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La formation extrascolaire dans une perspective interculturelle

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economia nacional) quando em estudo mais especializados (Estudo da PriceWaterHouse/Coopers de janeiro de 2011 mostrando o Brasil como 4ª economia do mundo em 2050), mas principalmente diante de fatos consumados (Pré-Sal, Copa, Olimpíadas), existem várias indicações de que o Brasil deverá ter ainda mais destaque na economia mundial nos próximos 10 anos, você considera importante discutir as condições e limites desta retomada de um Estado Desenvolvimentista no Brasil, principalmente em face dos riscos que isso significa quando consideramos a matriz sócio- política nacional, marcada pelo patrimonialismo? Esse é um tema pertinente para o atual momento nacional?

R - Acho importantíssimo. O tema é mais atual do que parece e mais relevante e por qualquer maneira está meio esquecido pela academia que tem discutido muito os modelos econométricos para destacar aspectos econômicos irrelevantes. Esse tema precisa e carece de uma

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atualização até mesmo para descobrirmos se esses eventos que você menciona são alternativas para uma mudança de concepção do papel do Estado com a criação de mecanismos que possam potencializar ações para o desenvolvimento endógeno das cidades sedes da copa com possibilidade de efeitos polarizadores para os municípios do interior, semelhante ao que acontece em outros países que se beneficiariam muito com as externalidades potencializadas pela copa.

147 ENTREVISTADO (VIA TELEFONE) – PROFESSOR SÉRGIO LAZZARINI (INSPER/SP)

1. Na sua opinião, é possível identificar, tanto no Brasil como, de modo geral, no mundo, uma atuação diferenciada do Estado na economia ao longo dos anos 2000, em comparação com os anos 1980 e 1990? Em caso afirmativo para o Brasil, essa maior atuação pode ser associada ao antigo Estado Desenvolvimentista, retomado obviamente sobre novas bases, como fazem alguns autores brasileiros (Bresser Pereira; Novo-Desenvolvimentismo; Márcio Pochmann: Social-Desenvolvimentismo; João Paulo de Almeida Magalhães: Desenvolvimentismo Keynesiano)?

R – Há muito mais uma mudança de discurso do que na prática. Na prática, o discurso neoliberal do Consenso de Washington, que pregava a saída do Estado da economia, até foi implementado de forma mais radical em alguns países, como Inglaterra e Nova Zelândia, porém não teve o mesmo efeito prático nos países latino-americanos, por exemplo. No caso do Brasil, apesar das privatizações, o papel do Estado na economia nunca deixou de ser forte. Na verdade, é inquestionável que ele se ampliou nos últimos anos, conforme destaco no livro “Capitalismo de Laços”, com aquisição de participação acionária dos BNDES e dos fundos de pensão de estatais em várias empresas privatizadas. Assim, discordo que se possa falar em ruptura entre os anos 1980 e 1990 e os anos 2000, pois não se pode falar que o Estado esteve fora da economia e que agora está voltando. Porém, quanto à presença mais forte do Estado nos últimos 10 anos, concordo, pois todos os números mostram que essa presença aumentou. Se isso é bom ou não para o país, ai já é uma outra discussão.

2. Considerando que tanto no senso comum (reportagem do The Economist de novembro de 2009 mostrando a decolagem da economia nacional) quando em estudo mais especializados (Estudo da PriceWaterHouse/Coopers de janeiro de 2011 mostrando o Brasil como 4ª economia do mundo em 2050), mas principalmente diante de fatos consumados (Pré-Sal, Copa, Olimpíadas), existem várias indicações de que o Brasil deverá ter ainda mais destaque na economia mundial nos próximos 10 anos, você considera importante discutir as condições e limites desta retomada de um Estado Desenvolvimentista no Brasil, principalmente em face dos riscos que isso significa quando consideramos a matriz sócio- política nacional, marcada pelo patrimonialismo? Esse é um tema pertinente para o atual momento nacional?

R – Considero este um tema fundamental. Não só pelo momento, mas principalmente devido às controvérsias que marcam essa discussão na

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atualidade. Porém, é preciso ter muito cuidado com dois aspectos. Por um lado, é um tema muito amplo: De que desenvolvimento estamos falando? De que políticas públicas estamos falando? Acredito que o tema deveria ter um recorte mais específico (Neste ponto, informei ao entrevistado que meu foco seria uma avaliação do processo de elaboração e dos resultados da política industrial da era Lula – PITCE/PDP, com destaque para a estratégia de criação de campeões nacionais por parte do BNDES). Neste caso, é um recorte interessante, mas é necessário novamente deixar muito claro alguns pontos como o que constitui um campeão nacional? Qual a participação neste processo não só do BNDES, mas dos grupos privados beneficiados? Quais os benefícios dessa estratégia em comparação com investimentos mais horizontais (educação, saúde, infraestrutura, etc)? O outro perigo é cair num discurso ideológico, tanto do lado liberal, apontado apenas os erros de uma política industrial atuante, quando do lado intervencionista, enaltecendo essa presença do Estado sem lembrar das eventuais falhas (má alocação de recursos, captura por lobbies empresariais, corrupção, etc). É preciso fazer uma análise crítica de um fenômeno objetivo, através de critérios claros e dados estatísticos. Não adianta falar apenas em certo e errado. É preciso mostrar porque determinada hipótese tem mais consistência empírica e teórica do que outras. Mas quanto à importância do tema, não há dúvidas.

149 ENTREVISTADO (VIA E-MAIL) – VITOR LOPES (DESENBAHIA)

1. Na sua opinião, é possível identificar, tanto no Brasil como, de modo geral, no mundo, uma atuação diferenciada do Estado na economia ao longo dos anos 2000, em comparação com os anos 1980 e 1990? Em caso afirmativo para o Brasil, essa maior atuação pode ser associada ao antigo Estado Desenvolvimentista, retomado obviamente sobre novas bases, como fazem alguns autores brasileiros (Bresser Pereira; Novo-Desenvolvimentismo; Márcio Pochmann: Social-Desenvolvimentismo; João Paulo de Almeida Magalhães: Desenvolvimentismo Keynesiano)?

R – Acredito que com o esgotamento do modelo neoliberal implantado no mundo nos anos 80 e 90, passou-se a buscar caminhos alternativos para o desenvolvimento. De fato o modelo neoliberal não conseguiu expandir a economia, gerar emprego e inclusão social. Pelo contrário, o modelo aguçou as desigualdades, concentrou a renda, gerou graves assimetrias e problemas sociais. Os partidários dessa ideologia diziam que era preciso reduzir o estado para ampliar a rentabilidade do setor privado e esse fato seria responsável por um retorno dos investimentos capitalistas, alavancando a economia e proporcionando o crescimento. O fato é que lucratividade das empresas aumentou, mas não se deu dinamismo à economia real, o lado financeiro se expandiu e a economia ficou estagnada. A partir dessa malograda experiência, passou-se a discutir tantos nos meios acadêmicos quanto nos organismos internacionais (ONU, BIRD, FMI, etc) outras formas e naturalmente um retorno às teorias desenvolvimentistas que têm por base um papel mais forte do estado foi inevitável. Agora, acho que o contexto é outro e não dá para simplesmente usar as teorias originais, muito embora ache que elas continuem sendo válidas para interpretação da realidade, mas precisam ser atualizadas. Entendo que a participação do estado deve ser vista de forma menos 'ideologizada', e sim como uma necessidade da economia capitalista. É preciso transparência, controle social, participação e outros elementos que não se cogitava, no auge do keynesianismo. Os autores que você citou têm dado contribuições. Aliás, o Bresser é de fato um grande estudioso do assunto e vem declaradamente mudando e aprofundando sua opinião (ele já foi um grande defensor do ajuste fiscal). O Delfim Neto e Maria da Conceição Tavares, Luiz Fiori, Emir Sader, também tem dados boas contribuições ao debate.

150 2. Considerando que tanto no senso comum (reportagem do The

Economist de novembro de 2009 mostrando a decolagem da economia nacional) quando em estudo mais especializados (Estudo da PriceWaterHouse/Coopers de janeiro de 2011 mostrando o Brasil como 4ª economia do mundo em 2050), mas principalmente diante de fatos consumados (Pré-Sal, Copa, Olimpíadas), existem várias indicações de que o Brasil deverá ter ainda mais destaque na economia mundial nos próximos 10 anos, você considera importante discutir as condições e limites desta retomada de um Estado Desenvolvimentista no Brasil, principalmente em face dos riscos que isso significa quando consideramos a matriz sócio- política nacional, marcada pelo patrimonialismo? Esse é um tema pertinente para o atual momento nacional?

R – Sem dúvida, todas as expectativas são positivas para o Brasil, então é o momento de se discutir estratégias, padrões de desenvolvimento, etc. O pré-sal, por ex., é uma grande oportunidade para o país mas é preciso agregar valor, integrar as cadeias, ter a Petrobras como grande puxadora do processo de nacionalização ainda que parcial do fornecimento para a ind. do petróleo e gás. Não podemos nos acomodar com a exportação da matéria prima, isso seria um retrocesso. É preciso política industrial, investimento em inovação, tecnologia de ponta, capacitação da nossa mão de obra, etc. Aliado a isso não podemos perder de vista o papel das políticas públicas para a superação das desigualdades sociais no país. Sem dúvida, estamos em momento ímpar da nossa história e não podemos perder essa oportunidade, ainda que tenhamos cautela com respeito aos gastos públicos e pressão inflacionária. O prof. Antônio Barros de Castro (UFRJ) tem dado boas contribuições sobre esse tema.

151 PROJETO

CONDIÇÕES E LIMITES DO DESENVOLVIMENTISMO REVISITADO

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