No município do Ipojuca, o período chuvoso situa-se entre os meses de março a agosto (outono-inverno), sendo os meses mais úmidos os que vão de abril a julho, configurando-se a quadra chuvosa. As médias mensais oscilam entre 50,5 mm no mês de novembro a 360 mm em julho, com total médio de 2.333 mm. As precipitações máximas, mínimas e médias no município do Ipojuca, apresentam considerável variabilidade sazonal e interanual da precipitação pluvial, tendo, como exemplo, chuvas máximas em julho de 1050,4 mm (1986) e mínimas de 84,3 mm (1980), seguindo a principal característica climática do Nordeste do Brasil, a variabilidade espaço temporal (MOLION; BERNARDO, 2002).
A Figura 5.1 apresenta a distribuição média mensal dos valores de chuva máxima, média e mínima para os anos de 1941 a 2013 do pluviômetro da Usina Ipojuca.
Figura 5.1 – Distribuição entre as precipitações pluviais mensais média, máxima e mínima para o município do Ipojuca entre o período 1941-2013
Fonte: Pluviômetro localizado na Usina Ipojuca.
Esse padrão da precipitação anual é influenciado por mecanismos de grande escala (seção 3.5.1), responsáveis pela maior parte da precipitação observada, e os mecanismos de meso e microescala que completam os totais precipitados (MOLION; BERNARDO, 2002).
Além desses mecanismos, as mudanças nas configurações de circulação atmosféricas de grande escala a partir da interação oceano-atmosfera no Pacífico e no Atlântico são fatores que influenciam, substancialmente, na variabilidade interanual da distribuição das chuvas no Nordeste do Brasil (NEB) tanto nas escalas espacial como temporal (MOLION; BERNARDO, 2002).
É, portanto, com a compreensão dos mecanismos de grande, meso e microescala e a interação destes com as alterações na temperatura da superfície do mar (ATSM) do Pacífico e Atlântico Equatorial que serão apresentados os resultados da análise da variabilidade interanual da precipitação pluvial, da análise de tendência, bem como da ocorrência de eventos extremos no município do Ipojuca.
5.1.1 Variabilidade interanual da precipitação pluvial
A Tabela 5.1 apresenta os valores identificados na análise da precipitação pluvial anual contendo a série histórica de 1941 a 2013 do pluviômetro da Usina Ipojuca para as probabilidades referentes a (0,05), (0,15), (0,25), (0,65), (0,85) e (0,95), classificando os anos em Extremamente Seco, Muito Seco, Seco, Normal, Chuvoso, Muito Chuvoso e Extremamente Chuvoso.
Tabela 5.1 – Determinação das categorias e probabilidades da precipitação anual relacionada com as ordens quantílicas
CATEGORIAS PROBABILIDADES
Extremamente Seco (E. SECO) X ≤ 1561,96
Muito Seco (MS) 1561,96 < X ≤ 1845,44
Seco (S) 1845,44 < X ≤ 2100,32
Normal (N) 2100,32 < X < 2472,44
Chuvoso (C) 2740,06 ≤ X < 2740,06
Muito Chuvoso (MC) 3513,44 ≤ X < 3513,44 Extremamente Chuvoso (E. CHUVOSO) X ≥ 3513,44 Fonte: Dados da pesquisa.
Com base na série climatológica, os anos foram classificados como Extremamente Seco, Muito Seco, Seco, Normal, Chuvoso, Muito Chuvoso e Extremamente Chuvoso e estão
apresentados na Tabela 5.2 e na Figura 5.2 apresenta-se a variabilidade anual da precipitação no município do Ipojuca.
Tabela 5.2 – Classificação dos anos quanto às categorias de precipitação anual relacionadas com as ordens quantílicas
CATEGORIAS ANOS
Extremamente Seco (E. SECO) 1993, 1998, 2006 e 2012
Muito Seco (MS) 1941, 1946, 1948, 1952, 1981, 1983, 1999 Seco (S) 1943, 1947, 1953, 1954, 1956, 1976, 1979, 1987, 1990, 1991, 1995, 1996, 1997, 2005 Normal (N) 1944, 1945, 1949, 1950, 1951, 1957, 1958, 1959, 1960, 1962, 1963, 1969, 1971, 1988, 1992, 2001, 2007, 2008, 2009, 2010, 2013 Chuvoso (C) 1955, 1961, 1967, 1968, 1970, 1975, 1977, 1978, 1980, 1982, 1985, 1989, 1994, 2002, 2003 Muito Chuvoso (MC) 1965, 1966, 1972, 1973, 1974, 1984, 2011 Extremamente Chuvoso (E. CHUVOSO) 1964, 1986, 2000, 2004
Fonte: Dados da pesquisa.
Figura 5.2 – Representação dos totais anuais e das categorias e probabilidades da precipitação pluvial anual relacionadas com as ordens quantílicas identificadas na série de 1941 a 2013 no Ipojuca
Fonte: Elaborado com base nos dados do pluviômetro localizado na Usina Ipojuca.
Percebe-se uma variabilidade interanual significativa ao se analisar a Tabela 5.1 e a Figura 5.2, principalmente em décadas, conforme demonstrado na figura 5.3. As décadas de 1940 e 1950 foram consideradas as mais secas. Na década de 1940, foram três anos
considerados muito secos, três anos considerados secos e três anos considerados normais. A década de 1950, apresentou um ano muito seco, três anos secos, cinco anos normais e um ano muito chuvoso. A década de 1960 foi considerada uma década muito chuvosa, estando os anos classificados em normais (4), chuvosos (3), muito chuvosos (2) e um ano extremamente chuvoso que foi o ano de 1964. A década de 1970 apresentou dois anos considerados secos, um ano normal, quatro anos chuvosos e três anos muito chuvosos.
Os anos 1980 apresentaram uma variabilidade anual da precipitação pluvial significativa, uma vez que dois anos foram considerados muito secos, um ano seco, um ano normal, quatro anos chuvosos, um ano muito chuvoso e com destaque para o ano de 1986 que foi considerado extremamente chuvoso. A década de 1990 também apresentou uma variabilidade significativa da precipitação ao longo do ano, com dois anos extremamente secos (1993 e 1998), um ano muito seco, cinco anos secos, um ano chuvoso e um ano muito chuvoso. Por fim, identificou-se na década de 2000 um ano extremamente seco (2006), um ano seco, quatro anos chuvosos, dois anos muito chuvosos e dois anos extremamente chuvosos (2000 e 2004). Os anos de 2010, 2011, 2012 e 2013 foram considerados respectivamente normal, muito chuvoso, extremamente seco e normal.
Figura 5.3 – Número de ocorrências das categorias de precipitação por décadas (1941 a 2013) para o município do Ipojuca
Fonte: Elaborado com base nos dados do pluviômetro localizado na Usina Ipojuca.
A Figura 5.4 apresenta o Índice de Anomalia de Chuva para a série de 1941 a 2013 para o pluviômetro da Usina Ipojuca. Os resultados mostraram predomínio de anomalias
negativas, ou seja, valores de precipitação abaixo do esperado para a série estudada. Identificaram-se 44 anos de anomalias negativas dentre os 73 anos analisados, ou seja, 60%.
Em concordância com o exposto na análise da técnica dos quantis, as décadas de 1940 e 1950, bem como a década de 1990 apresentaram maior frequência de anomalias negativas, 9, 8 e 8 anos respectivamente. O que não ocorreu entre as décadas de 1960, 1970 e 1980 que apresentaram 7, 7 e 6 anos de anomalias positivas. Destacam-se como anos que apresentaram maior anomalia positiva, portanto, os anos de 1964, 1986, 2000 e 2004, anos considerados extremamente chuvosos na análise por meio da técnica dos quantis.
Assim, diante do exposto, percebe-se que essas duas técnicas representam bem a variabilidade interanual da precipitação no município do Ipojuca.
Figura 5.4 – Índice de anomalia de chuva (1941 a 2013) para o município do Ipojuca
Fonte: Elaborado com base nos dados do pluviômetro localizado na Usina Ipojuca.
Relacionando os dois gráficos (Figuras 5.2 e 5.4) com os anos de ocorrência de El Niño (Tabela 5.3) e La Niña (Tabela 5.4) e do Dipolo do Atlântico (fases positiva e negativa, Tabela 5.5), pôde-se verificar que ocorreram fenômenos de El Niño nos anos de 1939-1941 (Forte), 1946 a 1947 (Moderado), 1951 e 1953 (Fraco) e 1957-1959 (Forte), o que pode ter influenciado na predominância do período de 1941 a 1960 como anos secos ou anos normais e de anomalias negativas de chuva.
Tal fato pode ter sido agravado pela ocorrência da fase positiva do Dipolo do Atlântico. A fase positiva consiste em um maior aquecimento do Oceano Atlântico Norte (menor pressão) que ajuda a manter a ZCIT mais ao norte da sua posição climatológica (NÓBREGA; SANTIAGO, 2014).
Tabela 5.3 – Anos de ocorrência de El Niño
Ocorrências de El Niño
Forte Moderado Fraco
1939-1941; 1957-1959 1972-1973; 1982-1983 1990-1993; 1997-1998 1946-1947; 1968-1970; 1986-1988 1994-1995; 2002-2003 1951, 1953, 1963, 1976-1977; 1977-1978 1979-1980; 2004-2005; 2006-2007 2009-2010. Fonte: CPTEC/INPE.
Tabela 5.4 – Anos de ocorrência de La Niña
Ocorrências de La Niña
Forte Moderado Fraco
1949-1951; 1954-1956; 1973-1976 1988-1989; 2007-2008. 1964-1965; 1970-1971 1998-2001 1983-1984; 1984-1985 1995-1996.
Fonte: CPTEC / INPE.
Tabela 5.5 – Anos de ocorrência do Dipolo do Atlântico
Fase positiva Fase negativa
1951, 1953, 1954, 1958, 1966, 1969, 1970, 1978, 1979, 1980, 1981, 1983, 1992, 1997
1949, 1964, 1965, 1971, 1972, 1973, 1974, 1977, 1984, 1985, 1986, 1989
Fonte: Souza (1997); Adreoli e Kayano (2007).
De 1962 a 1975, houve maior ocorrência de anos chuvosos a extremamente chuvosos, como também maior frequência de anos com anomalias de chuva positivas. Fato esse que coincide com a ocorrência de eventos de La Niña fortes e fracos nos anos de 1964-1965, 1970-1971 (moderado), 1973-1976 (forte), intensificado pela fase negativa do Dipolo do Atlântico. Essa fase consiste em um maior aquecimento das águas do Atlântico Sul (menor pressão), fazendo com que a ZCIT se mantenha mais ao sul da sua posição climatológica. Além disso, quando o Atlântico Sul encontra-se mais aquecido, provoca mais evaporação da
área adjacente à costa do NEB, em razão do maior fluxo de calor latente na área tropical, que leva umidade aos altos níveis e, essa massa, quando chega ao continente, condensa-se e forma a precipitação, além da intensificação da atuação das Ondas de Leste e brisas na região.
A década de 1980 também foi marcada por maior ocorrência de anos chuvosos a extremamente chuvosos. Entretanto, os anos de 1981 e 1983 foram considerados muito secos; tal fato pode ter sido influenciado pela conjunção dos fenômenos de El Niño forte e da ocorrência da fase positiva do Dipolo do Atlântico nesses anos. De 1984 a 1986, foi dominado por um período de ocorrência de La Niña e da fase negativa do Dipolo do Atlântico, destacando-se 1986 como um ano Extremamente Chuvoso.
A década de 1990 foi marcada pela predominância de anos secos, provocado pela preponderância de eventos de El Niño concomitante com a fase positiva do Dipolo do Atlântico. Nas décadas de 2000 e 2010, destacam-se os anos de 2000, 2004 e 2011 como anos muito chuvosos a extremamente chuvosos. Dentre esses anos, somente 2000 estava sob a influência de um evento de La Niña; os demais anos estavam sob a influência de El Niño fraco.
Após o estudo da variabilidade anual da precipitação do município do Ipojuca, realizou-se uma análise da tendência da série pluviométrica, visando identificar se ocorre manutenção, aumento ou diminuição dos valores de precipitação pluvial. Essa tendência é entendida como uma alteração no clima, aumento ou diminuição lenta dos valores médios da série de dados analisados no período de registro.
Resultados semelhantes foram identificados por Moura (2009), Silva et al. (2011) e Nobrega e Santiago (2014).
Com base nos resultados da aplicação do teste de Mann Kendall, a série histórica de 1941 a 2013 apresentou uma leve tendência de aumento da precipitação ( =0,94), assim
como os trimestres relacionados com o verão (DJF), =8,74, e inverno (JJA) =6,78; já os períodos de outono (MAM) e primavera (SON), apresentaram uma tendência negativa de precipitação ( =-14,3 e =-4,51). Quando analisada a quadra chuvosa (AMJJ), verifica-se uma leve tendência positiva ( =0,03), fato esse determinado pela diminuição das chuvas no período de outono, nesse caso, representado pelos meses de abril e maio.
5.1.2 Análise dos dados mensais de chuva
A análise mensal da série histórica de precipitação de 1941 a 2013 serviu para identificar os meses que estiveram abaixo ou acima da sua normalidade e demonstrar que os eventos extremos também podem ocorrer fora do período chuvoso do município (MAMJJA). Com base nessa análise, pôde-se identificar os limiares relacionados com as probabilidades (0,05), (0,15), (0,25), (0,65), (0,85) e (0,95), apresentados na Tabela 5.6.
Analisando os extremos mensais considerando todos os meses do ano, os meses de abril, maio, junho e julho concentraram o número de anos com chuvas mensais extremas (X ≥ 527,02 mm/30 dias) com 6, 11, 14 e 11 anos respectivamente. O ano de 2004 teve o mês de janeiro com chuvas extremas, e 1964 apresentou o mês de agosto com chuvas extremas. Quase todo o período chuvoso desse último ano (abril, maio, junho e agosto) foi considerado extremante chuvosos.
Tabela 5.6 – Determinação das categorias e probabilidades da precipitação mensal relacionada com as ordens quantílicas (0,05), (0,15), (0,25), (0,65), (0,85) e (0,95)
CATEGORIAS PROBABILIDADES
Extremamente Seco (E. SECO) X ≤ 17,02
Muito Seco (MS) 17,02 < X ≤ 39,70
Seco (S) 39,70 < X ≤ 92,35
Normal (N) 92,35 < X < 220,3
Chuvoso (C) 220,3 ≤ X < 360,15
Muito Chuvoso (MC) 360,15 ≤ X < 527,02 Extremamente Chuvoso (E. CHUVOSO) X ≥ 527,02
Fonte: Dados da pesquisa, baseados no pluviômetro da Usina Ipojuca.
Com a aplicação dos quantis extremos relacionados com as probabilidades p=0,05 e p=0,95 para cada mês (Tabela 5.7), identificaram-se os valores máximos de cada mês nos seguintes anos: janeiro 2004 (616,7 mm/30 dias); fevereiro 1980 (501,7 mm/28 dias); março 1967 (517,9mm/30 dias); abril 1973 (963,8mm / 30 dias); maio 1958 (753,1 mm/30 dias); junho 1951 (851,8mm/30 dias); julho 1986 (1050,4mm/30 dias); agosto 1964 (622,7 mm/30 dias); setembro 2000 (450,2 mm/30 dias); outubro 1971 (279,4 mm/30 dias); novembro 1986 (228,4 mm/30 dias); dezembro 1975 (253,6 mm/30 dias).
Tabela 5.7 – Relação mensal dos valores de chuva média, máxima, mínima e as probabilidades p=0,05 (Mês extremamente secos) e p=0,95 (Mês extremamente chuvoso)
CHUVA MÊS
Jan. Fev. Mar. Abr. Maio Jun. Jul. Ago. Set. Out. Nov. Dez. Média 116,2 130 214,1 294,1 344,3 390,3 343,1 208 114,2 63,7 49,6 64,9
Máxima 616,7 501,7 517,9 963,8 753,1 851,8 1050,4 622,7 450,2 279,4 228,4 253,6
Mínima 9,3 8,2 8,9 48,4 72,4 95,3 84,3 72,7 2,3 9 2,1 0,2
Q 0,05 26,6 21,24 76,34 97,28 131,32 186,8 163,56 95,54 25,04 12,28 8,86 6,74
Q 0,95 267,12 344,87 446,36 609,36 652,09 795,54 748 387,09 235,8 167,9 126,42 149,1
Fonte: Dados da pesquisa, baseados no pluviômetro da Usina Ipojuca.
Com base nos extremos apresentados na Tabela 5.7, analisou-se o total de ocorrência de anos que apresentaram meses extremos por década. As que apresentaram um maior número de meses considerados extremamente secos foram as décadas de 1990, 1980 e 2000. Já as décadas que apresentaram um maior número de meses extremamente chuvosos foram 1970, 1960 e 1990. Essa análise significa que nos anos de 1941 a 1963 os totais precipitados estiveram dentro da normalidade; já nos anos de 1964 a 1986, as chuvas foram mais extremas, predominando as anomalias positivas. Entre os anos 1987 e 1999, predominaram as anomalias negativas e a partir do ano 2001, foram anos com uma variabilidade mais significativa, conforme a análise da Figura 5.4.
5.1.3 Análise da precipitação diária
A análise dos valores diários de precipitação tem como objetivo a identificação dos limiares significativos (valores extremos) que possam causar danos à sociedade, acarretando movimentos de massa e inundação. Existe dificuldade na identificação desse valor, pois eles variam de acordo com as características locais, bem como com as estações do ano. Por exemplo: precipitação acumulada de 60 mm em 24h pode ser excepcional para uma região e normal para outra. Pode ser usual no verão e excepcional no inverno (VICENTE, 2005).
Diante do que foi exposto, objetivando identificar o limiar pelo qual um acumulado de chuva de 24h seja considerado como um evento de chuva extrema (dia com chuva extremamente forte), aplicou-se a técnica dos quantis para os dados diários do pluviômetro de Ipojuca fornecido pela Apac com uma série de 1957 a 1978/1991 a julho de 2015. Ressalte-se que os anos de 1979 a 1990 não tinham dados, por isso não entraram na análise estatística.
Conforme visto na seção 5.1.1, a década de 1980 foi considerada uma década chuvosa tendo 1986 como um ano extremamente chuvoso.
Para o município do Ipojuca, os valores diários de precipitação pluvial foram distribuídos em sete classes quantílicas, a saber: Chuva extremamente Fraca, Chuva muito Fraca, Chuva Fraca, Chuva Moderada, Chuva Forte, Chuva muito Forte e Chuva extremamente Forte, aplicando-se as mesmas probabilidades trabalhadas nas escalas anual e mensal. São elas: p=0,05, p=0,15, p=0,25, p=0,65, p=0,85, p=0,95 (Tabela 5.8). O limiar de chuva que foi identificada como extrema (p=0,95) se precipitado em 24h foi de 53 mm, muito próximo do identificado por Souza, Azevedo e Araújo (2012) para o município do Recife, Pernambuco, que foi de 55,3 mm/24h.
Tabela 5.8 – Determinação das categorias e probabilidades da precipitação diária (acumulado de 24h) relacionadas com as ordens quantílicas p=0,05, p=0,15, p=0,25, p=0,65, p=0,85, p=0,95 para Ipojuca
CATEGORIAS PROBABILIDADES
Chuva extremamente Fraca (E. FRACA) X ≤ 2,2 Chuva muito Fraca (C. M. FRACA) 2,2 < X ≤ 3 Chuva Fraca (C. FRACA) 3 < X ≤ 5,2 Chuva Moderada (C. MODERADA) 5.2 < X < 12,6 Chuva Forte (C. FORTE) 12,6 ≤ X < 27,8 Chuva muito Forte (C. M. FORTE) 27,8 ≤ X < 53 Chuva extremamente Forte (E. FORTE) X ≥ 53
Fonte: Com base nos dados do pluviômetro de Ipojuca fornecido pela Apac com uma série de 1957 a 1978/1991 a julho de 2015.
Com base nos resultados encontrados, verificou-se um maior número de ocorrências de chuvas moderadas em todos os anos analisados (Figura 5.5), superado apenas no mês de abril por dias de chuva forte. Os dias de chuva extremamente fortes são mais frequentes de abril a junho, mas chuvas acima do limiar de 53 mm identificaram-se em todos os meses. Dezembro foi o mês que apresentou a menor ocorrência, e em junho, seguido por maio e abril, houve as maiores ocorrências. Em agosto, identificaram-se somente dez episódios.
Figura 5.5 – Número de dias que estão entre as categorias Chuva extremamente Fraca, Chuva muito Fraca, Chuva Fraca, Chuva Moderada, Chuva Forte, Chuva muito Forte e Chuva extremamente Forte para o município do Ipojuca
Fonte: Com base nos dados do pluviômetro de Ipojuca fornecido pela Apac com uma série de 1957 a 1978/1991 a julho de 2015.
Após a identificação do limiar de chuva acumulada em 24h considerada extrema, identificaram-se as frequências de ocorrência dos intervalos de chuva de 50-60 mm, 60-70 mm, 80-90 mm, 90-100 mm e >100 mm para cada mês do ano para a série histórica de 1957 a 1978/1991 a julho de 2015 (Figura 5.6). O intervalo com chuvas de 50-60 mm ocorre com maior frequência do que os demais, principalmente em abril, maio, junho e julho, tendo maior ocorrência em abril e junho, com 21 e 25 episódios nesses anos.
Figura 5.6 – Gráfico com a frequência de ocorrência dos intervalos de chuva de 50-60 mm, 60-70 mm, 80-90 mm, 90-100 mm e >100 mm por mês para a série de 1941 a 2012 no município do Ipojuca
Fonte: Com base nos dados do pluviômetro de Ipojuca fornecido pela Apac com uma série de 1957 a 1978/1991 a julho de 2015.
Por ser o mês mais chuvoso, junho é o que apresenta o maior número de dias com chuvas acima de 50 mm, principalmente de chuvas acima de 100 mm, seguido dos meses de maio e abril. Agosto apresentou maior número de dias com chuvas acima de 100 mm do que dos demais intervalos. Esse fato mostra o mês de agosto com um mês de ocorrências de extremos significativos de precipitação.
Os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro quase não apresentaram chuvas acima de 50 mm, porém, o único dia com chuva acima de 50 mm ocorreu no dia 5 de dezembro de 2005, que apresentou um acumulado de 138 mm/24h, em 72h choveu 180 mm, um evento considerado extremo para o mês de dezembro.
Na seção 5.1.4, apresentam-se os impactos provocados pelas chuvas extremas no município do Ipojuca e destacam-se os eventos mais significativos.
5.1.4 Exemplos de impactos associados aos eventos extremos no município do Ipojuca
Na seção 5.1.3, por meio da análise dos totais anuais, mensais e diários de chuva, identificaram-se os anos, meses e dias que estiveram dentro da normalidade e os que estiveram bem abaixo ou bem acima da normalidade; por exemplo, os anos e meses extremamente chuvosos e os dias com chuvas extremamente fortes, considerados como eventos raros, que fogem da normalidade, ou seja, eventos considerados extremos ou de alta magnitude.
No município foram identificados eventos de caráter hidrometeorológicos (chuvas intensas) acarretando movimentos de massa (deslizamentos, quedas de muro de arrimo, etc.), inundações e alagamentos.
Visando avaliar os impactos provocados pelos eventos de chuva extrema, analisaram- se as ocorrências de episódios de inundação, alagamentos, movimentos de massa (deslizamentos) e queda de muro de arrimo, que foram cadastradas e fornecidas pela Defesa Civil do município do Ipojuca, dando ênfase às ocorrências de deslizamentos. Assim, nesse cadastro municipal, consideram-se todas as ocorrências registradas pela Defesa Civil, quer de grande impacto, quer não, pois a Defesa Civil municipal não classifica os deslizamentos, nem por tipo nem por dimensão (pequeno, médio e grande porte). Entretanto, a partir da análise do inventário, verificou-se que os deslizamentos do município são de pequeno port. Sendo assim, os deslizamentos fornecidos pela Defesa Civil também foram considerados de pequeno porte.
Também se coletaram as informações de eventos mais significativos nos arquivos digitais do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), sistema esse ligado à Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil do Ministério da Integração Nacional (<http://s2id.mi.gov.br/>).
De acordo com o S2ID, registraram-se eventos de Inundação e Enxurradas bruscas em 2000, 2005 e 2010. Os movimentos de massa no município do Ipojuca não entraram nos cadastros do referido banco devido à baixa magnitude dos deslizamentos; entretanto, nos anos em que houve enxurradas bruscas, ou de chuvas intensas, muitas ocorrências de deslizamentos foram cadastradas pela defesa civil municipal.
O ano de 2000 foi considerado extremamente chuvoso estando sob a influência do fenômeno La Niña, fenômeno esse responsável por uma tendência de aumento de precipitação na porção leste do Nordeste. Em 2000, consideraram-se chuvosos, muito chuvosos e extremamente chuvosos 60% dos meses, o que mostra uma boa distribuição das chuvas durante todo o ano. Podem-se destacar junho e julho, considerados meses extremamente chuvosos, com totais mensais de 944,4 mm e 1.029,5 mm respectivamente. Mais precisamente pelas chuvas ocorridas nos dias 31 de julho e 1.º de agosto de 2000, com chuva acumulada em 24h de 208,2 mm e 270,20 mm, respectivamente, classificadas como chuvas extremamente forte. Nesses dias o município do Ipojuca decretou Situação de Emergência, sendo atingidos os bairros de Ipojuca Sede, distrito de Camela, Vila de Porto de Galinhas, Vila de Rurópolis, Bairro de São Miguel, Vila de Serrambi, Loteamento Canoas, e cerca de 10.000 pessoas foram afetadas.
O ano de 2005 foi considerado seco. Os meses, na maioria, foram classificados como secos, todavia, as chuvas se concentraram no trimestre JJA (50%), sendo este classificado como Chuvoso. No dia 1.º e 2 de junho, as chuvas atingiram um montante de 146,3 mm em 48h (Pluviômetro da Usina Salgado) levando à ocorrência de vários pontos de inundação e alagamentos, por exemplo: Rurópolis (Vila Europa), os bairros de Ipojuca Centro, Loteamento Antônio Dourado Neto (Campo do Avião), São Miguel, o distrito de Camela e os Engenhos Gaipó e Caetés, com um total de 2.000 pessoas afetadas, de acordo com o relatório de Avadan. Todas as áreas de risco foram atingidas levando a uma série de deslizamentos e alguns induzindo a perda total de residências. Além desses problemas, as chuvas também causaram vários prejuízos sociais como rompimento de distribuição elétrica e coleta de lixo, bem como surtos de doença provocados pelo contato da população com as águas poluídas pelos esgotos.
De 2007 até julho de 2015, os impactos foram identificados utilizando os dados de ocorrências fornecidos pela Defesa Civil do município do Ipojuca e idas a campo. É pertinente lembrar que os dados de 2007 a 2013 estavam guardados em papel e durante esta