• Aucun résultat trouvé

Entre formel et informel : savoir décrypter les attentes liées à une situation situation

O perfil do Rio Ceira localiza-se numa estrada de terra de traçado paralelo ao Rio Ceira, junto ao local de Cabril de Baixo, aproximadamente nas seguintes coordenadas: N40º10’35.0’’ W8º10’43.7’’. O corte amostrado (fig.4.7), corresponde ao corte mais contínuo realizado nesta região, assim como, a um dos mais estudados ao longo dos anos (e.g. Young, 1988; Soares et al., 2007).

Figura 4.7. Coluna estratigráfica do Perfil IV (Rio Ceira), com localização das amostras estudadas. Assinalam- se a vermelho as amostras produtivas para palinologia. Os dados de macrofauna indicados baseiam-se no trabalho de Young (1988). (ver Anexo 2, estampa de afloramento 2, foto 1 e 2)

80

O perfil amostrado para este estudo abrangeu as Formações Quartzito Armoricano, Brejo Fundeiro, Monte da Sombadeira, Fonte da Horta, Cabril, Carregueira, Louredo, Porto de Santa Ana, Ribeira do Braçal, Ribeira Cimeira, Casal Carvalhal e Sazes, tendo sido recolhidas 47 amostras no total (amostras 32 a 78). Uma grande parte do perfil elaborado corresponde a uma adaptação do Log 2 (fig. 3) e Log 13 (fig. 8), do trabalho de Young (1988).

Constituída por cerca de 460 m de espessura (Soares et al., 2007), a Formação Quartzito Armoricano apenas foi amostrada nas camadas do topo, nos níveis siltiticos finos que se encontravam intercalados nos últimos 32 metros desta formação, entre as bancadas quartzíticas (fig. 4.7). Em continuidade estratigráfica encontram-se os sedimentos pelíticos e siltíticos da Fm. Brejo Fundeiro, possuindo uma espessura de cerca de 100 m, com secções não expostas, aos quais se seguem cerca de 30 m de sedimentos quartzíticos e areníticos finos, que se intercalam com siltitos, da Fm. Monte da Sombadeira (Soares et al., 2007). Neste local não se observa a passagem entre ambas as formações descritas.

Na sucessão amostrada seguem-se cerca de 50 m de pelitos intercalados por raras bancadas areníticas, a que corresponde a Fm. Fonte da Horta e, que se encontravam visivelmente alterados, não se procedendo à amostragem destas camadas. A topo da Fm. Fonte da Horta observa-se a passagem aos dois conjuntos de bancadas areníticas e siltíticas, intercalados por níveis escuros de pelitos, da Fm. Cabril que, neste local, possui cerca de 25 metros de espessura (Soares et al., 2007). Segue-se a Fm. Carregueira, na qual se observam cerca de 7 m de espessura de pelitos negros, nos quais foram efetuadas 4 recolhas de amostras para estudos palinológicos.

A Fm. Louredo localiza-se a topo da Fm Carregueira, observando-se o horizonte de ferro oolítico caraterístico da base desta formação (Camada do Favaçal). Abarcando uma espessura de cerca de 180 m de bancadas de arenitos, intercaladas por níveis pelíticos de cor escura, nas camadas areníticas é possível observarem-se figuras sedimentares como, estratificação cruzada ou ripples de corrente. Ao longo desta parte do perfil, várias áreas encontram-se sem exposição e, para o topo da unidade começam a observar-se dobramentos tectónicos nas camadas, existindo uma rocha diabásica que se intrui nos sedimentos desta formação. Na Formação Louredo foram recolhidas 3 amostras, uma delas retirada da Camada do Favaçal.

A parte superior da Fm. Louredo não se encontra exposta, assim como, parte da Fm. Porto de Santa Ana, a qual não evidenciava fáceis propícias para amostragem. Segue-se, em continuidade estratigráfica, uma sucessão com cerca de 14 metros de espessura formada por alternâncias de pelitos e siltitos, que correspondem aos sedimentos da Formação Ribeira do

81

Braçal, na qual foram recolhidas 7 amostras. Em discordância sobre esta unidade encontram- se depositados os arenitos conglomeráticos, arenitos e siltitos, da Fm. Ribeira Cimeira, com espessura de cerca de 26 m. A topo, segue-se a Formação Casal Carvalhal, constituída por siltitos areníticos, com clastos de arenitos, argilitos, calcários e ferro oolítico, com cerca de 30 metros de espessura.

Por último, as rochas sedimentares mais recentes correspondem a pelitos negros carbonosos, da Formação Sazes, que contatam por falha com os sedimentos de idade ordovícica da Fm. Casal Carvalhal. Nesta unidade foram amostrados apenas os primeiros 25 metros, tendo-se procedido à recolha de 3 amostras para estudos palinológicos.

Neste perfil foram reconhecidas diversas biozonas de macrofósseis. Na formação Cabril, aproximadamente aos 16 m da base, foram identificados exemplares do braquiópode

Apollonorthis bussacensis (Young, 1988). Segundo Young (1988), este braquiópode

apresenta uma distribuição estratigráfica muito próxima da espécie de trilobite Placoparia

(C.) borni, espécie índex da Biozona com o mesmo nome, de idade Dobrotiviano superior

(Gutiérrez-Marco et al., 2002) permitindo, assim, datar parte da formação.

A Formação Ribeira do Braçal apresenta uma macrofauna constituída por crinóides, ostracodes e braquiópodes, recolhidos cerca de 50 m a norte deste local (Young, 1988). Segundo Young (1988), a fauna identificada corresponde à Zona 12 descrita nesse trabalho, à qual é atribuída a idade de Kosoviano (=Hirnantiano).

No total, neste local foram recolhidas 47 amostras (amostras 32 a 78), no entanto, apenas 9 revelaram a presença de palinomorfos passíveis de serem classificados, duas delas contendo apenas quitinozoários. O resíduo palinológico, na grande maioria das amostras, era em pouca quantidade. Por outro lado, o mau estado de preservação dos palinomorfos presentes no resíduo palinologógico, dificultou a sua identificação. A maioria dos exemplares estavam fraturados e muito piritizados, o que dificultou o processo de identificação destes. As associações recuperadas revelaram-se pouco diversificadas e pouco abundantes em número de espécimenes, tendo um tempo de oxidação médio de cerca de 30 minutos.

A Formação Carregueira forneceu 1 amostra positiva (amostra 51), tendo sido possível identificar espécimenes de acritarcas do género Veryhachium. Pela primeira vez em Portugal identificaram-se espécimenes de criptosporos de Gneudnaspora chibrikovae em amostras desta idade (Ordovícico superior), constituindo até à data, um dos registos mais antigos de criptosporos conhecidos em território português.

82

A Formação Louredo não forneceu espécimenes de acritarcas ou criptosporos passíveis de serem identificados, no entanto, mostrou ser rica em quitinozoários.

Relativamente à Formação Ribeira do Braçal, das 7 amostras recolhidas, 4 foram positivas (amostras 58, 60, 61 e 62), fornecendo palinomorfos (acritarcas, prasinófitas, criptosporos e quitinozoários) mal a moderadamente preservados. A associação de acritarcas e algas recuperadas incluem espécimenes dos géneros: Eupoikilofusa sp. 1, Eupoikilofusa sp. 2,

Leiosphaeridia sp. 1, Lophosphaeridium spp., Multiplicisphaeridium sp., ?Proteolobus sp., Veryhachium ?subglobosum, V. trispinosum, Villosacapsula irrorata, V. setosapellicula e Visbysphaera cf. V. microspinosa (tab. 4.2). Estas amostras permitiram, igualmente, a

identificação, pela primeira vez, de uma associação de criptosporos um pouco mais diversificada do que a encontrada na amostra da Formação Carregueira, neste memso corte:

Dyadospora murusattenuata Morphon; Rugosphaera ?cerebra, Tetrahedraletes medinensis e Velatitetras retimembrana (tab. 4.2). Completam as associações, espécimenes de

quitinozoário ?Conochitina sp., identificados pelo colega Nuno Vaz (Universidade de Tras- os-Montes e Alto Douro - UTAD) e, não inseridos na tabela 4.2 por não fazerem parte dos grupos de palinomorfos alvo de estudo, neste trabalho.

A associação de acritarcas e de algas recuperada é pouco diversificada, sendo dominada pelas formas “veryhacoides” (Veryachium spp., Villosacapsula spp.) o que, segundo Vecoli (2008), será típico de associações do Ordovícico Superior. Este autor, referindo-se às associações de acritarcas do Ordovícico Superior, indica que diversos géneros de acritarcas sobreviveram ao período glaciar que se verificou durante o Hirnantiano, continuando a existir durtante o Silúrico (e.g. Multiplicisphaeridium sp., Leiofusa sp.). Segundo este autor, a glaciação não chegou a promover um evento de extinção global para este grupo fóssil. Aliás, segundo esse trabalho, em associações recuperadas no Norte de Africa, a taxa de abundância e de variabilidade morfológica intra-específica de taxa com longas distribuições estratigráficas como, Veryhachium, Multiplicisphaeridium, Dactylofusa, Poikilofusa e Evittia, revelou-se abundante durante a glaciação, o que aparenta constituir uma resposta, ou uma possível estratégia de sobrevivência para as condições glaciares verificadas. Segundo este autor, durante a época glaciar também se verificou o aparecimento de novos géneros de acritarcas (e.g. Evittia, Neoveryhachium), sendo que, alguns deles vieram a tornar-se dominantes durante o Silúrico (e.g. Cymbosphaeridium e Visbysphaera).

83 Tabela 4.2. Distribuição estratigráfica dos palinomorfos recuperados nas amostras produtivas do Perfil IV (Rio Ceira). Cronostratigrafia: 1- Berouniano; 2- Kosoviano.

A associação recuperada do resíduo palinológico proveniente das amostras da Fm. Ribeira do Braçal, inclui géneros e espécies com ampla distribuição estratigráfica (e.g. Veryhachium spp., Multiplicisphaeridium sp.), espécimenes cuja distribuição se inicia no topo do Kosoviano (género Visbysphaera) e, exemplares de Villosacapsula setosapellicula, que se extinguem no topo do Hirnantiano.

Assim, tendo em conta a distribuição estratigráfica dos géneros e espécies classificados (e.g. Fensome et al. 1990; Playford, 2003; Vecoli, 2008), a associação de palinomorfos recuperada permite indicar a idade de Kosoviano superior. Os primeiros resultados de

P r as . A lg as 75 ●● 66 ● 62 ● ● ● ● ● ● ●● ●● ●● ● 61 ●● ● ● ● ● ● 60 ●● ● ● 58 ●● ● 51 ●● 1 2 Amostras ref. Cr ip to s p or os A c ri ta rc a s Multiplicisphaeridium sp. Eupoikilofusa sp. 2 Leiosphaeridia sp. 1 Veryhachium spp. Veryhachium lairdii Veryhachium trispinosum Veryhachium ?subglobosum ?Proteolobus sp. Eupoikilofusa sp. 1 Lophosphaeridium spp. Villosacapsula setosapellicula Cronostratigrafia Rugosphaera ?cerebra Tetrahedraletes medinensis Visbysphaera cf. V. microspinosa Villosacapsula irrorata Gneudnaspora chibrikovae

Dyadospora murusattenuata Morphon Velatitetras retimembrana

84

palinomorfos obtidos para o topo do Ordovícico, nesta região, acabam por complementar os dados de macrofósseis já existentes.

A presença de criptosporos na associação recuperada, poderá ser um indicador paleoambiental da existência de plantas terrestres primitivas tolerantes a uma grande diversidade de condições ambientais (pré-glaciares, ou mesmo, glaciares).

A Formação Ribeira Cimeira forneceu uma amostra positiva (amostra 66), com uma associação muito limitada, tendo sido identificados dois exemplares da espécie Veryhachium

trispinosum e, um exemplar de quitinozoário (?Conochitina sp.), o que não permitiu a

restrição da idade.

Por último, das 8 amostras recolhidas na Formação Casal Carvalhal, apenas 1 amostra se revelou positiva (amostra 75). Esta amostra, extremamente pobre e muito mal preservada, forneceu 4 exemplares passíveis de identificação. Dois deles pertencentes ao género

Villosacapsula (V. setosapellicula) e, os outros dois pertencentes ao género Veryhachium (V.

lairdii

).

Os resultados recuperados das Formações Ribeira do Braçal, Ribeira Cimeira e Casal Carvalhal, correspondem aos primeiros dados de palinomorfos (acritarcas e criptosporos) recuperados a partir de níveis sedimentares do Kosoviano, em Portugal. Apesar de apresentarem associações pouco diversas e com má preservação, constituem o primeiro passo para a caracterização das associações de palinomorfos hirnantianas, presentes no nosso país.

Outline

Documents relatifs