Classroom management: good practices and consequences of inappropriate approaches
3. Consequences of an inappropriate classroom management approach The realization of an effective classroom management represents an objective hard
Apesar de reconhecer o sentido mais comum atribuído à identidade relatado anteriormente, Hall observa que nos últimos anos estão acontecendo transformações radicais nesse conceito e indica também o surgimento de crítica nos campos mais diversos. Em sua concepção (2000, p.103) “está se efetuando uma completa desconstrução das perspectivas identitárias em uma variedade de áreas disciplinares, todas as quais, de uma forma ou de outra, criticam a ideia de uma identidade integral, originária e unificada.” Hall (2000, p. 109) afirma também que mais recentemente tem existido uma tendência de considerar a identidade
1 Idem: The language of “identity” is ubiquitous in contemporary social science, cutting across psychoanalysis,
psychology, political science, sociology, and history. The common usage of the term identity, however, belies the considerable variability in both its conceptual meanings and its theoretical role.
como uma “construção”, ou seja, ela jamais é algo completo ou acabado, e sim algo em constante processo de transformação:
[As identidades] têm a ver entretanto com a questão da utilização dos recursos da história, da linguagem e da cultura para a produção não daquilo que nós somos, mas daquilo no qual nos tornamos. Têm a ver não tanto com as questões “quem nós somos” ou “de onde nós viemos”, mas muito mais com as questões “quem nos podemos nos tornar”, “como nós temos sido representados” e “como essa representação afeta a forma como nós podemos representar a nós próprios”. Elas têm tanto a ver com a invenção da tradição quanto com a própria tradição. [...] Elas surgem da narrativização do eu, mas a natureza necessariamente ficcional desse processo não diminui, de forma alguma, sua eficácia discursiva, material ou política, mesmo que a sensação de pertencimento, ou seja, a “suturação à história” por meio da qual as identidades surgem, esteja, em parte, no imaginário (assim como no simbólico) e, portanto, sempre, em parte, construída na fantasia ou, ao menos, no interior de um campo fantasmático.
Em uma linha de pensamento análoga a de Hall, Castells (1999, p.22) também reconhece esse processo de construção da identidade, realizado tanto no nível individual quanto no nível coletivo:
Não é difícil concordar com o fato de que, do ponto de vista sociológico, toda e qualquer identidade é construída. A principal questão, na verdade, diz respeito a como, a partir de quê, por quem, e para quê isso acontece. A construção de identidades vale-se da matéria-prima fornecida pela história, geografia, biologia, instituições produtivas e reprodutivas, pela memória coletiva e por fantasias pessoais, pelos aparatos de poder e revelações de cunho religioso. Porém, todos esses materiais são processados pelos indivíduos, grupos sociais e sociedades, que reorganizam seu significado em função de tendências sociais e projetos culturais enraizados em sua estrutura social, bem como em sua visão de tempo/espaço.
Hall (2000, p. 109) afirma ainda que as identidades são construídas através dos discursos, em locais históricos e institucionais específicos, por estratégias e iniciativas específicas. Para ele então esta identidade não é algo inteiriço, sem costuras, tal como se entende tradicionalmente, para ele as identidades “emergem no interior do jogo de modalidades específicas de poder e são, assim, mais o produto da marcação da diferença e da exclusão do que o signo de uma unidade idêntica, naturalmente constituída.” Desta forma as identidades seriam derivadas não apenas da identificação de semelhanças, mas principalmente da identificação e construção das diferenças. Concordando com Hall, Woodward (apud Vargas 2005, p.80) afirma que:
As identidades são fabricadas por meio da marcação da diferença. Essa marcação da diferença ocorre tanto por meio de sistemas simbólicos de representação quanto por meio de exclusão social. A identidade, pois, não é o oposto da diferença: a identidade depende da diferença. Nas relações sociais, essa forma de diferença – a simbólica e a social – são estabelecidas, ao menos em parte, por meio de sistemas classificatórios. Um sistema classificatório aplica um princípio de diferença a uma população de uma forma tal que seja capaz de dividi-la [...] em ao menos dois grupos opostos – nós/eles (por exemplo, servos e croatas); eu/outro.
Nessa mesma linha de pensamento, Hogg e Abrams (apud Burke e Stets 2000, p.225) afirmam que “as categorias sociais nas quais os indivíduos se colocam são parte de uma sociedade estruturada e existem somente em relação a outras categorias contrastantes (por exemplo, negro versus branco).”3Desta forma cada categoria “tem maior ou menor poder, prestígio, status, e assim por diante.”4 Estes autores salientam ainda que as categorias sociais precedem os indivíduos e que os indivíduos nascem em uma sociedade já estruturada. Uma vez inseridas na sociedade “as pessoas possuem suas identidades ou senso de si mesmo derivados amplamente das categorias sociais das quais fazem parte, cada pessoa, no entanto, ao longo da sua história pessoal, é um membro de uma combinação única de categorias sociais.”5 Desta maneira cada pessoa seria derivada de um conjunto de identidades sociais cujo resultado é que cada pessoa possui um conceito único de si mesmo.
Discorrendo sobre as relações de poder e de exclusão na construção identitária de cada indivíduo, Hall (2000, p.110-111) afirma que as “unidades” proclamadas na ideia mais tradicional de identidade são algo construído dentro de relações de poder, cujo objetivo é a exclusão. Elas são o resultado “não de uma totalidade natural inevitável ou primordial, mas de um processo naturalizado, sobredeterminado, de fechamento.” Ainda nesse sentido, Hall afirma que “as identidades podem funcionar, ao longo de toda a sua história, como pontos de identificação e apego apenas por causa de sua capacidade para excluir, para deixar de fora, para transformar o diferente em exterior, em abjeto.” Concordando com essas ideias, Laclau (apud Hall, 2000, p.110) afirma que:
Pois se uma identidade consegue se firmar é apenas por meio da repressão daquilo que a ameaça. Derrida [Jacques Derrida] mostrou como a constituição de uma identidade está sempre baseada no ato de excluir algo e de estabelecer uma violenta hierarquia entre dois pólos resultantes – homem/mulher etc. Aquilo que é peculiar ao segundo termo é assim reduzido – em oposição à essencialidade do primeiro – à função de um acidente. Ocorreu a mesma coisa com a relação negro/branco, na qual o branco é, obviamente, equivalente a “ser humano”. “Mulher” e “negro” são, assim, “marcas” (isto é, termos marcados) em contraste com os termos não-marcados “homem” e “branco”.
Castells (1996, p.24) também reconhece a influência das relações de poder no processo de construção da identidade e chega a propor uma classificação em três grupos principais, denominados de identidade legitimadora, identidade de resistência e identidade de projeto:
3 Tradução minha. Segue o texto original: the social categories in which individuals place themselves are parts of
a structured society and exist only in relation to other contrasting categories (for example, black vs. white);
4 Idem: Each has more or less power, prestige, status, and so on.
5 Idem: People derive their identity or senses of self largely from the social categories to wich they belong.
Each person, however, over the course of his or her personal history, is a member of a unique combination of social categories.
Identidade legitimadora: introduzida pelas instituições dominantes da sociedade no intuito de expandir e racionalizar sua dominação em relação aos atores sociais [...]. Identidade de resistência: criada por atores que se encontram em posições/condições desvalorizadas e/ou estigmatizadas pela lógica da dominação, construindo, assim, trincheiras de resistência e sobrevivência com base em princípios diferentes dos que permeiam as instituições da sociedade, ou mesmo opostos a estes últimos [...]. Identidade de projeto: quando os atores sociais, utilizando-se de qualquer tipo de material cultural ao seu alcance, constroem uma nova identidade capaz de redefinir sua posição na sociedade e, ao fazê-lo, de buscar a transformação de toda a estrutura social[...].
Para Burke e Stets (2000, p.224-225), a identidade é geralmente vista na teoria de identidade social da seguinte maneira: o ser é reflexivo de tal sorte que pode ver a si e ao grupo como um objeto, categorizando-o, classificando-o ou nomeando-o de modos particulares e em relação a outras categorias sociais ou classificações. Eles afirmam ainda que esse “processo é chamado na teoria de identidade social de auto-categorização” e que “através desse processo de auto-categorização uma identidade é formada.” Desta maneira a identidade social que o indivíduo possui é a consciência que constrói de pertencimento a uma categoria social ou grupo. O grupo social se colocaria aqui como um conjunto de pessoas que compartilham algum tipo de identificação ou se vêem como membros de uma mesma categoria social. Nesse sentido Burke e Stets (2000, p.225) afirmam ainda que “através de um processo de comparação, as pessoas que são similares a nós são categorizadas como pertencentes ao nosso grupo; pessoas que se diferem de nós são categorizadas como não pertencentes ao nosso grupo.”6 A partir disso é possível constatar dois processos importantes na construção da identidade social, nomeados auto-categorização e comparação social, e que produziriam consequências diferentes. Para Burke e Stets (2000, p.225):
A consequência da auto-categorização é uma acentuação das similaridades percebidas entre nós mesmos e outros membros do nosso grupo, e uma acentuação da percepção de diferenças entre nós mesmos e as pessoas que não são membros do nosso grupo. Esta acentuação ocorre em todas as atitudes, crenças e valores, reações afetivas, normas de comportamento, estilos de discurso e outras propriedades que são acreditadas como correlacionadas com a categorização interna relevante. A consequência desse processo de comparações sociais é a aplicação seletiva do efeito de acentuação, primeiramente àquelas dimensões que irão ocasionar um auto-reforço dos resultados para si mesmo. Especificamente, a nossa autoestima é reforçada pela avaliação dos membros do grupo e daqueles fora do grupo em dimensões que levam ao julgamento daqueles pertencentes ao nosso grupo de maneira positiva e daqueles fora do nosso grupo de maneira negativa.7
6 Idem: Through a social comparison process, persons who are similar to the self are categorized with the self
and are labeled the in-group; persons who differ from the self are categorized as the out-group.
7 Idem: The consequence of self-categorization is an accentuation of the perceived similarities between the self
and other in-group members, and an accentuation of the perceived differences between the self and out-group members. This accentuation occurs for all the attitudes, beliefs and values, affective reactions, behavioral norms, styles of speech, and other properties that are believed to be correlated with the relevant intergroup categorization. The consequence of the social comparison process is the selective application of the accentuation effect, primarily to those dimensions that will result in self-enhancing outcomes for the self. Specifically, one's self-esteem is enhanced by evaluating the in-group and the out-group on dimensions that lead the in-group to be
Outro aspecto importante apontado por Burke e Stets (2000, p.225) na teoria de identidade, é que o testemunho de uma identidade é a categorização de si mesmo como um ocupante de um papel, e a incorporação, em si mesmo, dos significados e expectativas associados com àquele papel e sua performance. Estas expectativas e significados formam um conjunto de padrões que guiam o comportamento.