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Equal Prospects ‘Myth or Reality’ in Education ‘What does this mean for Educators?’

Apesar dos estudos relacionados à identidade dos músicos serem uma tendência muito recente, é possível constatar que já há variedade nos temas pesquisados. Há trabalhos que estudam aspectos identitários de solistas, instrumentistas, bateristas, cantores, pianistas, bandas, jazzistas, músicos clássicos, músicos de rock etc. Ao se referirem a alguns dos estudos que têm sido realizados sobre identidades dos músicos, Hargreaves, Miell e Macdonald (2014, p.574) citam trabalhos que abordam a influência e engajamento em gêneros musicais diferentes: “há estudos sobre as identidades diferentes que são desenvolvidas nos cantores de ópera clássica, músicos de jazz, improvisadores livres e organistas.”21 Também se referindo a alguns dos trabalhos que têm sido realizados sobre a identidade na música, Juuti (2012, p.5) cita um nicho específico que pesquisa estágios específicos do desenvolvimento musical. Estes trabalhos tentam caracterizar o desenvolvimento dos músicos profissionais em cada um dos seus diferentes estágios e revelam muito do processo de construção da identidade. De acordo com Manturzewska (apud Juuti, 2012, p.5):

Não há nenhuma dúvida de que esta abordagem tem permitido insights importantes com relação aos estágios de desenvolvimento que os músicos passam. Ela provê um ponto inicial para a visualização da base individual de identidade e de desenvolvimento, lançando luz sobre estágios como o de desenvolvimento da memória musical, a aquisição de capacidades técnicas e a progressão de concepções interpretativas pessoais e também do know-how. [grifo meu]22

Juuti (2012, p.5-6) observa, no entanto, que pouquíssimos desses trabalhos se referem a identidade de músicos adultos. O interesse maior tem sido no estudo das crianças e dos jovens nos espaços educacionais formais e informais, e também no contexto familiar.

20 Idem: Whether this is at a very low level (“I only sing in the bath”; “I like to play Bob Dylan songs at

parties”), or at a more elevated one (“I am a freelance musician and occasionally play bass for the Scottisch Opera”)

21 Idem: There have been studies of the different identities that develop in classical opera singers, jazz musicians,

free improvisers, and organists.

22 Idem: There is no doubt that this approach has given important insights into the developmental stages that

musicians pass through. It provides a starting point for looking at the individual basis of development and identity, highlighting stages such as the development of musical memory, the acquisition of technical capacities, and the progression to personal interpretative conceptions and know-how.

Consequentemente “quase nenhuma atenção tem sido empregada no entendimento do desenvolvimento da identidade dos músicos através da observação dos músicos adultos e seus estudos musicais, sua relação com a música e seus trabalhos como músico.”23

Para o entendimento da identidade no campo musical torna-se necessária uma quebra com determinadas tradições e a adoção de um ponto de vista mais orientado a uma abordagem sócio-cultural, que compreenda as relações humanas e simbólicas que permeiam o processo de desenvolvimento do músico. Sobre isso Juuti (2012, p.9) afirma que:

O processo de tornar-se um músico clássico não envolve apenas o desenvolvimento de excelentes habilidades técnicas individuais. Este processo longo e contínuo é na verdade complexo, multifacetado e constituído socialmente e culturalmente. Isto cria, dentre outras coisas, a necessidade do cultivo e apreciação das tradições e convenções musicais, da interpretação criativa de peças canônicas, e da identificação e participação em uma comunidade específica.24

A identidade musical é um fenômeno multifário. Com relação especificamente aos músicos instrumentistas o que pode-se constatar é que boa parte de sua formação musical acaba por se constituir em um processo de construção identitária, em meio a uma determinada realidade social e cultural. A produção sonora pode se caracterizar então como uma das diversas dimensões da identidade musical dos instrumentistas. Através de suas características sonoras, os músicos se inserem em determinados grupos e se excluem de outros, se identificam com determinados aspectos e se distanciam de outros, se classificam em determinadas categorias – de superioridade ou inferioridade – e tentam se afastar de outras. Através dos resultados aurais, é possível identificar características identitárias que o músico carrega por toda uma vida, que se repetem a cada performance. Também é possível reconhecer processos de mutação decorrentes de fatores diversos, tanto pessoais quanto sociais e culturais. Essa é precisamente a dimensão escolhida por mim com o objetivo de compreender parte da minha realidade identitária enquanto instrumentista. Tento demonstrar que a técnica de produção sonora não é fruto somente de um trabalho “frio”, neutro, objetivo, pragmático e científico de desenvolvimento de habilidades motoras. A técnica tem sim alguns aspectos estritamente funcionais, objetivos e neutros que devem ser considerados, no entanto ela vai além. A técnica de produção e o resultado sonoro final obtido envolvem dimensões subjetivas e humanas que são fruto da sociedade e cultura na qual o músico se desenvolve.

23 Idem: Almost no attempts to understand musicians’ identity development by looking at adult musicians and

their studies in music, their relation to music, and their work as musicians.

24 Idem: The process of becoming a classical musician does not just involve the individual development of

excellent individual technical skills and competencies. Rather, it is a complex, multifaceted, culturally and socially constituted process that also necessitates, amongst other things, cultivating an appreciation of musical traditions and conventions, the creative interpretation of pieces from the canon, and identification with and participation in a particular musical community.

Esses fatores subjetivos se apresentam como condicionadores importantes que acabam por agir na definição do produto aural final e dos movimentos corporais que o viabilizam.

Desta forma os elementos objetivos e mensuráveis, tanto da minha técnica quanto dos resultados sonoros obtidos, podem ser vistos como reflexo de uma cultura, de um convívio em sociedade, de uma história de vida. A minha produção sonora acaba por se constituir em uma construção identitária, ao mesmo tempo pessoal e coletiva, em mutação constante, constituída por movimentos corporais específicos, por resultados sonoros específicos, mas também por discursos e ideologias específicas, sob influência da realidade cultural e social à minha volta.

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