Diante de uma pesquisa que envolve uma história de vida, fez-se necessária, em primeiro lugar, a definição de um arco de tempo mais restrito a ser investigado. O recorte escolhido compreende um período de cerca de cinco anos, de 1998 a 2003, época em que cursei a graduação em instrumento como aluno da Escola de Música da Universidade Federal

da Bahia.21 Tal delimitação foi definida a partir de três fatos básicos: o primeiro deles é o de que nesse período o processo de transformações em minha identidade musical ocorreu principalmente em dois contextos de desenvolvimento, ambos situados em um ambiente institucional, em contato com pessoas e culturas específicas; o segundo fato é o de que nesse período realizei em estúdio uma série de gravações de áudio que acabaram por se tornar alguns dos artefatos mais importantes dessa tese. Essas gravações passaram a representar uma materialização de todo um arcabouço teórico que foi explorado durante a pesquisa; o terceiro fato importante é o de que esse foi talvez um dos períodos em minha vida em que mais vivenciei momentos de epifania sonora. Foram momentos em que forças coercitivas diversas surgiram em meu caminho e eu precisei agir no sentido de elucidar questões, vencer desafios, encontrar soluções e fazer adaptações em minha prática.

Ao lidar com assuntos relacionados à minha própria prática artística decorridos em um período passado, decidi me valer de uma estratégia metodológica que combinasse recursos usuais da autoetnografia, da pesquisa artística e das ciências mais tradicionais. A seguir elenco alguns dos recursos e procedimentos que se tornaram mais importantes ao longo do meu processo de autoinvestigação.

2.3.2 Autoinventário

Eu arrolei, organizei e analisei uma série de fatos, memórias, sentimentos, relacionamentos, hábitos, ações e objetos que desempenharam um papel importante no meu processo de desenvolvimento da sonoridade durante os meus cinco anos de graduação em instrumento. Dentre esses itens analisados, os principais foram: um conjunto de gravações sonoras em formato digital realizadas por mim; um acervo de fotografias pessoais; as minhas relações com determinados flautistas e professores de flauta; alguns dos meus hábitos passados relacionados à produção sonora; os principais instrumentos musicais que utilizei; os principais discos que costumava ouvir; os meus sentimentos e relações afetivas com pessoas, situações e culturas no âmbito institucional onde ocorreram as minhas aulas de flauta. Nas palavras de Cano (2015a):

O autoinventário é a lembrança de fatos, hábitos, ações, pessoas, objetos, relacionamentos ou interações relevantes, cujo objetivo é recuperar os aspectos cognitivos, sociais, efetivos e materiais mais importante para o tipo de indagação

que estamos realizando. [...] O inventário também tem uma função avaliadora, pois cada aspecto, categoria e subcategoria são submetidos a exame.22

2.3.3 Participação observadora

Por conta da natureza autoinvestigativa do meu trabalho, a análise de aspectos da minha produção sonora no passado me colocou por vezes em situação de participante observador. Ouvi e analisei o conjunto das minhas gravações de áudio repetidas vezes, reavivei a memória, tentei decompor timbres, e testei no meu próprio instrumento as diferentes estratégias técnicas que se constituíam em hábitos no passado. De acordo com Cano (2015a, p.112), a participação observadora é o tipo de procedimento em que o investigador:

Participava desde um período anterior na prática que agora é assunto de sua investigação. Ocorre por exemplo quando um instrumentista quer estudar o seu próprio processo de construir sua interpretação tecnicamente e musicalmente e tem que observar, por meios diversos, seus próprios hábitos.23

2.3.4 Entrevistas semiestruturadas

A partir de um conjunto básico de questões, fiz três entrevistas durante a pesquisa, ambas com os flautistas que foram meus professores durante o período de graduação em instrumento. Foram duas entrevistas com Lucas Robatto e uma entrevista com Oscar Dourado. As perguntas que elaborei foram apenas um ponto de partida para uma conversa relativamente informal com esses músicos. As perguntas instigavam que eles falassem sobre assuntos relacionados à produção sonora na flauta e ao seu ensino. Em alguns momentos eles me surpreenderam, trazendo mais informações do que o esperado. Em outros momentos, fizeram menos esclarecimentos. Em algumas ocasiões tanto Dourado quanto Robatto foram bastante assertivos, em outras fizeram digressões. Por conta dessa dinâmica flexível e não muito previsível, houve ocasiões em que pude suprimir determinadas perguntas que estavam no questionário por que a resposta já havia sido dada espontaneamente. E também houve ocasiões em que precisei improvisar novas perguntas com o objetivo de trazer a conversa

22 Tradução minha. Segue o texto original: El autoinventario es la rememoración de hechos, hábitos, acciones,

personas, objetos, relaciones o interacciones relevantes, cuyo objetivo es recuperar los aspectos cognitivos, sociales, efectivos y materiales más importantes para el tipo de indagación que estamos realizando. […] El inventario tiene también una función evaluadora, pues cada aspecto, categoría y subcategoría son sometidos a examen.

23 Idem: Participaba desde antes en la práctica que ahora es sujeto de su investigación. Ocurre por ejemplo

cuando un instrumentista quiere estudiar su proprio proceso de construir técnica y musicalmente una interpretación y tiene que observar, por diversos medios, sus proprios hábitos.

novamente para um determinado rumo ou mesmo obter um esclarecimento que havia sido suprimido ou evitado nas respostas iniciais.

2.3.5 História de vida

Estando esta pesquisa relacionada às minhas próprias experiências como instrumentista, nos capítulos sete e oito faço um relato histórico de um período específico da minha vida tendo como fio condutor o meu processo de produção sonora. Neste trecho, reacendendo memórias e sentimentos do passado misturados a sensações do presente, me permito uma linguagem um pouco mais livre, literária. Em alguns momentos essa linguagem pode parecer não muito comum aos trabalhos acadêmicos mais tradicionais, mas é bastante recorrente e necessária no âmbito da autoetnografia. Sobre a construção da história de vida, Cano (2015a, p.119) escreve as seguintes palavras:

É a reconstrução da biografia de um indivíduo específico a partir do testemunho do próprio sujeito ou de indivíduos do seu entorno. Usa entrevista direta assim como análise de outros objetos e artefatos. [...] Entre esses objetos se destacam as autobiografias, diários, correspondências, materiais iconográficos, itens pessoais, coleções de livros e discos. É usado quando um sujeito é particularmente importante para a pesquisa, por exemplo, compositores ou intérpretes relevantes dos quais queremos aprender algo de sua técnica e modos de compor ou interpretar, etc. Também é empregada quando o sujeito é um exemplo típico de um setor ou grupo social cuja história de vida pode ser um caso especialmente representativo.24

2.3.6 Análises e descrições de estratégias técnicas

Além de examinar a minha história de vida sob um ponto de vista mais simbólico, nos capítulos sete e oito faço uma série de análises e descrições mais concretas relacionadas à minha produção sonora no passado. Essas análises e descrições não buscam resultados detalhados e absolutos, elas se delimitam aos procedimentos técnicos mais gerais e que se constituíam em hábitos recorrentes. Por exemplo, quando estou me referindo a um tópico como mudança de registro, descrevo aspectos como o avanço ou o recuo dos lábios, o aumento ou a diminuição do orifício labial, o aumento ou a diminuição da pressão no fluxo de ar. No entanto sem a preocupação de estabelecer exatamente quantos milímetros varia o

24 Idem: Es la reconstrucción de la biografía de un individuo específico a partir del testimonio del proprio sujeto

o de individuos de su entorno. Usa la entrevista directa así como el análisis de otros objetos y artefactos. […] Entre estos objetos destacan las autobiografías, diarios personales, correspondencia, material iconográfico, objetos personales, colecciones de libros y discos. Se emplea cuando un sujeto es especialmente importante para la investigación, por ejemplo, compositores o intérpretes relevantes de los cuales queremos aprender algo de su técnica y modos de componer o interpretar, etc. Se emplea también cuando el sujeto es un ejemplo típico de un sector o grupo social, cuyo recorrido de vida puede ser un caso especialmente representativo.

orifício labial, quantos milímetros exatos os lábios avançam ou recuam, ou a quantidade exata de variações na pressão do fluxo de ar. Nesse sentido, abordo tais procedimentos técnicos como estratégias, ou seja, como meios desenvolvidos para obter um determinado fim, mas que estão sujeitos a pequenas variações, a depender do contexto e necessidade do momento. A delimitação a essas estratégias técnicas mais gerais se deve principalmente ao fato da literatura (métodos de flauta) e do discurso dos flautistas aqui envolvidos se situarem geralmente nesse âmbito.

3 QUESTÕES RELACIONADAS À IDENTIDADE SÓCIO-

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